Apostila Custos CIC noturno -2

Apostila Custos CIC noturno -2

(Parte 7 de 8)

Requisição de materiais Indica-se o número de ordem de produção

Indica-se o departamento e o código do produto

Período de apuração dos custos finais

Início/término da produção ou abertura/fechamento da

Ordem de Produção

Início/término do período contábil

Forma de custeamento Custo Padrão ou Custo real Custo Padrão ou Custo real

Método de Custeio Custeio por Absorção Custeio por Absorção Fonte: Adaptado de CRC-SP/IBRACON. Custos ferramentas de gestão. São Paulo: Atlas, 2000, p.85.

14 - CUSTEIO – PADRÃO Sistemas de Custo Real e Custo-Padrão

O sistema de custo real (efetivo) implica a utilização apenas de valores históricos de materiais, mão-de-obra e outros custos de fabricação (MD+MOD+CIF) já aplicados no processo de produção do período. Portanto, os custos do produto ou do período são calculados somente após a realização efetiva da produção (ou fabricação) e o lançamento de apuração de todos os custos do período, ocorre normalmente com freqüência mensal. Com a utilização do sistema de custo real, um produto fabricado no início do mês terá seus custos de produção apurados no mínimo no final de cada mês, ou seja, depois de realizada a produção (ou fabricação).

Porém, no sistema de custo-padrão (predeterminado) utilizam-se valores de custos previstos com base nas especificações do produto (estrutura do produto), nos elementos de custo (MD+MOD+CIF) e nas quantidades de produção. Os custos são apurados antes de realizada a produção (ou fabricação).

O custo-padrão (predeterminado), em função de suas características, pode ser classificado como:

. Custo Estimado – é estabelecido com base em custos de períodos anteriores ajustados em função de expectativas de ocorrências futuras, porém sem muito questionamento sobre as quantidades (materiais/mão-de-obra) aplicadas nos períodos anteriores e os respectivos custos. O conceito de custo estimado é, em geral, utilizado para cálculo das taxas de aplicação dos Custos Indiretos de Fabricação-CIF, podendo, entretanto, ser estendido aos custos diretos (MD+MOD).

. Custo-Padrão – é estabelecido com mais critério do que o estimado e representa o que determinado produto deveria custar, em condições normais de eficiência do uso do material direto, da mão-de-obra, dos equipamentos, etc. Pode ser custo-padrão ideal, quando obtido com base em estudos científicos, desprezando ineficiências e apresentando, portanto, poucas chances de ser alcançado – ou custo-padrão corrente, quando considera as características normais do processo e do produto (incluindo qualidade de materiais, ineficiências de mão-de-obra, paradas etc.), ou seja, apresenta maior rigor técnico e busca de eficiência na fixação do custo-padrão, devendo, portanto, ser entendido como meta a ser alcançada em determinado período.

A fixação de metas inatingíveis não gera nenhum comprometimento do pessoal com a busca de melhor desempenho ou aumento de eficiência e impossibilita a responsabilidade pela não consecução. Mas, a simples consideração de dados de períodos anteriores, sem os ajustes dos desvios ocorridos, pode significar a repetição de erros e perda da eficiência. Assim sendo, segundo as literaturas, o custo-padrão corrente é o que melhor atende às necessidades de planejamento, controle e tomada de decisões. 14. 1 - Objetivos do Custeio Padrão O objetivo principal da utilização do sistema de Custeio Padrão é o controle dos custos, ou seja, com base nas metas fixadas para condições normais de trabalho é possível:

Apurar os desvios do realizado (real) em relação ao previsto (padrão);

Identificar as causas dos desvios;

Adotar as medidas corretivas para não-reincidência de erros ou para melhoria do desempenho.

Assim, a existência de padrões não elimina a necessidade de apuração dos custos reais; pelo contrário, o objetivo do sistema de Custeio Padrão só é atingido quando, da comparação do real com o padrão, se extraem as divergências entre ambos. O controle dos custos real versus padrão gera informações que contribuem:

No processo de avaliação de desempenho das áreas e dos responsáveis pelos custos.

Para a implantação de programa de redução de custos, mediante a identificação dos itens ou áreas que estão fora da normalidade.

14.2 - Custo – Padrão O Custo - Padrão é um custo estabelecido pela empresa como meta para os produtos de sua linha de fabricação, levando-se em consideração as características tecnológicas do processo produtivo de cada um, a quantidade e os preços dos insumos necessários para a produção e o respectivo volume desta.

Assim, define-se o padrão para os custos com materiais, mão-de-obra e gastos gerais de fabricação.

Vários órgãos devem envolver-se na fixação dos padrões, de acordo com a natureza de cada item de custo e com a estrutura organizacional da empresa.

A fixação de custos-padrão envolve dois tipos de padrões relativos aos consumos físicos de recursos e aos gastos financeiros unitários de cada recurso consumido:

Os padrões físicos (quantidades de materiais, horas de mão-de-obra, consumo de energia etc.) são de responsabilidade de áreas industriais (desenvolvimento de produtos e processos, produção, planejamento e controle da produção).

Os padrões monetários são atribuições de áreas administrativas e financeiras (controladoria, compras, departamento de pessoal etc.)

Exemplo de apuração do custo padrão de matéria-prima para fabricação de cada unidade do Produto BETA:

. Quantidade padrão da matéria-prima CIC 30 Kg . Custo unitário padrão da matéria-prima CIC R$ 60,0/kg (=) Custo padrão de matéria-prima CIC (30kg x R$ 60,0): R$ 1.80,0/unidade Exemplo de apuração do custo padrão de mão-de-obra direta para fabricação de cada unidade do Produto BETA:

. Taxa horária padrão de MODR$ 50,0/hora

. Tempo padrão de MOD para fabricar o Produto BETA 3,0 horas (=) Custo padrão de mão-de-obra direta (3,0 h x R$ 50,0): R$ 1.50,0/unidade Exemplo de apuração do custo padrão de Custos Indiretos de Fabricação-CIF para fabricação de cada unidade do Produto BETA:

de 12 meses (anual)R$ 60.0,0/ano

. Total de Custos Indiretos de Fabricação estimados para o período . Capacidade de horas-homens-H/H estimada para o período

etc.)40.0/horas-homens/ano

de 12 meses (poderia ser outro indicador, como horas-máquinas, . Taxa horária padrão de CIF (R$ 60.0,0÷40.0 h/h): R$ 15,0 h/h . Tempo padrão de MOD para fabricar o Produto BETA 3,0 horas (=) Custo padrão de CIF (R$ 15,0 h/h x 3 horas de MOD): R$ 45,0/unidade

. Matéria-primaR$ 1.80,0
. Mão-de-obra diretaR$ 1.50,0
. CIFR$ 45,0
TotalR$ 3.345,0/unidade

Resumo do Custo Padrão do Produto BETA por unidade:

14.3 - Custo Real O Custo Real é o custo efetivo incorrido pela empresa num determinado período de produção. Se o Custo Real for superior ao Custo-Padrão, a variação (diferença) aí ocorrida será considerada DESFAVORÁVEL, uma vez que o custo efetivo foi maior (>) que o estabelecido como meta para a empresa. Se ocorrer o contrário, o Custo Real ser inferior ao Custo-Padrão, a variação será considerada como FAVORÁVEL, uma vez que a empresa apresentou custo menor (<) do que o estabelecido como meta. - Custo Padrão maior Custo Real = FAVORÁVEL

- Custo Padrão menor Custo Real = DESFAVORÁVEL

14.4 - Custo - Padrão como controle de custos Em função do objetivo principal do sistema de Custeio Padrão (controle), a apuração e análise das variações constituem-se em etapas de extrema importância do processo. Somente conhecendo-se as variações é que se poderá identificar as suas origens e tomar as providências para correção de desvios, enfim, decidir com base em dados mais consistentes.

O custo-padrão é um instrumento muito poderoso para que a empresa tenha controle sobre os seus custos de produção (fabricação), comparando os que deveriam ser (Custo- Padrão) com os que efetivamente ocorreram (Custo Real). Desta comparação, a empresa industrial, ao analisar as razões das diferenças favoráveis ou desfavoráveis entre os dois tipos de custos, pode descobrir:

se está utilizando um volume maior de materiais do que deveria;

se pagou preço adequado por estes materiais;

se está havendo um volume grande de estragos e perdas além do que se poderia esperar;

se a produtividade da mão-de-obra está aumentando ou diminuindo, etc.

Além disso, o que é talvez o mais importante, ao detectar as ineficiências, a empresa terá diante de si um quadro adequado para determinar de que forma poderá cortar custos e aumentar a sua lucratividade.

As variações favoráveis devem ser analisadas com o mesmo rigor que as desfavoráveis, dado que, por exemplo:

. Uma redução do preço de matéria-prima pode ser decorrente da compra de materiais de qualidade inferior, que pode comprometer a qualidade do produto ou gerar maior consumo. . A aplicação de menor tempo de mão-de-obra pode significar que o padrão está subestimado, resultando em eficiência aquém da capacidade instalada em função da meta estabelecida.

14.5 - Contabilização do Custo-Padrão Pelo exposto no item precedente, ficou claro que a maior utilidade do Custo-Padrão é servir como parâmetro para o CONTROLE dos Custos Reais (efetivos) e como instrumento para a empresa detectar suas ineficiências. Para atingir este objetivo, não há necessidade de o Custo-Padrão servir de base para os lançamentos contábeis da empresa. A comparação entre o Custo Real e o Custo-Padrão pode ser feita de forma extra contábil, através de relatórios especiais.

Entretanto, há empresas que prefere controlar as variações entre o Custo Real e o

Custo-Padrão na própria contabilidade. Assim, caso a empresa efetue sua escrituração com base em custo padrão, deverá, necessariamente, apurar as variações e efetuar os ajustes nos estoques de produtos em processo e acabados e no custo dos produtos vendidos, ajustando-os ao Custo Real, conforme dispõe o subitem 3.5 do Parecer Normativo da CST/SRF nº 06/79 (Receita Federal do Brasil), reproduzido a seguir:

“3.5. No caso em que a empresa apure custos com base em padrões préestabelecidos (custo-padrão), como instrumento de controle de gestão, deverá cuidar no sentido de que o padrão incorpore todos os elementos constitutivos atrás referidos, e que a avaliação final dos estoques (imputações dos padrões mais ou menos as variações de custos) não discrepe da que seria obtida com o emprego do custo real. Particularmente, a distribuição das variações entre os produtos (em processo e acabados) em estoque e o custo dos produtos vendidos deve ser feito a intervalos não superiores há três meses ou em intervalo de maior duração, desde que não expedido qualquer um dos prazos seguintes: (1) o exercício social; (2) o ciclo usual de produção, entendido como tal o tempo normalmente despendido no processo industrial do produto avaliado. Essas variações, aliás, haverão que ser identificadas a nível de item final de estoque, para permitir verificação do critério de neutralidade do sistema adotado de custos sobre a valoração dos inventários.”

15. DEPARTAMENTALIZAÇÃO E RATEIO DE CUSTOS INDIRETOS 15.1 - Conceito de Departamentalização. A Departamentalização consiste em dividir a fábrica em segmentos, chamados Departamentos, aos quais são debitados todos os custos indiretos de produção neles incorridos, adotando-se o método de Custeio por Absorção.

Departamento é considerado a menor unidade administrativa da fábrica (tem um chefe, um supervisor ou um responsável), representada por homens e máquinas geralmente desenvolvendo atividades homogêneas. O Custo Departamental é um sistema de atribuição dos Custos Indiretos de Fabricação aos produtos por departamentos, onde a margem de erro na atribuição (rateio) desses custos aos produtos fabricados se torna bem menor.

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