DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA EM FLORESTA DE VÁRZEA NO MUNICÍPIO DE MACAPÁ/AP: PREDIÇÃO DOESTADO DE PERTURBAÇÃO

DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA EM FLORESTA DE VÁRZEA NO MUNICÍPIO DE MACAPÁ/AP: PREDIÇÃO...

63ª Reunião Anual da SBPC

E. Ciências Agrárias - 3. Recursos Florestais e Engenharia - 2. Manejo Florestal

Jadson Coelho de Abreu 1 Rafael Vieira Anjos 2 Ezaquiel de Souza Neves 3 Perseu da Silva Aparício 2 Jose Antônio Aleixo da Silva 1

1. Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE 2. Universidade do Estado do Amapá-UEAP 3. Embrapa Amapá

Encontradas em volta dos rios, lagos, paranás, furos e igarapés, as áreas de várzea do estado do Amapá ocupam 4,8% da área de influência fluvial, em terrenos recentes do canal ao norte do Amazonas e principais rios da região, sujeitas a inundações por ocasião dos movimentos das marés. Buscando fundamentar ações voltadas para a conservação dos ecossistemas florestais, há a necessidade do conhecimento da estrutura florestal para orientar as decisões de sustentabilidade, em que a intervenção humana não provoque perturbações no biótopo natural. Para se obter respostas e resultados da estrutura florestal, os inventários florestais têm sido fundamentais, onde se pode realizar uma avaliação momentânea da estrutura e das espécies que se encontram regenerando e que possivelmente estarão presente na floresta adulta. Uma das informações da estrutura capaz de auxiliar na avaliação da floresta é a análise da distribuição diamétrica, a qual permite examinar as condições dinâmicas da floresta, possibilitando previsões sobre o desenvolvimento das comunidades e populações. Análises de distribuição diamétrica vêm sendo aplicadas em diferentes fitofisionomias do Brasil para compreensão de aspectos relevantes quanto à organização. Sendo assim, o objetivo desse trabalho foi analisar a estrutura diamétrica da floresta de várzea do campus da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) no município de Macapá-AP utilizando o método BDq.

O trabalho foi desenvolvido no campus UEAP, que possui uma área de 1 ha localizada na Zona Sul do município de Macapá-AP, nas coordenadas geográficas (0°01’5,02”S e 51°04’42,39” O). Para a amostragem e coleta de dados foram locadas aleatoriamente 12 parcelas de 100 m2 (10x10 m), sendo mensurados todos os indivíduos que apresentaram DAP (Diâmetro a Altura do Peito a 1,30 m do solo) > 10 cm. O número de classes diamétricas foi definido pela aplicação da fórmula de Higuchi. Foi testado o ajuste da distribuição de todos os diâmetros dos indivíduos amostrados na área ao modelo exponencial de Meyer, que se aplica aos dados com elevada assimetria que podem ser representados na forma “J invertido”, utilizando ferramenta do programa Microsoft Excel 2007. Foi calculado o quociente q de De Liocourt tanto para a frequência observada quanto para a estimada para verificar se a estrutura diamétrica da comunidade está balanceada. Posteriormente foi fixado um diâmetro máximo de 60 cm, uma área basal desejada de 20 m² e um novo valor para o quociente de De Liocourt de 1,2 já que consta na literatura que a medida que se aumenta o quociente de De Liocourt maior será a quantidade de indivíduos jovens do que adultos. Em seguida foi calculado novos coeficientes de b0 e b1 para a partir deles se calcular a frequência desejada por meio do modelo exponencial negativo para assim se ter o numero de indivíduos a serem plantados na área caso seja necessário.

Foram inventariados 81 indivíduos com uma área basal de 10 m² na área amostral, pertencentes a 14 famílias botânicas, distribuídos em 27 espécies. As famílias que apresentaram maior riqueza foram a Fabaceae (6) e Euphorbiaceae (3). As espécies mais importantes e representativas foram a Mora paraensis, Virola surinamensis e Carapa guianensis. A formula de Higushi, gerou 9 classes diamétricas com amplitude de 7 cm, com média de diâmetro igual a 34 cm e DAP máximo foi de 113 cm. O modelo exponencial de Meyer pouco se ajustou a frequência de número de indivíduos em função dos centros das classes de DAP (R2=0,47), esse fato se deve http://www.sbpcnet.org.br/livro/63ra/resumos/resumos/1156.htm provavelmente, pois a área de estudo antes de pertencer a UEAP, pertencia a uma empresa privada, e ficou muito tempo abandonada, sendo alvo de antropização. O quociente de De Liocourt para a frequência observada variou de 0,4 a 2,2 com média de 1,28, mostrando que a estrutura diamétrica está desbalanceada. Para a frequência estimada o quociente q foi de 1,13. A realização de tratos silviculturais é uma alternativa para elevar o valor do quociente de De Liocourt na tentativa de obter uma maior quantidade de indivíduos regenerando. Com os coeficientes de b0= 4,21 e b1=-0,02, calculou-se a frequência desejada por meio do modelo de Meyer e constatou-se que se deve fazer o enriquecimento da área, pois a frequência desejada foi superior a observada e a estimada em todas as classes diamétricas.

A estrutura diamétrica não esta balanceada, sendo que a área necessita de um manejo adequado para assim se garantir a estrutura florestal futura do campus da Universidade do Estado do Amapá.

Palavras-chave: Quociente de De Liocourt, Estrutura, Modelo exponencial.

http://www.sbpcnet.org.br/livro/63ra/resumos/resumos/1156.htm

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