Análise de riscos ou gestão de perdas?

Análise de riscos ou gestão de perdas?

(Parte 2 de 8)

Confiabilidade de Sistemas, ou a Engenharia de Segurança de Sistemas, alguns conceitos comuns passaram a se mesclar, dando nova configuração à Gerência de Riscos.

Nos capítulos a seguir faremos uma análise de alguns tipos de processos industriais, com destaque para os seus principais riscos e sugestões de formas ou de maneiras adotadas para o tratamento dos riscos. Nos deteremos mais no tópico prevenção e combate a incêndios nessas análises, por ser esse o principal risco das empresas, sem entretanto descuidarmos da análise e da exemplificação de outros riscos.

Existem inúmeros eventos que constantemente ameaçam o patrimônio das empresas. Porém, em linhas gerais, dos eventos geradores de danos que incidem em instalações industriais, tanto no que diz respeito à freqüência de ocorrências, como também no tocante à severidade das perdas, o Incêndio é o mais comum. Na ilustração a seguir apresenta-se um gráfico com os percentuais médios, aplicados aos riscos maiores ou geradores das ocorrências, verificados nos acidentes envolvendo indústrias.

Quebra de Máquinas

Incêndio Danos Elétricos

Explosão Equipament.

Explosão Substâncias

Impacto de Veículos

Derrame de Materiais

Corrosão Erosão

Nesse capítulo abordaremos desde o conhecimento das características dos agentes extintores até o seu emprego, sempre com vistas à prevenção e controle dos riscos.

Finalmente, cumpre ressaltar que muitas vezes a Gerência de Riscos é confundida com a Segurança Industrial. Ambas têm caráter preventivo. Entretanto, na Gerência de Riscos procura-se tratar o risco sob o prisma matemático de sua ocorrência, quase que para fins de estudos, enquanto que a Segurança Industrial parte direto para as medidas corretivas.

A linha de trabalho que consideramos ideal é aquela que associa os métodos de análise empregados na Gerência de Riscos com os procedimentos da Segurança Industrial.

I.3. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

Existem inúmeros trabalhos publicados no exterior acerca dos temas que abordamos, alguns publicados por Seguradores ou por empresas especializadas em Resseguros. Entretanto, as publicações que mais se aproximam da linha de trabalho que adotamos são as sugeridas como fontes bibliográficas, como se segue:

• Mehr,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management Concepts and Applications” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1974.

• Mehr,R.I. & Hedges,B.A. “Risk Management in the Business Enterprise” - Homewood Richard D. Irwin, Inc 1963.

• American Society of Insurance Management Study of the Risk Manager and ASIM - New York Woodward and Fondiller Inc, 1969.

• Baglini, N.A. “Risk Management in American Multinational and International Corporations - New York Risk Studies Foundation - 1976.

• Fayol, H. General and Industrial Management - New York Pitman Publishing Corporation - 1949.

• Risk Management - A Reader Study - New York ASIM - 1973.

• C. Arthur Williams,Jr. & Richard M. Heins - Risk Management and Insurance - McGraw-Hill Book Company - 1976.

• Greene, Mark R. & Seirbein, Oscar N. - Risk Management - Text and Cases - Reston Publishing Comp. Inc.

• Navarro, Antonio Fernando - A evolução da Gerência de Riscos - Revista FUNENSEG nº 53 – 1990

• Navarro, Antonio Fernando - A gerência de riscos aplicada a riscos industriais - Revista FUNENSEG nº 40 – 1988

• Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte I - Revista FUNENSEG nº 61 – 1992

• Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte I - Revista FUNENSEG nº 64 – 1992

• Navarro, Antonio Fernando - Técnicas de avaliação de riscos - parte I - Revista FUNENSEG nº 6 – 1993

O livro Gerenciamento de Riscos Industriais vem a tratar das formas de identificação, mensuração e tratamento dos eventos, ou dos riscos, que atingem indústrias, causando-lhes danos ou perdas, preenchendo uma lacuna na análise de perdas para fins de tratamento dos riscos. Existem inúmeras ocorrências que são objeto de análise pelos Gerentes de Riscos, da mesma forma que existem dezenas de significados para a palavra Risco.

Falar de um risco, é comentar sobre alguma coisa que poderá vir a ocorrer, em um empreendimento industrial, e caso isso se verifique, poderá trazer consigo danos materiais ou danos pessoais. Diferenciamos perdas de danos por considerarmos que os danos são os prejuízos sofridos por um bem patrimonial, e as perdas estão comumente relacionadas a uma redução patrimonial ou financeira.

Como tivemos a oportunidade de comentar no capítulo anterior, um risco é um evento capaz de conduzir a danos, que se caracteriza por ser futuro, ser possível, ser incerto, ser independente da vontade das pessoas, e conduzir à perdas, as quais sejam mensuráveis. Assim, o risco é algo sempre futuro, ou que pode ocorrer no próximo momento, capaz de causar danos. Entretanto, deve-se salientar que para a sua correta mensuração há necessidade desses danos poderem vir a ser perfeitamente dimensionados e avaliados. Se o risco existir mas não houver a perda financeira ou o dano material não se poderá atribuir a ele um custo. Esse é extremamente relevante em qualquer processo de análise ou de tratamento do risco, inclusive para a sua mensuração.

No presente capítulo faremos alguns comentários acerca dos riscos a que uma indústria está sujeita. Muitos dos conceitos que iremos apresentar são pessoais, resultado de uma análise continuada por muitos anos.

Os conceitos de riscos são muito amplos. Risco não é somente aquilo que está para acontecer ou aquilo que temos receio de que aconteça em um determinado momento:

• Hoje teremos o risco de um temporal; Levem os seus casacos; Não cheguem tarde da noite; • Há risco de vocês serem assaltados, portanto, não cheguem tarde; Não andem por ruas escuras;

• Se vocês não estudarem correrão o risco de não tirarem boas notas;

• Não tente consertar o chuveiro para não ter o risco de levar um choque.

Para cada um dos exemplos citados a palavra risco tem um significado diferente.

Não chegar junto com o temporal apresenta o inconveniente, e não o "risco" da pessoa molhar-se. No caso do assalto efetivamente há um risco de perda monetária ou de danos à própria vida ou à saúde. Nas provas a pessoa pode ser reprovada. O único risco, que não é aquele objeto de nossa análise é o da perda financeira de ter que repetir o ano letivo ou ter o dissabor do constrangimento pessoal. Finalmente, no caso do chuveiro, o risco envolve a vida da própria pessoa. Se essa estiver sobre um piso molhado poderá sofrer um choque mortal.

Para toda causa há sempre uma conseqüência. Se há um risco é porque há um cenário de insegurança, ou uma prática insegura. Fazer um equipamento funcionar sem ler o manual de instruções é um risco. O equipamento poderá se queimar.

A palavra Risco dá margem a uma série de interpretações. Contudo, está sempre associada, em qualquer caso, a: um insucesso, um perigo, uma perda ou um dano.

Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados.

Os riscos podem vir a ser encontrados em várias atividades. Algumas das que procuramos destacar são as seguintes:

• procedimentos cirúrgicos; • operações financeiras;

• construções civis;

• montagens industriais;

• implantação de empreendimentos, etc.

No vocabulário das Seguradoras a palavra risco pode representar:

• o próprio segurado, o contratante do seguro, o estipulante da apólice ou o beneficiário principal; • a atividade principal exercida no empreendimento industrial;

• uma edificação segurada ou um bem segurado;

• eventos que possam atingir o patrimônio acobertado por uma apólice;

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