INSPEÇÃO DE SEGURANÇA OU INSPEÇÃO DE RISCO

INSPEÇÃO DE SEGURANÇA OU INSPEÇÃO DE RISCO

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Inspeção de risco

Profª: Viviann Alves

CAPÍTULO I

INTRODUÇÃO

A inspeção de risco é a parte do controle de riscos que consiste em efetuar vistorias nas áreas e meios de trabalho, com o objetivo de descobrir e corrigir situações que comprometam a segurança dos trabalhadores. Como sabemos, o acidente é a consequência de diversos fatores que, combinados, favorecem a ocorrência do mesmo. Assim, a inspeção de risco ou de segurança é uma vistoria técnica feita nos locais de trabalho, áreas externas e instalações, observando os riscos existentes no ambiente, exemplo: falta de protetores em máquinas, protetores danificados, funcionando mal ou mal usados, desordem, desarrumação, disposição de materiais de maneira perigosa, uso de equipamentos de forma insegura, falta ou uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPI), falta ou uso inadequado de equipamentos de proteção coletiva (EPC), etc.

Outro fator importante a ser observado numa inspeção é o estado de conservação de materiais como: máquinas, mangueiras, cabos, ferramentas, escadas, EPI’s etc., que devido a seu uso frequente leva a desgastes naturais que deterioram gradualmente, e esta pode ser descoberta antes de causar danos pessoais, materiais e até ao meio ambiente.

Quando detectamos estes problemas com antecedencia, as informações são repassadas aos responsáveis para manutenção evitando assim acidentes e doenças no ambiente de trabalho. Portanto, a inspeção é um instrumento fundamental para se obter um retrato qualitativo do ambiente laboral, onde a partir dai podemos elaborar medidas preventivas e corretivas.

É muito importante localizar situações que possam provocar acidentes e tomar as medidas prevencionistas necessárias. Por isso, o Profissional da Segurança do Trabalho e / ou o membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) deve percorrer todo o ambiente para identificar fatores que poderão ser causa de acidentes. Feito isto, o responsável deve tomar as devidas providências.

A maioria dos acidentes é uma combinação de condições inseguras do ambiente e atos inseguros dos trabalhadores, por exemplo: se os trabalhadores não fizerem absolutamente nada num local que ofereça risco, eles não serão feridos. Por outro lado, se um trabalhador fosse executar uma tarefa sem qualquer ferramenta ou material de segurança, a probabilidade de ocorrer um acidente seria grande. Logo, todo acidente envolve ações e condições físicas. Assim, o gerenciamento da segurança deverá enfocar as condições inseguras do ambiente e o comportamento do trabalhador que irá executar as ações.

As ações dos trabalhadores são influenciadas pelos próprios trabalhadores, por seus supervisores imediatos, e por toda a alta gerência. Todos exercem um papel na manutenção da segurança. Para um empreendimento ser seguro, cada uma das partes deve estar comprometida para prover um ambiente de trabalho que conduza a um bom desempenho de segurança.

Por este motivo todos devem participar das inspeções de risco, seja executando as inspeções, analisando seus resultados ou promovendo as ações corretivas e preventivas para sanar os problemas encontrados.

As inspeções são uma grande fonte de informações que ajudam na determinação de medidas de segurança que previnem os acidentes do trabalho. Quando bem executadas e envolvendo a todos, as inspeções possibilitam a determinação de meios preventivos antes da ocorrência de acidentes; permite fixar nos trabalhadores a importancia de se ter segurança no trabalho, encorajando-os a agirem como inspetores de segurança; permite consolidar a relação entre trabalhador e empresa, uma vez em que eles observam o interesse da empresa pela segurança do trabalho; despertam a confiança na administração e alcança a colaboração de todos para a prevenção de acidentes.

A inspeção de risco tem como objetivo fazer um levantamento das irregularidades existentes nos postos de trabalho e propor ações para resolver os problemas que comprometem a segurança e saúde do trabalhador.

CAPÍTULO II

ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO

A Análise Preliminar de Riscos (APR) teve seu desenvolvimento inicial na área militar e é um recurso a ser utilizado pela segurança do trabalho visando de forma a facilitar a detectar a totalidade dos riscos que envolvem as várias operações na área fabril, detalhar as mesmas a um nível que possam ser identificados os menores problemas, encontrar a forma mais eficiente de fazer o trabalho, normatizar os métodos, materiais, ferramentas, instalações e máquinas.

A (APR) é um estudo, durante a fase de elaboração, desenvolvimento de um projeto ou sistema de produção. Uma avaliação de riscos é um exame sistemático de todos os aspectos de trabalho, com o objetivo de apurar ao que poderá causar danos, se é ou não possível eliminar os perigos, em caso negativo, que medidas preventivas poderam ser tomadas para controle.

Ela é usada portanto para uma análise inicial, tendo importância na conhecimento de sistemas novos de alta inovação tecnológica e/ou pouco conhecidos, ou seja, quando a experiência em riscos na sua operação é deficiente. Apesar das características de análise inicial, é útil utilizar a APR como uma ferramenta de revisão geral de segurança em sistemas já operacionais, revelando aspectos que às vezes passariam despercebidos.

Na NR10 - que trata dos serviços no Sistema elétrico é previsto a aplicação da APR, quando da execução destes serviços.

Para profissionais especializados na área de inspeção de equipamentos em unidades industriais é fácil entender a importância do seu trabalho, pois, quando não há ocorrência de acidentes durante um bom período de tempo é porque se está colhendo os frutos do trabalho bem feito da inspeção.

Entretanto, um outro aspecto a ser observado é que este trabalho pode gerar interferências na produção e custos para a manutenção, e por isso deve ser amplamente discutido em todos os setores e seus benefícios amplamente divulgados.

A

APR tem uma maior importância no que se refere à determinação de medidas de controle e prevenção de riscos, permitindo revisões de projeto em tempo hábil, com maior segurança, além de definir responsabilidades no que se refere ao controle de riscos. Para isso deve-se fazer:

s exigências do Brasil de hoje são crescentes, tanto pela necessidade da obtenção de resultados, quanto pela redução dos custos de operação. Temos de fazer mais e melhor que os padrões anteriores, por um custo cada vez menor. Para esta equação, só há uma solução: o emprego do conhecimento e tecnologia.

As revisões dos problemas conhecidos, nos permite a determinação de riscos que poderão estar presentes num sistema de operação que está em desenvolvimento, tomando como base a experiências conhecidas.

Deve-se fazer a revisão da missão a que se destina a APR, atentar para os objetivos, exigências de desempenho, principais funções e procedimentos, ambientes onde se darão as operações, etc. Enfim, estabelecer os limites de atuação e delimitar abrangencia dessa missão, o que e quem são os atores envolvidos e como será desenvolvida.

Determinar os riscos principais, identificando os riscos com potencialidade para causar lesões diretas e imediatas, perda de função (valor), danos à equipamentos e perda de materiais.

Identificação dos riscos iniciais e quais fatores contribuem para sua ocorrência, para cada risco principal detectado, os riscos iniciais e contribuintes associados.

Revisão dos meios de eliminação ou controle de riscos, criando um levantamento para dos meios passíveis de eliminação e controle de riscos, a fim de estabelecer as melhores opções, desde que compatíveis com as exigências do sistema.

Realisar pesquisas de métodos que sejam mais eficientes para a limitação dos danos gerados caso ocorra perda de controle sobre os riscos.

Indicação de quem será responsável pela execução das ações corretivas e/ou preventivas, designando também para setor unidade as atividades a desenvolver.

A APR tem grande utilidade, porém, há a necessidede de que haja a verificação contínua desses fatores de risco, devendo ser complementada por técnicas mais detalhadas e apuradas. Lembrando que a APR é umaforma de se identificar possiveis riscos em um empreendiemnto antes do início de sua operação.

CAPÍTULO III

ELEMENTOS IMPORTANTES UTILIZADOS NA INSPEÇÃO

As inspeções possuem grande importancia na prevenção de perdas, devendo ser feita em todas as áreas do ambiente de trabalho. Por isso, uma inspeção para ser bem aproveitada precisa ser planejada, e o primeiro passo é definir o que se pretende com a inspeção e como fazê-la, para isso precisamos saber:

1º - O que será inspecionado: pode ser todo o ambiente de trabalho ou apenas algum setor específico como o escritório, linha de produção, almoxarifado, etc.

2º - Quem será o responsável: o técnico, o engenheiro, um membro da CIPA.

3º - O intervalo de tempo entre uma inspeção e outra: de quanto em quanto tempo ela deverá ser feita, semanalmente, mensalmente, bimestralmente...

4º - Informações sobre historico de antecedentes do local analisado: procurar saber se já houve acidentes, quantos, a quanto tempo, qual sua gravidade, em que setores, porque?

5º - Formulário para registro dos dados coletados: tudo que for observado, deve ser registrado, pois, servirá para elaboração de medidas preentivas e / ou corretivas. ( ver modelo de formulário no anexo).

PONTOS IMPORTANTES UTILIZADOS NA INSPEÇÃO

Além desses elementos, é necessário que o profissional estabeleça alguns pontos como prioridades durante a averiguação do ambiente, em razão das informações disponíveis acerca do local a ser inspecionado, pois, estas também serão usadas como indiadores de necessidades a serem observadas. São eles:

1º - Acidentes recorrêntes no mesmo local e pela mesma causa; quantos acidentes e em que intervalo de tempo, e se eles ocorreram devido ás condições ou à atos inseguros.

2º - Em casos onde já houve acidente é importante observar se as correções foram feitas e quais foram estas: verificar se já foram tomadas as me didas corretivas e preventivas, quais foram, seforam empregadas corrtamente.

3º - Ocorrência de lesões graves: tipo de lesão, gravidade, e até mesmo obtos.

4º - Necessidade de desenvolver normas de segurança e treinamento com funcionários na empresa: verficar se há algum programa de treinamento, qual é esse programa, de que forma tem sido aplicado, se está sendo eficiente.

CAPÍTULO IV

TIPOS DE INSPEÇÃO

Ainda hoje verifica-se na maioria das empresas brasileiras, especialmente as empresas do setor industrial, ainda um certo descaso para com as condições de trabalho e, consequentemente, com a qualidade de vida dos seus colaboradores. Poucas firmas como algumas empresas multinacionais, e em algumas grandes empresas nacionais, a saúde e segurança do trabalho está sendo utilizada como ferramenta para melhorar a eficiência e as condições de trabalho dos funcionários.

Uma prova disso é que em todo o mundo, milhões de trabalhadores se acidentam, adoecem e milhares morrem no exercício do trabalho a cada ano. Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ocorrem anualmente cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho no mundo, além de aproximadamente 160 milhões de casos de doenças ocupacionais. Do total de trabalhadores mortos, 22 mil são crianças, vítimas do trabalho infantil. Ainda segundo estimativas da OIT, todos os dias morrem cinco mil trabalhadores devido a acidentes ou doenças ocupacionais.

Segundo o boletim anual Sistema de Referência em Análise e Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIRENA) que é resultado de um convênio entre o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Ministério da Previdência, em 2010, 846 pessoas morreram vítimas de acidente de trabalho no Brasil, e constatou-se 1.944 acidentes ocorridos no ano passado. Ao todo, 2.252 trabalhadores se acidentaram em horário de serviço no país.

A maior porcentagem dos acidentes aconteceu no setor da indústria de transformação (36%), seguida pela construção civil (30%) e comércio (10%). De acordo com o boletim, 95,2% dos trabalhadores acidentados possuíam carteira assinada. A faixa etária da maioria atingida está entre 21 e 50 anos (81,5%) e do maior número de acidentes fatais também (78,8%). Os índices também apontaram que 9,9% do total de acidentados era do sexo feminino, o equivalente a 224 trabalhadoras, sendo que, 2,8% delas morreram, o que representa 24 trabalhadoras.

De acordo com dados da assessoria do Ministério da Previdência Social - Cobertura Previdenciária Estimada (Copes), em janeiro deste ano 510 mil trabalhadores passaram pela perícia no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Neste sentido, a inspeção no local de trabalho é um dos procedimentos mais importantes em relação à Segurança e Medicina do Trabalho, por ser uma ferramenta importante para identificação e elaboração de métodos de correção e prevenção de riscos. Por isto é ideal que os profissionais adotem procedimentos de inspeção para eliminar riscos de baixo, médio e grande porte, oferecendo aos ambientes laborais e aos colaboradores da empresa qualidade e segurança.

Após a inspeção é impressindível que fique claro cada risco existente, quais as pessoas que poderão ser afectadas num possível acidente. Assim, será mais fácil identificar a melhor forma prevenir esse, isto não significa elaborar uma lista com os nomes das pessoas, mas identificar grupos, como: pessoas que trabalham no almoxarifado, no armazém, escritório, segurança, linha de produção, ou transeuntes, os profissonais de limpeza, os contratantes, etc.

Deve ser prestada especial atenção às questões de gênero e a grupos de trabalhadores que podem correr riscos acrescidos ou ter requisitos específicos, como trabalhadores idosos, com algum tipo de deficência. Em cada caso, é importante identificar a forma que esses danos poderão assumir, ou seja, o tipo de lesão ou problema de saúde que pode ocorrer, essa observações facilitam a elaboração de programas de prevenção.

De rotina: é uma atividade que ocorre no dia-a-dia, diáriamente são observados a presença ou não de riscos no ambientee fica sobre responsabilidade do pessoal de manutenção, dos membros da CIPA e de chefias imediatas. Exemplo de pontos a serem observados:

  • Remoção de proteção em máquinas;

  • Falta de organização no setor;

  • Falta de Uniformização;

  • Ordem, organização e limpeza;

  • Uso inadequado de equipamentos de segurança;

  • Disposição insegura ou inadequada de materiais;

  • Atos inseguros ou condições inseguras, etc.

É importante que a pessoa responsável por esta atividade utilize um fórmulário próprio, e dirigido a cada setor inspecionado, e que os mesmos não fiquem esquecidos em suas gavetas pois são fonte de informações para elaboração de medidas preventivas de segurança.

Periódica: efetuadas em intervalos regulares (semanais, mensais, bimestrais ou trimestrais), e programada com antecedencia objetiva apontar riscos previstos como: desgastes, fadigas, esforço e exposição a certas intemperies a que são submetidos máquinas, ferramentas (essas inspeções são indicadas pelo fabricante), instalações, podem incluir a inspeção de toda a fábrica, de um departamento, uma seção, certos tipos de operações, determinados equipamentos e aspectos relativos a higiene, sendo indicado a elaboração de um relatório final. Pode-se utilizar como método de inspeção o sinal da cruz (em cima, em baixo, direita, esquerda), destacando que sempre será importante a participação dos principais envolvidos (produção, supervisão, manutenção, líderes, membros da cipa, convidados imparciais que são pessoas que não estão acostumadas e com o local.

Especial: são programadas e quando houver ocorrência de problemas que precisam ser analisados com mais detalhe, requer conhecimentos e/ou aparelhos especializados. Inclui-se aqui a manutenção em de caldeiras, elevadores, medição de nível de ruídos, de iluminação, entrada em reservatórios, vasos pressurizados, manutenção elétrica e civil, seja por firmas especializadas ou não.

Geral: envolve todos os setores da empresa, sendo observados todos os aspectos relacionados a segurança e higiêne no trabalho com auxilio de um checklist. No entanto este tipo de inpeção não detalha as irregularidades, apena ponta quais são. É efetuado num período de 30 dias. Em locais onde não há serviço especializado de segurança e saúde no trabalho a CIPA pode coordenar as inspeções. (Você pode encontrar o modelo completo de um checkliste no anexo).

Exemplo de ítens que deve constar em um Checklist

ÍTENS PARA INSPEÇÃO GERAL

IRREGULARIDADES OBSERVADAS

Layaut (disposição física do máquinário no setor de produção)

Iluminação natural

Iluminação artificial

Limpeza

Estado de conservação máquinas

Outros equipamentos

Edificações (paredes, piso, forro)

Escadas e corrimões

Instalações elétricas

Instalações hidráulicas

Faixas e corredores

Equipamentos de ventilação

Bebedouros

Mesas e cadeiras

Ferramentas manuais

Sinalizadores

Estoque de materiais

Equipamentos de emergência

Equipamento de combate a incêndio

Equipamento de proteção individual

Atos inseguros

Etc...

Parcial: realizada sem dia ou período pré-estabelecido e com o envolvimento do técnico em segurança. É realizada nos setores da empresa ou em certos tipos de trabalho, onde já se sabe da ocorrência de problemas, seja por queixas dos trabalhadores ou ocorrência de doenças e acidentes do trabalho. Deve ser uma inspeção mais detalhada e criteriosa. Pode ser feita em equipamentos, máquinas, etc.

Oficial: inspeção feita pelos órgãos oficiais. Neste este caso, é muito importante que os responsáveis pelo serviço de segurança da empresa apresentem todos os documentos referentes ás inspeções anteriores, livro de atas de reuniões da CIPA, fichas de entrega e devolução de EPI’s e atestados de saúde ocupacional como forma de controle de tudo. que ocorre e do andamento de tudo o que estiver pendente para que estejam em condições de atender e informar devidamente a fiscalização, não acarretando prejuízos para a empresa. Abordaremos um pouco mais no capítulo v .

**Dica: Filmar e/ou fotografar as irregularidades observadas durante a inspeção, e realizar reunião em conjunto com a gerência, chefia e supervisão da área envolvida, engenharia de processos, manutenção ou outra interessada, afim de se discutir os itens levantados, propondo soluções, prioridades, responsabilidades e prazos de execuções.

Exemplo de formulário:

Frente do formulário

RELATÓRIO DE INSPEÇÃO DE SEGURANÇA

Nº:____________

DATA: ___/___/___

HORA:

RESPONSÁVEL INSPEÇÃO:

DEPARTAMENTO:

LOCAL INSPECIONADO:

INSPEÇÃO DO:

Flowchart: Alternate Process 53 LOCAL

Flowchart: Alternate Process 56

EQUIPAMENTO

Flowchart: Alternate Process 55

OPERAÇÃO

RESPONSÁVEL PELO SETOR:

Verso do formulário

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