Adubação no Algodão

Adubação no Algodão

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AQUIDAUANA–MS JUNHO – 2011

Adubação Na Cultura Do Algodão Acadêmico: Guilherme Gonçalves dos Santos

AQUIDAUANA–MS JUNHO – 2011

1.0. INTRODUÇÃO1
2.0. REVISÃO DE LITERATURA2
2.1. CALAGEM E ADUBAÇÃO3
2.2. METODOS DE APLICAÇÃO DE FERTILIZANTES4
2.3. INFLUENCIA DA ADUBAÇÃO MINERAL NO COMPORTAMENTO DO ALGODOEIRO5
2.3.1. NITROGENIO10
2.3.2. FOSFORO (P)10
2.3.3. POTASSIO (K)1
2.3.4. ADUBAÇÃO DE MICRONUTRIENTES ESSENCIAIS AO ALGODOEIRO1ERRO!
3.0. CONSIDERAÇÕES FINAIS16

4.0. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ......................................................... 17

Região Meridional (Centro – Sul/Oeste) e Região Setentrional (Norte/Nordeste)

No Brasil, a cultura do algodoeiro se estende em duas regiões distintas: A produção brasileira de algodão em pluma cresceu 50% e a de algodão em caroço 60%, correspondendo a um aumento da área de plantio na safra do biênio 2002/2003 e 2003/2004 (AGRINUAL, 2005).

A expansão da cultura do algodoeiro no Cerrado já está bem estabelecida e o cenário atual de custos altos e lucros cada vez menores aponta para a necessidade de maximizar a eficiência da adubação. Nos últimos dez anos houve uma grande evolução da pesquisa em nutrição e adubação do algodoeiro na região do Cerrado, especialmente nos estados do Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Oeste da Bahia (CARVALHO et. al, 2007).

De acordo com o mesmo autor os resultados acumulados já permitem aperfeiçoar o manejo da adubação da cultura, visando ao uso racional dos fertilizantes e a manutenção dos níveis de produtividade alcançados com sustentabilidade e responsabilidade ambiental.

Segundo CARVALHO (2005), para manter a produtividade em nível competitivo, associada à boa qualidade do produto, o algodoeiro deve ser cultivado em solos férteis, ou corrigidos e adubados de forma adequada.

A correção da acidez do solo e a adubação mineral têm custo elevado no cultivo do algodoeiro, sobretudo nas regiões de Cerrado, atingindo valores da ordem de 20 a 30% do custo total de manejo da cultura. Nesse contexto, o manejo eficiente da adubação é essencial para se obter alta produtividade, redução de custo por arroba de algodão produzido e viabilização dos sistemas de produção vigentes (CARVALHO, 2007). Por outro lado CARVALHO (2005) cita que como o Algodoeiro exporta relativamente poucos nutrientes através da colheita (sementes e fibra), não costuma estar relacionado entre as culturas esgotantes do solo agrícola.

O presente trabalho tem como objetivo demostrar os diversos tipos de adubações necessárias para que o algodoeiro tenha um bom rendimento e um aumento de produtividade favorável aos produtores.

2.0. REVISÃO DE LITERATURA

Dentro do sistema de classificação da botânica sistemática, o algodoeiro herbáceo pertence à classe das dicotiledôneas, à ordem Malvales, família Malvaceae, tribo Hibisceae, gênero Gossypium e espécie Gossypium hirsutum L. r. latifolium Hutch. (LAGIÉRE, 1969).

O algodoeiro é uma das plantas mais cultivadas pelo homem, tendo em vista a exploração da fibra, seu principal produto de consumo generalizado em todo o mundo, o óleo bruto, a torta que é quase metade da semente, o línter, além da casca e do resíduo (ARAÚJO, 2006).

O algodoeiro é uma planta originária do Sul do México, evoluída sobre um solo calcário rico em nutrientes. Melhorado para maximizar sua produtividade, o algodoeiro tem alta demanda de nutrientes para que possa obter produções rentáveis (DANTAS et. al, 2005).

kg de K2O, 62 a 168 kg de CaO, 32 a 47 kg de MgO, 10 a 64 kg de S, 320 g de B, 18 a 120 g de Cu, 123 a 2.960 g de Fe, 47 a 250 g de Mn, 2 g de Mo e 3,42 a 116 g de Zn para produzir 2.500 kg/ha de algodão em caroço (ou aproximadamente 1.0 kg/ha de pluma), porém essa quantidade varia intensamente na dependência das condições de clima, solo, manejo, variedade utilizada e produtividade alcançada (STAUT & KURIAHARA, 1998).

É uma planta exigente em termos de clima e solo. Para produzir satisfatoriamente, requer clima com período de 140-160 dias predominantemente ensolarados, com média de temperatura superior a 20 °C e precipitação de 700 m (GRID-PAPP et. al, 1992). Os solos devem ser mediamente profundos e de média a alta fertilidade (BELTRÃO et. al, 1993).

A cultura do algodoeiro necessita dos nutrientes essenciais (N, P, K, B) para seu completo desenvolvimento e normal produção (PASSOS, 1977). Entretanto o algodoeiro conforme AZEVEDO et. al (1998) exige relativamente grandes quantidades de nitrogênio, quando comparado com a demanda por outros elementos, para obtenção do rendimento máximo. Mesmo considerando o fato de que a fibra é quase destituída de nitrogênio, as sementes o contêm em grandes quantidades, sendo ele responsável por muitas funções da planta do algodão, que podem afetar seu crescimento e desenvolvimento.

A cultura não mais se enquadra entre as mais esgotantes do solo.

Entretanto, altas produtividades de algodão extrairão do solo quantidades apreciáveis de nutrientes, o que deverá ser considerado no programa de adubação (ROSOLEM, 2001).

A recomendação de adubação para a cultura do algodão deve basear-se em critérios como os resultados das análises de solo e de folhas. No entanto, a correta interpretação dos resultados das análises de solo e de folhas, é dependente na íntegra da realização de duas etapas primeiras em um programa de pesquisa em fertilidade do solo. O primeiro é o estudo de correlação e seleção de métodos de determinação de nutrientes no solo e folha, e o segundo é o estudo de calibração dos resultados do método selecionado.

2.1. Calagem e Gessagem

No Cerrado, o critério mais utilizado para determinar a quantidade de calcário a ser aplicada no solo é o método da saturação por bases, o qual se baseia na relação estreita que existe entre a saturação por bases e o pH do solo, medido em solução de CaCl2 0,01M. Valores de saturação por bases na faixa de 45% a 50% são suficientes para neutralizar o alumínio tóxico. Porém, o nível de exigência do algodoeiro em saturação por bases parece estar relacionado, também, com a tolerância das cultivares a disponibilidade de manganês no solo (ROSOLEM & FERELLI , 2000).

CARVALHO et. al (2007) cita que em solos de textura média e argilosa, há evidências que a cultura do algodoeiro responde positivamente à calagem no Cerrado até a saturação por bases de 60%, mesmo em condições de sequeiro.

O tipo de calcário (calcítico, dolomítico ou magnesiano) de acordo com

CARVALHO et. al (2007) não influencia a eficiência da calagem, com relação à correção da acidez. Entretanto, como o algodoeiro é exigente em magnésio e, também, devido às elevadas quantidades de potássio que são aplicadas na adubação da cultura, indica-se o uso de calcário dolomítico ou magnesiano quando o teor de magnésio no solo for inferior a 0,6 cmolc/dm3 (solos com teor de argila inferior a 350 g/kg) ou 0,7-1,0 cmolc/dm3 (solos com teor de argila acima de 350 g/kg).

Para o algodoeiro, mais importante que elevar a saturação por bases da camada superficial do solo para valores acima de 50-60% é favorecer o aprofundamento do sistema radicular nas camadas subsuperficiais, buscandose aumentar a saturação por bases nas camadas de 20-40 a 40-60 cm de profundidade (CARVALHO et. al, 2007).

Para isso, a melhor opção é o uso do gesso, que por ser mais solúvel e mais móvel no solo que o calcário, apresenta a capacidade de aumentar os teores de cálcio e enxofre e diminuir a saturação por alumínio trocável nas camadas subsuperficiais do solo. Com isso, criam-se condições químicas mais favoráveis para o aprofundamento do sistema radicular, permitindo a exploração de maior volume de solo e maior absorção de água e nutrientes pelas plantas. Assim, as plantas superam com maior facilidade a deficiência de água durante a ocorrência de "veranicos”, como os que frequentemente ocorrem no Cerrado (CARVALHO et. al, 2007).

Embora os efeitos benéficos do gesso como melhorador do ambiente radicular, em subsolos ácidos e pobres em cálcio, sejam reconhecidos e disseminados no Brasil, particularmente na região do Cerrado, há evidências de excessiva lixiviação de Mg e K com a utilização de doses elevadas de gesso, principalmente em solos de textura média e arenosa (ZANCANARO & TESSARO, 2006).

2.2. Métodos de aplicação de Fertilizantes

Para o algodoeiro herbáceo, a eficiência de um determinado método de aplicação de adubo depende de como ele afeta as relações solo-fertilizante (HODGES, 1992). As quantidades de fertilizantes a serem fornecidos ao algodoeiro variam em função da necessidade e do modo de aplicação.

No caso da aplicação de misturas de adubos no sulco de semeadura, tal sistema tem-se mostrado eficiente no fornecimento de nutrientes para o algodoeiro, na forma tradicional de cultivo. Os riscos de possíveis danos à germinação das sementes pela proximidade dos produtos salinos foram contornados com o ajuste das fórmulas que hoje contêm pouco adubo nitrogenado e com a aplicação lateral na linha de semeadura e em um nível mais profundo (FURLANI, 2005).

SILVA et. al (1982) efetuaram um estudo com a aplicação de fósforo à lanço, com o objetivo de corrigir a deficiência desse nutriente a curto prazo e de facilitar a operação de semeadura, sendo que os estudos revelaram superioridade do método de adubação no sulco sobre a adubação à lanço. No entanto os autores verificaram que, à medida que se reaplicou o fósforo à lanço, ocorreu um aumento de produtividade das plantas de algodão.

Da mesma forma, IBRAGIMOV et. al (1984) obtiveram, durante quatro anos agrícolas, produtividades de 3,92, 3,45 e 3,34 t/ha para a aplicação de NPK em faixas e 3,6; 3,26 e 2,81 t/há com aplicação à lanço. Os autores verificaram que a temperatura do solo e o acúmulo de nitrato foram maiores nos tratamentos com adubação no sulco quando comparados à distribuição superficial.

Não somente a abordagem técnica merece destaque, mas também o aspecto econômico, no que se refere à redução do custo de produção da cultura, como forma de viabilização para grandes áreas de produção. Embora os implementos agrícolas atuais possibilitem a execução simultânea dessas operações com relativa eficiência no aspecto técnico, na prática, alguns problemas persistem, como é o caso dos reabastecimentos de adubo e de sementes, que não ocorrem concomitantemente e que, devido às paradas frequentes, reduzem da velocidade de plantio (FURLANI, 2005).

2.3. Influência da adubação mineral no comportamento do algodoeiro

O fornecimento adequado de nutrientes contribui, de forma significativa, tanto no aumento da produtividade como no aumento do custo da produção. Nesta situação, a otimização de eficiência nutricional é fundamental para ampliar a produtividade e reduzir o custo de produção. Vários fatores, como clima, solo, planta e suas interações, afetam a absorção e a utilização de nutrientes pelas plantas (ARAÚJO, 2006).

FRYE & KAIRUZ (1990) destacam que há no algodoeiro, durante a fase de estabelecimento das plantas, maior absorção de fósforo, magnésio, enxofre e ferro. Na fase dos primeiros botões florais e formação das primeiras flores, o nitrogênio, o potássio, o cálcio e o enxofre são absorvidos com maior intensidade.

SILVA (1999) complementa que na fase de floração plena e de formação das primeiras maçãs, ocorre maior absorção de nitrogênio, fósforo, potássio e cálcio, enquanto durante o período de maturação e abertura dos primeiros capulhos o fósforo, o potássio, o magnésio e o ferro são elementos absorvidos com maior intensidade, o que explica a necessidade de parcelamento da adubação.

FIGURA 1. Acúmulo de N, P e K pelas cultivares de algodoeiro IAC 24 e Delta Opal cultivadas no campo em Selvíria, Mato Grosso do Sul, em função de dias após a emergência. Cálculos efetuados considerando uma produtividade de 3.0 kg/ha de algodão em caroço. FONTE: Adaptado de Ferrari et. al (2004) e Persegil et. al (2004) contido em Carvalho et. al (2007).

Os resultados da marcha de absorção apresentados (Figuras 1 e 2) demonstram que a planta do algodoeiro continua absorvendo nutrientes por um longo período do ciclo. Isso significa que, no caso de cultivo irrigado, quando for conveniente, os nutrientes podem ser fornecidos parceladamente em diversas aplicações, desde que as quantidades totais sejam aplicadas até o florescimento pleno (CARVALHO, 2007).

FIGURA 2. Marcha de absorção de nitrogênio, fósforo e potássio pelas cultivares BRS Araçá e BRS Cedro cultivadas no campo, em Dourados, MS. FONTE: Staut, L.A. - Embrapa A. O. (Carvalho et. al, 2007).

Em seu trabalho DANTAS et. al (2005) utilizaram no plantio os adubos: Sulfato de Amônia (S.A., 20% de N); Superfosfato Simples (SSP, 18% de

P2O5); e Cloreto de Potássio (KCl, 60% de K2O). Para alcançar os níveis desejados de micronutrientes, foram utilizadas 1, 2 e 3 vezes a mistura de 9,0 kg de Bórax + 4,0 kg de Sulfato de Cobre + 5,0 kg de Sulfato de Ferro + 4,0 kg de Sulfato de Manganês + 5,0 kg de Sulfato de Zinco. Os adubos utilizados em cobertura foram Uréia (45% de N) e KCl. Para a distribuição dos adubos de plantio, no campo, fez-se uma medida de cada adubo utilizado e aplicou-se diretamente na cova de plantio aberta a 10 cm de profundidade. Fechou-se a cova e dispôs-se a semente de algodão 5-10 cm ao lado e acima do adubo, evitando-se o contato do mesmo com a semente, que foi coberta com aproximadamente 3-5 cm de terra. Na adubação de cobertura, aplicou-se o adubo em linha cavada a 5 cm de profundidade, distanciada 30 cm do caule das plantas. Os resultados encontram-se nas Tabelas 1 e 2.

TABELA 1. Análise de variância (valores de quadrados médios) dos dados referentes ao efeito da adubação mineral com NPK + micronutrientes no município de Salgado de São Félix - PB sobre a qualidade da fibra do algodão cv. BRS 8H.

PMC: Peso médio de capulho, em g; UHM: Comprimento da fibra, em m; UNF: Uniformidade da fibra, em %; SFI: Índice de fibras curtas, em %; STR: Resistência, em gf/tex; ELG: Alongamento à ruptura, em %; MIC: Índice micronaire, em µg/in; MAT: Maturidade, em %; Rd: Reflectância, em %; +b: Grau de amarelo; e CSP: Índice de fiabilidade.

SIGNIFICÂNCIA: o: 0,05 < F < 0,10: 10% de probabilidade; *: 0,01 < F < 0,05: 5% de probabilidade; **: 0,001 < F < 0,01: 1% de probabilidade.

TABELA 2. Médias dos dados referentes ao efeito da adubação mineral com NPK + micronutrientes no município de Salgado de São Félix-PB sobre a qualidade da fibra do algodão cv. BRS 8H.

N.C/P: Número de capulhos/planta; ØC: Diâmetro do caule, em m; ALTP: Altura da planta, em cm; Stand: Stand final das plantas, em número de plantas remanescentes/parcela; PROD: Produtividade, em kg/ha; e %F: Percentagem de fibras. **,*: Significativos a 1 e 5% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. L: Efeito Linear; Q: Efeito Quadrático.

Contudo DANTAS et. al (2005) concluirão que a adubação mineral aumentou o peso médio de capulhos, o índice micronaire e a maturidade das fibras do algodão, no entanto, diminuiu a uniformidade e o índice de fiabilidade das mesmas. O P melhorou a maturidade das fibras; O K afetou negativamente o comprimento e o índice de fiabilidade das fibras do algodão; entretanto, este elemento melhorou a resistência das fibras; O P e o K, aplicados conjuntamente, melhoraram a resistência da fibra do algodão; O N não alterou os componentes de qualidade da produção do algodão, com exceção da % de fibras, que tendeu a diminuir com o aumento das doses no solo; Os micronutrientes aumentaram no algodão a uniformidade, a maturidade e o grau de amarelo das fibras, mas pioraram o comprimento e o índice de fiabilidade;

As variáveis relacionadas à qualidade das fibras foram consideradas adequadas pela indústria têxtil de algodão.

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