Exodontia associada a implantes imediato

Exodontia associada a implantes imediato

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PRO-ODONTO/Implante | Porto Alegre | Ciclo 1 | Módulo 2 | 2007

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Estimado leitor É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na web e outros), sem permissão expressa da Editora.

Os inscritos aprovados na Avaliação de Ciclo do Programa de Atualização em Implantodontia (PRO-ODONTO/Implante) receberão certificado de 180h/aula, outorgado pela Associação Brasileira de Odontologia (ABO) e pelo Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância (SESCAD) da Artmed/Panamericana Editora.

Aline Franco Siqueira – Mestre em Implantodontia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutoranda em Implantodontia pela UFSC.

André Ricardo Buttendorf – Especialista em Implantodontia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestrando em Implantodontia pela UFSC.

Arthur Belém Novaes Júnior – Especialista e Mestre em Periodontia pela Boston University. Doutor em Microbilogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor Titular de Periodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP/ USP).

Cimara Fortes Ferreira – Especialista em Implantodontia pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo de Bauru (USP/Bauru). Mestre em Implantodontia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis (UFSC). Doutora em Implantodontia pela UFSC/Florianópolis. Professora de Periodontia da UFSC/Florianópolis.

Israel Chilvarquer – Pós-graduado nível Mestrado. Doutorado e Livre Docente pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP). Pós-graduado pela University of Texas at San Antonio, USA.

Jorge Elie Hayek – Pós-Graduado Nível Mestrado pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP). Doutorando pela FOUSP.

José Henrique Villaça – Especialista em Periodontia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Araçatuba). Mestre em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP/USP). Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP

Lilian Waitman Chilvarquer – Pós-Graduado Nível Mestrado pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP). Pós-graduado pela University of Texas at San Antonio, USA.

Mario Sergio Saddy – Pós-Graduado Nível Mestrado pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP). Doutorando pela FOUSP.

Mauro Tosta – ITI Fellow. Especialista em Implantodontia e Periodontia. Mestre em Semiologia. Doutorando em Morfologia. Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia do Centro de Estudos – Treinamento e Aperfeiçoamento em Odontologia (Cetao/SP).

Rafael Ramos de Oliveira – Especialista e Mestre em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP/USP). Doutorando em Periodontia pela FORP/USP.

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Mauro Tosta

As altas taxas de sucesso clínico dos implantes osseointegrados têm ampliado cada vez mais as possibilidades terapêuticas na clínica odontológica atual. Estudos comprovam o bom desempenho clínico dos implantes osseointegrados, tanto em pacientes totalmente edêntulos1,2 como em pacientes parcialmente edêntulos.2,3,4,5 Da mesma forma, outras publicações têm mostrado que sítios com implantação imediata logo após a exodontia têm apresentado taxas de sucesso semelhantes às áreas de rebordo ósseo cicatrizado.5,6,7,8,9

É fato ainda que atualmente a implantação imediata tornou-se uma das abordagens mais utilizadas em áreas estéticas, devido ao alto grau de satisfação dos pacientes com o procedimento, uma vez que não raramente é possível, em uma única sessão, preceder a remoção de um dente comprometido e substituí-lo por um implante osseointegrado, que pode ainda receber ou não uma restauração provisória imediata, com ou sem função oclusal direta.9,10,1,12,13

Os resultados obtidos com a técnica de implantação imediata são de alta qualidade estéticofuncional, atendendo assim aos enormes anseios de pacientes e da comunidade de implantodontistas. Ainda que se pesem as crescentes evoluções em termos de desenhos de implantes e componentes protéticos, não há, atualmente, um consenso entre os autores quanto ao momento ideal para a instalação do implante. A escolha da conduta depende, na realidade, de diversos fatores, como: presença ou não de defeitos ósseos ou de tecidos moles no sítio em questão;

biótipo dos tecidos periodontais, em especial a espessura dos tecidos moles;

fatores protéticos e oclusais;

preferência pessoal do cirurgião.

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As duas abordagens mais descritas pelos autores têm sido a implantação imediata em alvéolos frescos pós-extração e a implantação precoce em alvéolos de extração recente (aproximadamente 6 a 8 semanas pós-extração).14

Na hipótese de implantação imediata, a possibilidade de instalação de uma restauração provisória imediata implantossuportada logo após a colocação do implante é um recurso freqüentemente utilizado, desde que o implante apresente estabilidade inicial adequada.15 O objetivo é proporcionar ao paciente um tratamento mais confortável, com cirurgias menos invasivas no menor intervalo de tempo possível. A suposta manutenção da arquitetura gengival propiciada pela técnica simplificaria sobremaneira a evolução do tratamento até a sua compleição com a instalação da restauração final.

Em contrapartida, a estabilidade dos tecidos perimplantares pode estar comprometida após a exodontia seguida de implantação imediata, conforme os resultados apresentados pelo grupo de pesquisa de Araújo e colaboradores.16 Com base nesses achados, a abordagem precoce seria, então, uma alternativa para compensar-se o processo de remodelação tecidual no rebordo alveolar após a exodontia.

É importante que se entenda que a colocação do implante 6 a 8 semanas após a exodontia muito provavelmente implicará a necessidade de aumento ósseo associado da parede vestibular não apenas como forma de compensação às já mencionadas alterações alveolares pós-extração, bem como para a manutenção de tecidos perimplantares estáveis, mesmo após muitos anos em função mastigatória.

Após a leitura do capítulo, o leitor deve estar capacitado a: familizar-se aos procedimentos da técnica de implantação imediata em alvéolos frescos pós-exodontia e das indicações para extração de dentes comprometidos associadas ou não à colocação de implantes imediatos. sistematizar conhecimentos, no caso de utilização da abordagem imediata, a respeito da técnica cirúrgica de exodontia com baixo trauma, no preparo de leitos implantares em posição protética favorável e na necessidade ou não de procedimentos de aumento tecidual (ósseo ou de tecidos moles) nos sítios implantares. compreender a indicação de instalação de restaurações imediatas implantossuportadas, em função da estabilidade inicial do implante e do volume dos tecidos do rebordo alveolar, bem como dos aspectos biomecânicos, tais como a presença ou não de contatos oclusais diretos na restauração imediata.

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O aluno deverá entender que, apesar de a técnica de implantação imediata aparentemente apresentar taxas de sucesso semelhantes aos implantes colocados em sítios precoces ou cicatrizados, ainda não há consenso na literatura quanto à melhor abordagem para instalação dos implantes, especialmente em áreas estéticas.

Revisão de literatura

Indicações

Técnica operatória cirúrgica Técnica operatória protética

Relatos de caso

Implantes imediatos:estado atual Conclusão

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A colocação imediata de implantes foi relatada pela primeira vez em 197817 e, desde então, diversas publicações surgiram com a disseminação da técnica. A literatura apresenta, em sua maioria, relatos de casos, sendo poucos os estudos clínicos controlados existentes.18 Três revisões de literatura foram publicadas sobre o tema.19,20,21

Em 1989, Lazzara22 pioneiramente relatou a colocação de implantes em alvéolos frescos pósextração. O autor destacava as vantagens cirúrgicas e protéticas da colocação imediata dos implantes. Os alvéolos com os implantes em posição eram cobertos com uma membrana de politetrafluoretileno expandido (PTFE-e) por um período aproximado de 4 a 6 semanas.

Foi destacada, em diversas publicações,23,24 a importância do bom posicionamento protético do implante para o sucesso nas restaurações implantossuportadas, do ponto de vista estético e funcional, inclusive em casos de implantação imediata. Segundo Tosta e colaboradores,24 função, conforto, acesso à higiene e estética são os quatro requisitos fundamentais das restaurações implantossuportadas.

Em 1998, um artigo com relatos de casos clínicos apresentou diversos métodos de utilização de restaurações provisórias para aprimoramento do contorno dos tecidos moles.10 Os autores descrevem a técnica da restauração temporária fixa imediata sobre o implante, sugerindo que, quanto mais cedo instalada a restauração temporária, melhor será a estética final.

Um estudo clínico prospectivo avaliou a taxa de sucesso, a resposta dos tecidos perimplantares, e os resultados estéticos de 35 implantes imediatos com restaurações unitárias provisórias imediatas.18 As restaurações finais foram colocadas 6 meses após a implantação, e os pacientes foram avaliados clínica e radiograficamente no ato da implantação, após 3, 6 e 12 meses. Aos 12 meses de acompanhamento pós-operatório, todos implantes encontravam-se osseointegrados.

A média de alteração óssea marginal desde a colocação do implante até 12 meses pósoperatórios foi de -0,26 m (+/-0,40 m) na crista óssea mesial e -0,22m (+/-0,28m) na crista óssea distal. Não houve diferença estatisticamente significante nos índices de placa bacteriana durante os diferentes intervalos de tempo observados. A média das alterações do nível da margem gengival vestibular e dos níveis de papila mesial e distal, do pré-tratamento até os 12 meses de observação pós-operatória, foram, respectivamente -0,5m (+/-0,53mm), -0,53mm (+/-0,39mm), e -0,39mm (+/-0,40mm).

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Os autores concluem que, apesar das alterações ósseas marginais e no nível gengival terem sido estatisticamente significativas, do pré-tratamento até os 12 meses de acompanhamento clínico e radiográfico, todos pacientes mostraram-se muito satisfeitos com os resultados estéticos, e nenhum deles havia notado quaisquer alterações em nível gengival.

Um estudo prospectivo publicado por Tosta e colaboradores envolvia 21 implantes imediatos, associados a restaurações imediatas em áreas estéticas.15 As restaurações temporárias unitárias foram mantidas sem contatos oclusais diretos por um período de 6 meses após a implantação. Após 2 anos de observação clínica e radiográfica, todos implantes apresentavam-se osseointegrados, sem sinais de anormalidades nos tecidos perimplantares e com resultados estéticos satisfatórios. A exceção foi um implante imediato colocado na região do 21 em uma paciente de 28 anos, que apresentava então tecidos periodontais de espessura fina.

Na paciente mencionada no parágrafo anterior, o gap originado entre parede do alvéolo-superfície do implante (HDD) não foi preenchido com nenhum tipo de material de enxerto ósseo, apenas coágulo sangüíneo. Durante a fase de acompanhamento pós-operatório, tornou-se nítido um processo de retração tecidual em andamento na margem gengival vestibular. Após 3 meses, observou-se a estabilização dos tecidos vestibulares, mas com uma retração tecidual vestibular de 2mm, que comprometeu sobremaneira o resultado estético do tratamento.

Um estudo clínico prospectivo apresentou os resultados de 92 implantes imediatos colocados em regiões de incisivos superiores, com colocação simultânea de coroas provisórias implantossuportadas.13 Após 2 anos de acompanhamento, 6 implantes foram perdidos e os demais 86 implantes apresentavam-se sem sinais de mobilidade, inflamação perimplantar, ou reações adversas. Os autores concluem que, quando utilizada em casos selecionados, a técnica facilitou a manutenção da arquitetura gengival adjacente a implantes imediatos transalveolares.

Um estudo clínico retrospectivo apresentou os resultados de uma técnica cirúrgica de implantação sem retalho, com implantes colocados em posições predeterminadas por meio de modelos tridimensionais pré-operatórios, associados a restaurações imediatas provisórias préfabricadas.25 De um total de 97 implantes colocados em 46 pacientes, 27 tratavam-se de restaurações unitárias, e 25 de próteses fixas. Nove implantes em 8 pacientes falharam nas primeiras 8 semanas em função mastigatória, e os autores relataram uma taxa de sucesso cumulativo de 91% após um período de 3 anos em função mastigatória.

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