Desenvolvimento de Tintas - Base água

Desenvolvimento de Tintas - Base água

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É importante salientar que em tintas industriais há outras tecnologias concorrentes dos sistemas aquosos na solução de problemas ambientais, como, por exemplo, tintas em pó, tintas de cura por UV, tintas de altos sólidos, etc.

5.1 Processo de fabricação de tintas látex

O processo de produção desse tipo de tintas é mais simples do que o usado na produção de tintas base solvente.

O fluxograma a seguir ilustra o processo de fabricação:

5.1.1 – Pré-mistura

Tem por objetivo a incorporação de partículas de pó num veículo gerando uma mistura com certas propriedades de homogeneidade, fornecendo condições de dispersão da tinta. Para a realização da pré-mistura e pré-dispersão se faz uso de caules e dispersadores de alta rotação e velocidade, em tanques ou dornas. Em um equipamento provido de agitação adequada são misturados: água, aditivos, cargas e pigmento (dióxido de titânio) a dispersão é feita em seqüência no mesmo equipamento.

4.1.2 – Dispersão

O objetivo da dispersão de pigmentos, além da incorporação de pós em veículo, é fornecer estabilidade aos pigmentos. A moagem de um pigmento está restrita a sua incorporação finamente dividida ao veículo para produzir uma dispersão de partículas primárias. Um exemplo de equipamento utilizado para este processo é o moinhos de bolas, que consiste em um cilindro giratório horizontal, carregado de bolas de cerâmica, aço ou ainda seixos.

A dispersão é conseguida pela ação combinada de cisalhamento e impacto do meio de moagem que cascateia nas paredes internas do moinho.

O dispersante, juntamente com a amônia, é adicionado à água, num misturador que recebe depois os pigmentos, pré-misturados; segue-se a moagem num moinho de bolas.

5.1.3 – Completagem

O estágio de completagem implica na redução da base de moagem com solvente, resina ou veículo para dar a tinta condições satisfatória de aplicação.

O método e a ordem de adição dos materiais é fundamental nesta fase, que envolve implicações de técnicas que frequentemente causam sérios problemas como floculação, sedimentação, etc., arruinando o processo produtivo. A completagem dos materiais é realizada em tanques ou dornas com agitação constante e vigorosa, utilizando-se agitadores adequados.

Esta etapa é feita em um tanque provido de agitação adequada onde são adicionados água, emulsão, aditivos, coalescentes e o produto da dispersão. São feitos o acerto da cor e as correções necessárias para que se obtenham as características especificadas da tinta.

5.1.4 – Tingimento

Após a completagem a tinta deve ter sua cor próxima ao padrão de cor do referido material. Porem raramente a tinta está totalmente de acordo com seu padrão de cor. Esta situação deve ser corrigida através do tingimento para se adequar a sua cor de referência.

5.1.5 – Aplicação

Uma superfície para ser eficientemente pintada, envernizada ou laqueada, precisa, muitas vezes, da aplicação de diversas camadas de tinta para ficar apropriadamente revestida. Por exemplo, a maior parte das superfícies exige o uso de um primer, ou primeira demão, para eliminar as desigualdades e assegurar maior aderência. Esta primeira camada pode, então, ser recoberta pela tinta propriamente dita em uma ou mais de uma demão. Uma boa parte das aplicações das tintas ainda é feita por pincéis ou rolos manuais; a pintura a mergulho ou a pistola, entretanto, está ganhando realce em virtude da facilidade e rapidez do espalhamento o que economiza a mão de obra, embora haja um certo desperdício de material. Existe ampla variedade de atomizadores para a pintura e aspersão, incluindo-se o de misturação interna e o mais comum, de misturação externa. As tintas em cartuchos de aerossóis, que se vendem aos milhões são populares em virtude da comodidade de aplicação. As folhas de metal ou de madeira recebem um pré-acabamento a rolo, inverso ou direto, na própria fábrica. Este processo é mais econômico que a pintura no próprio local, e a obra acabada fica de melhor qualidade.

5.1.6 – Aspectos ambientais, de segurança e saúde

Além dos aspectos estéticos, as tintas possuem papel importante na proteção de bens duráveis amplamente utilizados pela sociedade. Apesar das novas tecnologias no seguimento de tintas, como exemplo as tintas a base de água, que evoluíram e hoje apresentam ótimo desempenho,

a substituição de metais pesados por compostos orgânicos menos prejudiciais a saúde e ao meio ambiente, as tintas ainda possuem compostos orgânicos voláteis que são emitidos para a atmosfera durante a secagem das mesmas.

Os metais pesados, presentes nas tintas, foram usados por muito tempo para evidenciar a cor, para aumentar a resistência, entre outros. Com o tempo de uso foi-se percebendo que estes metais causavam problemas a saúde das pessoas que entravam em contato com as tintas, sejam durante aplicação e até a permanência em ambiente recém pintado. Assim, pelos impactos desses metais pesados, foi necessário usar o conhecimento científico tecnológico para produzir outros tipos de tintas menos tóxicas. A produção e utilização de tintas devem seguir as legislações locais de saúde e segurança regulamentada pelos órgãos competentes e podem cumprir voluntariamente a normas ambientais como a ISO140001 que consiste basicamente em proporcionar as empresas uma metodologia que garanta o desempenho ambiental satisfatório.

Nas indústrias das tintas, especificamente, a questão ambiental e de segurança vem sendo uma prática usual. Uma das atitudes tomadas e a separação de rejeitos em um local específico, em geral em “Ilhas Ecológicas” de onde os mesmos podem ser destinados a locais apropriados para o descarte ou ate mesmo reciclagem e reutilização. Desde a fabricação das tintas, disposição em embalagens adequadas, transporte, armazenamento ate a utilização das mesmas uma serie de produtos será consumida, alguns destes naturais não renováveis como derivados de petróleo, constantemente os fabricantes buscam reduzir este consumo minimizando o impacto ambiental.

Estudos sempre estão sendo realizados num âmbito dos impactos causados pelas tintas para poder fornecer subsídios para reformulação e diminuição da toxicidade causada por elas. Com isto, os processos produtivos tendem a evoluir incorporando os conceitos de prevenção quanto a poluição do meio ambiente e a segurança das pessoas que interagem com este tipo de material.

6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho procurou organizar um texto, de caráter paradidático, que pudesse apresentar um pouco da química a partir de um tema. O tema escolhido foi tinta.

Durante a confecção do texto, uma das maiores dificuldades foi organizar, de maneira clara, as informações levantadas. O tema por si só traz uma grande complexidade. A maioria das pessoas só possui algum conhecimento sobre tintas mediante o resultado final. A pintura pronta.

São muitos conceitos químicos envolvidos desde o processo de fabricação até as características obtidas no filme de tinta que protege e embeleza as fachadas das casas, os carros, os aviões, etc.

Os temas transversais possibilitam aliar a ciência e tecnologia a cidadania. A contextualização pode despertar o interesse em aprender química. Ter uma idéia de como a química é aplicada na indústria de tintas e pode funcionar como uma porta para a busca pelo conhecimento auxiliando a constante busca pela formação de cidadãos conscientes capazes de interagir na sociedade de maneira crítica possibilitando o exercício da cidadania.

7 – REFERÊNCIAS

 RUSSEL, J.B. Química Geral. 2a Ed., Sao Paulo, Makron Books, 1994;

 SOLOMONS, T.W.G. - Química Orgânica, Ed. Livros Técnicos e

Científicos. Rio de Janeiro, 1982;

 Atkins, P.W. Físico-químico, Ed. LTC Editora. Rio de Janeiro, 1999;

 Solbes J. y Vilches A. Las relaciones CTSA y la formacion ciudadana;

 Santos, W. L. P. e Mortimer E.F., Uma analise de pressupostos teóricos

da abordagem C-T-S (Ciência – Tecnologia –Sociedade) no contexto da

educação brasileira, ENSAIO – Pesquisa em Educação em Ciências, V

o l ume 0 2 / Numero 2 – Dezembro 2002.

 Tintas & Vernizes – Ciência e Tecnologia (Jorge M. R. Fazenda-Coordenador)

 CETESB , Nota técnica sobre Tecnologia de Controle – Indústria de Tintas – NT-30, 1994

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