Resenha Critica (Pedro Demo)

Resenha Critica (Pedro Demo)

(Parte 1 de 2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DAS CIÊNCIAS DA SAÚDE

CURSO DE ENFERMAGEM

RESENHA DO LIVRO METODOLOGIA PARA QUEM QUER APRENDER

METODOLOGIA CIENTÍFICA

Gabriel Furini Fiuza

Luciano Scherer

SANTA MARIA, RS, BRASIL

2011

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................3

1 INTRODUÇÃO

O texto apresentado neste trabalho tem como objetivo apresentar para o leitor uma resenha crítica do livro Metodologia para Quem Quer Aprender de Pedro Demo, para fins de avaliação da disciplina de Metodologia Cientifica do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria.

O autor apresenta a atual situação do sistema de ensino brasileiro apresentando as falhas e conceituando os artifícios a serem utilizados na construção do conhecimento, como estudar, como aprender e como ensinar.

No decorrer da obra é abordada a importância da pesquisa, elaboração, argumentação, dar sentido ao que se cria sem pretender ser o dono da verdade, questionar e ser questionado. A pesquisa, a elaboração a criação levam com que se tenha convicção do que esta sendo apresentado ou escrevendo, e assim se reconstrói o conhecimento.

É fundamental saber convencer com a força dos argumentos sem o objetivo de se tornar o dono da verdade, mas sim a ponto de debater tantas vezes quanto for necessário.

Pessoas educadas são a riqueza das nações mais do que seus recursos materiais.

2- DESENVOLVIMENTO

2.1 Obra

DEMO, Pedro. Metodologia para quem quer aprender. São Paulo: Atlas, 2008.131p.

2.2 Credenciais da Autoria

Pedro Demo é catarinense, filho de pais agricultores. Estudou em seminário franciscano, onde fez filosofia e parte da teologia. Na Alemanha fez doutorado em sociologia (1971), cuja tese recebeu nota máxima e foi publicada em 1973 (Anton Hains Verlag, Meisenheim). Voltando ao Brasil, foi assessor dos bispos até 1975, quando ingressou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão), onde permaneceu até 1994 e se aposentou. Assumiu, então, tempo integral na Universidade de Brasília (UnB), o Departamento de Sociologia. Fez pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) (1999-2000). Em 2003 retornou ao Departamento de Sociologia, onde se aposentou em maio de 2008. Em dezembro de 2009 foi nomeado Professor Emérito da UnB. Até o momento publicou 92 livros, nas áreas de política social (educação) e metodologia científica. Desde fins de 1980 dedica-se ao desafio de formação permanente de professores.

2.3 Conclusões da Autoria

Pedro Demo, através deste livro, conclui que o sistema de ensino brasileiro está equivocado.

Demo deixa claro que tudo que se quer de um aluno é que ele saiba pensar e que o aluno é a imagem e semelhança do seu professor. Só que está ocorrendo por anos é que os professores em sua formação não são incentivados a pensar, pesquisar e elaborar. Durante a formação eles só assistem aulas e fazem provas. Quando esses professores vão dar aulas, fazem a mesma coisa, criando-se assim um ciclo vicioso.

Sendo assim os professores fingem que dão aula e os alunos fingem que aprendem, nisso o que empaca é o pensar. Demo ressalta a importância da autoria para o aprendizado, que é o ato de buscar no aluno seu lado reflexivo que lhe permite ser um produtor de idéias.

Ele conclui que autoria é fundamento docente e discente, por ser referência crucial da aprendizagem no professor e no aluno.

Demo fala que sempre estamos preocupados com o estudo do aluno, no entanto essa preocupação tem que ser direcionada para os professores também, pois a estranheza, com os estudo, dos alunos é decorrência da mesma estranheza do professor, sendo a pesquisa item fundamental para o aprendizado tanto docente como discente, se quisermos alunos que estudem bem precisamos inventar professores que estudem bem também.

Por fim ele fala dos meios de fugir desse tipo de “aprendizado”, que se dá em sala de aula, utilizando novas tecnologias para tornar o estudo menos aborrecido, mesmo que demande o mesmo esforço e dedicação do modo convencional. Com essas novas tecnologias podemos enfrentar o estudo com outro espírito, a medida que se torna possível estilos de autoria coletivas que produz envolvimento convincente.

2.4 Digesto

2.4.1 - Capitulo 1 – Estudar

Estudar é também uma arte, depende muito de motivação. Estudiosos são conhecidos pela sua motivação para estudar. Motivação não implica necessariamente em prazer, pois nem sempre o que é importante é prazeroso. Estudo é trabalho, dedicação, esforço e renuncia.

O objetivo do autor nesse capitulo é questionar a maneira como, em geral, se estuda entre nós, sem pesquisa, sem elaboração, sem leitura sistemática, sem desconstrução e reconstrução. O estudo bem feito sempre resulta em autoria, o que retira do interesse procedimentos de cópia, transmissão, aquisição. Estudar bem não combina com receber conteúdos simplificados, abreviados, resumidos via aula.

2.4.1.1 – Não se aprende sem estudar

Confunde-se aula com aprendizagem. Com a introdução do nono ano letivo no ensino fundamental. Sob alegação que se os alunos tiverem mais aulas, vão aprender mais. Estudar deixou de ser o sentido central e sim ter aula.

Aprender não advém necessariamente de ensinar porque é dinâmica de dentro para fora, tendo o aprendiz a condição de sujeito e não de ouvinte. Aprender pode encontrar em aulas algum suporte, mas nada, além disso. Aula só faz sentido se o aluno aprender bem.

        1. Aprender é estudar

Aprendizagem não é resultado de instrução. A mente humana, a rigor, não pode ser instruída por mais que se tente, o que entra nela entra por dentro, ela não só percebe significados, principalmente cria e recria significados.

Daí decorre que um ambiente adequado de aprendizagem supõe atividades, em primeiro lugar participativas nas quais o aprendiz esteja envolvido, em segundo lugar que acionem processos e dinâmicas reconstrutivas, interpretativas sempre como autor.

Assim sendo aprendizagem adequada recai em autoria; pesquisa conhecimento se reconstrói se interpreta; elaboração constantes de textos para exercitarmos a autoria; leitura sistemática; argumentar e contra-argumentar com base na autoridade do argumento e não no argumento da autoridade; na habilidade de fundamentar; dedicação sistemática transformada em hábito permanente; além da aprendizagem do professor ter que ser profissional, pois ele é o profissional da aprendizagem.

Pesquisar e elaborar são habilidades imprescindíveis. É fundamental aprender na escola a estudar. Há dois tipos de estudos, o estudo individual que exige disciplina e perseverança e o estudo em grupo, algumas vezes banalizado, mas de grande valor pedagógico.

2.4.1.3– Desacertos

Os alunos comparecem para escutar um professor falar, em geral de maneira instrucionista, sua grande maioria não produziu o que fala. A rigor, não se pode dar aula a não ser do que se produz.

O desacerto vem de longe. Vem primeiramente do ambiente instrucional, no qual se insere o professor como produto daí decorrente. Neste sentido, não é o caso de “culpar” o professor, pois ele também é vitima desse sistema instrucionista. Não tendo aprendido a estudar profissionalmente não é capaz de instituir esta habilidade nos alunos. Estudar é para a vida e dentro dela para o exercício profissional. Estudar implica esforço sistemático e permanente de reconstrução do conhecimento, na condição de sujeito que inova e se renova.

Banaliza-se facilmente a pesquisa, uns dizem que pesquisa é coisa de instituições e expertos sofisticados, portanto a pesquisa fica com a imagem de produção rebuscada de conhecimento. No entanto na esfera da educação pesquisa é principio fundamental para aprendizagem. Pesquisa não é qualquer coisa, pesquisa precisa questionar a realidade ou autores e também reconstruir a realidade e as analises disponíveis sobre a realidade.

2.4.1.4 – Arte de estudar

Ressalta inicialmente que estudar implica criatividade a qual não pode ser formatada.

Estudo criativo requer pelo menos duas atividades conjuntas: pesquisar, pois quando pesquisa-se com um mínimo de qualidade desconstruímos e reconstruímos conhecimentos, no entanto pesquisar não exige necessariamente produção própria de dados empíricos ou qualitativos; elaborar, ou seja, tomar o conhecimento disponível e refazer do ponto de vista próprio apoiado na argumentação mais cuidadosa possível, elaborar requer habilidade do autor, autonomia de idéias e propostas próprias.

Para estudar bem é preciso motivação. De alguma forma toda motivação implica prazer imediato e o prazer profundo. O primeiro diz respeito a recompensas materiais, passageiras. O segundo refere-se à busca pela satisfação de teor imaterial, de longo prazo, intensa e duradoura.

É preciso saber motivar o aluno para que estude a partir de razões criadas por ele mesmo. A primeira razão é o próprio professor ser estudioso, pois se o professor não o for difícil será impor ao aluno ser um estudioso. A segunda razão é tornar o assunto mais próximo da vida do aluno, como algo que passa pela vida real, algum chamam isso de “aprendizagem situada”. A terceira razão é convencer o aluno a apreciar o assunto por razões do próprio assunto.

        1. Estudo virtual

O mundo virtual está mexendo profundamente com o desafio de estudar, pois em vez de ir para a biblioteca vamos para a Internet, sem sair de casa. Nesse ambiente estuda-se muito com uma profundidade e motivação reconhecida, algo que já não se vê na escola e na universidade. Deixa-se o texto impresso clássico de deter o centro das atenções e o cenário dominado pela imagem destaca-se, pois permitir uma movimentação mais ampla e caótica a gosto dos jovens. O texto impresso é disciplinar, linha por linha da esquerda para a direita de cima para baixo e o texto dinamizado pela imagem não tem centro de hierarquia, transpira certa liberdade e permite interferência recíproca interativa.

Outro ponto importante é a possibilidade de estudar por si, não pretendendo dispensar o professor logicamente, no entanto na internet o aluno pode procurar o que quiser, isto é marca fundamental do estudo flexível.

A presença virtual torna-se referência crucial, mudando o tom da discussão em torno da “educação à distancia”, pois quem estuda está presente, sendo assim perde sentido distinguir os cursos presenciais dos não presenciais, são todos naturalmente presenciais, o que muda é o tipo de presença: física, virtual e flexível.

2.4.2 - Capitulo 2 – Saber Pensar

Uma das habilidade humanas mais interessantes e promissoras, em nossa tradição eurocêntrica saber pensar se restringe ao conhecimento científico. A habilidade de questionar não foi acompanhada da habilidade de se autoquestionar.

2.4.2.1 – Colocando a questão

Facilmente confundimos contraditório com contrário. Contraditório indica realidade incompatíveis, cuja convivência é impossível, já contrário indica o modo natural de convivência das coisas e seres.

Saber pensar é a unidade de contrários. Por mais que se busque ser lógico, formais, exatos em nossos pensamentos, não o são, pois a mente humana não é dinâmica.

No lado formal, saber pensar requer lógica, capacidade de dedução e indução, habilidade de fundamentar extensiva e sobre tudo intensivamente, sistematicidade das idéias e argumentos, coerência e consistência. No lado político saber pensar supõe negociação com base na autoridade do argumento, para convencer, sem vencer. Convencer não pode ser adesão imposta e sim adesão a partir da qualidade da argumentação. Trata-se de combinar autonomias concretas, pois quando há um “choque” de imposições, resta saber negociar, sabendo ganhar e perder.

Assim saber pensar não requer apenas exercício lógico requer igualmente habilidade formativa e educativa.

2.4.2.2 – Questionar, Autoquestionar-se

Saber pensar é questionar, é sua alma. Mas esta alma não é plena, se não implicar igualmente autoquestionar-se. As razões são múltiplas tanto de ordem formal quanto de ordem política: a) formalmente é lógico que questionar implique autoquestionar-se; b) formalmente saber começa por aquilo que não se sabe, a dinâmica fundadora do saber é negativa, quem sabe duvida, investiga; c) formalmente toda construção é reconstrução, pois nunca se parte do nada; d) formalmente a dinâmica da inovação requer senso de alternativa para não ficar repetindo o passado; e) politicamente questionar implica confronto de sujeitos que se questionam e autoquestionam; f) politicamente questionar corre o risco de colonialismo, autoquestionar-se torna-se estratégico para evitar a estratégia do poder; g) politicamente a rebeldia implícita no questionamento pode desandar em agressão, portanto a de se fazer necessário a rebeldia em algo para o bem comum; h) politicamente, consensos facilmente são medíocres por isso o bem comum necessita de questionamento constante.

Questionamento implica em trabalho árduo, sistemático que começa com levar a sério o que se questiona. Tem-se que ler o que não se gosta para fundarmos a relação de cuidado e respeito. É o exercício meticuloso da contraleitura. Contraleitura bem feita tem inúmeras implicações: a) começar a ler bem, ler o livro por inteiro, não apenas resumos; b) aula não substitui autores, temos que estudar autores; c) é preciso captar as linhas e entrelinhas do texto e não uma leitura rápida; d) têm que se ler um autor para nos tornarmos autores também; e) só se lê bem se entra na leitura disposto a ser sujeito a aprender de outro sujeito; f) contraleitura implica desconstrução intrínseca. Contraleitura torna-se mais crucial ainda no mundo virtual, onde copiar torna-se ato comum. Havendo texto de tudo a tentação é ficar com o texto disponível, dispensando o esforço de fazer texto próprio.

Autoquestionamento acarreta saber se colocar humildemente na berlinda. Esta modéstia funda a possibilidade de diálogos pares. Facilmente questiona-se para agredir também facilmente nos autoquestionamos por forma e isto desanda comodamente para uma farsa, apenas para constar. Assim convêm cercarmos o autoquestionamento de cuidados tais quais: a) autoquestionamento implica em um sujeito mais maleável, comunicável do ponto de vista tratável; b) autoquestionamento não é mal necessário, é refazer os pontos de vista são condições imprescindíveis e dignas; c) não pode ser autocomplacente, ainda que não precise ser amargo; d) autocrítica quando genuína não é feita para se autodestruir, e sim a elevação a níveis mais altos de visão e percepção; e) autoquestionamento é o melhor “remédio” para idéias fixas.

Saber pensar pede cuidado de fundamentação, leitura rigorosa e meticulosa, argumentos bem torneados e elegantes, pois toda discussão precisa ser elegante de gente elegante.

2.4.2.3 – Saber Pesquisar

É importantíssimo noção de pesquisa como principio educativo, formativo. Pesquisar sempre envolve procedimento metódico. Como conhecimento é questão de método, então produzir conhecimento necessita método. E isto distingue um discurso qualquer de um discurso científico: este é cuidadoso, metódico, sistemático e o outro é solto. Pesquisar é formalizar objetos de estudo, porque nossa mente entende o que ordena, padroniza.

Existem alguns critérios formais para se construir uma boa pesquisa: coerência, consistência, sistematicidade, originalidade, objetivação, discutibilidade. Alguns critérios de cunho político também devem ser levados em conta tais como: intersubjetividade, argumento da autoridade, argumento da perícia, relevância social e ética.

(Parte 1 de 2)

Comentários