Estudo de tempos movimentos e metodos

Estudo de tempos movimentos e metodos

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Professor José Alberto

O estudo de tempos e movimentos, também conhecido como cronoanálise, é uma forma de mensurar o trabalho por meio de métodos estatísticos, permitindo calcular o tempo padrão que é utilizado para determinar a capacidade produtiva da empresa, elaborar programas de produção e determinar o valor da mãode-obra direta no cálculo do custo do produto vendido (CPV).

O tempo padrão engloba a determinação da velocidade de trabalho do operador e aplica fatores de tolerância para atendimento às necessidades pessoais, alívio a fadiga e tempo de espera. Estes fatores são geralmente encontrados em tabelas na literatura especializada.

O estudo de tempos, movimentos e métodos aborda técnicas que submetem a uma detalhada análise de cada operação de uma dada tarefa, com o objetivo de eliminar qualquer elemento desnecessário à operação e determinar o melhor e mais eficiente método para executá-la.

O estudo de tempos, movimentos e métodos mantém estreito vínculo com três importantes definições do vocabulário empresarial: A engenharia de métodos, projeto de trabalho e ergonomia.

Engenharia de métodos

É a atividade dedicada à melhoria e desenvolvimento de equipamentos de conformação e processos de produção para suportar a fabricação. Preocupa-se em estabelecer o método de trabalho mais eficiente, ou seja, procura otimizar o local de trabalho com relação a ajuste de máquinas, manuseio e movimentação de materiais, leiaute, ferramentas e dispositivos específicos, medição de tempos e racionalização de movimentos. Também é chamada de engenharia industrial, engenharia de processo ou engenharia de manufatura.

Projeto de trabalho

O projeto de trabalho define a forma pela qual as pessoas agem em relação a seu trabalho. O projeto de trabalho leva em consideração as atividades que influenciam o relacionamento entre as pessoas, a tecnologia que elas usam e os métodos de trabalho empregados pela produção.

Ergonomia

A ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ao homem e vice-versa. A ergonomia parte do conhecimento do homem para fazer o projeto do trabalho, ajustando-se às capacidades e limitações humanas.

Ergonomia

O instituto ErgonomicsResearch

Society, da Inglaterra, define ergonomia como o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente da aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento.

O diagrama de processo de duas mãos, também conhecido como diagrama SIMO (movimentos simultâneos) é uma técnica utilizada para estudos de fluxos de produção que envolve montagem ou desmontagem de componentes. Para a elaboração do diagrama de duas mãos, é preciso:

apresentar o produto final e seus componentes;

elaborar leiaute dos componentes que serão montados dentro da área normal de montagem;

definir a seqüência de movimentos em que deve ser efetuada a montagem;

registrar, em forma de documento, o método que será utilizado como padrão de referência;

padronizar o processo.

A seqüência de movimentos é feita obedecendo a maior economia de movimento possível. Por meio desta técnica, pode-se otimizar a seqüência de trabalho e minimizar os tempos envolvidos, objetivando um aumento de produtividade.

1 –As duas mãos devem iniciar e terminar os seus movimentos ao mesmo tempo.

2 –As mãos não devem permanecer paradas ao mesmo tempo.

3 –Os braços devem ser movimentados simetricamente e em direções opostas.

4 –O movimento das mãos devem ser os mais simples possíveis. De classe mais baixa possível.

Classes de movimentos 1ª classe: movimenta apenas os dedos.

2ª classe: movimenta os dedos e uma parte do punho.

3ª classe: movimenta os dedos, uma parte do punho e uma parte da mão.

4ª classe: movimenta os dedos, o punho a mão e o braço.

5ª classe: movimenta os dedos, o punho a mão, o braço e o corpo.

5 –Deve-se utilizar a função deslizar.

6 –As mãos devem executar movimentos suaves e contínuos.

7 –Usar a posição fixa sempre que necessário.

8 –Manter o ritmo de trabalho.

9 –Usar pedais quando possível.

10 –As peças devem ser colhidas, não agarradas.

11 –Usar entrada e saída por gravidade.

12 –Pré-posicionar ferramentas e componentes.

Outro aspecto relevante diz respeito ao formato dos recipientes de alimentação dos componentes, geralmente conhecidos como alimentadores. O desenho adequado de uma caixa alimentadora pode eliminar problemas relacionadas à lesão por movimentos repetitivos, ocasionada por tensões musculares resultante da necessidade de utilização de uma classe de movimento mais alta, como ilustrado na figura a seguir.

ESTUDO DOS ALIMENTADORES Alimentador incorreto

O alimentador de peças apresentado na figura anterior, é considerado deficiente por apresentar duas grandes falhas em seu desenho. Segundo Lida (2000), quando a mão é introduzida em seu interior para a coleta de peças, a parte situada sob o punho é fina e imprópria para o apoio, a mão precisa permanecer desencostada desta aresta. Outra característica não ergonômica consiste no tamanho e no grau de inclinação da janela de abertura para coleta das peças, que causa tensão muscular quando a mão é introduzida para coleta de peças.

ESTUDO DOS ALIMENTADORES Alimentador correto

Em outras palavras, um bom projeto de caixas alimentadoras permite que se apanhem as peças com maior rapidez, produzindo mais, sem forçar, em demasia, o punho do operador.

O objetivo da medida dos tempos de trabalho era determinar a melhor e mais eficiente forma de desenvolver uma tarefa específica.

Estudo de tempos

É a determinação, com o uso de um cronômetro, do tempo necessário para se realizar uma tarefa. O termo “cronoanálise” é bastante utilizado nas empresas brasileiras para designar o processo de estudo, mensuração e determinação do tempo padrão em uma organização.

Cronoanalista

O vocabulário cronoanalista dói bastante utilizado nas industrias brasileiras para desinar o cargo e função do profissional que executava as tomadas de tempo. Esta função foi largamente utilizada para registro na carteira de trabalho. Atualmente, devido à constante redução do contigenteoverhead, o cargo de cronoanalista foi substituído por outras descrições de cargo mais abrangentes e menos específicas, tais como analista industrial ou analista de processos.

Finalidade do estudo dos tempos

O estudo de tempos não tem apenas a finalidade de estabelecer a melhor forma de trabalho. O estudo de tempos procura encontrar um padrão de referência que servirá para:

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