NHO 06 - Avaliação da exposição ocupacional ao calor

NHO 06 - Avaliação da exposição ocupacional ao calor

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Fernando Henrique Cardoso MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO

Paulo Jobim Filho

PRESIDENTE DA FUNDACENTRO Humberto Carlos Parro

DIRETOR EXECUTIVO José Gaspar Ferraz de Campos

DIRETOR TÉCNICO João Bosco Nunes Romeiro

DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS Antonio Sérgio Torquato

ASSESSORIA ESPECIAL DE PROJETOS Sonia Maria José Bombardi

DIVISÃO DE PUBLICAÇÕES Elisabeth Rossi

Norma de Higiene Ocupacional

Procedimento Técnico

Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor

Equipe de elaboração: Eduardo Giampaoli

Irene Ferreira de Souza Duarte Saad Irlon de Ângelo da Cunha

A Coordenação de Higiene do Trabalho da FUNDACENTRO publicou, em 1985, uma série de Normas Técnicas denominadas Normas de Higiene do Trabalho – NHT, hoje intituladas Normas de Higiene Ocupacional – NHO.

Diante do processo dinâmico na evolução das técnicas de identificação, avaliação e controle dos riscos ambientais, e considerando também o desenvolvimento tecnológico, a revisão técnica dessas normas é de fundamental importância.

Dessa forma, apresentamos aos profissionais que atuam na área de

Higiene Ocupacional a NHO 06 – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor, resultado da experiência e da vivência profissional de seus autores, complementadas pelos estudos e consultas feitas em documentação técnica nacional e internacional, devidamente referenciadas no Item 8 da Norma, “Referências Bibliográficas”.

Acredita-se que esta Norma possa efetivamente contribuir como ferramenta na identificação e na quantificação da exposição ocupacional ao calor, colaborando no controle da exposição e na prevenção de doenças ocupacionais.

ROBSON SPINELLI GOMES Gerente da Coordenação de Higiene do Trabalho

1 OBJETIVO 1 2 APLICAÇÃO 1 3 DEFINIÇÕES 1 4 CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO CALOR 12 5 PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO 18 5.1 Abordagem dos locais e das condições de trabalho 18 5.2 Equipamentos de medição 19 5.2.1 Conjunto convencional para a determinação do IBUTG 19 5.2.1.1 Especificações mínimas 19 5.2.1.2 Montagem do equipamento 20 5.2.2 Conjunto não convencional para a determinação do IBUTG 2 5.2.3 Equipamentos e acessórios complementares 2 5.3 Procedimentos de medição 23 5.3.1 Aspectos gerais 23 5.3.2 Posicionamento do conjunto de medição 25 5.3.3 Medições 25 5.4 Cálculos 28 5.5 Interpretação dos resultados 29 6 RELATÓRIO 29 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS 30 7.1 Vestimentas 30 7.2 Aclimatação 30 7.3 Reposição de água e sais minerais 31 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 ANEXO A 35 ANEXO B 39 ANEXO C 45

Esta Norma cancela e substitui a seguinte Norma da FUNDACENTRO:

NHT-01 C/E - 1985: Norma para avaliação da exposição ocupacional ao calor.

As principais modificações e avanços técnicos em relação à Norma anterior são:

• possibilita a determinação do Índice de Bulbo Úmido Termômetro de

Globo – IBUTG, tanto com a utilização de equipamento convencional como com equipamento eletrônico;

• modificações na tabela para a determinação de taxas metabólicas, visando oferecer maior flexibilidade e refinamento na estimativa da taxa metabólica;

• inclusão de Anexos contendo informações complementares que poderão contribuir na estimativa da taxa metabólica.

NHO 06

1. OBJETIVO

Esta Norma Técnica tem por objetivo o estabelecimento de critérios e procedimentos para a avaliação da exposição ocupacional ao calor que implique sobrecarga térmica ao trabalhador, com conseqüente risco potencial de dano à sua saúde.

2. APLICAÇÃO

Esta Norma se aplica à exposição ocupacional ao calor em ambientes internos ou externos, com ou sem carga solar direta, em quaisquer situações de trabalho, não estando, no entanto, voltada para a caracterização de conforto térmico.

3. DEFINIÇÕES

Ciclo de Exposição: conjunto de situações térmicas ao qual o trabalhador é submetido, conjugado às diversas atividades físicas por ele desenvolvidas, em uma seqüência definida, e que se repete de forma contínua no decorrer da jornada de trabalho.

Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo Médio (IBUTG): média ponderada no tempo dos diversos valores de IBUTG obtidos em um intervalo de 60 minutos corridos.

Taxa Metabólica Média (M): média ponderada no tempo das taxas metabólicas, obtidas em um intervalo de 60 minutos corridos.

Ponto de Medição: ponto físico escolhido para o posicionamento do dispositivo de medição onde serão obtidas as leituras representativas da situação térmica objeto de avaliação.

Situação Térmica: cada parte do ciclo de exposição onde as condições do ambiente que interferem na carga térmica a que o trabalhador está exposto podem ser consideradas estáveis.

Grupo Homogêneo: corresponde a um grupo de trabalhadores que ex-

NHO 06 perimentam exposição semelhante, tanto do ponto de vista das condições ambientais como das atividades físicas desenvolvidas, de modo que o resultado fornecido pela avaliação da exposição de parte do grupo seja representativo da exposição de todos os trabalhadores que compõem o mesmo grupo.

Limite de Exposição: valor máximo de IBUTG, relacionado à M que representa as condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa estar exposta, repetidamente, durante toda a sua vida de trabalho, sem sofrer efeitos adversos à sua saúde.

4. CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO CALOR

O critério de avaliação da exposição ocupacional ao calor adotado pela presente Norma tem por base o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo – IBUTG, calculado através das Equações 4.1 ou 4.2:

IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg[4.1]
IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 tg + 0,1 tbs[4.2]

a) Para ambientes internos ou externos sem carga solar direta b) Para ambientes externos com carga solar direta onde tbn = temperatura de bulbo úmido natural em ºC tg = temperatura de globo em ºC tbs = temperatura de bulbo seco (temperatura do ar) em ºC.

As taxas metabólicas relativas às diversas atividades físicas exercidas pelo trabalhador devem ser estimadas utilizando-se os dados constantes do Quadro 1.

Quando houver dificuldade para o enquadramento da atividade exercida no Quadro 1, poderão ser utilizadas outras tabelas disponíveis na

NHO 06 literatura nacional e internacional. Nos Anexos A, B e C são apresentadas tabelas de taxas metabólicas extraídas da norma ISO 8996/90 e dos Limites de Exposição da ACGIH/1999, que poderão ser utilizadas como suporte adicional para o estabelecimento das taxas metabólicas.

Quando o trabalhador está exposto a duas ou mais situações térmicas diferentes, deve ser determinado o IBUTG média ponderada – IBUTG a partir da Equação 4.3, utilizando-se os valores de IBUTG representativos das distintas situações térmicas que compõem o ciclo de exposição do trabalhador avaliado.

onde

IBUTG= IBUTG médio ponderado no tempo em °C

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