Importância hemácias

Importância hemácias

A importância das células sanguíneas

Na Hemoterapia

Renata Batista da Silva nº 30 – Técnico de Hemoterapia – CN10

iCélulas Sanguíneas

O sangue total é composto por várias células que exercem funções específicas, e este agrupamento, que do ponto de vista funcional pode ser chamado de tecido. O sangue é composto basicamente de água (aproximadamente 90%), e é dividido em plasma (60%) e células.

Quanto às células, podemos dizer que são divididas em três grupos básicos:

  • Os glóbulos vermelhos (hemácias)

  • Os glóbulos brancos (leucócitos)

  • As plaquetas

Glóbulos vermelhos (Hemácias): São células anucleadas portanto não se dividem, tem o formato de um disco bicôncavo, preenchido por uma proteína chamada hemoglobina.Possuem tempo de vida limitado (cerca de 120 dias) e após esse período, sua membrana torna-se mais rígida, sendo absorvida pelo sistema retículo-endotelial (baço, fígado), tendo assim seus componentes reaproveitados, inclusive o componente protéico da membrana (hemoglobina). Esse processo é fundamental , para a formação de novas hemácias.

Glóbulos brancos: São divididos em dois tipos, unicelulares e pluricelulares

Os unicelulares são representados por:

- Linfócitos: Podem ser classificados em grandes ou pequenos.

Os grandes linfócitos apresentam diâmetro entre 10 a 15 μm. Núcleo arredondado e

grande com cromatina densa. O citoplasma é basófilo com granulações azuis. Já os pequenos linfócitos são células com diâmetro entre 7 a 8 μm. Citoplasma basófilo.

Núcleo com cromatina densa que ocupa 9/10 do citoplasma (grande relação núcleo/citoplasma).

- Monócitos: São os maiores leucócitos circulantes (15 a 18 μm de diâmetro) que apresentam citoplasma azul-acinzentado contendo um variável número de granulações azuis. O núcleo é grande e sem segmentação com a cromatina delicada disposta em forma de rede. Representam de 4 a 8% dos leucócitos circulantes

Os pluricelulares dividem -se em três tipos:

-Eosinófilos: São um pouco maiores que os neutrófilos, apresentam diâmetro entre 12

a 17 μm. O núcleo é segmentado apresentando geralmente 2 lóbulos. As granulações

específicas no citoplasma são esféricas de contorno nítido de cor laranja ou avermelhada.

Estas células estão presentes no sangue periférico na freqüência relativa = até 4%.

-Basófilos: São os leucócitos circulantes mais raros (freqüência relativa de 0 a 1%), apresentam núcleo segmentado e citoplasma com granulações específicas (metacromáticas) de forma e tamanho variados.

-Neutrófilos: São os leucócitos mais numerosos na circulação sanguínea, representam

60 a 65% dos leucócitos do sangue circulante normal, apresentam em média diâmetro

de 13 μm. Possuem núcleo segmentado (geralmente 3 lóbulos). No citoplasma podem ser observadas granulações específicas, pequenas, finas e dispersas de coloração vermelho salmão.

As plaquetas: O que caracteriza as plaquetas é o fato de não possuírem núcleo por serem formadas de fragmentos de trombócitos (partes de substâncias vasoativas) que se fragmentam e caem na circulação. Devido a este fato, alguns autores não consideram as plaquetas como um tipo celular.

A importância na Hemoterapia

O concentrado de hemácias é indicado para pacientes com problemas hematológicos (deficiência de hemoglobina) já que a presença desta proteína é fundamental no sangue, raramente será indicada a transfusão de hemácias quando a hemoglobina for superior a 10g%, e quase sempre a transfusão deve ser feita quando a hemoglobina for inferior a 6g%.As exceções a esta regra geral devem ser estabelecidas a partir da avaliação do paciente e da sua tolerância e adaptação à anemia.

O objetivo da transfusão terapêutica de plaquetas nem sempre é elevar a contagem de plaquetas, mas ajudar a corrigir um distúrbio hemostático, que pode estar contribuindo para a hemorragia. A transfusão deste hemocomponente está indicada no paciente que apresente disfunção plaquetária e hemorragia com risco de vida, já que as plaquetas têm como principal função agir na coagulação do sangue. A transfusão também está indicada no paciente que apresente hemorragia em curso e contagem de plaquetas inferior a 50.000/μL.

O plasma é o hemocomponente que apresenta maior risco de transmissão de doenças pois contém as principais células funcionais, atualmente são restritas as indicações terapêuticas de plasma fresco congelado em seu estado natural. As indicações para o uso são as indicadas pela RDC nº 10 nos casos de:

  • correção de deficiências congênitas e adquiridas isoladas ou combinadas de fator(es) da coagulação.

  • deficiência de fator XIII, ou de fibrinogênio ou na doença de von Willebrand não responsiva a DDAVP, (o plasma fresco congelado poderá ser usado caso não haja também disponibilidade do crioprecipitado).

  • Coagulopatias de consumo graves com sangramento ativo e grande diminuição na concentração sérica de múltiplos fatores.

  • Sempre que houver hemorragia e evidências laboratoriais de deficiências de

Fatores (prolongamento do Tempo de Protrombina ou do Tempo Parcial de Tromboplastina Ativada).

  • Transfusão Maciça (mais de 1 volemia em menos de 24 horas) desde que haja persistência da hemorragia e/ou sangramento microvascular, associados à alteração significativa da hemostasia (prolongamento de, no mínimo, 1,5 vezes do TP, do TTPa ou do INR).

  • Tratamento de Hemorragias em hepatopatas com déficits de múltiplos fatores e alterações do coagulograma. Considera-se geralmente como alteração significativa do coagulograma um TP, ou TTPa superior a 1,5 vezes do valor normal. O uso de complexo protrombínico associado pode aumentar a eficácia do plasma na correção da coagulopatia.

  • Pré-operatório de transplante de fígado, especialmente durante a fase anepática da cirurgia.

  • Púrpura Fulminans do Recém-Nato por Déficit de Proteína C e/ou Proteínas S. Nas deficiências de proteína C e proteína S está indicado o uso do PFC, lembrando o risco de trombose.

  • Tromboses por Déficit de Anti-Trombina III: O produto de escolha é o concentrado de Anti-Trombina III. Todavia, este produto, raramente está disponível para uso nos hospitais brasileiros.

  • Correção de hemorragias por uso de anticoagulantes cumarínicos ou reversão rápida dos efeitos dos cumarínicos.O produto de escolha nesta situação é o complexo protrombínico. Como a disponibilidade deste tipo de concentrado ainda não é suficientemente ampla nos hospitais brasileiros, o uso de PFC é uma alternativa aceitável.

  • Hemorragia por Déficit de Fatores Vitamina K dependentes em recém -nascidos.

  • Reposição de Fatores durante as plasmaféreses terapêuticas.

  • Pacientes com edema angioneurótico (edema de Qüincke) recidivante causado por déficit de inibidor de C1-esterase.

  • No tratamento da Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) e da Síndrome Hemolítico-Urêmica do adulto (SHU). Nesses casos também pode ser indicado o plasma isento de crio.

ihttp://www.hemorio.rj.gov.br/Html/pdf/protocolos/2_02.pdf

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