Relatório de Estágio Básico I - Em Psicologia

Relatório de Estágio Básico I - Em Psicologia

INSTITUTO MACAPAENSE DE ENSINO SUPERIOR

CURSO DE PSICOLOGIA

ANA PAULA PINHEIRO PEREIRA DE BARROS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO I

MACAPÁ – AP

2009

INSTITUTO MACAPAENSE DE ENSINO SUPERIOR

CURSO DE PSICOLOGIA

ANA PAULA PINHEIRO PEREIRA DE BARROS

Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Instituto Macapaense de Ensino Superior como processo avaliativo da disciplina Estágio Supervisionado I, sob orientação da professora Carla Sebastiani.

MACAPÁ – AP

2009

“O lado grandioso de envelhecer está em não perder todas as outras idades em que vivemos.” Madeleine L’Engle

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...............................................................................................

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DESCRIÇÃO DA INSTITUIÇÃO...................................................................

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ESTRUTURA ORGANIZACIONAL...............................................................

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DESCRIÇÃO DO TRABALHO......................................................................

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ATIVIDADES DESENVOLVIDAS..................................................................................................

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SÍNTESE DIAGNÓSTICA.............................................................................

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PROPOSTA DE INTERVENÇÃO..................................................................

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JUSTIFICATIVA.............................................................................................

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OBJETIVOS...................................................................................................

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MÉTODO........................................................................................................

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ESTRATÉGIAS E INTERVENÇÕES.............................................................

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CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................

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REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS.................................................................

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INTRODUÇÃO

O presente relatório tem como proposta descrever as atividades de estágio realizadas no Setor de psicologia do “Abrigo São José”, o qual é dirigido pela Psicóloga Janaína Maria Pugliesi.

As atividades desenvolvidas neste setor correspondem ao trabalho das relações inter-pessoais dos idosos; ao estimulo dos idosos a participarem das atividades oferecidas pelo Abrigo; oferecimento de atendimento psicológico individual e grupal, visando trabalhar as angústias, depressões e sexualidade dos idosos; integração família x idosos; trabalho das relações entre funcionários e funcionários, idosos e funcionários e idosos e idosos.

Este relatório traz uma descrição da instituição de estágio, seu histórico, estrutura organizacional e serviços; descrição das atividades de estágio desenvolvidas no referido local, síntese diagnóstica, bem como uma proposta de intervenção explanando os objetivos, os métodos a serem utilizados, as estratégias e as intervenções sugeridas.

Essas atividades têm como objetivo proporcionar ao acadêmico de psicologia a vivência do trabalho dentro de uma organização pública, bem como a familiarização com o trabalho do psicólogo e a oportunidade de por em prática os ensinamentos da academia.

DESCRIÇÃO DA INSTITUIÇÃO

O estágio se realizou no Setor de Psicologia do “Abrigo São José”, localizado na Avenida Padre Júlio Maria Lombaerd, nº. 3134, Bairro Santa Rita.

O Abrigo São José, fundado em 18 de março de 1965, é uma Instituição de Longa Permanência, vinculada a Secretaria Estadual de Inclusão e Mobilização Social, tendo como mantenedor o Governo do Estado do Amapá, conforme disposto no Decreto do Executivo nº. 4765, de 20 de outubro de 2005. Tem por finalidade abrigar pessoas idosas, com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em vulnerabilidades sociais, carentes de recursos sócio-econômicos e sem vínculo familiar, através das modalidades de Longa Permanência, Centro-Dia e Grupo de Convivência.

Inicialmente o Abrigo São José destinava-se a atender idosos em estado de abandono, prestando-lhes moradia e cuidados higiênicos e alimentícios. Com o advento da Lei 8.842/94, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, o atendimento integral ao idoso ampliou-se. O Abrigo São José implantou novas formas de atendimentos: Morada de Longa Permanência, Centro-Dia, Visitas Domiciliares e Grupo de Convivência.

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

DESCRIÇÃO DO TRABALHO

São diversas as mudanças que podem ser verificadas no processo de envelhecimento do individuo, mudanças estas no aspecto físico, psicológico e social. É importante salientar que essas mudanças podem variar de acordo com as características genéticas de cada indivíduo, e principalmente, com o modo de vida de cada um.

“... a alimentação adequada, a prática de exercícios físicos, a exposição moderada ao sol, a estimulação mental, o controle do estresse, o apoio psicológico, a atitude positiva perante a vida e o envelhecimento são alguns fatores que podem retardar ou minimizar os efeitos da passagem do tempo” (ZIMERMAN, 2000 p.21).

Os serviços que são ofertados nas dependências do Abrigo são: Assistência Social, Médica, Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, também contando com o apoio de cuidadores de idosos, higienizadores, professora de artes e de alfabetização e estagiários.

A Unidade executora Abrigo São José busca prover os meios e atuar de modo a viabilizar o alcance do propósito da Política Nacional do Idoso, que é a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção e a melhoria, ao máximo, da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde dos que adoecem e a reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida. Realiza também o desenvolvimento de um amplo conjunto de ações, entre as aquelas compreendidas no processo de promoção da saúde, auto-estima e coordenação motora.

De acordo com o regulamento interno do abrigo, os serviços oferecidos pela instituição são os seguintes:

Serviço Social:

  • Fazer atendimento do idoso através da entrevista social, quando encaminhado por outras instituições ou espontaneamente;

  • Providenciar a documentação civil dos idosos quando não apresentarem a mesma;

  • Proceder visitas domiciliares, quando necessário, visando admissão de idosos na Instituição;

  • Encaminhar e orientar os idosos que necessitam de aposentadoria ou Benefício de Prestação Continuada – BPC;

  • Programar as atividades sociais,em conjunto com a Direção, tais como: passeios, filmes educativos, comemoração de datas festivas, ou qualquer outra atividade que objetive despertar o interesse e a criatividade do idoso;

  • Trabalhar a relação: pessoa idosa e família, a fim de evitar a marginalização;

  • Realizar trabalho de sensibilização da família e da sociedade, no sentido de prevenir o abandono e o descuido com o idoso;

  • Organizar equipes de voluntários (técnicos) que queiram desempenhar atividades no Abrigo, ficando sob responsabilidade as atribuições que serão desenvolvidas pelos mesmos;

  • Manter arquivo de anotações com dados pessoais e atualizados dos idosos;

Setor Médico:

  • Fazer visita médica diária aos internos;

  • Prescrever medicação diária aos idosos do Abrigo;

  • Solicitar pareceres especializados, bem como exames complementares para os idosos internos e/ou atendidos pelo Abrigo;

  • Assinar o pedido de transferência dos internos para a rede hospitalar quando for o caso;

  • Atender aos idosos do Grupo de Convivência, terça e quinta-feira, triados pelo Serviço Social;

  • Participar da elaboração dos mapas de medicação e material de penso;

  • Assessorar a Direção do Abrigo São José no que diz respeito a assuntos técnicos de Saúde;

Setor de Enfermagem:

  • Chefiar o serviço de enfermagem;

  • Planejar, organizar, coordenar, executar e avaliar os serviços de enfermagem prestados aos idosos;

  • Confeccionar a escala de serviço, bem como a distribuição de atividades;

  • Execução de cuidados que necessitem de maior complexidade técnica;

  • Avaliação da saúde do idoso, após a admissão realizada pelo Serviço Social;

  • Repassar aos cuidadores as orientações e informações referentes a saúde do idoso (a);

  • Elaborar e apresentar à Secretaria deste Abrigo, o Mapa Mensal de Medicamentos que serão solicitados a CAFE;

Setor de Fisioterapia:

  • Atender os idosos asilares, Centro-Dia e do Grupo de Convivência com tratamento fisioterápico, efetuando mediante solicitação médica, no qual deve constar o diagnóstico da patologia do idoso;

  • Realizar avaliação fisioterápica traçando os objetivos do tratamento;

  • Oferecer serviço de qualidade ao idoso, através do profissional de nível superior, que atenderá os mesmos na seguinte área: ortopédicas, neurológicas, reumatólogicas, respiratórias e na prevenção de doenças comuns na terceira idade;

  • Dar prioridade aos idosos Asilares do Abrigo São José, que necessitem do referido serviço;

  • Participar de ações conjuntas com os demais técnicos do Abrigo São José;

Setor de Terapia Ocupacional:

  • Avaliar os idosos, levando-se em conta suas capacidades funcionais, mentais e sociais, entendendo-se por avaliação um processo contínuo;

  • Fornecer informações a equipe técnica sobre cada idoso, respeitando os serviços éticos - profissionais, bem como a intimidade do idosos;

  • Intervir, através de atividades humanas analisadas e qualificadas de acordo com o que foi proposto no planejamento terapêutico;

  • Atender o idoso individualmente ou em grupo, através de oficinas caracterizadas por conduta sistematizada, de acordo com a necessidade de cada um;

  • Orientar quanto as adaptações ao ambiente (espaço físico, mobiliário, utensílios) buscando facilitar a autonomia nas atividades de vida diária e de vida prática;

Setor de Nutrição:

  • Organizar o preparo e distribuição de alimentos para os idosos, observando as dietas prescritas pelo setor médico;

  • Elaborar cardápio semanal das 06 (seis) refeições diárias oferecidas pelo Abrigo.

  • Participar de equipes multidisciplinares destinadas a planejar, implementar,controlar e executar políticas, programas, cursos, pesquisas ou eventos.

  • Elaborar e revisar legislação própria desta área.

  • Contribuir no planejamento, execução e análise de inquéritos e estudos epidemiológicos.

  • Promover e participar de estudos e pesquisas relacionados à sua área de atuação.

  • Realizar vigilância alimentar e nutricional.

  • Integrar os órgãos colegiados de controle social.

  • Avaliar o comportamento dos gêneros e produtos alimentícios.

  • Desenvolver atividades estabelecidas para a área de nutrição clínica: ambulatório (item 7.6 a 7.13)

Setor de Psicologia

  • Trabalhar as relações inter-pessoais dos idosos;

  • Estimular os idosos a participarem das atividades oferecidas pelo Abrigo;

  • Oferecer atendimento psicológico individual e grupal, visando trabalhar as angústias, depressões e sexualidade dos idosos;

  • Integrar família x idosos;

  • Trabalhar as relações entre funcionários e funcionários, idosos e funcionários e idosos e idosos;

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

O estágio teve como campo a Psicologia Hospitalar?, que segundo Pinto (2005), que apresenta os conceitos de Alfredo Simonetti, onde se trata do campo de entendimento e tratamento de aspectos psicológicos atrelados ao adoecimento, definido como aspecto psicológico as manifestações subjetivas da doença, que são as crenças, os sonhos, os conflitos, as lembranças e os pensamentos. O supracitado autor comenta que o psicólogo não deve diagnosticar a doença, mas sim o que a doença faz o paciente sentir, lançando mão de um olhar para além do biológico, sem deixar, contudo, de considerar o diagnóstico médico nesse processo.

Trazendo esses conceitos para a prática profissional dentro do Abrigo São José, o trabalho com os idosos aconteceria de forma a diminuir o sofrimento que a condição de interno causa aos idosos.

As tarefas realizadas durante o estágio consistiram em escuta terapêutica, que segundo SOUZA, PEREIRA e KANTORSKI (2003) é a busca da compreensão do outro para ajuda-lo conscientemente. Outra atividade também desenvolvida no período de estágio foi a entrevista com os funcionários que trabalham diretamente com os idosos, com o objetivo de colher informações sobre a dinâmica de integração dos idosos entre eles e entre os funcionários. Também o auxílio nas atividades de Terapia Ocupacional realizadas por estagiários das demais áreas de graduação que lá desenvolvem seus trabalhos. Ocorreram ainda visitas domiciliares para a tentativa de resolução de problemas familiares dos idosos. Assistência às atividades rotineiras do setor de psicologia, como o acompanhamento de entrevistas com os visitantes e atividades simples como observação da rotina dos idosos e suas interações e auxilio na elaboração e digitação de relatórios.

SÍNTESE DIAGNÓSTICA

O envelhecimento é um tema constantemente abordado por teóricos de várias áreas do conhecimento científico, seja pelo seu caráter biológico, social e, principalmente, psicológico. Estudos indicam que até 2025, o número de idosos no mundo todo aumentará, especialmente nos paises em desenvolvimento (WHO, 1998 citado por FREIRE e TAVARES 2005).

Segundo os autores já citados, o Brasil ocupará o 6º lugar em número de idosos com faixa etária acima de 80 anos, onde a maioria necessitará de um sistema de saúde mais estruturado para atender suas demandas, sendo que aqueles que estão institucionalizados constituirão, em muitos casos, um grupo privado desses atendimentos, pois se encontram afastados do seio familiar, de seu lar, dos seus amigos, enfim, das relações nas quais sua história de vida se constituiu.

“Pode-se associar a essa exclusão social as marcas e seqüelas das doenças crônicas não transmissíveis, que são os motivos principais de sua internação inclusive nas Instituições de Longa Permanência (ILP)” (FREIRE e TAVARES, 2005 P. 149).

Por se tratarem de instituições voltadas para o cuidado de pessoas, muitas vezes bem debilitadas, as ILPs propõem, principalmente, a promoção da saúde dos idosos em todos os seus aspectos.

O abrigo São José é uma instituição cujo objetivo é promover a saúde dos idosos de maneira holística, para tanto, conta com uma equipe multiprofissional destinada a isso.

“Frente ao crescimento da população idosa e as mudanças ideológicas em curso, a atuação do psicólogo com os idosos constitui-se a partir da interação da psicologia com outros campos da saúde e do atendimento social” (NÉRI, 2004 P. 1).

Desta forma, cabe ao setor de psicologia direcionar o idoso para o atendimento que lhe é necessário, dependendo de sua condição. Assim, psicologia trabalha junto com os setores de fisioterapia, nutrição, medico e terapia ocupacional, avaliando o quadro geral do idoso e ajudando na promoção de bem estar.

Cabe também ao setor de psicologia trabalhar as relações inter-pessoais dos idosos, a fim de tornar sua permanência no abrigo a mais satisfatória possível. Entretanto, no período do Estágio foi percebido que o referido trabalho careceu da atenção da Psicóloga, a qual, nos dias específicos do estágio (às terças e quintas-feiras), não realizava esta atividade. Nos demais dias da semana não é possível relatar se este trabalho foi ou não realizado, tendo em vista que a mesma não entrava em detalhes, tampouco comentava suas atividades dentro do abrigo.

Observou-se neste período que os idosos, principalmente os asilares, não mantinham uma interação constante entre si, limitando-se a cumprimentos formais – bom dia, boa tarde, com licença – de forma que não havia comunicação fluida, demorada. O não estabelecimento dessas relações favorecia atividades solitárias como fumar, assistir TV e dormir, bem como se refletia no humor dos mesmos. Nem mesmo durante as refeições realizadas em um local comum a todos, pôde-se observar o estabelecimento de qualquer tipo de interação/comunicação entre eles.

Acredita-se que um trabalho voltado à melhora do relacionamento entre os idosos poderia resultar na diminuição dessas atividades isoladas, aumentando a interação entre idoso e idoso, e idoso e funcionário, bem como uma melhora no seu humor.

“(...) o apoio social contribui para manutenção da saúde das pessoas, aumentando a sobrevida e acelerando os processos de cura; além de permitir a superação de certos acontecimentos como a morte de alguém da família, a perda da capacidade de trabalhar, a perda de papéis sociais, o despejo da casa ou mesmo a institucionalização, entre outros. Assim, a rede de apoio e o convívio com outras pessoas podem ser entendidos como verdadeiras estratégias de sobrevivência” (FREIRE e TAVARES, 2005 P. 152).

Durante as atividades de escuta terapêutica com os idosos, muitos demonstraram preocupação com suas doenças e até mesmo em relação à morte. Trabalhar esses temas poderia diminuir o isolamento e aliviar a carga de sofrimento trazidas pelo envelhecer.

“A velhice é a fase do desenvolvimento humano que carrega mais estigmas e atributos negativos” (KOVÁCS, 1992, p. 8). Isso se justifica em parte porque ocorrem perdas corporais, financeiras, e de produtividade, e, no caso dos idosos do abrigo, a separação da própria família se torna inevitável. No entanto, a maneira de viver ou representar cada uma dessas perdas se vincula ao processo de desenvolvimento e à consciência de cada um.

Segundo Kovács (2005) o avanço da idade traz também a vivência de várias perdas não ligadas necessariamente a doenças e suas conseqüências. Assim, além das perdas vividas na infância e adolescência, o idoso passa a perder pessoas de sua faixa de idade, já que a morte está relacionada com a velhice. São perdas muito dolorosas, como, por exemplo, um cônjuge, com o qual se viveu toda a vida, e cuja a morte pode significar o arrancar de um grande pedaço; uma vida que foi construída a dois, agora, precisa ser continuada só. Além do cônjuge, outras figuras de referência, como amigos, também se vão, ficando presente a idéia de que “que o ultimo a ficar terá que apagar a luz”, o temor de que não sobre mais nenhum dos amigos. Kovács deixa claro que o medo da morte interfere nas motivações do idoso, uma vez que este se encontra perto do limiar de sua existência.

Acredita-se que o idoso que consiga relacionar-se com os demais, que conte com uma rede social, e que participe de atividades de interação grupal, enfrentaria melhor esses conflitos.

Com base no exposto, um trabalho de grupo que favorecesse a interação social dos idosos do Abrigo São José é uma alternativa que ofereceria para os mesmos um aumento de sua qualidade de vida, uma vez que são solitários e carecem deste tipo de recurso.

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

Criação de um grupo de relacionamento para todos os idosos que fazem parte do Abrigo São José, nas modalidades Residentes, Centro-dia e convivência, visando estabelecer um momento de interação entre os mesmos de forma que essas possam vir a se manter por conta própria futuramente.

JUSTIFICATIVA

A entrada de idosos em casas de apoio a terceira idade é uma realidade do país. Cada vez mais o velho vem sendo inserido em lares que se destinam a cuidar dos seus últimos anos de vida, e esse cuidado, geralmente, é acompanhado apenas pelos funcionários que trabalham nessas instituições. O abandono leva muitas vezes o idoso a perder suas motivações, ficando cada vez mais entregue ao comodismo do final da vida, perdendo sua identidade gradativamente.

Pesquisas com o intuito de levantar dados sobre asilos revelaram uma realidade negativa sobre a estada dos velhos nessas instituições, onde “mostra o asilo como a concreção dramática da solidão e do desprezo a que os velhos são relegados na nossa sociedade” (DEBERT, 2004, p.99).

Diante desta temática, a propõe-se a criação de um grupo que proporcione o fator interação entre os idosos do Abrigo São José, combatendo o isolamento, a falta de motivação e a própria estigmatização que esta fase da vida traz para os mesmos.

O grupo pode vir a satisfazer ainda as necessidades de afiliação, prestígio, dentre outras.

OBJETIVOS

Geral:

  • Este plano de trabalho tem como objetivo favorecer o surgimento de relações interpessoais e motivadoras nos idosos do Abrigo São José.

Específico:

  • Criação de um grupo de relacionamento que foque questões corriqueiras com temas livres.

MÉTODO

O método a ser utilizado nesta proposta será o trabalho de grupo, não aprofundando-se a questões que tragam à tona emoções e conflitos dos idosos, porém pelo fato dos relatos verbais dos participantes poderem proporcionar alívio sintomático e mudanças na maneira como os idosos venham a enfrentar os desafios da vida na velhice o grupo pode assumir um caráter semi-terapêutico.

O alvo da pesquisa são idosos, de ambos os sexos, que são contemplados pelos serviços do Abrigo São José e que estejam interessados em participar do grupo de relacionamento.

Este trabalho não oferece riscos aos idosos, não ferindo assim a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde-CNS.

ESTRATÉGIAS E INTERVENÇÕES

Olmsted (1970) conceitua grupo como uma pluralidade de indivíduos que estão em contato uns com os outros, que se consideram mutuamente e que estão conscientes de que têm algo significativamente importante em comum. De acordo com a definição do autor, os idosos do Abrigo São José, ainda que dividindo um espaço em comum, atendem em parte o conceito supracitado, lhes faltando a consideração mútua e a consciência de que partilham algo em comum, e para que isto seja sanado, propõe-se a criação do grupo de relacionamento.

Os encontros com os idosos serão semanais, às terças e quintas, e em cada encontro serão trabalhados temas livres, instigados pelo facilitador. Trata-se de um grupo do tipo Primário, pois, visa a espontaneidade no comportamento interpessoal.

O método de avaliação da eficácia da intervenção será a observação, onde ao final de cada encontro espera-se verificar uma melhora de relacionamento entre os idosos, de forma que os mesmos passem a conversar mais entre si, ou se reunirem para participar de atividades em comum.

A longo prazo espera-se a diminuição das atividades solitárias e a melhora do bem-estar dos idosos.

Acredita-se que esta é a alternativa mais viável para se trabalhar a questão das relações entre os idosos, uma vez que se tratam de pessoas que apresentam características em comum no que tange o isolamento, falta de motivação e baixa auto-estima, sendo impossível um trabalho individual nessa esfera, já que o Abrigo não dispõe de estrutura nem quantitativo de pessoal para a realização de um trabalho clínico individual e que este tipo de trabalho não satisfaria o objetivo de promoção de interação entre os idosos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio no abrigo São José proporcionou uma grande experiência e oportunidade de por em prática o que foi ensinado na academia. Durante o período de estágio foi possível fazer o gancho entre teoria e pratica de tal forma que grande parte do mistério da atuação nesse campo se desfez.

O estágio oportunizou a visão de como é se trabalhar com ética, respeito e dedicação, numa área da psicologia que tende a crescer no mercado atual de trabalho, sem contar que esses ganhos serão, sem dúvida, empregados futuramente.

Há de se destacar como observação a falta de troca de informações e até mesmo de orientação por parte da profissional de psicologia da instituição, o que dificultou um pouco o processo ao qual o estágio se destinou. PINHEIRO (2008) comenta sobre a importância do estágio na faculdade, ressaltando que é um processo de aprendizagem indispensável a um profissional que deseja estar preparado para enfrentar os desafios de uma carreira, sendo uma oportunidade de assimilar a teoria e a prática, aprender as peculiaridades e “macetes” da profissão, conhecer a realidade do dia-a-dia, da profissão que o acadêmico escolheu exercer.

Quanto aos trabalhos de grupo, Schutz (1994) diz que as pessoas não se integrarão em um grupo se ele não trouxer a satisfação de certas necessidades fundamentais, que são: necessidade de inclusão, necessidade de controle e necessidade de afeição. Porque todas as pessoas que se reúnem em qualquer grupo as sentem, e são, interpessoais, porque serão satisfeitas apenas em grupo e pelo grupo.

Sendo assim, espera-se com os trabalhos de intervenção propostos atingir a satisfação das necessidades acima e contribuir com a promoção da saúde de pessoas que se encontram no limiar de sua vida e que contam apenas com o abrigo e seus funcionários.

REFERENCIAL TEÓRICO

DEBERT, Guita G. A reinvenção da velhice. 1 ed. São Paulo-SP: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.

FREIRE JR, R. C.; TAVARES, M. F. L. Health from the viewpoint of institutionalized senior citizens: getting to know and value their opinion, Interface - Comunic. Saúde, Educ., v.9, n.16, p.147-58, set.2004/fev.2005, disponível em: http://www.scielo.br/pdf/icse/v9n16/v9n16a12.pdf

KOVÁCS, Maria Júlia. Morte e desenvolvimento humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.

NERI, A. L. Contribuições da psicologia ao estudo e à intervenção no campo da velhice. Artigo extraído da Revista Brasileira de Ciências do Envelhecendo Humano, Jan/Jun 2004.

OLMSTED, Michael S. O pequeno grupo social. São Paulo: Herder, 1970.

PINHEIRO, M. A. A importância do estágio. Publicado em: 04/05/2008. disponível em: http://www.artigonal.com/recursos-humanos-artigos/a-importancia-do-estagio-403435.html

SCHUTZ.W.C. A Profunda Simplicidade: Uma Consciência do Eu Interior. São Paulo: Agora, 1994.

ZIMERMAN, Guite I. Velhice: Aspectos biopsicossociais. 1 ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

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