Trabalho de NeuroAnatomia

Trabalho de NeuroAnatomia

(Parte 1 de 4)

Veris ibta metrocamp

Neuroanatomia

1º 2º e 3º Capítulo do livro Neuroatomia Funcional de Ângelo Machado

Biomedicina Noturno

2º Semestre

Mariana Bonani

SUMÁRIO

Introdução - 1

Capitulo 1 – ASPÉCTOS FILOGENÉTICOS DO SISTEMA NERVOSO - 2

  1. A origem de alguns Reflexos - 2

  2. Alguns reflexos da medula espinhal dos vertebrados - 3

  3. Evolução dos três neurônios fundamentais do sistema nervoso - 5

Capítulo 2 – EMBRIOLOGIA, DIVISÕES E ORGANIZAÇÃO GERAL DO SISTEMA NERVOSO. - 8

  1. Embriologia do Sistema Nervoso - 8

  2. Divisões do Sistema Nervoso - 15

  3. Organização Morfofuncional do Sistema Nervoso - 19

Capítulo 3 – TECIDO NERVOSO - 21

  1. Neurônios – 22

  2. Sinapses – 28

  3. Neuróglia – 35

  4. Fibras Nervosas – 40

  5. Nervos – 43

Referências Bibliográficas – 44

INTRODUÇÃO

Nesses três capítulos do livro Neuro Anatomia Funcional de Ângelo machado trataremos dos seguintes assuntos: Aspectos filogenéticos do sistema nervoso, abordando a origem dos reflexos e a evolução dos neurônios principais; Embriologia do sistema Nervoso, falando sobre a divisão do sistema nervoso bem como sua organização morfofuncional; e sobre o tecido nervoso propriamente dito, focando nos Neurônios, Sinapses, Neuróglia, Fibras Nervosas e Nervos.

CAPÍTULO 1 – ASPÉCTOS FILOGENÉTICOS DO SISTEMA NERVOSO

  1. A origem de alguns Reflexos.

Filogênese refere-se aos aspectos evolutivos estudados através da paleontologia e anatomia comparada. Trataremos então neste capítulo os aspectos evolutivos do Sistema Nervoso.

Um processo evolutivo ocorre como meio de sobrevivência, adaptação do meio, expansão da diversidade da espécie entre outros motivos possíveis.

Os primeiros seres vivos relatados a bilhões de anos atrás, eram seres unicelulares e procarióticos, que para sua sobrevivência tornaram-se seres multicelulares eucarióticos. Essa adaptação é explicada pela teoria da simbiose.

Desde os seres mais primitivos o sistema nervoso tinha como função auxiliar e fazer com que o ser se adaptasse ao meio ambiente, tornando necessárias três propriedades: irritabilidade, condutibilidade e contratilidade. A irritabilidade permitia ao indivíduo perceber alterações no meio, assim, era possível que um ser unicelular qualquer, ao ser estimulado, se afastasse do local ou se contraísse (contratilidade), comprovando o sistema nervoso existente (figura 1).

Figura. Ameba

Com o passar dos anos o processo evolutivo tornava-se cada vez mais complexo nos seres vivos, surgindo células especializadas para cada função. As células que desempenhavam as funções de condutibilidade e irritabilidade ficaram conhecidas como neurônios. Em alguns seres como as esponjas (figura1. 2) os receptores de superfície transformaram estímulos físicos e químicos em impulsos nervosos. Nos platelmintos e anelídeos o sistema de coordenação que era difuso, agrupa-se caracterizando mais um processo evolutivo: a centralização do sistema nervoso. Também nos anelídeos, era possível encontrar os neurônios motores (ou eferentes), e não apenas os neurônios sensitivos (ou aferentes), e a sinapse entre esses dois neurônios caracterizava elementos básicos de um arco reflexo simples e segmentar (figura 1.2). Existe nos anelídeos outro tipo de neurônio, conhecido como neurônio de associação, que associa um segmento com o outro: o axônio do neurônio sensitivo faz sinapses com o neurônio de associação, que este por sua vez faz sinapses com o neurônio motor do segmento vizinho, caracterizando o arco reflexo intersegmentar. Portanto um estímulo aplicado em um segmento da origem ao um impulso que será conduzido pelo neurônio sensitivo ao centro (gânglio) (figura 1.3).

Figura 1.2 Esponjas

Figura. 1. Esquema de um Arco reflexo simples em um segmento de anelídeo

Figura 1.4 Esquema da Parte de um animal segmentado, mostrando um arco reflexo intersegmentar.

  1. Alguns reflexos da medula espinhal dos vertebrados

A medula espinhal é composta pela interação anatômica dos níveis segmentares e dos neurônios de associação intersegmentar. Na parte mais alta dessa medula desenvolveram-se centros nervosos que controlavam o funcionamento do corpo, bem como as suas reações com o meio externo. Esses centros nervosos constituídos de grupamentos neurais passaram a constituir os futuros tronco encefálicos e hipotálamo, que em conjunto com a medula compuseram o Sistema Nervoso Central na sua forma mais básica, e comum para todas as espécies.

O reflexo da medula espinhal, nada mais é do que impulsos nervosos gerados por um estímulo, que segue pelo neurônio sensitivo. Podemos usar como exemplo o reflexo patelar onde o médico estimula o joelho, gerando um impulso nervoso, que esse segue para o neurônio sensitivo. O prolongamento desses neurônios penetra na medula e faz sinapses com o neurônio motor que ali estão situados, o impulso gerado sai pelo axônio desse neurônio e volta para o membro, fazendo com que fibras do músculo do quadríceps (neste caso) sejam estimuladas e então a perna se dirige para frente. (figura 2 e 2.1)

Figura 2 esquema de um arco reflexo simples no homem: reflexo patelar

Nos vertebrados existe uma segmentação que é evidenciada pelos vários pares de nervos espinhais.

Existem reflexos na medula dos vertebrados em que a parte aferente dos neurônios se liga com as partes eferentes no mesmo segmento ou em segmentos diferentes. Esse tipo de reflexo é chamado de reflexo intrassegmentar (figura 2.2) como exemplo, reflexo de coçar do cão. Um grande número de reflexos medulares são intersegmentares e na composição desses reflexos, existem neurônios de associação que unem diferentes níveis dentro do sistema nervoso.

Figura 2.1 Esquema de um reflexo patelar

Em um arco reflexo intersegmentar é possível observar os seguintes elementos: Neurônios sensitivos, neurônios de associação com um axônio grande e Neurônios motores.

Figura 2.2 Exemplo de um arco reflexo intrassegmentar: reflexo de coçar do cão.

  1. Evolução dos Três Neurônios Fundamentais do Sistema Nervoso

Os três neurônios conhecidos são os: aferentes ou sensitivos, neurônios eferentes ou motores e neurônios de associação, interneurônios. Falaremos então um pouco deles:

  • Neurônios Aferentes (Sensitivos) No sistema nervoso Central os neurônios sensitivos são os que trazem os impulsos para determinada região, e no sistema nervoso Periférico os Neurônios aferentes levam os impulsos nervosos para o sistema nervoso central. No sistema nervoso periférico esse neurônio possui em sua extremidade distal, receptores para estímulos físicos e químicos que podem ser fotorreceptores*, células ciliadas, nociceptores*, macanorreceptores*, etc. Sua função nos processos evolutivos era de levar ao sistema nervoso central informações sobre as modificações ocorridas no meio externo com relação à superfície do animal. Porém com o surgimento de alguns metazoários mais complexos, com muitas camadas celulares, surgi como consequência a formação de um meio interno, com isso alguns neurônios sensitivos passaram a levar ao sistema nervoso informações sobre o meio interno e não apenas informações da superfície. Outras mudanças que ocorreram na evolução foram em relação à posição do corpo de neurônio: como por exemplo, em alguns anelídeos o corpo se localiza no epitélio de revestimento, portanto está em contato com o meio externo e seu formato é unipolar. Nos moluscos os corpos dos neurônios estão situados no interior do animal, porém com prolongamentos na superfície e o formato deste neurônio é bipolar. Já nos vertebrados a maioria dos neurônios aferentes têm seus corpos situados em gânglios perto do sistema nervoso, porém sem penetrar no mesmo. O formato deste neurônio é pseudounipolar (figura 3).

    Figura 3 Corpos celulares de neurônios aferentes

Figura 3.1. Exemplo da atuação dos neurônios

*Fotorreceptores – são células especializadas que detectam e transduzem sinal luminoso.*Nociceptores – Os nociceptores transduzem e codificam estímulos nocivos.

*Mecanorreceptores – Respondem a estímulos mecânicos.

  • Neurônios Eferentes (motores) Esses neurônios levam os impulsos do sistema nervoso ao órgão estimulado, geralmente é um músculo ou gânglio, determinando assim uma contração ou uma excreção (figura 3.2). Tem a função de motricidade. O corpo do neurônio eferente fica dentro do sistema nervoso central e isso permaneceu durante a evolução, mas somente nos músculos estriados esqueléticos, pois nas musculaturas lisas, músculos cardíacos e gânglios os neurônios têm seus corpos fora do sistema nervoso central, ficando em estruturas chamadas gânglios viscerais. Esses neurônios pertencem ao sistema nervoso autônomo e são conhecidos com o nome de neurônios pós-ganglionares.

    Figura 3.2 Resposta a um estimulo de um neurônio motor

  • Neurônios de Associação (interneuronio) O surgimento dos neurônios de associação aumentou consideravelmente o número de sinapses deixando o sistema nervoso mais complexo e permitindo variabilidade e complexidade frente a um estímulo nervoso. Seu corpo sempre permaneceu no sistema nervoso central e durante a evolução o número de neurônios foi aumentando. Esse aumento se deu na parte anterior dos animais, cuja extremidade se especializou na exploração do ambiente, alimentação com o desenvolvimento de um aparelho bucal e órgãos do sentido mais complexos. Nessa extremidade ocorreu também uma aglomeração de neurônios de associação, o que deu origem a vários tipos de gânglios cerebroides dos invertebrados e o encéfalo dos vertebrados. Durante a filogênese, o encéfalo foi aumentando o seu tamanho. Os neurônios de associação constituem a maior parte dos neurônios do sistema nervoso central, alguns interneuronios possuem axônios longos que fazem sinapses com outros neurônios em áreas distantes, outros possuem axônios curtos fazendo sinapses penas com neurônios mais próximos. Com os neurônios de associação situados no encéfalo surgiram as funções psíquicas superiores, chegando a ápice do sistema nervoso.

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Figura 3.3 Exemplo de como um neurônio de associação responde a estímulos

CAPÍTULO 2 – EMBRIOLOGIA, DIVISÕES E ORGANIZAÇÃO GERAL DO SISTEMA NERVOSO.

  1. Embriologia do Sistema Nervoso

O estudo da embriologia do sistema nervoso é importante porque nos permite entender a posição e aspectos anatômicos do mesmo, bem como a denominação de suas partes.

    1. Origem do Sistema Nervoso

Durante a evolução os primeiros neurônios que surgiram estavam na superfície externa dos animais, tendo a função de “interação“ animal-ambiente, sendo assim, faziam parte do folheto embrionário conhecido como ectoderma, e é deste que o sistema nervoso tem a sua origem.

O embrião é um “disco” formado por três folhetos embrionários: Endoderma (interna) – dá origem aos sistemas viscerais; Mesoderma (intermediária) - apresentam protuberâncias denominadas somitos, estes originarão as 33 vértebras da coluna vertebral e os músculos esqueléticos relacionados; Ectoderma (externa)- dará origem ao sistema nervoso central (figura 4.5).

Figura 4 Embriologia do sistema Nervoso

Na terceira semana do processo embrionário, na gastrulação ocorre uma proliferação celular na superfície do epiblasto, essas células migram em direção a linha média longitudinal do disco embrionário formando a fosseta primitiva. Na porção mediana desta fosseta surge o sulco primitivo e na extremidade cefálica forma-se uma protrusão (deslocamento anteriormente de algo) celular chamado de nó primitivo, que no centro surge a luz primitiva (figura 4). A medida em quem a luz primitiva sofre invaginação as células migram ao longo da linha média em sentido cranial e formam a placa precordal e o processo notocordal (figura 4.1), este processo transforma-se em placa notocordal, que é induzida a dobrar-se sobre si, essa ação forma a notocorda (figura 4.8).

Figura 4.8 Dobramento da Placa Notocordal

O sistema nervoso se inicia na 3ª semana de gestação com a formação da placa neural, que consiste em um espessamento do ectoderma situado acima da notocorda (figura 4), a placa neural cresce progressivamente tornando-se mais espessa e adquire um sulco longitudinal chamado sulco neural esse sulco se aprofunda e forma a goteira neural (figura 4.4e 4.9).

Figura 4.1 Placa precordal e Processo Notocordal

Figura 4.2 Placa Neural e a invaginação que ela sofre

Os lábios da goteira neural se fecham formando o tubo neural então, o ectoderma se fecha sobre o tubo neural isolando-o do meio externo. No ponto em que a ectoderma encontra os lábios da goteira neural, desenvolvem-se dois filamentos longitudinais chamados crista neural (figura 4.3). O tubo neural dará origem aos elementos do sistema nervoso central, enquanto que a crista dará origem aos elementos do sistema nervoso periférico e elementos não pertencentes ao sistema nervoso central.

Figura 4.3 Formação do Tubo neural e Crista neural

Figura 4.4 Sulco Neural e Goteira Neural

Figura 4.5 Embriologia do sistema nervoso

Figura 4.9 Embriologia do sistema Nervoso

Falaremos então um pouco mais sobre o tubo neural e a crista neural:

    1. Crista Neural

Logo após sua formação as cristas estão dispostas no sentido craniocaudal, entretanto, rapidamente se dividem e dão origem a vários fragmentos que formarão os gânglios espinhais que estão situados na raiz dorsal dos nervos espinhais (figura 4.6). Neles são diferenciados os neurônios sensitivos e pseudounipolares, cujos prolongamentos centrais se ligarão ao tubo neural enquanto os prolongamentos periféricos se ligam aos somitos. Diversas células da crista neural migram e darão origem à tecidos longe do sistema nervoso central. Os elementos que derivam da crista neural são: gânglios sensitivos (figura 4.7); gânglios do sistema nervoso autônomo (viscerais); medula da glândula suprarrenal; paraganglios, melanócitos; células de schwann. Existem estudos recentes em que algumas estruturas como a dura-máter e a aracnoide tidas como derivação do ectoderma são na verdade originadas da crista neural.

Figura 4.6 Formação da Crista Neural

Figura 4.7

    1. Tubo Neural

A formação do Tubo Neural é um processo lento, e que deriva do fechamento da goteira neural e a junção do ectoderma não diferenciado. Sendo assim, em uma determinada idade é possível ter o tubo neural no meio e nas extremidades a goteira neural (figura 5.0). Porém mesmo nos estágios mais avançados, nas extremidades crânio caudal do embrião, permanecem dois orifícios respectivamente o neuróporo rostral e neuróporo caudal. Essas são as ultimas partes do sistema nervoso a se fecharem.

Figura 5.1. Ilustração do Neuróporo Rostral (anterior) e Neuróporo Caudal (posterior)

Figura 5.0 Vista dorsal de um embrião humano, mostrando o fechamento do tubo neural

Figura 5.2 Neuróporo Rostral e Neuróporo Caudal

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