Questões de Língua Portuguesa

Questões de Língua Portuguesa

(Parte 18 de 19)

Eis que o dono do coelho foi passar o final de semana na praia com a família e o coelho ficou sozinho. Isso na sexta-feira. No domingo, de tardinha, o dono do cachorro e a família tomavam um lanche, quando entra o pastor alemão na cozinha. Pasmo.

Trazia o coelho entre os dentes, todo imundo, arrebentado, sujo de terra e, é claro, morto. Quase mataram o cachorro.

– O vizinho estava certoE agora, meu Deus?

– E agora?

A primeira providência foi bater no cachorro, escorraçar o animal, para ver se ele aprendia um mínimo de civilidade e boa vizinhança. Claro, só podia dar nisso. Mais algumas horas e os vizinhos iam chegar. E agora? Todos se olhavam. O cachorro rosnando lá fora, lambendo as pancadas.

– Já pensaram como vão ficar as crianças?

– Cala a boca!

Não se sabe exatamente de quem foi a idéia, mas era infalível. Vamos dar um banho no coelho, deixar ele bem limpinho, depois a gente seca com o secador da sua mãe e coloca na casinha dele no quintal.

Como o coelho não estava muito estraçalhado, assim fizeram. Até perfume colocaram no falecido. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças. E lá foi colocado, com as perninhas cruzadas, como convém a um coelho cardíaco.

Umas três horas depois eles ouvem a vizinhança chegar. Notam o alarido e os gritos das crianças. Descobriram! Não deram cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta. Branco, lívido, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.

– O que foi? Que cara é essa?

– O coelhoO coelho...

– O que tem o coelho?

– Morreu!

– Todos:

– Morreu? Inda hoje de tarde parecia tão bem...

– Morreu na sexta-feira!

– Na sexta? Foi. Antes de a gente viajar as crianças enterraram ele no fundo do quintal! (...) O personagem que mais me cativa nesta história toda, o protagonista da história, é o cachorro.

Imagina o pobre do cachorro que, desde sexta-feira, procurava em vão pelo amigo de infância, o coelho. Depois de muito farejar descobre o corpo. Morto. Enterrado. O que faz ele? Provavelmente com o coração partido, desenterra o pobrezinho e vai mostrar para os seus donos. Provavelmente estivesse até chorando, quando começou a levar porrada de tudo quanto é lado.

O cachorro é o herói. O bandido é o dono do cachorro. O ser humano. Sim, nós mesmos, que não pensamos duas vezes. Para nós o cachorro é o irracional, o assassino confesso. E o homem continua achando que um banho, um secador de cabelos e um perfume disfarçam a hipocrisia, o animal desconfiado que tem dentro de nós.

Julgamos os outros pela aparência, mesmo que tenhamos que deixar esta aparência como melhor nos convier. Maquiada.

Coitado do cachorro. Coitado do dono do cachorro. Coitados de nós, animais racionais.” PRATA, Mário. Isto é, 2/04/98.

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119.U.E. Norte Fluminense-RJEntre as modalidades discursivas – dissertativa, narrativa, descritiva – uma delas apresenta estrutura com enredo e personagens.

a)Cite a modalidade predominante no texto de Mário Prata. b)O cachorro é o protagonista da história. Identifique o antagonista.

120.U.E. Norte Fluminense-RJO texto de Mário Prata nos conta uma história em tom de fábula. Nas fábulas, costuma haver um final moralizante.

a)Identifique, no texto, o critério de julgamento utilizado pelos seres humanos.

b)Transcreva dos três últimos parágrafos do texto uma frase completa que justifique a resposta anterior.

121.U.E. Norte Fluminense-RJO autor utiliza expressões da linguagem coloquial.

Reescreva as passagens abaixo, substituindo os termos sublinhados por outros do padrão mais formal da língua:

a)“Agora pintou uma nova”.

b)“As crianças enterraram ele no fundo do quintal”.

Excerto (de texto que trata da mudança de localização do Palácio dos Bandeirantes) para a questão 122:

“É uma parceria que implica da mudança de zoneamento, reforma de prédios, incentivos fiscais para quem recupera patrimônio tombado, até cuidar de meninos de rua ou dos jardins.” O Estado de S. Paulo, 16/05/9, p. 3-18.

122.U. AlfenasO excerto pode ser considerado como um texto: a) argumentativo. d) épico. b)narrativo.e) de propaganda. c) descritivo.

123. Univali-SC

“Ordem na malhação

Professor de ginástica costuma ser daquelas pessoas eternamente bem-humoradas, com uma disposição que parece não terminar nunca e ter sempre à mão – com justificativas científicas – a série ideal de exercícios para deixar o corpo do aluno próximo da perfeição. O bom-humor e a disposição podem ser autênticos, mas o conhecimento adequado para preparar a receita da malhação não necessariamente. Deveria ser o requisito básico, mas centenas de jovens belos e musculosos que comandam animadíssimas aulas nas academias nunca passaram nem perto de uma faculdade de Educação Física, onde deveriam ter aprendido o que ensinam. A partir deste mês, no entanto, os Conselhos Regionais e Federal de Educação Física prometem acabar com essa espécie de professor de fachada. As entidades colocarão em prática a lei, de 1998, que regulamenta a profissão (só agora, depois de anos, os conselhos estão preparados para fiscalizar sua aplicação). Ela estabelece que só poderá trabalhar na área aquele que for registrado no conselho e, portanto, formado em Educação Física. A abrangência da legislação vai além dos limites da academia. A lei vale para clínicas, hotéis, clubes e até condomínios, que serão obrigados a registrar o profissional como funcionário. Mais. Todos os estabelecimentos que tiverem como principal atividade a edu- cação física deverão ser registrados no conselho.” Isto é, 2 de março de 2000.

Assinale a alternativa que está de acordo com o texto acima. a)Depois de dois anos, os conselhos estão preparados para fiscalizar a aplicação da lei. b)Bom-humor é uma das características de todos os professores de Educação Física.

c)Há tanta autenticidade na disposição e no bom-humor como no conhecimento para a malhação.

d)Conselhos Regionais de Educação Física prometem acabar com a ginástica como atividade profissional.

e)Nova lei regulamenta a profissão de professor de Educação Física.

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124. UnB-DF

“A formiga e a cigarra

Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra muito amigas. Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do Sol, da brisa suave do fim da tarde nem do bate-papo com os amigos ao final do expediente de trabalho, tomando uma cervejinha. Seu nome era “trabalho” e seu sobrenome, “sempre”.

Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o Sol, curtiu para valer, sem se preocupar com o inverno que estava por vir. Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. A formiguinha, exausta, entrou em sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga cigarra, dentro de uma Ferrari, com um aconchegante casaco de visom. E a cigarra falou para a formiguinha: — Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca?

— Claro, sem problema! Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu grana pra ir a Paris e comprar esta Ferrari?

da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer shows em ParisA propósito, a amiga

— Imagine você que eu estava cantando em um bar, na semana passada, e um produtor gostou deseja algo de lá?

—Desejo, sim. Se você encontrar um tal de La Fontaine por lá, manda ele pro DIABO QUE O CARREGUE!

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