Gravidez na Adolescencia: praticas pedagogicas e competencias profissionais

Gravidez na Adolescencia: praticas pedagogicas e competencias profissionais

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Sumário

Introdução................................................................................pág.04

1. Adolescência:.......................................................................pág.05

1.1-Transição da infância para a fase adulta

2. Família:................................................................................pág.06

2.1-Porque falar de sexo em casa?

3. Gravidez na adolescência e evasão escolar:......................pág.08

3.1- A prática escolar.

4. O benefício da licença-gestante às estudantes...................pág.10

5. Pesquisa documental:..........................................................pág.11

5.1-Como o corpo docente trabalha o tema gravidez na adolescência nas escolas.

6. Considerações Finais:.........................................................pág.14

6.1- Reflexão.

7. Anexo:..................................................................................pág.15

7.1-Slides da apresentação

7. Referências:.........................................................................pág.18

Introdução

Aprender a aprender é um requisito essencial para

adaptar-se às novas demandas sociais”.

Juan Ignácio Pozo

O tema “gravidez na adolescência” quando nos foi apresentado pelas professoras Giovana Brunett da disciplina Filosofia da Criança e Regina Célia Manhães da disciplina Pedagogia Diferencial nos encheu de curiosidades e questionamentos.

Observamos que a educação sexual poderia ser mais discutida e debatida nas escolas públicas e privadas em virtude das sugestões de ações propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, documento este do Ministério de Educação e Cultura (MEC), num dos seus temas transversais. Todavia essas propostas não ocorrem na prática, permanecendo, na maioria das vezes, ainda no papel.

A gravidez na adolescência é vista como “empecilho e atraso no processo de viver”, o que se explica porque os projetos de vida, tais como os estudos, os novos horizontes, as perspectivas de vida ficam em segundo plano.

No estudo desenvolvido a instituição familiar e a escola são as instituições mais apropriadas para se discutir esse assunto.

Como essa é uma realidade complexa, que demanda conhecimentos específicos e que envolve a educação, a prevenção e a intervenção, necessita-se repensar a práxis pedagógica constantemente

Este trabalho possui os seguintes objetivos: no primeiro capítulo esclarecer as mudanças que ocorrem na adolescência; no segundo conscientizar da importância da relação entre família e escola; o terceiro investigar a prática escolar; o quarto informar sobre o direito à licença-gestante e no quinto como o corpo docente trabalha o tema gravidez na adolescência no currículo escolar.

O que queremos dizer é que a gravidez na adolescência se configurará como problema quando além de não tiver sido prevista, acaba repercutindo negativamente nos projetos de vida dos jovens pai e mãe, tornando ainda mais complexa a entrada no mundo do trabalho e o prosseguimento dos estudos.

Como educadores (as), nos cabe compreender que, em tal situação, os jovens necessitam de apoio, respeito e muito diálogo. Mais que nunca é imprescindível diante dessa realidade evitar que tanto o rapaz como a moça venham a se tornar alvo de preconceitos e críticas. Esse tipo de tratamento contribui, muitas vezes, para a interrupção ou abandono dos estudos.

Veja que extremamente importante é também estimulá-los a uma conversa franca com pais e responsáveis, e isso o mais rápido possível, afinal, eles é que na maioria das vezes poderão oferecer suporte material e afetivo, tão essencial aos futuros e jovens pais. Aliás, compreensão, carinho e atenção farão toda a diferença, não é mesmo professor?

E isso pode ser decisivo para que o jovem permaneça na escola.

Imprescindível também é refletir com os jovens que cabe a ambos, tanto a ele como a ela, as decisões e a divisão das responsabilidades. Juntos, será mais fácil enfrentar as dificuldades que a gravidez pode apresentar.

Nosso convite é para uma reflexão conjunta.

1. Adolescência

Entende-se por adolescente o indivíduo com idade entre 10 e 18 anos segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. A adolescência é uma fase bastante conturbada na maioria das vezes, em razão das descobertas, das idéias opostas às dos pais e irmãos, formação da identidade, fase na qual as conversas envolvem namoro, brincadeiras e tabus.

È a fase do desenvolvimento humano que está entre a infância e a fase adulta. Muitas alterações são percebidas na fisiologia do organismo, nos pensamentos e nas atitudes desses jovens.

È o período das descobertas.

È nessa faixa etária que se tem observado um aumento na incidência da gravidez, condição considerada em alguns países um problema de saúde pública importante, com implicações sociais e biológicas.

Quando se trata de uma adolescente, às mudanças emocionais e físicas são acrescidas questões de ordem psicossocial e ainda de falta de apoio, as quais podem tornar a gravidez numa experiência traumática, num problema emocional e de saúde e promotor de exclusão social.

Adolescência e gravidez, quando ocorrem juntas, podem acarretar sérias conseqüências para todos os familiares, mas principalmente para os pais envolvidos, pois envolvem crises e conflitos. O que acontece é que esses jovens não estão preparados emocionalmente nem mesmo financeiramente para assumir tamanha responsabilidade, fazendo com que muitos adolescentes saiam de casa, cometem abortos, deixem os estudos, ou abandonem as crianças sem saber o que fazer ou fugindo da própria realidade e responsabilidades.

A gravidez na adolescência tem tomado à forma de epidemia, devido ao início da atividade sexual precoce. È um fenômeno multicausal, envolvendo fatores:

a)Biológicos: como a precocidade da menarca(primeira menstruação) e o aumento do número a adolescentes na população;

b)Familiares: o contexto familiar tem relação direta com a época em que se inicia a atividade sexual;

c)Sociais: as atividades dos indivíduos são condicionadas tanto pela família quanto pela sociedade.A sociedade, assim como a família, está mudando,admitindo a sexualidade de forma mais aberta, com sexo antes do casamento e a gravidez na adolescência,surgem novas maneiras de relacionamento(“ficar”) e

d)Fatores psicológicos e contraceptivos: a utilização de métodos contraceptivos não ocorre de modo eficaz na adolescência, e isso está vinculado aos fatores psicológicos inerentes ao período, pois, a adolescente nega a possibilidade de engravidar e essa negação é tanto maior quanto menor a faixa etária.

Para muitos desses jovens, não há perspectiva no futuro, não há planos de vida. Somado a isso, a falta de orientação sexual e de informações pertinentes, a mídia que passa aos jovens a intenção de sensualidade, libido, beleza e liberdade sexual, além da comum fase de fazer tudo por impulso, sem pensar nas conseqüências, aumenta ainda mais a incidência de gestação juvenil.

2. Família

2.1- Porque falar de sexo em casa?

Apesar de não ser o assunto mais confortável de falar com os filhos é de suma importância para o desenvolvimento deles. Adolescentes bem informados têm mais chances de, no futuro, viver sua sexualidade sem culpa. As conversas derrubam mitos e corrigem informações erradas. Ficam mais tranqüilos ao sentir que suas dúvidas são naturais e foram esclarecidas. A gravidez precoce pode estar relacionada com diferentes fatores, desde estrutura familiar, formação psicológica e baixa autoestima.

Por isso, o apoio da família é tão importante, pois a família é a base que poderá proporcionar compreensão, diálogo, segurança, afeto e auxílio para que tanto os adolescentes envolvidos quanto a criança que foi gerada se desenvolvam saudavelmente. Com o apoio da família, aborto e dificuldades de amamentação têm seus riscos diminuídos.

Se a família e as pessoas mais próximas da adolescente que engravida forem capazes de acolher a notícia com compreensão, harmonia e respeito, a gravidez tem maior possibilidade de decorrer sem problemas e até de forma gratificante.

Para os pais, tal experiência é marcada por sentimentos variados, tais como surpresa decepção, raiva, culpa ou alegria, e também por questionamentos do tipo “por que isso aconteceu?”, “onde foi que eu errei”, “será que dei liberdade demais à minha filha?”.

Na verdade, a gravidez na adolescência denuncia de um modo contundente, um fenômeno que costuma ser ignorado no ambiente familiar – a sexualidade do adolescente.

Ambiente familiar refere-se ao estilo de relação interpessoal e prática comunicativa entre os pais, entre os filhos, e entre pais e filhos. Como se sabe, a estrutura familiar passou por muitas transformações nos últimos anos. A família trocou o modelo hierárquico, no qual os papéis familiares eram rigidamente estabelecidos e o poder centralizado na figura do pai, por um modelo igualitário, no qual se destacam os ideais de liberdade e respeito à individualidade.

Não é correto que os pais imponham suas idéias aos filhos ou os proíbam de fazer certas coisas, contudo, muitos pais e filhos não conseguem estabelecer essa condição existencial para o diálogo, principalmente quando o tema é sexualidade.

A comunicação sobre sexualidade entre pais e filhos é marcada, enfim, por uma ambigüidade em que ambas as partes reconhecem o problema, mas evitam enfrentá-lo. O dilema está então constituído.

A gravidez na adolescência não é um problema somente das classes mais baixas. Ela acontece em todas as classes sociais, independente de cor, religião, situação econômica.

È importante que os pais sejam presentes, mas não só fisicamente. È necessário também a presença afetiva, estabelecendo uma relação que vai além das normas.

Para os pais, passado o susto, é hora de dar atenção à gestante não só com compreensão e afetividade, mas com cuidados médicos. “Castigar; exigir um aborto, forçar o casamento ou expulsar de casa é desumano e só vai criar situações mais lamentáveis”.

Professor, palestrante na área de educação sexual e coordenador geral do Centro de Orientação e Educação Sexual (CORES), do Rio de Janeiro, Marcos Ribeiro aposta em uma regra básica para a educação sexual dos seus filhos: diálogo + respeito + confiança + limites na hora certa. Ele diz que a conversa sobre sexo deveria ocorrer desde a infância. Mas se não foi o que aconteceu, “antes tarde do que nunca”.

Muitas mães e pais estão neste momento se questionando sobre o que fazer com a inesperada notícia da gravidez de suas filhas adolescentes. Em diversos casos, as famílias já enfrentam outros problemas como a falta de estruturas psicológicas por conta de variados conflitos familiares e a baixa renda financeira dos pais, que mal suportam as despesas básicas e de repente se vêem com a filha grávida.

”A gente já tinha tantos problemas e agora essa menina nos traz mais este”. Dizem muitos pais, não é mesmo?

Realmente não é fácil. Estejam os pais em qualquer situação financeira e principalmente para os que têm renda familiar muito pequena. Mas, é importante que se reflita sobre outros fatores imprescindíveis que envolvem esta gravidez e se mantenha a calma para evitar qualquer atitude impensada e agressiva. Conforme nos orientam o Conselho Tutelar, psicólogos e médicos, temos vários pontos que devem ser levados em consideração, Vejamos alguns deles:

  • Amor acima de qualquer dificuldade;

  • Não sejam agressivos;

  • Não pensem em aborto;

  • Passado o susto, é hora de dar atenção à gestante não só com compreensão e afetividade, mas com cuidados médicos.

Muita Paz no coração de todos os pais e responsáveis por adolescentes grávidas. Tenham tolerância com suas meninas e pensem que um bebezinho na família, mesmo em circunstancias inesperadas, será sempre abençoado por Deus. Dêem muito amor para sua filha e para o bebezinho. Estejam certos de que esta criança lhes trará muitos momentos de emoção e alegria.

3. Gravidez na adolescência e evasão escolar:

3.1- A prática escolar.

As estatísticas de gravidez na adolescência não conseguem dimensionar o tamanho do problema social que significa: evasão escolar, desagregação familiar, aumento no serviço de saúde pública, problemas psicológicos e prejuízo em relação aos sonhos profissionais.

Para promover a conscientização sobre os riscos de uma gestação fora de hora, as salas de aula são locais privilegiados. Por isso, as escolas e as Secretarias de Educação, em parceria com organizações não governamentais (ONGs), devem desenvolver programas de prevenção da gravidez e da evasão.

Desse modo, os professores são fontes de referência importante na orientação da gravidez na adolescência. Contudo, ainda se pode questionar: que tipo de referencial eles são para os alunos? Que papel estão desempenhando na escola em relação à gravidez das adolescentes? Que competências profissionais o professor necessita apresentar para melhor orientar em relação à gravidez na adolescência?

Se os profissionais não sabem lidar com esses temas, ou não conseguem trabalhá-los no cotidiano, torna-se, então, um problema de competência profissional dos docentes e das escolas.

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