Manual de atendimento Pré-Hospitalar

Manual de atendimento Pré-Hospitalar

(Parte 3 de 7)

Intubação Endotraqueal

Intubação endotraqueal é o método preferido para estabelecer uma via aérea permeável durante a RCP. Ela permite bom volume corrente, ventilação com altas frações de O² e aspiração das vias aéreas inferiores, além de proteger a via aérea de aspiração de conteúdo gástrico. A RCP não deve ser suspensa por mais de 30 segundos para tentar a intubação (Fig 9.6).

Combitubo

O combitubo é uma VA avançada com um tubo de saída de ar e dois de entrada. Sua grande vantagem é a de que não importa em qual canal o tubo entra , se a traquéia ou o esôfago, sempre é possível efetuar a ventilação, pois a ventilação pode ser direcionada pelos tubos de entrada. É indicada em casos de trauma onde a colocação é de difícil acesso (Fig 9.7).

Fig 9.5 – Colocação da cânula orofaríngea

Fig 9.7 – Combitubo Fig 9.6 – Intubação endotraqueal

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Máscara Laríngea

A máscara laríngea é como o próprio nome diz uma máscara conectada em um tubo, mas diferentemente do obturador esofágico, a máscara é introduzida na laringe vedando a entrada para a traquéia (Fig 9.8).

Cricotireoidostomia e traqueostomia

Se uma via aérea não-cirúrgica não for possível, a cricotireoidostomia de emergência está indicada. A realização da traqueostomia durante as manobras de RCP é um procedimento difícil e seguido de várias complicações. Nesta fase, a cricotireoidostomia é o método cirúrgico de eleição (Fig 9.9).

Pressão Cricóide

A pressão cricóide ou manobra de Sellick é realizada com o objetivo de evitar que o ar enviado por uma ventilação vá para o estômago, prevenindo a distensão gástrica, diminuindo o risco de regurgitação e aspiração e evitando que o estômago pressione a veia cava e venha a diminuir o retorno venoso.

A pressão cricóide só é recomendada para vítimas inconscientes e por um terceiro socorrista que não participa das manobras de RCP. Caso a passagem de ar esteja difícil ou a vítima vomite retire a pressão na cricóide. Para aplicar a pressão cricóide realize os seguintes passos (Fig 9.10):

●Localize a cartilagem tireóide (pomo-de-adão) com o dedo indicador.

●Deslize o dedo até a base da cartilagem e apalpe o anel horizontal logo abaixo desta (cartilagem cricóide).

Fig 9.8 – Máscara laríngea Fig 9.9 – Cricotireoidostomia

Fig 9.10 – Pressão cricóide

Ressuscitação Cardiopulmonar

●Com o dedo indicador e a ponta do polegar pressione para baixo a cartilagem cricóide.

Após a abertura das VA, analise a respiração da vítima usando o método do Ver-Ouvir-Sentir. Este exame não deve demorar mais do que dez segundos, se constatar que não há respiração, ou a respiração é inadequada (respirações agônicas), ou ainda, você não tem certeza se a respiração é adequada; inicie as ventilações artificiais.

9.2.1. Ventilação Boca-a-boca Para realizar a ventilação boca-a-boca (Fig 9.1):

●Pince o nariz da vítima usando o polegar e dedo indicador da mão que está na testa da vítima;

●Respire normalmente e coloque seus lábios na boca da vítima, vedando-a completamente, impedindo vazamento de ar;

●Ventile 2 (duas) vezes (cerca de 1 segundo para cada ventilação) a cada 30 (trinta) compressões torácicas;

●A ventilação deve provocar elevação visível do tórax;

●Observar o tórax subindo e descendo, ouvir e sentir o fluxo de ar;

●Manter as vias aéreas abertas para a expiração;

●Não demore mais do que 10 (dez) segundos na aplicação das ventilações;

●Se a ventilação não elevar o tórax após algumas tentativas, inicie a compressão torácica;

●Havendo pulso, efetue de 10 a 12 ventilações por minuto sem compressões torácicas;

●Evite a hiperventilação, pois isto pode causar uma distensão gástrica reduzindo o débito cardíaco.

Fig 9.1 – Ventilação boca-a-boca

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

9.2.2. Ventilação Boca-nariz

Recomendada quando não é possível ventilar boca a boca, como: trauma de face, boca disforme, ou boca-boca/nariz em lactentes:

● Com a mão que está no queixo da vítima, feche a boca da vítima;

● Respire normalmente, coloque os lábios ao redor do nariz da vítima e ventile (Fig 9.12);

● Deixe a vítima expirar passivamente, pode ser necessário abrir a boca;

● Manter a mesma recomendação de ritmo anterior (boca-a-boca).

9.2.3. Ventilação Boca-estoma

Estoma traqueal é uma abertura permanente na parte da frente do pescoço em pessoas que tiveram sua laringe removida por cirurgia. A ventilação nestes casos é feita diretamente no estoma da mesma maneira do boca-a-boca (Fig 9.13). Após a ventilação não esqueça de permitir a saída de ar após cada ventilação.

9.2.4. Ventilação Bolsa-Válvula-Mascara

A ventilação bolsa-válvula-máscara é o procedimento padrão para SME na aplicação da ventilação no RCP. A maioria destes equipamentos é constituída por uma máscara que garante a vedação da boca e nariz, uma válvula que impede a reinalação e uma bolsa com um volume aproximado de 1.600 ml. Assim que possível conecte também o reservatório com O² para garantir a entrega de 100% de oxigênio a vítima, sem este equipamento a entrega de O² fica em apenas 70%.

Fig 9.12 – Ventilação boca-a-nariz

Fig 9.13 – Ventilação boca-estoma Fig 9.14 – Ventil. bolsa-válvula-máscara

Ressuscitação Cardiopulmonar

Para a ventilação bolsa-válvula-máscara, segure firmemente com uma das mãos a máscara e o um dos ângulos da mandíbula da vítima, com a outra mão comprima lentamente a bolsa até verificar elevação visível do tórax. A ventilação com 2 (dois) socorristas garante uma maior efetividade, pois enquanto um comprime a bolsa, o outro veda a máscara com as duas mãos, uma em cada ângulo da mandíbula.

9.2.5. Ventilação VA Avançadas

Para a ventilação com VA avançadas conecte o ambu e assim que possível forneça a bolsa e reservatório com O² para a vítima. Na ventilação com VA avançadas estas devem ser aplicadas de 8 (oito) a 10 (dez) ventilações por minuto sem pausa nas compressões torácicas.

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