Os alimentos como tema gerador do conhecimento de cinética química

Os alimentos como tema gerador do conhecimento de cinética química

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citizens

Researches in the education extent, specifically those related to the use of generating themes or estimulators of the chemical knowledge, they are winning prominence in several research works, so much at national level as international. In this sense, to present research had as objective demonstrates the importance of the chemistry in the social context through the use of the theme foods. Specifically, we tried to provide to the subject of the research, the identification of the content chemical kinetics in daily one starting from an contested approach, seeking the comprehension of a chemistry teaching able to provide the taking of the decision. Participated of this research 25 students of the second grade of the high school of Frei Miguel de Bulhões school, located in the city of São Miguel of the Guamá-Pará. The activities of application happened to elapse of one week, in that it was accomplished classes concerning the theme foods in the construction of the knowledge of chemical kinetics and experimental activity, with the intention of providing the discursive interaction during the execution of the experimental practices regarding the conditions of conservation of foods. The collection of data based on the application of two questionnaires and in the recording of the discursive interaction, proportionate to the students, in the last day of class, for subsequent analysis. The data collected in the questionnaires were analyzed and organized in graphs and categories, while for the discursive interaction, the analysis of the speech was valued. The results show that the use themes generators of the chemical knowledge, they are well accepted by the students by bringing a form of differentiated approach, allowing the use of experiments and, therefore, the valorization of previous ideas. Theses points are crucial in the teaching-learning process, mainly when aim for to reach the expressed objectives in the official documents, that it is it of forming critical

KEYWORDS: generating themes, foods, teaching-learning, citizens formation, discursive interaction.

Figura 01: Diferentes contextos Figura 02: Esquema de raciocínio de Wilhelmy

Figura 03: Orientações possíveis para os choques entre as moléculas A e B

Figura 04: Resultados dos choques possíveis previstos na figura anterior

conhecimento cotidiano25

Quadro 01: Algumas características para diferenciar o conhecimento científico do Quadro 02: Categorias de respostas da 1ª questão – Questionário 01 Quadro 03: Categorias de respostas da 6ª questão – Questionário 01 Quadro 04: Categorias de respostas da 7ª questão – Questionário 01 Quadro 05: Categorias de respostas da 1ª questão – Questionário 02 Quadro 06: Categorias de respostas da 2ª questão – Questionário 02 Quadro 07: Categorias de respostas da 7ª questão – Questionário 02 Quadro 08: Categorias de respostas da 8ª questão – Questionário 02 Quadro 09: Categorias de respostas da 9ª questão – Questionário 02

Gráfico 01: Quais dos métodos de conservação são utilizados em sua casa?

Gráfico 02: Que metodologia o professor utiliza para dinamizar as aulas de química?

Gráfico 03: Qual a relação entre a temática alimentos e o estudo do conteúdo cinética química?

Gráfico 04: O que são e para que serve os aditivos químicos?

Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio Ensino de Química Orientações Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais Orientações Curriculares para o Ensino Médio

CAPÍTULO 1 – A CONTEXTUALIZAÇÃO NO ENSINO DE QUÍMICA
1.1- Contextualização: pressupostos teóricos
1.2- Ensinando química dentro de um contexto
1.2.1- O contexto cotidiano
1.2.2- O contexto científico
1.2.3- O contexto escolar
1.3- O ensino de química na formação para a cidadania
2.1- Breve histórico da cinética química
2.2- Cinética química e alimentos
2.3- Reações químicas nos alimentos
2.3.1- Reações de alimentos que contêm carboidratos
2.3.2- Reações de alimentos que contêm lipídios
2.4- Fatores influenciam na rapidez das reações químicas nos alimentos

CAPÍTULO 2- O ESTUDO DA CINÉTICA QUÍMICA POR MEIO DOS ALIMENTOS 2.4.1- Efeito da temperatura 2.4.2- Efeito do pH 2.4.3- Efeito da concentração dos reagentes 2.4.4- Efeito da natureza dos carboidratos e dos aminoácidos 2.4.5- Efeito dos catalisadores 2.4.6- Efeito dos inibidores 2.4.7- Superfície de contato

3- METODOLOGIA DA PESQUISA
3.1 - Desenvolvimento e sujeitos da pesquisa
3.2- Dos aspectos metodológicos e materiais adotados
3.3- A temática alimentos como tema de estudo de cinética química
3.4- Da análise dos resultados

4- RESULTADOS E DISCUSSÕES

da segunda série do ensino médio
alimentos na construção do conhecimento de cinética química
da segunda série do ensino médio
5- CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
APÊNDICE A - Questionário I

4.1- Dados referentes às questões do questionário I aplicado aos discentes 4.2- Interação discursiva em aulas de química: uma análise do tema 4.3- Dados referentes às questões do questionário I aplicado aos discentes

das aulas
APÊNDICE C - Questionário I

APÊNDICE B - Material utilizado como instrumento para o desenvolvimento

O desenvolvimento da Ciência Química trouxe benefícios tecnológicos para a sociedade e melhoria na qualidade de vida das pessoas, isto significa que a Química veio propiciar o incremento de novas tecnologias para o crescimento social. Percebemos isso ao observarmos a nossa volta a grande variedade de produtos como as pilhas, os produtos de limpeza, higiene, produtos que aceleram o processo de produção de alimentos no setor agrícola, como os fertilizantes e etc.. Vale também ressaltara importância dessa Ciência para a indústria como um todo, destacando o ramo alimentício com o desenvolvimento das técnicas de conservação dos alimentos.

Nesse contexto, a cinética química como um campo de pesquisa da

Ciência Química veio contribuir decisivamente no processo de conservação dos alimentos, buscando e aprimorando os meios já existentes, a fim de conservá-los de maneira cada vez mais eficiente, sem causar prejuízo na sua constituição e propriedade, possibilitando maior consistência aos alimentos como sabores, aroma, textura, etc.; enfim, a presença da Química em nosso cotidiano é suficiente para justificar a sua inclusão no currículo da base nacional da educação como disciplina obrigatória do ensino médio.

Dentre as várias possibilidades de se trabalhar o conteúdo de química, temos como uma das alternativas o uso de temas cotidianos ou geradores, na busca de desenvolver o conhecimento químico no ambiente escolar, isto é, um ensino contextualizado, que vise aproximar-se da realidade vivenciada diariamente por nossos alunos, propiciando assim, o entendimento dos fenômenos químicos observados no dia-a-dia.

Sendo assim, a proposta central deste trabalho é propor como alternativa de ensino de química (EQ) o uso do tema gerador “alimentos” no ensino do conteúdo cinética química, levando em consideração os aspectos químicos das reações dos alimentos, não descartando, portanto, os aspectos físicos e biológicos, pois, ambos estão correlacionados aos fatores químicos de deterioração dos alimentos.

A Química enquanto disciplina, faz parte da organização curricular da

Base Nacional Comum do Ensino Médio, sendo percebida pelos alunos nesse nível de ensino, como uma disciplina monótona e de difícil aprendizagem, pois a forma como os conteúdos são transmitidos acabam desmotivando os mesmos, visto que é muito distante de seu cotidiano.

Em busca de proporcionar um ensino próximo às vivências cotidianas de nossos discentes, a abordagem feita neste trabalho, tratará sobre a temática “alimentos” como uma das possibilidades de transmitir o conhecimento de cinética química, estabelecendo um tratamento contextualizado do tema em questão, visando aproximar o conhecimento químico à realidade do aluno, tornando-o assim mais atrativo e interessante.

Com relação ao tema proposto, trataremos dos aspectos cinéticos envolvidos nas reações químicas de deterioração dos alimentos, demonstrando aos alunos a importância do desenvolvimento desse campo de estudo da Química para a sociedade, a partir de uma abordagem contextualizada, pois se verifica que a ausência parcial ou total deste recurso metodológico nas aulas de química é o principal motivo pelo qual os alunos acabam por não gostar da disciplina Química.

Contudo, o que nos motivou a pesquisar sobre o referido tema foi à necessidade de sabermos se os alunos da segunda série do ensino médio conseguem estabelecer relação entre o conteúdo cinética química e a temática alimentos? Qual a relevância da cinética química para o processo de conservação dos alimentos? E como a abordagem de temas sociais contribui para a compreensão do conhecimento químico.

Sendo assim, usou-se como base para o desenvolvimento deste trabalho, o seguinte objetivo: demonstrar a importância da química no contexto social através do uso da temática alimentos. A partir deste pôde-se: enfatizar o desenvolvimento da cinética química através de uma abordagem histórica; analisar a importância da cinética química para a conservação dos alimentos; identificar os fatores químicos que alteram a velocidade das reações nos alimentos; proporcionar aos discentes a identificação do conteúdo cinética química em seu cotidiano a partir de uma abordagem contextualizada; compreender o ensino de química na formação do cidadão e promover uma discussão contextualizada da temática alimentos.

Desse modo, no primeiro capítulo é abordada a importância da contextualização no ensino de química, bem como os contextos em que os conteúdos devem ser trabalhados podendo assim, auxiliar no processo de ensino aprendizagem e na formação do cidadão.

Já no segundo capítulo, enfatizamos a importância da cinética química no processo de conservação dos alimentos, através de meios que retardam os processos de decomposição dos alimentos.

Em seguida apresentamos a metodologia que foi fundamental para o delineamento desta pesquisa e os resultados pertinentes à mesma, que demonstraram que as aulas de química tornam-se mais atrativas para o discente do ensino médio quando se agregam nos conteúdos escolares os contextos da vida cotidiana. Nesse sentido, o uso de temas geradores do conhecimento, propicia essa relação e possibilita trabalhar as interações discursivas em sala de aula.

19 CAPÍTULO 1 – A CONTEXTUALIZAÇÃO NO ENSINO DE QUÍMICA

Elaborar um trabalho cujo foco principal, é a contextualização no ensino da Ciência Química, é muito desafiador para o professor do ensino médio, principalmente, por se tratar de um eixo/ recurso metodológico que abrange diferenciados entendimentos. Nesse sentido, o objetivo central deste capítulo é compreender o ensino de química (EQ) na formação do cidadão e como o contexto no qual o conteúdo se insere pode auxiliar nesse processo.

1.1- CONTEXTUALIZAÇÃO: PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

“A contextualização significa a vinculação do ensino coma vida do aluno, bem como com as suas potencialidades” (DEMO, 1988 apud SANTOS & SCHNETZLER, 2003, p. 31).

A contextualização é um eixo norteador que visa aproximar o conteúdo trabalhado em sala de aula com as vivências cotidianas de nossos discentes, através de temas geradores. Esta temática é defendida por vários estudiosos e pesquisadores da educação e pelos documentos oficiais nacionais como os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) e as Orientações Curriculares para o Ensino Médio da área de Ciências da Natureza Matemática e suas tecnologias.

Os estudos com relação à contextualização no ensino de química vêm aumentando a cada dia, com o intuito de abolir o tradicionalismo praticado em muitas escolas brasileiras, onde muitas vezes são levadas em consideração apenas as teorias científicas, sem haver preocupação com o meio no qual o indivíduo está inserido.

Segundo Oliveira (2005, p. 13), “[...]. A contextualização é o recurso para promover inter-relações entre conhecimentos escolares e fatos/situações presentes no dia-a-dia dos alunos, contextualizar é imprimir significados aos conteúdos escolares, fazendo com que os alunos aprendam de forma significativa".

Sendo assim, contextualizar o conhecimento químico na visão Almeida et al (S/D) , não é simplesmente estabelecer um elo entre o conhecimento químico e o dia-a-dia do aluno, muito menos apresentar exemplos ao final das aulas como ilustrações, mas sim, apresentar situações/problemas reais que possibilitem ao aluno buscar o conhecimento necessário com a finalidade de entendê-los e tentar solucioná-los. Porém, podemos observar que “o ensino médio de química caracteriza-se pela ênfase nos aspectos teóricos do conhecimento químico (PESSOA, 2005, p.25)”.

De acordo com Zabala (2002) o ensino tradicionalista desvinculando o cotidiano e o científico e vice-versa, acaba fazendo com que os discentes se deparem com dois tipos de conhecimento simultaneamente: um que será útil para a vida diária e outro, que é produto da Ciência, aplicado apenas no contexto escolar.

Os PCNEM afirmam que “contextualizar o conteúdo que se quer ser aprendido significa, em primeiro lugar, assumir que todo conhecimento envolve uma relação entre sujeito e objeto (BRASIL, 1999, p.91).” Essa concretização, ocorre quando o sujeito interage com o conhecimento, podendo assim recriar ou re-elaborar o objeto. Isso pode ser feito através do estabelecimento de um elo dentro de contextos próximos e significativos ao dia a dia do educando. Nesse sentido, a contextualização não tem apenas o papel de informar, mas também de tornar o indivíduo participante da produção do conhecimento e das implicações que tais informações possam gerar no meio social; contextualizar implica também na formação de cidadãos críticos, capazes de desempenharem o seu papel na sociedade.

O objetivo de contextualizar no Ensino de Química é transitar no mundo da vivencia do aluno e dos conceitos, possibilitando que o estudante caminhe na direção da abstração e em direção ao mundo real e assim permitindo que os alunos passem a falar na própria química sobre situações de vivencia dentro de um esquema de conceitos químicos com o meio em que vive (MALDANER Apud SILVA, 2009, p.16).

a contextualização pode ser entendida como o processo de criação de cenários (contextos) para as formulações abstratas de Química (modelos teóricos), às quais se aplicam ditas formulações na solução de situações-problema ou de exercícios. No ensino/aprendizagem, o termo contextualização refere-se à criação de novos contextos nos quais os conteúdos precisem ser re-significados em relação aos sentidos atribuídos no contexto escolar.

Ricardo (2003) complementa afirmando que a contextualização tem como finalidade atribuir significado aquilo que se pretende ensinar ao aluno, auxiliando na problematização do saber e fazendo com que o educando sinta a necessidade de buscar um conhecimento que ainda não tem.

Brasil (1999), ainda afirma que o conhecimento contextualizado é um recurso que a escola deve utilizar para retirar o educando da situação de sujeito passivo e quando bem trabalhado possibilita que o conteúdo de ensino promova aprendizagens significativas que levem o aluno estabelecer uma relação de reciprocidade entre ele e o objeto estudado.

1.2- ENSINANDO QUÍMICA DENTRO DE UM CONTEXTO

Segundo Oliveira (2005, p.24), “a química é ensinada dentro dessa perspectiva, quando o contexto (mundo físico, natural e tecnológico) proporciona bons momentos de reflexão/interação com os alunos”. Nesse sentido, podemos dizer que o contexto é extremamente importante para a produção do conhecimento, uma vez que todo e qualquer saber é construído ao longo do desenvolvimento científico, tecnológico e social.

Para Silva & Nuñez (2007), todo conhecimento se constrói dentro de contextos específicos e este, é produzido a partir de metas significativas para os sujeitos. Para os autores podemos identificar e falar de diferentes contextos como: o cotidiano, o científico, o escolar, o socioprofissional, etc. Porém, apenas três desses contextos são relevantes para o ensino-aprendizagem de Química, são eles: o cotidiano, o científico e o escolar.

O esquema abaixo mostra a relação entre tais contextos, que são cruciais no processo de construção do conhecimento pelos educandos.

Figura 1: Diferentes contextos

1.2.1- O contexto cotidiano

Os fatos rotineiros (acontecimentos vivenciados diariamente) são elementos primordiais que caracterizam o cotidiano. É neste contexto, que “se produzem interações na construção de identidades individuais e do grupo sociocultural mediado pela intersubjetividade; dá-se a construção de sentidos/significados específicos para o grupo” (SILVA & NUÑEZ, 2007, p.06).

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