Cederj PROVAS ANTIGAS - VESTIBULARES ANTERIORES

Cederj PROVAS ANTIGAS - VESTIBULARES ANTERIORES

(Parte 1 de 8)

1 - Você receberá do fiscal um caderno de questões, um caderno de respostas e um cartão de respostas. 2 - O caderno de questões contém o tema da redação, as 40 questões objetivas, as 5 questões discursivas da sua disciplina específica e o espaço para o rascunho da redação. Verifique se o caderno não contém rasuras ou falhas na paginação. 3 - Verifique se seu nome, número de inscrição e número do documento de identidade estão corretos. 4 - Você dispõe de cinco horas para fazer a prova, inclusive a marcação do cartão de respostas. Faça-a com tranqüilidade, mas controle o seu tempo. 5 - Utilize caneta preta ou azul para a marcação do cartão de respostas e para responder às questões discursivas. 6 - Cada questão objetiva apresenta cinco alternativas de respostas sendo apenas uma delas a correta.

A questão com mais de uma alternativa assinalada receberá pontuação zero. 7 - Você não pode usar calculadora ou qualquer tipo de equipamento. Por favor, desligue o seu celular. 8 - Após o início das provas, você deverá permanecer na sala por, no mínimo, sessenta minutos. 9 - Após o término da prova, entregue ao fiscal o cartão de respostas assinado e o caderno de respostas. 10 - Caso necessite algum esclarecimento solicite a presença do chefe de local.

Vestibular/2009-2

Este ano, a obra A origem das espécies (1859), do naturalista inglês Charles Darwin, completa 150 anos. Os conceitos darwinianos mudaram o mundo e são definidores de muitas questões das ciências humanas e da cultura contemporânea.

Atualmente, as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, conforme mostram os textos a seguir, causam bastante polêmica, assim como aconteceu à época com as ideias de Darwin.

As células-tronco podem ser adultas ou embrionárias. As adultas podem ser obtidas da medula óssea, por exemplo. As embrionárias proveem de embriões, isto é, óvulos fecundados em fase inicial de desenvolvimento (em torno de 7 dias). Todos os seres humanos um dia foram embriões e, portanto, um conjunto de células-tronco embrionárias. Diferentemente das células adultas, as embrionárias podem tornar-se qualquer tipo de tecido, enquanto as adultas são menos versáteis.

Eticamente falando, o uso das células-tronco adultas não representa problemas. Trata-se de um procedimento equiparável ao de transplante de tecido no próprio corpo. Retiram-se as células-tronco da própria pessoa e injetamse no lugar onde o tecido está danificado. Diferente é o caso das células-tronco embrionárias. Elas só podem ser obtidas mediante manipulação de embriões, que são, portanto, princípios de existência humana. Esses embriões são obtidos mediante a fecundação in vitro e destinados à implantação com vistas à gestação. Como nem todos são implantados, prevê-se o seu congelamento, mas não sua destruição. Agora se pretende utilizá-los, após três anos, para pesquisa.

Já que a vida começa na concepção, não se justifica que seres humanos, como se fez nos campos de concentração de Hitler, sejam objeto de manipulação embrionária. Portanto, a lei aprovada, do ponto de vista jurídico, é inconstitucional. (Células-tronco e ética cristã In: Jornal Missão Jovem)

Cientistas de todo país manifestam opinião favorável ao uso de células-tronco embrionárias em pesquisa

O principal impeditivo para o uso de tais células, na opinião dos cientistas contrários a estas pesquisas, é o julgamento ético. A pergunta “É moralmente aceitável a destruição do embrião humano para sua utilização em pesquisas?” chegou ao STF* e mobiliza a opinião pública. Para os cientistas favoráveis, não se trata de ética: “não é um debate sobre ética, mas sim sobre o direito dos pais sobre um material biológico por eles gerado. Qualquer casal deve ter o direito de decidir se os embriões restantes do processo de fecundação assistida serão destruídos (uma vez que após três anos de criopreservação não poderão mais ser implantados) ou doados para fins de pesquisa. Do mesmo modo que células sanguíneas são doadas para transfusão, que células de medula óssea são doadas para transplante ou que espermatozóides e óvulos são doados para reprodução assistida, os casais devem poder optar pela doação de embriões em excesso gerados no processo de fertilização in vitro”, afirma Ricardo Ribeiro dos Santos, presidente da Associação Brasileira de Terapia Celular e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz.

(Karla Bernardo Montenegro)

Após a leitura dos textos antes apresentados, redija um texto dissertativo-argumentativo, de 25 a 30 linhas e respeitando a norma culta da língua portuguesa, em que você se posicione sobre o fato de as pesquisas com células-tronco embrionárias ferirem a dignidade humana.

*STF = Supremo Tribunal Federal

Vestibular/2009-2

Você talvez não tenha se dado conta, irmão.

Em Edimburgo, onde fundiram a célula mamária de uma ovelha com o óvulo de outra e criaram uma terceira, ou repetiram a primeira, o homem começou a ficar obsoleto. Você eu não sei, mas eu já estou me sentindo como um disco de vinil. A não ser pelos cientistas que, impensadamente, decretaram seu próprio fim fazendo a experiência, nenhum macho participou do processo de reprodução da nova ovelha. Teoricamente, o espermatozóide perdeu sua função no mundo.

Os produtores de espermatozóides somos nós. Temos o monopólio. Ao contrário dos fabricantes de lampiões a gás, que rapidamente ajustaram-se à eletricidade, não podemos adaptar nossa produção mudando um detalhe. Não temos nem o recurso da fraude, de fazer espermatozóide passar por óvulo para não perder o mercado. Não cola. Em pouco tempo seremos o gênero supérfluo. Não dou até 2075, 76, por aí, para desaparecermos da face da Terra. Como o óvulo é imprescindível para o novo método de procriação, é óbvio que produzirão mais mulheres que homens. E cedo ou tarde elas farão a pergunta: para o que é mesmo que serve o homem? As profissões tradicionalmente masculinas – estivador, gigolô, chefe de cozinha, drag queen, zagueiro central, etc. – estarão dominadas pela automação ou pelas próprias mulheres. Com nossa crescente desmoralização, perderemos até o valor como objetos sexuais, pois quem vai querer um acuado na cama? (Isso se ainda existir o sexo como o conhecemos. Prevejo que os homens que restarem tentarão escapar do aniquilamento reunindo-se em bandos renegados, nas florestas que sobrarem. Fugirão das mulheres e, com ironia histórica, só farão sexo com ovelhas). Cedo ou tarde elas decidirão nos cancelar em definitivo.

Estávamos no mundo para fazer espermatozóides. A Capela Sistina, a Nona Sinfonia, a Itaipu Binacional - foi tudo produção secundária, tudo bico. Nossa missão era fornecer espermatozóide. Nossa missão acabou.

(VERISSIMO, L. F. In: Jornal do Brasil, 26 de fevereiro de 1997)

1 - No texto Missão cumprida, defende-se que:

2 - A palavra irmão em “Você talvez não tenha se dado conta, irmão” funciona como vocativo porque serve para:

3 - Na frase “perderemos até o valor como objetos sexuais”, o valor semântico da palavra até é semelhante ao que se observa em:

(A) O cientista foi até o laboratório de química; (B) A luta será decidida até o último momento; (C) Não há dúvida de que até a ciência pode falhar; (D) Ele até então pesquisava o assunto com prazer; (E) Debateu-se o assunto do início até o fim.

4 - Do ponto de vista da adequação ao nível de linguagem utilizado na crônica, as expressões “não cola” e “tudo bico” são consideradas:

5 - O uso dos tempos verbais nas formas estávamos, era e acabou, no último parágrafo, ajuda a construir o seguinte significado:

(A) As previsões de futuro tornaram-se fatos concluídos. (B) Os fatos do passado são tomados como processo em andamento.

(C) Os fatos do passado ocorrem ao momento em que se fala.

(D) As previsões ocorreram posteriormente ao tempo em que se fala. (E) A visão do futuro é tomada como hipótese irrealizável.

Vestibular/2009-2

6 - Leia com atenção os primeiros relatos sobre as terras descobertas:

“É certo que a beleza destas ilhas, com seus montes e suas serras, suas águas e seus vales regados por rios caudalosos, é um espetáculo tal que nenhuma outra terra sob o Sol pode parecer melhor ou mais magnífica.” (Diário de Colombo, 1492)

“A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de uma inocência...” (Carta de Pero Vaz de Caminha, 1500)

Assinale a opção que melhor revela o imaginário que se construiu na Europa sobre as terras descobertas:

(A) apesar dos primeiros encontros terem sido amistosos, a exploração da terra era inviável em razão de sua pobreza natural;

(B) o ambiente natural era inóspito ao colonizador, o que tornava a terra descoberta comparável a um inferno terrestre;

(C) as terras eram atrativas, uma vez que os primeiros contatos mostravam uma sociedade com costumes muito semelhantes aos dos colonizadores;

(D) as populações locais eram violentas e contrárias a qualquer tipo de aproximação porque viam os colonizadores como invasores;

(E) a idéia de paraíso estava baseada na ênfase dada às qualidades da terra descoberta e na docilidade dos povos locais.

7 - “O processo formal de criação da Organização das Nações Unidas, ONU, começou com a assinatura da Carta das Nações Unidas por 51 países, na cidade norteamericana de São Francisco, em 26 de junho de 1945, e foi concluído com sua ratificação e entrada em vigor, em

24 de outubro do mesmo ano.” (GONÇALVES, Williams. Relações Internacionais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000)

Com relação à ONU é correto afirmar que:

(A) foi criada como sistema de segurança internacional em substituição à Sociedade das Nações;

(B) exerceu o papel de liderança militar e política na luta contra o nazifascismo durante a segunda guerra mundial;

(C) sinalizou o início da guerra fria, uma vez que a instituição foi integrada exclusivamente por países capitalistas;

(D) combateu todos os movimentos de descolonização, considerados como fator de instabilidade da ordem internacional;

(E) excluiu os estados muçulmanos, uma vez que era composta apenas por Estados laicos.

8 - “A sociedade escrava carioca era diferente porque a maioria dos escravos fora forçada a deixar tudo e todos para trás. Para esses outsiders, não havia famílias extensas para aliviar o fardo da escravidão, nem culturas familiares para sustentar laços com gerações passadas. Famílias, culturas e comunidades tinham de ser forjadas novamente na cidade. O desafio para um escravo no Rio era criar uma vida com sentido em meio a indivíduos díspares que compartilhavam poucos valores, criar um grupo a partir do caos de muitos.” (KARASH, M.C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro. SP: Companhia das Letras, 2000)

A partir do trecho acima, que descreve a sociedade carioca do século XIX, podemos concluir que:

(A) os negros africanos se socializaram facilmente, uma vez que encontraram comunidades negras escravizadas, dotadas de uma cultura homogênea;

(B) os negros africanos encontraram na cidade condições socioculturais que lhes permitiram reproduzir os costumes de suas comunidades de origem;

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