Gerenciamento de estoque farmacã?utico

Gerenciamento de estoque farmacã?utico

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&&XXUUVVRRGGHH&&LLrrQQFFLLDDVV&&RQRQWWiiEEHHLLVV8))60VOLUME I. N.3 MAR-MAI/2005

Autor: Antonio Cândido Machado Pinheiro1

atendimento das necessidades sociais de seus consumidores

Em um contexto de mudanças econômicas e sociais extremamente dinâmicas, as exigências peculiares da atividade comercial farmacêutica determinam a vital importância da adoção de um sistema de controle de estoques adequado para o gerenciamento otimizado do estoque de medicamentos, nesse ramo de negócio. Este artigo científico mostra que os investimentos em estoques farmacêuticos podem ser rentáveis, desde que o sistema de controle de estoque utilizado considere o perfil financeiro representativo de cada item do estoque dentro do conjunto e, principalmente, que o seu gerenciamento atenda, não somente a melhorar a situação econômica do estabelecimento comercial, como também possa prestar ao Palavras-chave: Controle; Estoque; Farmacêutico.

In a context of extremely dynamic social and economic changes, the peculiar requirements of the pharmaceutical commercial activity determine the vital importance of adopting a supply control system adjusted to the bettered management of the medicine supply in this branch of businnes. This scientific article shows that the investiment in pharmaceutical supply can be incomeproducing if the control system of the used supply considers the financial

1 Especialista em Contabilidade e Controladoria – UFSM/RS (kandido@brturbo.com) representative profile of each supply item in the set, and mainly if its management takes into cosideration not only the economic situation improvement of the comercial establishment, buf if it can also give special attention to the consumers social needs.

Key Words: Control; Pharmaceutical; Supply.

Este artigo visa apresentar uma sugestão aos estabelecimentos comerciais farmacêuticos no que diz respeito ao gerenciamento do estoque de medicamentos. Neste sentido, pretende-se demonstrar que é fundamental a aplicação de um sistema de controle de estoque adequado a atividade comercial farmacêutica, visto que os investimentos nesse tipo de ativo objetivam, principalmente, a rentabilidade e a otimização dos custos.

Inicialmente, faz-se uma abordagem sobre o gerenciamento dos investimentos em estoque.

Em seguida, será enfocado um referencial teórico sobre administração, classificação e sistemas de controle de estoques, aplicáveis em estabelecimentos industriais e comerciais.

Após a revisão bibliográfica, será exposto um breve panorama sobre a rentabilidade de mercado, o controle e a fiscalização da atividade comercial farmacêutica.

Finalmente, considerando-se as características peculiares da atividade comercial farmacêutica, será exposta uma sugestão da aplicação de um sistema de controle de estoque de fácil adaptação e capaz de produzir informações suficientes e tempestivas à tomada de decisão nesse ramo de negócio.

O investimento, para uma empresa, caracteriza o comprometimento de certa quantia de seu capital, por um período considerado, com o intuito de melhorar sua situação econômica.

do contrário seria apenas um ato de consumo de determinado bem

O empreendedor espera, ao final de determinado período, uma remuneração sobre a imobilização do capital investido, pois as componentes temporal e remuneratória é que dão característica ao investimento, visto que

Para amenizar o impacto do imprevisível sobre um investimento em estoques, deve-se considerar a aplicação em estoques de alta rotatividade, pois estes representam a otimização dos recursos investidos. Em regra, os investimentos em estoques devem ser feitos de forma que estes sejam o mínimo possível para atender a demanda.

O objetivo da administração dos estoques é garantir a disponibilidade suficiente de estoques para sustentar as operações, ao mesmo tempo em que mantém nos níveis mais baixos possíveis os custos de estocagem, de encomenda e recebimento, de falta de estoque e os de obsolescência.

É imperioso, para uma empresa que trabalha com estoque diversificado, questionar sobre a representatividade financeira de cada item estocado dentro do conjunto do estoque.

A classificação ABC permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequado quanto à sua administração, pois alguns itens podem ter grande quantidade física, porém com baixa representatividade financeira, por serem individualmente de pequeno valor dentro do conjunto do estoque, outros itens, entretanto, ao contrário, ou seja, possuem pequena quantidade física, porém com alta representatividade financeira, por serem individualmente de grande valor dentro do conjunto do estoque. O método ABC torna-se uma ferramenta gerencial bastante simples e eficaz para a classificação dos itens componentes do estoque, principalmente quanto a sua importância financeira.

O sistema de controle de estoque adequado para uma empresa deve levar em conta, no mínimo, a discriminação dos diferentes itens estocados, de modo que se possa aplicar um grau de controle adequado a importância de cada item no conjunto do estoque. Faz-se necessário investir em um sistema de processamento de informações que possa lidar com seus conjuntos particulares de circunstâncias de controle de estoque, pois descobrir fórmulas para controlar estoques sem afetar o crescimento dos custos é um dos maiores desafios que os empresários estão encontrando nessa época de escassez de recursos.

O Sistema de Duas Gavetas consiste em duas caixas de diferentes tamanhos, onde a menor tem uma quantidade de material suficiente para atender ao consumo durante o tempo de reposição, mais o estoque de segurança, enquanto que a caixa maior possui um estoque equivalente ao consumo previsto no período. Este sistema é bastante prático e muito utilizado pelo comércio varejista de autopeças e por outros de pequeno porte.

O Sistema de Máximos e Mínimos ou de Quantidades Fixas apresenta uma razoável automatização do processo de reposição. Neste sistema há necessidade de que seja estabelecido o consumo previsto, a fixação do período de consumo para o item desejado, o cálculo do ponto de pedido em função do tempo de reposição do item pelo fornecedor, o cálculo dos lotes de compra e o cálculo dos estoques mínimos e máximos.

O Sistema de Revisão Periódica atenta para a reposição do material em ciclos de tempos iguais ou períodos de revisão, levando-se em consideração um estoque mínimo ou de segurança, o qual deve ser dimensionado de forma que previna o consumo acima do normal e os atrasos de entrega durante o período de revisão e tempo de reposição. Alguns itens poderão apresentar maior consumo do que outros, portanto torna-se conclusiva a idéia de que a revisão deverá ser realizada para cada item em particular. Neste sistema a quantidade pedida será a necessidade de demanda do próximo período.

O Sistema de Planilha de Requisição de Materiais (Materials Requeriments Planning) ou MRP I e MRP I, permite que as empresas calculem quantos materiais de determinado tipo são necessários e em que momento. É um sistema bastante complexo que exige inúmeros controles e cálculos de volume e tempo necessários à execução da produção.

O MRP I era, essencialmente, voltado para o planejamento e controle da produção e dos estoques em empresas de manufatura, entretanto, os conceitos têm sido estendidos a outras áreas das empresas, ou seja, um plano global para o planejamento e monitoramento de todos os recursos de uma empresa de manufatura (manufatura, marketing, finanças e engenharia).

O MRP I, definido a partir do MRP I, é um sistema que visa a atender a complexidade de empresas que possuem um processo produtivo e não àquelas que se constituem para exercer a mercancia.

O Sistema JIT (just-in-time) é um sistema de produção de bens e serviços no momento em que são necessários, não antes para que não se transformem em estoque e nem depois para que seus clientes não tenham que esperar. O JIT (just-in-time) é considerado um sistema de “puxar estoques” ao longo da produção, ou seja, qualquer movimento de produção somente é liberado nas medida da necessidade sinalizada pelo usuário da peça ou componente em fabricação, pois os centros de trabalho não estão autorizados a produzir e “empurrar” os lotes apenas para manter ocupados operários e equipamentos.

Os efeitos da globalização da economia provocaram um aumento considerável de competitividade no setor farmacêutico, bem como determinaram um novo e imperioso ajustamento da atividade comercial farmacêutica às novas regras de comércio no contexto nacional e mundial.

Esta atividade comercial tem demonstrado bastante rentabilidade, apesar das turbulências do mercado econômico e financeiro, pois seu desempenho está bem acima da média de rentabilidade da maioria das atividades de outros setores.

A atividade comercial farmacêutica é bastante peculiar e exige do investidor conhecimento técnico e normativo, em virtude do controle e da fiscalização que lhe são exercidos pelo poder público.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que foi criada pela

Lei nº 9.782 de 26 de janeiro de 1999 sob regime de autarquia especial, controla e fiscaliza a atividade comercial farmacêutica.

Assim sendo, cada estabelecimento comercial farmacêutico depende de autorização de funcionamento do Ministério da saúde, conforme prevê o artigo 51 da Lei nº 6.360 de 23 de janeiro de 1976. No caso de existir mais de um estabelecimento na mesma localidade pertencente à mesma empresa, cada estabelecimento terá licença específica e independente.

A comercialização de medicamentos que contenham substâncias entorpecentes e psicotrópicas está regulamentada pela ANVISA através da Portaria nº 344 de 12 de maio de 1998.

As infrações à legislação sanitária federal e as sanções respectivas estão configuradas na Lei nº 6.437 de 24 de agosto de 1977.

Usando-se como fundamento o referencial bibliográfico, foi escolhido o sistema de classificação ABC para evidenciar a taxa de representatividade de cada item no conjunto do estoque, relacionando-o com a sua demanda.

Tendo-se por base itens do gerenciamento de estoques comuns a maioria dos estabelecimentos comerciais farmacêuticos, que não utilizam um sistema informatizado de controle, foi realizado um estudo e uma análise diferencial entre os sistemas de controle de estoques contidos na revisão bibliográfica, com o objetivo de subsidiar a formulação de uma proposta viável de um sistema de controle de estoque, tendo como premissa maior à racionalização de custos e a otimização do gerenciamento dos investimentos em estoque.

Tem-se, como base, um estabelecimento comercial que considere:

- itens no estoque e itens movimentados no período de seis meses; - investimento semestral e médio mensal de reposição de estoque;

- receita semestral e média mensal;

- valor unitário médio das entradas e saídas no estoque;

- pedido semanal de medicamentos em quantidades variáveis;

- inexistência de um nível de estoque mínimo ou de segurança;

- demanda sazonal;

- estoque remanescente versus oferta oportunizada pelo fornecedor;

- estimativa de perda mensal por obsolescência, por validade vencida ou por deterioração dos produtos em relação ao investimento médio mensal de reposição do estoque;

- custo médio mensal de armazenagem e manutenção do estoque;

- custo zero por ocasião dos pedidos de reposição do estoque;

- custos de transporte, custos de distribuição e custos de entrega dos pedidos inclusos no valor unitário de entrada;

- ausência de percentual individual representativo de importância do item no estoque;

- controle de estoque não informatizado.

Analisa-se que a classificação ABC visa a determinar os produtos de maior representatividade na demanda total em um determinado período e, com isso, a expressar sua importância no conjunto através do seu percentual individual financeiro no estoque, tendo como enfoque a relação entre a demanda do produto e o seu custo unitário.

Obviamente, a demanda dos itens não depende somente de um gerenciamento eficiente do estoque, contudo, esta é uma variável controlável e pode apresentar significativas diferenças na apuração do resultado. Influem, ainda, as necessidades dos consumidores e as de atendimento às exigências legais e outras.

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