Alfabetização

Alfabetização

(Parte 1 de 5)

Ministério da Educação Secretaria de Educação Fundamental

Módulo Alfabetizar com textos

Secretaria de Educação Fundamental Iara Glória Areias Prado

Departamento de Política da Educação Fundamental Virgínia Zélia de Azevedo Rebeis Farha

Coordenação-Geral de Estudos e Pesquisas da Educação Fundamental Maria Inês Laranjeira

B823p

Brasil. Secretaria de Ensino Fundamental.

Programa de desenvolvimento profissional continuado: alfabetização / Secretaria de Ensino Fundamental. – Brasília: A Secretaria, 1999.

134p.: il. Módulo Alfabetizar com textos

1. Alfabetização. 2. Ensino Fundamental. 3. Formação de Professores. I. Título. CDU 371.14

Aos Professores e Professoras

com satisfação que entregamos às nossas escolas, por meio das secretarias estaduais e municipais de educação, o material do projeto PARÂMETROS EM AÇÃO, que tem como propósito apoiar e incentivar o desenvolvimento profissional de professores e especialistas em educação, de forma articulada com a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, dos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e para a Educação Indígena e da Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos. A idéia central desse projeto é favorecer a leitura compartilhada, o trabalho conjunto, a reflexão solidária, a aprendizagem em parceria. O projeto está organizado em módulos de estudo compostos por atividades diferenciadas que procuram levar à reflexão sobre as experiências que vêm sendo desenvolvidas nas escolas e acrescentar elementos que possam aprimorá-las. Para tanto, utiliza textos, filmes, programas em vídeos que podem, além de ampliar o universo de conhecimento dos participantes, ajudar a elaborar propostas de trabalho com os colegas de grupo e realizá-las com seus alunos. A proposta do projeto PARÂMETROS EM AÇÃO tem a intenção de propiciar momentos agradáveis de aprendizagem coletiva e a expectativa de que sejam úteis para aprofundar o estudo dos Referenciais Curriculares elaborados pelo MEC, intensificando o gosto pela construção coletiva do conhecimento pedagógico, favorecendo o desenvolvimento pessoal e profissional dos participantes e, principalmente, criando novas possibilidades de trabalho com os alunos para melhorar a qualidade de suas aprendizagens. Desejamos a todos um bom trabalho.

Paulo Renato Souza Ministro da Educação

Apresentação7

S umári o

1. Finalidade9
2. Público-alvo9
3. Requisitos para participar10
4. Estrutura dos módulos10
5. Funções do(s) coordenador(es)-geral(is)1
6. Funções do coordenador de grupo12

Parte I

1. Considerações preliminares15
2. Desafios15
3. Registro pessoal16
4. Programas de vídeo17

A presentaçã o

o longo do período de 1995 a 1998, a Secretaria de Educação Fundamental do MEC elaborou os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e também os Referenciais para Educação Indígena, Educação Infantil, Educação de Jovens e Adultos e Formação de Professores. Uma ampla discussão nacional foi desencadeada em torno desses documentos, cuja função principal é apoiar os sistemas de ensino no desenvolvimento de propostas pedagógicas de qualidade, na perspectiva de uma educação para a cidadania. Essa meta exige impulsionar o desenvolvimento profissional dos professores no âmbito das secretarias estaduais e municipais de educação. Com essa finalidade, a SEF/MEC estará implementando um programa que envolverá um conjunto de ações voltadas para diferentes segmentos da comunidade educacional (professores, equipes técnicas, diretores de escola e/ou creches) e será desenvolvido em parceria com as secretarias estaduais e municipais, escolas de formação de professores em nível médio e superior e Organizações Não-Governamentais – ONGs. O programa incluirá diferentes ações, tais como: •Distribuição e implementação, nos estados e municípios, dos Referenciais para a Formação de Professores. •Apoio às equipes técnicas das secretarias de educação para implementação de programas de formação continuada e para orientação das unidades escolares na formulação e no desenvolvimento de seus projetos educativos. •Apoio aos estados e aos municípios interessados na reformulação de planos de carreira. •Criação de pólos de apoio técnico-operacional para a Educação Infantil e para o Ensino Fundamental nas diferentes regiões do país. •Elaboração e divulgação de novos programas da TV Escola.

•Realização de seminários sobre formação de formadores em parceria com as universidades e outras instituições. •Elaboração e divulgação de módulos orientadores de estudo dos Parâmetros e Referenciais Curriculares Nacionais – os PARÂMETROS EM AÇÃO, explicitados a seguir.

Secretaria de Educação Fundamental

Parte I

1. Finalidade Como uma ação inicial, a SEF/MEC oferece às secretarias de educação e escolas/grupos de escolas interessados em implementar os Referenciais Curriculares a realização, em parceria, da atividade PARÂMETROS EM AÇÃO. Essa atividade foi planejada para ser realizada em um contexto de formação de profissionais de educação, propiciando o estabelecimento de vínculos com as práticas locais e tendo como finalidades: •Apresentar alternativas de estudo dos Referenciais Curriculares a grupos de professores e a especialistas em educação, de modo que possam servir de instrumentos para o desenvolvimento profissional desses educadores. •Analisar as Diretrizes Curriculares Nacionais (Educação Infantil e Ensino Fundamental) elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação, norteadoras do trabalho das escolas.1 •Contribuir para o debate e a reflexão sobre o papel da escola e do professor na perspectiva do desenvolvimento de uma prática de transformação da ação pedagógica. •Criar espaços de aprendizagem coletiva, incentivando a prática de encontros para estudar e trocar experiências e o trabalho coletivo nas escolas. •Identificar as idéias nucleares presentes nos Referenciais Curriculares e fazer as adaptações locais necessárias, atendendo às demandas identificadas no âmbito do estado/município ou da própria escola. •Potencializar o uso de materiais produzidos pelo MEC.

•Incentivar o uso da TV Escola como suporte para ações de formação de professores.

2. Público-alvo •Professores que atuam no Ensino Fundamental (1ª a 4ª e 5ª a 8ª séries),2 na Educação Indígena, na Educação Infantil, na Educação de Jovens e Adultos.

1 Essas diretrizes precisam ser conhecidas e discutidas pelos coordenadores-gerais e de grupo. 2 Incluem-se também professores que atuam em classes de alunos portadores de necessidades especiais, em função de deficiência auditiva, visual, física ou mental.

•Especialistas em educação: diretores de escola, assistentes de direção, coordenadores pedagógicos ou de área, supervisores de ensino, técnicos das equipes pedagógicas das secretarias, entre outros.

3. Requisitos para participar As secretarias estaduais/municipais, as escolas ou grupos de escolas que desejarem participar do PARÂMETROS EM AÇÃO responsabilizar-se-ão pela: •indicação de coordenadores-gerais e de grupos;

•organização dos grupos de estudo;

•preparação de local(is) e de recursos materiais para o desenvolvimento dos trabalhos; •formulação de cronograma local de desenvolvimento das ações, de forma a possibilitar que professores e especialistas em educação tenham condições de participar; •reprodução e distribuição do material;

•avaliação e acompanhamento da ação. É recomendável que as secretarias participantes incluam em seu plano de trabalho outras ações no sentido de ampliar a formação de seus professores e proporcionar condições de trabalho para que as escolas possam construir e desenvolver seus projetos educativos. Assim, por exemplo, é importante pensar em: •horários de trabalho pedagógico, para que a equipe escolar possa planejar e desenvolver coletivamente sua ação educativa; •criação de níveis de coordenação na secretaria de educação e nas escolas, com papéis claramente definidos; •materiais bibliográfico, videográfico e impresso, que constituam um acervo básico para que professores possam ampliar os estudos feitos no decorrer dos módulos; •interação com especialistas em educação/pesquisadores da própria região ou de outros locais, que possam contribuir para ampliar as reflexões que acontecem nas escolas; •alternativas que permitam que essa formação seja contemplada na progressão funcional dos professores, como uma das formas de estimular a participação em ações de formação continuada que envolvam a equipe escolar. Os principais materiais, necessários ao desenvolvimento dos módulos, já foram disponibilizados pelo Ministério da Educação – publicações já enviadas às escolas e vídeos exibidos pela TV Escola. Os textos impressos que não constam das publicações estão relacionados nos anexos de cada um dos módulos, e os vídeos que não integraram ainda a programação da TV Escola serão exibidos antes do início dos trabalhos com os professores, para que sejam gravados.

4. Estrutura dos módulos Para cada módulo, estão indicados: •Tempo previsto: o período de tempo previsto para o desenvolvimento de cada módulo é uma orientação para o coordenador e poderá ser ampliado ou reduzido de acordo com as peculiaridades locais. Assim, é apenas uma referência que, evidentemente se modifica muito se o grupo de professores for mais ou menos numeroso e participante, ou se uma atividade se estende mais ou menos, por uma ou outra razão. De qualquer forma, o coordenador deve estar atento para que seja possível realizar todas as atividades, pois elas foram elaboradas com um encadeamento intencional. •Finalidade do módulo: orienta as metas que se pretende atingir com a realização de cada módulo e é útil para orientar o coordenador em suas intervenções. •Expectativas de aprendizagem: capacidades que se espera que os professores participantes dos módulos desenvolvam, a partir das atividades propostas, e que servem de critérios para a avaliação. •Conteúdos do módulo: principais conceitos, procedimentos e atitudes abordados no módulo. •Materiais necessários: indicação de vídeos, textos, imagens etc. que serão utilizados no desenvolvimento do módulo e, portanto, precisam ser providenciados com antecedência. •Sugestão de materiais complementares: sugestão de bibliografia, de programas de vídeo e de outros materiais que possam ser usados pelo grupo em atividades intercaladas com os períodos de realização dos módulos ou para aprofundamento dos conteúdos abordados. São indicações importantes para a preparação dos coordenadores. •Atividades: essas aparecem organizadas em seqüências, com os materiais necessários indicados, encaminhamentos propostos e orientações para os coordenadores de grupo. Essas orientações para os coordenadores procuram deixar claro os objetivos, subsidiar sua intervenção e sugerir possibilidades de flexibilização das atividades. •Anexos: textos, ilustrações e/ou folhas-tarefa necessários à realização do módulo.

5. Funções do(s) coordenador(es)-geral(is) É fundamental que cada secretaria de educação estadual ou municipal indique coordenador(es) do programa, que fará(ão) a articulação entre a equipe da SEF/MEC e a de coordenadores de grupo, responsáveis pelo encaminhamento dos trabalhos. Para definição de quem serão tais coordenadores, é importante que cada secretaria mobilize pessoas da sua localidade comprometidas de fato com a promoção do desenvolvimento profissional dos educadores. Em função do número de participantes envolvidos no PARÂMETROS EM AÇÃO, serão indicados os coordenadores, que podem atuar em nível de coordenação-geral e coordenação de grupo. Sugere-se que haja um coordenador-geral para acompanhar o trabalho de 16 a 20 grupos. Esses coordenadores-gerais incumbir-se-ão de: •divulgar o programa junto aos diretores de escola;

•ajudar na organização dos grupos de estudo, na definição de local(is) de funcionamento e na formulação do cronograma; •providenciar os recursos materiais para o desenvolvimento dos trabalhos; •orientar as reuniões em que os coordenadores de grupo vão estudar as propostas contidas em cada módulo e preparar seu trabalho com os professores;

•assessorar e avaliar todo o desenvolvimento do programa; para tanto deverão organizar um caderno de registros com a memória do projeto, que permita a posterior elaboração de relatórios a serem enviados à SEF/MEC.

6. Funções do coordenador de grupo Além dos coordenadores-gerais, as secretarias estaduais/municipais indicarão os coordenadores de grupo responsáveis pelo encaminhamento dos módulos. Poderão ser coordenadores de grupo professores das universidades, integrantes de ONG, técnicos da equipe pedagógica da secretaria, supervisores de ensino, diretores de escola e/ou creches, coordenadores pedagógicos e professores que estejam atuando em sala de aula. O importante é que esse coordenador de grupo tenha disponibilidade para atuar como organizador e orientador dos trabalhos do grupo, incentivando a participação de todos e ajudando o grupo a enfrentar os desafios colocados pelas atividades. Para isso, os coordenadores de grupo precisam ser pessoas que gozem do reconhecimento dos professores. Para o bom andamento dos trabalhos, é necessário que os coordenadores de grupo tomem para si as seguintes tarefas: •Coordenar as reuniões dos grupos, funcionando como orientadores de aprendizagem, buscando propiciar a integração dos participantes e indicando a organização de pequenos grupos ou o trabalho individualizado. •Ler previamente os textos indicados e preparar as atividades e os materiais, articulando-os com dados contextualizados na realidade local, para enriquecimento dos trabalhos. •Elaborar atividades complementares para serem desenvolvidas pelos professores entre um encontro e outro e/ou entre os módulos, de forma que os professores possam fazer uso do que aprenderam em sua sala de aula. •Incentivar os professores a analisarem a própria experiência, relacionando-a aos estudos que estão sendo feitos e a criarem outras alternativas de trabalho. •Planejar e controlar o tempo destinado a cada atividade, bem como o uso do espaço físico e do equipamento necessário. O tempo indicado nas atividades é apenas uma referência que, evidentemente, se modifica em função do número de professores que compõe o grupo, se for mais ou menos numeroso ou se uma atividade se estendeu mais ou menos, por uma ou outra razão. •Criar espaços para que os professores possam comunicar suas experiências (por exemplo, a organização de um mural ou caderno volante). •Estimular a participação de todos os professores nas sessões de leitura dos documentos, intervindo para que todos fiquem à vontade para expressar dúvidas de qualquer natureza. •Assistir previamente aos programas de vídeo e filmes que integram os módulos: algumas vezes é importante assistir a eles mais de uma vez, para poder preparar uma intervenção que potencialize as discussões do grupo, especialmente quando o assunto for difícil ou razoavelmente novo para todos.

•Ajudar na sistematização do trabalho, propondo aos participantes que organizem seu caderno de registro: um caderno para fazer anotações pessoais, escrever conclusões das atividades, documentar as sínteses das discussões, formular perguntas que não foram respondidas para serem exploradas nas sessões seguintes, construindo assim um registro do percurso de formação ao longo dos módulos. Esse registro é essencial, inclusive, para o acompanhamento e a avaliação do módulo. •Avaliar o desenvolvimento de cada módulo, o desempenho dos participantes e a própria atuação; utilizar essa avaliação para orientar seu trabalho, fazendo mudanças ou adaptações nas propostas; elaborar relatórios a serem enviados aos coordenadores-gerais. Para tanto, é importante que o coordenador de grupo e os professores tenham clareza, desde o início dos trabalhos, de quais são as expectativas de aprendizagem e os conteúdos previstos para o módulo e de como e para que será feita a avaliação. Também é fundamental que, ao longo do trabalho, o grupo faça registros das conclusões e encaminhamentos que auxiliem na elaboração dos relatórios.

O coordenador de grupo deve atentar para os seguintes fatos: •É importante que, logo no primeiro encontro, explique aos professores a dinâmica dos trabalhos e sua função no grupo, qual seja, a de ajudá-los a alcançar o melhor desempenho possível. As discussões precisam ser “alimentadas” com questões que façam avançar a reflexão. Para isso, é preciso que prepare, com antecedência, algumas intervenções, partindo do que já sabe a respeito do conhecimento que os professores têm sobre o assunto em pauta. •A proposta de trabalho com os módulos pressupõe que as expectativas de aprendizagem sejam compartilhadas com os professores desde o início dos trabalhos. É importante, portanto, que o coordenador apresente, no primeiro encontro, a pauta de conteúdos de todo o módulo (para que os professores possam saber o que será tratado no período) e, depois, a cada encontro, o que está previsto para o dia. Isso ajuda, inclusive, a ter melhores condições de controlar o tempo, uma vez que todo o grupo conhece a pauta. •É recomendável que os filmes e os programas de vídeo sejam vistos com antecedência e, principalmente, que o coordenador prepare a intervenção que fará durante a apresentação: momentos para fazer pausas, cenas a serem revistas, boas questões a serem colocadas ao grupo, outros pontos de discussão, além dos propostos no módulo. •Ao final de cada módulo, está prevista uma auto-avaliação, para que os professores analisem e registrem o processo de aprendizagem vivenciado (individual e coletivamente). Também o coordenador fará sua avaliação em função das expectativas de aprendizagem definidas para o módulo, recuperando-as e posicionando-se em relação a elas e ao que os professores manifestaram.

Parte I

1. Considerações preliminares Esse módulo compõe o PARÂMETROS EM AÇÃO e destina-se mais especificamente aos alfabetizadores – professores que alfabetizam, tanto na Educação Infantil como no Ensino Fundamental, crianças e adultos. A necessidade de aprofundar a discussão sobre propostas didáticas de alfabetização por meio de textos, tantas vezes manifestada por formadores e professores, e o fato de, até o momento, não haver publicações do Ministério da Educação elaboradas especificamente para o trabalho de formação de alfabetizadores determinaram a opção pelo formato desse módulo, que é composto de: •Seqüências de atividades – oito seqüências, com tempo previsto para aproximadamente quatro horas cada uma, totalizando trinta e duas horas de trabalho com os professores.1 •Anexos com diferentes tipos de subsídios aos coordenadores de grupo e professores: –Orientações para o uso dos programas de vídeo pelo coordenador.

–Bibliografia básica comentada.

–Atividades de alfabetização (compilado de atividades, descritas e analisadas). –Material de leitura e pesquisa para uso com os alunos.

–Sugestões de livros de literatura para o acervo da escola.

–Amostra da evolução da escrita de alunos.

2. Desafios O desafio de elaborar esse módulo foi muito grande, basicamente pela combinação de duas variáveis. Uma delas é que criar situações de formação de professores para módulos desse tipo é criar situações para serem propostas e encaminhadas por outros profissionais, que não se sabe a priori quem são, o que já sabem sobre o assunto abordado, que prática já possuem, que tipo de professores terão em seus grupos. A outra é que uma prática pedagógica de alfabetização com textos não é

1 O tempo está estimado por atividade e o total da seqüência não é exato, é aproximado (considerando que os encontros têm intervalos). Trata-se apenas de uma referência: a depender do tamanho do grupo e da dinâmica dos trabalhos, evidentemente, o tempo previsto para uma atividade é variável.

algo familiar a grande parte dos formadores e dos alfabetizadores – o que requer um cuidado grande com a explicitação de intenções, objetivos e possibilidades de encaminhamento das atividades sugeridas. A combinação dessas circunstâncias configura, na verdade, um risco: sabe-se que quanto mais novas e/ou diferentes são as propostas sugeridas a quaisquer profissionais, maior a possibilidade de haver distorções no entendimento de como podem ou devem ser implementadas, o que exige muita discussão prévia e posterior sobre os procedimentos utilizados ao implementá-las. O entendimento de que é preciso correr os necessários riscos, quando se pretende difundir práticas que podem ajudar os professores a ensinar mais e melhor e os alunos a aprender mais e melhor os conteúdos escolares – especialmente no início do processo de alfabetização, quando o fracasso nas aprendizagens é ainda muito grande –, fez com que o desafio fosse cuidadosamente enfrentado. A organização de um anexo de textos que, embora curtos, permitam posteriormente o aprofundamento dos assuntos abordados no módulo; a elaboração de bibliografia/videografia comentada de material complementar; as orientações detalhadas aos coordenadores de grupo; a indicação dos subsídios necessários ao bom desempenho de suas funções; a ênfase no uso de um caderno de registro foram os principais cuidados tomados que, espera-se, garantam ao trabalho a necessária seriedade e consistência.

3. Registro pessoal A participação no curso orientado por esse módulo requer o uso de um caderno para anotações detalhadas, uma vez que isso permite, posteriormente, recuperar as questões tratadas durante os encontros para maior aprofundamento e para esclarecimento de eventuais dúvidas. Além disso, a realização de muitas das atividades propostas durante o curso dependerá da consulta a anotações que foram sendo feitas até então. Para incentivar o exercício significativo do registro pessoal, o módulo Alfabetizar com textos tem um produto final proposto: as Anotações pessoais – um breve diário com reflexões feitas pelo professor sobre as aprendizagens que realizou ao longo do curso. As Anotações pessoais devem ser feitas após cada dia de curso, tendo como base os registros realizados durante os trabalhos, e sugere-se que sejam bem detalhados para que possam ser o mais útil possível. Vale a pena anotar tudo que for considerado relevante, pois, do contrário, muita coisa poderá se perder: uma das mais importantes funções da escrita é o registro, que permite recuperar o que a memória não consegue armazenar por si só e permite pensar sobre o que foi registrado. Sugere-se que, a cada novo encontro, sejam recuperadas as questões centrais abordadas no encontro anterior, o que, além de um recurso metodológico fundamental para a construção da trajetória das aprendizagens do grupo, é mais uma forma de dar sentido aos registros feitos pelos professores. No último encontro, uma das Atividades conclusivas será a socialização de questões contidas nas Anotações pessoais, consideradas mais significativas para os professores.

4. Programas de vídeo Assistir a um programa diretamente na televisão é muito diferente de assisti-lo em uma fita de vídeo. A fita gravada permite pausas e retornos a cenas e falas anteriores, permite rever várias vezes o programa ou fragmentos dele. Representa, portanto, uma possibilidade de reflexão tanto individual como coletiva – e quando a reflexão é coletiva, o uso do vídeo como recurso de formação fica muito mais potencializado. A organização da discussão sobre o conteúdo dos programas é um procedimento necessário, sempre que a situação é de formação profissional: assim, pode-se, muito mais do que veicular informações úteis, fazer com que programas de vídeo, como os previstos nesse módulo, cumpram com sua real finalidade – contribuir de fato para a formação de professores. O coordenador de grupo deve procurar formas de otimizar o uso dos programas, fazendo com que as discussões sejam o mais produtivas possível. Uma reunião de professores é mais ou menos como uma aula: quanto mais bem planejada, melhores resultados podem-se alcançar. Alguns procedimentos que ajudam a enriquecer a discussão trazida pelos programas, sugeridos ao coordenador de grupo, são: •criar situações que coloquem em jogo as concepções que os professores possuem sobre o tema central abordado, para depois poder discuti-las; •selecionar textos que se relacionam com o conteúdo e colocam outros elementos à reflexão; •marcar pausas estratégicas e preparar algumas questões que “ajudem a pensar” nas principais questões tratadas; •formar, quando se julgar necessário e adequado, pequenos grupos de discussão sobre algumas citações – extraídas do próprio programa, de textos relacionados ao conteúdo ou que o coordenador selecionou previamente – que podem suscitar uma reflexão mais aprofundada; •destinar um tempo para a discussão coletiva das questões didáticas decorrentes do conteúdo do programa: se o programa sugere práticas de sala de aula, esse momento pode ser de síntese das propostas e de complementação com outras oferecidas pelo grupo; se ele é mais teórico, é o momento de fazer um esforço coletivo para identificar as possíveis implicações para a prática pedagógica; •avaliar, sempre que fizer sentido, quais foram as questões aprendidas a partir da discussão realizada: isso é muito importante, pois contribui para a tomada de consciência da própria aprendizagem como professor. O programa de televisão, muito mais do que um fim, é um meio. Quando os professores simplesmente assistem ao que é veiculado e ficam cada qual com seus próprios pensamentos a respeito, pode-se dizer que o recurso é subutilizado: nada supera a riqueza da reflexão compartilhada em um grupo de professores que está seriamente empenhado em aprender cada vez mais sobre como ensinar. O Anexo 1 contém indicações de como potencializar o uso dos programas propostos nesse módulo como recurso de formação de professores. Em alguns programas mais simples, há apenas a especificação dos principais conteúdos abordados, para que o coordenador de grupo possa enfatizá-los antes da apresentação e focar a atenção do grupo em questões mais relevantes para as discussões previstas a seguir. Em outros, que tratam de conteúdos pouco familiares à maioria dos professores, há a indicação de algumas pausas estratégicas, de algumas perguntas que “ajudam a pensar” e de alguns conteúdos que se podem tratar a partir das pausas propostas. As orientações, nesse caso, são fruto da experiência de vários formadores que têm utilizado os programas como recurso de formação. Evidentemente, são apenas sugestões: cabe ao coordenador de grupo definir exatamente quais são as pausas melhores e as questões mais produtivas de serem enfatizadas, a partir das discussões realizadas pelo grupo até então.

5. Lição de casa Algumas das atividades previstas no módulo, que em função do tempo não for possível desenvolver no grupo, podem ser remetidas para realização em casa ou na escola em que os professores trabalham. Nesse caso, é necessário observar se o trabalho ou o aproveitamento do professor não vai ficar prejudicado com isso, pois a maioria das atividades só fazem sentido se realizadas coletivamente e/ou com ajuda do coordenador do grupo. Por outro lado, há tarefas que se podem propor como complemento às propostas do módulo, dependendo da turma, da dinâmica dos trabalhos e dos encaminhamentos considerados adequados. Algumas possibilidades: •coleta de escritas dos alunos para análise do grupo;

•realização de uma mesma atividade com os alunos, por todos os professores, para discussão dos encaminhamentos propostos, dos resultados obtidos, das observações feitas etc.; •elaboração de instrumentos de registro do desempenho da classe para discussão no grupo; •seleção de textos úteis para alfabetizar, para socialização com os colegas etc.

M ódul o

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