Qualidade da água em tanques para a criação da tilápia vermelha redkoina.

Qualidade da água em tanques para a criação da tilápia vermelha redkoina.

(Parte 1 de 3)

SANTANA DO IPANEMA 2009

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL para obtenção do título de Bacharel em Zootecnia.

Orientadora: M. Sc. Ida Vanderlei Tenório.

SANTANA DO IPANEMA 2009

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL para obtenção do título de Bacharel em Zootecnia.

Orientadora: M. Sc. Ida Vanderlei Tenório.

DATA DA APROVAÇÃO:/ /

Profª. M Sc. Ida Vanderlei Tenório EXAMINADORES: Profª. M Sc. Maria do Carmo Carneiro

Profº Drº. Fábio Sales de Albuquerque Cunha Profº. M Sc. José Crisólogo de Sales Silva

SANTANA DO IPANEMA 2009

DEDICO: Primeiramente a Deus pela força que tem me dado e a minha família.

“Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: Liberdade; Honra; Dever; Piedade; Esperança.”

Winston Churchill

Primeiramente a Deus, que me deu sabedoria, paciência e me guiou em toda minha jornada.

Aos meus pais, Petronilo Vieira de Melo e Mª Auxiliadora Azevedo de Melo, pela compreensão, carinho e amor ao longo de toda minha vida, não apenas acadêmica.

As minhas irmãs, Patrícia Azevedo de Melo e Mª Luiza Azevedo de Melo, pela atenção e força.

A minha avó, Mª Luiza Damasceno, por seu amor e carinho.

A todos os Professores, por sua dedicação e por valorosa contribuição em mais uma etapa da minha vida.

A todos os funcionários do Campus I, que muito contribuíram para realização de muitas das atividades em todos os períodos.

A comunidade de Pedra D’Água dos Alexandres, em especial a todos que auxiliaram no estágio os Senhores: Anderson Souza Araújo, José Hugo Damasceno, Iranildo Pereira da Silva, Camilo Araújo, Manoel Alves Araújo, Evandro Camilo Araújo e Evânio Camilo Araújo.

A minha orientadora Profª M. Sc. Ida Vanderlei Tenório, por sua atenção e cuidado durante todo meu estágio.

Aos meus companheiros de curso, deixo aqui registrado minha gratidão, que estiveram comigo nesta jornada.

Em especial a minha grande amiga Jussara Ferreira da Silva, pelo incentivo, força, paciência e atenção que muito me auxiliou no desenvolvimento deste trabalho.

O Programa Água Doce, está implantado entre os municípios de Santana do Ipanema e Poço das Trincheiras, em Alagoas. Tem por base a utilização de água de poço artesiano, que possui altos teores de sal, e após o uso precisa ser descartada. Ao lado da criação de tilápias, foi feito um plantio de Atriplex spp. O programa é composto por: 01 dessalinizador, 02 tanques de criação e 01 de decantação e armazenamento. Inúmeros fatores interferem na qualidade da água, o que exige a realização de estudos detalhados dos processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem tanto em sistemas naturais quanto em artificiais. O presente trabalho tem por objetivo analisar a qualidade da água no desenvolvimento da tilápia vermelha Redkoina no programa. Os dados foram coletados em um período de 24h, com finalidade de analisar as condições físico-químicos da água, os materiais utilizados para coleta dos dados foram uma sonda que analisa 16 parâmetros, cedida pela EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), Disco de Secchi e Notebook. A coleta foi feita a cada duas horas (02), em oito (8) pontos devidamente dispostos ao redor do tanque, onde eram coletados dados da lâmina d’água, da coluna d’água e do fundo do viveiro. Pode-se dizer que as analises feitas foram de suma importância para se conhecer os parâmetros de qualidade de água desse programa. Conforme o que foi apresentado, a qualidade da água no Programa Água Doce se encontra dentro dos parâmetros aceitáveis para o desenvolvimento e crescimento da tilápia Redkoina.

Palavras-chave: Programa Água Doce, tilápia Redkoina e qualidade da água.

The Água Doce Program, is deployed between the cities of Santana do Ipanema and the Poço das Trincheiras, in Alagoas. It is based on the use of water from an artesian well, which has high levels of salt, and after use must be discarded. Beside the creation of tilapia, was made a planting of Atriplex spp. The program is composed of 01 desalination, 02 tanks and 01 breeding ponds and storage. Several factors interfere with the quality of water, which requires the completion of detailed studies of the physical, chemical and biological processes that occur in both natural systems and in artificial. This study aims to analyze the water quality in the development of red tilapia Redkoina the project. Data were collected over a period of 24 hours, with the purpose of analyzing the physical-chemical, materials used for data collection were a probe that analyzes 16 parameters, courtesy of EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), Disk Secchi and Notebook. Data were collected every two hours (02), eight (8) points properly placed around the tank, where data was collected from a water depth of the water column and pond bottom. One can say that the analysis made were very important to know the parameters of water quality of this program. As what was presented, the quality of water in Água Doce Program is within acceptable parameters for the development and growth of tilapia Redkoina.

Keywords: Água Doce Program, tilapia Redkoina and quality of water.

LISTA DE TABELAS Tabela 01. Limites da turbidez recomendada em alguns usos da água ................................... 21

Gráfico 01. Faixa média de temperatura no Programa Água Doce28
Gráfico 02. Faixa média de Oxigênio Dissolvido no Programa Água Doce29
Gráfico 03. Faixa média de pH no Programa Água Doce30
Gráfico 04. Faixa média de Condutividade Elétrica no Programa Água Doce30

LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 05. Faixa média de Salinidade no Programa Água Doce ........................................... 31

Figura 01 – Redkoina no Programa Água Doce14
Figura 02 – Utilização do Disco de Secchi20
Figura 03 – Atriplex ssp ou Erva Sal no Programa Água Doce24
Figura 04 – Circulação de Água no Programa Água Doce25
Figura 05 – Leitor da Sonda26
Figura 06 – Sensores da Sonda27

LISTA DE FIGURAS Figura 07 – Coleta dos dados .................................................................................................. 27 apud – empregada geralmente em bibliografia, para indicar a fonte de uma citação indireta.

et. al. – expressão que segue o nome do primeiro autor ou colaborador de uma obra, para indicar que há pelo menos outros três.

mS/cm - MiliSiemens por centímetro: unidade de medida de condutividade elétrica. Utilizada na hidroponia para medir a concentração da solução e assim ter uma idéia da quantidade de nutriente na solução.

UNT - Unidades Nefelométricas de Turbidez - é uma unidade de turbidez da água baseada na luz que se dispersa num ângulo (geralmente) de 90° em relação a um feixe de luz incidente.

1 – INTRODUÇÃO12
2 – REVISÃO DE LITERATURA13
2.1 – A Tilápia13
2.2 – A Redkoina14
2.3 – Tilápia e a qualidade da água15
2.3.1 – Temperatura15
2.3.2 – Oxigênio dissolvido16
2.3.3 – pH17
2.3.4 – Amônia18
2.3.5 – Salinidade19
2.3.6 – Condutividade elétrica19
2.3.7 – Transparência20
2.3.8 – Turbidez21
2.3.8.1 – Causas da turbidez21
2.3.8.2 – Conseqüências da turbidez21
2.4 – O “off-flavor”2
2.5 – A Atriplex23
3 – MATERIAIS E MÉTODOS25
3.1 – Materiais26
3.2 – Coleta dos dados27
4 – RESULTADOS E DISCUSSÕES28
5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS31
REFERÊNCIAS32
ANEXOS36

SUMÁRIO APÊNDICE ............................................................................................................................. 38

1 – INTRODUÇÃO

O Município de Santana do Ipanema, Alagoas, encontra-se a 250 m de altitude, apresentando clima quente e seco, com a temperatura máxima de 39ºC e mínima de 20ºC e as coordenadas geográficas 09º22’42” de latitude e 37º14’43” de longitude. Sua economia é baseada no setor agrícola e comercial, possui poucas indústrias, levando sua população a sentir seus efeitos negativos na área sócio–econômica, especialmente as menos abastadas.

O Programa Água Doce, está implantado entre os Municípios de Santana do Ipanema e Poço das Trincheiras, em Alagoas, visa à produção de água potável, redução com a do impacto ambiental, produção do peixe tilápia (Redkoina) e produção de forragem irrigada de Atriplex ou Erva-Sal para elaboração de feno, sendo utilizado como volumoso na alimentação de caprinos. O programa tem por base a utilização de água de poço artesiano, água que possui alta concentração de sais causando salinização do solo, com grandes prejuízos ao meio ambiente, o programa é composto de uma unidade dessalinizadora, dois viveiros para criação de peixe, um tanque para armazenamento de água e uma área destinada ao plantio de Atriplex spp, conhecida como erva-sal, forrageira de alto teor de proteína, que retira parte do sal que fica retido no solo.

Como em toda criação de peixes a água é fundamental, para o sucesso, tanto do ponto de vista físico, como químico e biológico, variáveis como o ph, salinidade, temperatura e todos os outros parâmetros de qualidade da água são fundamentais para desenvolvimento das espécies a serem criadas.

Inúmeros fatores interferem na qualidade da água, o que exige a realização de estudos detalhados dos processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem tanto em sistemas naturais quanto em artificiais (CARMOUZE, 1994).

Diante dessas informações o presente trabalho tem por objetivo analisar a qualidade da água na criação da Tilápia vermelha (Oreochromis sp) Redkoina no Programa Água Doce no município de Santana do Ipanema – Alagoas.

13 2 – REVISÃO DE LITERATURA

2.1 – A espécie a ser criada.

Tilápia é a denominação comum de grande gama de espécies de peixes ciclídeos, que, conforme Popma e Phelps (1998) se distribuem originalmente do centro - sul da África até o norte da Síria. A primeira espécie que chegou ao Brasil foi a Rendale (Tilapia rendalli) em 1952 (GURGEL, 1998). Cerca de vinte e duas (2) espécies de tilápia são cultivadas no mundo, porém a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus), a tilápia mossâmbica (O. mossambicus), a tilápia azul (O. aureus), O. maccrochir, O. hornorum, O. galilaeus, Tilapia zillii e a T. rendalli são as espécies mais criadas comercialmente (EL-SAVED, 1999).

A tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) foi introduzida no Brasil pelo Estado do

Ceará, através do D.N.O.C.S. (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), em Pentecostes, em 1971, procedente da Costa do Marfim, África. Recebeu a denominação de tilápia do Nilo por ser oriunda da bacia deste grande rio africano. É um peixe facilmente reconhecido por apresentar listras verticais na nadadeira caudal, coloração metálica, corpo curto e alto, cabeça e cauda pequenas e, quando alevinos, um colorido metálico em tom verde-azulado na cabeça (GALLI E TORLONI, 1986).

Entre as espécies de peixes cultivados, o grupo das tilápias é o segundo em volume de produção no mundo (NAYLOR et al., 2000), e o terceiro em geração de renda (BORGHETTI et al., 2003), apresentando rusticidade ao manejo, fácil manipulação de sexo, crescimento rápido, carne de ótima qualidade, podendo atingir 60 cm e se reproduzir com facilidade (BOSCOLO et al., 2001).

As tilápias são excelentes peixes para o consumo, com uma carne de textura muito macia, e pouca quantidade de ossos (WOHLFARTH et al., 1983).

De acordo com Lovshin (1997), a distribuição das tilápias pelo mundo começou com o intuito da criação de peixes para a subsistência em países em desenvolvimento. A primeira espécie introduzida em outros países foi a O. mossambicus, porém esta mostrou-se de baixo desempenho para a aqüicultura (LAZARD E ROGNON, 1997). Entretanto, esses mesmos autores admitem que no final dos anos 70, a espécie O. niloticus demonstrou alto potencial para a aqüicultura, em vários sistemas de criação.

O interesse pelo cultivo desta espécie, no sul e sudoeste do país, cresceu rapidamente nos últimos oito anos pela introdução da tecnologia da reversão sexual e pela demanda da pesca esportiva, representado pelos pesque-pagues. A tilápia (Oreochromis niloticus) é criada em diversos sistemas desde o cultivo semi-intensivo em tanques que recebem dejetos de animais a cultivos intensivos em "raceways" e tanques-rede. Acredita-se que, no Brasil, metade da produção anual de peixes cultivados seja de tilápias (LOVSHIN E CIRYNO, 1998).

2.2 – A linhagem Redkoina

A tilápia trabalhada no programa Água Doce é uma variedade desenvolvida pela equipe do Engº de Pesca Odilon Juvino e se chama Redkoina (Figura. 01), que foi inicialmente desenvolvida nos Estados Unidos da América mais precisamente no Estado Americano do Arizona na Universidade de mesmo nome, sendo concluída aqui no Brasil (Araújo, 2009.

Figura 01. Redkoina no Projeto Água Doce. Santana do Ipanema, 2009. Foto: Petronio A. de Melo

A partir de 1995 e com base em material genético importado da Malásia via

Universidade do Arizona (EUA), foram iniciados os trabalhos de melhoramento genético através das técnicas de retro-cruzamento e formação de grupos-espelho para, pelo método de comparação de DNA se chegar a indivíduos “ideais” e com eles formar planteis de avós de dois troncos sanguíneos diferenciados de onde seriam gerados os reprodutores. Em complementação utilizou-se a observação da íris ocular para facilitar a seleção comparativa dos indivíduos reprodutores finais (ARAÚJO, 2009).

A formação da GERACÃO 1 (G1) ocorreu no ano de 1998, quando a Universidade do Arizona se retirou dos trabalhos, sendo seu prosseguimento conduzido pela equipe brasileira comandada pelo Engenheiro de pesca Odilon Juvino de Araujo que produziu as demais gerações que, atualmente, servem de base para a produção de reprodutores e matrizes destinados a produção de alevinos (ARAÚJO, 2009).

2.3 – Tilápia e a qualidade da água

"Independentemente das condições topográficas, tamanho do terreno e tipo de solo, o que vai definir o modelo de piscicultura e o melhor sistema de criação a ser implantado é a quantidade e a qualidade da água." (HUET, 1978).

Dentro dos seus limites de tolerância, as tilápias são, reconhecidamente, espécies de peixes que melhor se adaptam a diferentes condições de qualidade de água. São particularmente bastante tolerantes ao baixo oxigênio dissolvido, convivem com uma faixa bastante ampla de acidez e alcalinidade na água, crescem e até mesmo se reproduzem em águas salobras e salgadas, e toleram altas concentrações de amônia tóxica comparadas à maioria dos peixes cultivados. Estas características foram decisivas para que as tilápias dividissem com as carpas, o pódio dos peixes mais cultivados no mundo (KUBITZA, 2000).

16 2.3.1 – Temperatura

A temperatura é fator de grande importância para a criação de peixes, visto que se ela aumenta, os animais terão um crescimento mais rápido, ocorrendo o inverso se ela diminuir. Isso se deve ao fato dos peixes serem animais pecilotérmicos, a sua temperatura varia de acordo com a do ambiente. A temperatura da água do cultivo pode variar entre 20 °C a 30 °C, embora algumas espécies possam tolerar temperaturas próximas de 12° C (SWIFT, 1993).

As Tilápias (Oreochromis niloticus) são peixes tropicais que apresentam conforto térmico entre 27 a 32ºC. Temperaturas acima de 32º C e abaixo de 27º C reduzem o apetite e o crescimento. Abaixo de 20º C o apetite fica extremamente reduzido e aumenta os riscos de doenças. Com temperatura da água abaixo de 18º C (condição comum no inverno no sudeste e sul do Brasil), o sistema imunológico das tilápias é suprimido. Assim, o manuseio e transporte destes peixes nos meses de inverno e início da primavera (mesmo se as temperaturas já ultrapassaram a casa dos 22ºC), invariavelmente resultam em grande mortalidade devido a infecções bacterianas e fúngicas. Tilápias bem nutridas e que não sofreram estresse por má qualidade da água, toleram melhor o manuseio sob baixas temperaturas (KUBITZA, 2000).

Temperaturas na faixa de 8 a 14ºC geralmente são letais, dependendo da espécie, linhagem e condição dos peixes e do ambiente. Sob condições de temperatura da água acima citada os peixes ficam menos tolerantes ao estresse do manejo e transporte e mais susceptíveis às doenças. Temperaturas acima de 38ºC podem causar mortalidade de tilápia por estresse térmico. A temperatura também influi na concentração de oxigênio (KUBITZA, 2000).

2.3.2 – Oxigênio dissolvido

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