Sistematização da assistencia de Enfermagem ao paciente com labirintite

Sistematização da assistencia de Enfermagem ao paciente com labirintite

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ – UFPI

CAMPUS SENADOR HELVÍDIO NUNES DE BARROS - CSHNB

BACHARELADO EM ENFERMAGEM – 5° PERÍODO

DISCIPLINA: FUNDAMENTOS II

PROFESSORA: LAURA FORMIGA

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM

ENFERMAGEM AO PACIENTE COM

LABIRINTITE

PICOS – PIAUÍ

2010

Trabalho elaborado à disciplina Fundamentos II, como pré-requisito parcial de avaliação no curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Piauí – UFPI, CSHNB, Picos, Piauí

FRANCISCO BEZERRA DE MOURA FILHO

TALITHA ALVES DE ALENCAR

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM ENFERMAGEM AO PACIENTE COM LABIRINTITE

Trabalho elaborado à disciplina Fundamentos II como pré-requisito parcial de avaliação no Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Piauí – UFPI, CSHNB, PICOS, PIAUÍ

PICOS – PIAUÍ

2010

1. INTRODUÇÃO

  • LABIRINTITE

É um termo popular que, geralmente, se refere aos distúrbios relacionados ao nosso equilíbrio e audição. Sendo assim, popularmente e em sentido amplo, labirintite pode significar tontura, vertigem, zumbido, desequilíbrio e várias outras formas de mal estar. Na verdade, o termo correto a ser usado é "labirintopatia" que significa doença do labirinto.

Nosso ouvido possui dois componentes distintos: a cóclea (ou caracol), que é responsável pela nossa audição e o vestíbulo, que é responsável pelo nosso equilíbrio. Juntos, cóclea e vestíbulo formam o labirinto. O comprometimento desses componentes, individual ou separadamente, vai provocar sintomas como tonturas, desequilíbrio, surdez ou zumbido.

  • Causas da Labirintite

São várias as causas das doenças labirínticas. Às vezes tonturas e vertigens podem significar o primeiro sinal de uma doença importante.

Nosso ouvido é um consumidor voraz de energia e depende de suprimento constante de açúcar e oxigênio. Qualquer fator que impeça a chegada ou o consumo adequado desses elementos é gerador de tontura. O exemplo mais clássico disso é a tontura que acontece após ficarmos muito tempo em jejum.

Entre os vários fatores que podem desencadear os sintomas da labirintite podemos citar:

· Nas alterações bruscas da pressão atmosférica, como no mergulho, nos aviões, nas subidas das serras ou montanhas;

· Nas alterações do metabolismo orgânico, como, por exemplo, na hipoglicemia, uremia;

· Na aterosclerose, por falta de irrigação sangüínea;

· Em doenças pré-existentes como diabetes, hipertensão, reumatismos, etc; · Nas doenças próprias do ouvido, como as otites;

· Devido a hábitos, como o excesso de cafeína, tabagismo, álcool ou drogas;

· Nas infecções por vírus ou bactérias devido ao estado toxêmico;

· Nos problemas de coluna cervical, por oclusão da artéria vértebro-basilar e nos problemas de articulação da mandíbula;

· No estresse, ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos;

· Devido aos traumatismos na cabeça;

·  Por utilização de drogas que chamamos ototóxicas, como alguns antibióticos e antiinflamatórios que alteram as funções do ouvido;

· Devidos aos traumas sonoros por excesso continuado de ruídos.

Muitos pacientes com distúrbios labirínticos não apresentam nenhuma causa aparente. Neste caso procede-se uma boa avaliação otorrinolaringológica, a qual poderá revelar distúrbios na orelha externa, no tímpano, nariz e/ou garganta. Obstrução do ouvido por cera também pode ser uma causa comum de tontura, assim como a rinite alérgica, faringite ou sinusite.

  • Tratamento das labirintopatias

O tratamento pode ser dividido em três fases:

1. Tratamento dos sintomas

A primeira parte do tratamento consiste em aliviar o sintoma: a tontura. Para isso, são utilizados medicamentos sedativos bem como repouso quando necessário. O tempo de tratamento vai depender da causa da doença e da sensibilidade individual do paciente.

2.   Tratamento da causa

O tratamento da causa é aquele que investiga e trata o problema que gerou a doença do labirinto. O tratamento sintomático produz alívio dos sintomas, mas eles podem voltar se sua etiologia não for tratada.

3.   Reabilitação do labirinto

A reabilitação é o tratamento fisioterápico da tontura, que pode ser utilizado com ou sem uso de medicamentos.

Quando a etiologia da tontura é de difícil controle, como no caso da aterosclerose no idoso, a reabilitação é o tratamento de escolha, apresentando bons resultados em 80% dos casos.

2. HISTÓRICO DE ENFERMAGEM

V.S.F., sexo masculino, 49 anos, pardo, católico, casado, pedreiro, com ensino fundamental incompleto, natural de Picos – PI; foi admitido no HRJL em caráter de atendimento de urgência, sendo o diagnóstico médico de labirintite. Repousa na enfermaria B2, leito 2, em venóclise no MSD.

Residente em área urbana, casa de tijolos, com presença de saneamento básico. Apresenta-se asseado, com o hábito de tomar banho no período vespertino; concilia sono e repouso; não praticante de exercícios físicos; ex-fumante; não faz uso de álcool; não possui lazer nem recreação; relata alimentar-se bem de frutas e verduras e costuma fazer quatro refeições diárias; não alérgico; eliminações intestinais e urinárias presentes e normais.

Ao exame físico apresenta-se consciente, orientado, deambulando com auxílio; pele/tecidos sem alterações; crânio sem anormalidades; visão e audição normais; relata vertigem; nariz, boca e pescoço sem anormalidades; presença de náuseas devido à tontura; tórax sem alteração anatômica; ausculta pulmonar normal e a oxigenação é o ar ambiente; coração com ritmo normal; precórdio sem alteração; abdome normal; membros superiores e inferiores com sensibilidade e força motora preservada em todas as extremidades; não utiliza nenhum medicamento em casa.

Aos fatores psicossociais, o paciente possui uma interação social normal; toma decisões rapidamente na resolução de seus problemas; possui crença religiosa; utiliza exclusivamente hospitais conveniados do SUS; precisa de ajuda em poucas atividades em relação ao seu autocuidado e está otimista com o tratamento.

Aos sinais vitais encontra-se normotenso, normocárdico, taquipnéico, hipertérmico. SSVV: P.A. 110x90mmHg, P. 95bpm, R. 32rpm, T. 38,3°C.

3. DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM

  • Deambulação prejudicada relacionada ao equilíbrio prejudicado evidenciado por capacidade prejudicada de percorrer as distâncias necessárias;

  • Risco de lesão relacionado à mobilidade alterada devido ao distúrbio da marcha e às vertigens;

  • Risco de trauma relacionado à alteração do equilíbrio;

  • Náusea relacionado a labirintite evidenciado por relato de náusea.

4. PLANEJAMENTO

  • Propiciar o alívio das vertigens;

  • Monitorar a intensidade das vertigens;

  • Manter o paciente sempre informado;

  • Aliviar/ reduzir as náuseas e vômitos associados às vertigens;

  • Promover o conforto do paciente durante os episódios de náuseas e ao leito;

  • Auxiliá-lo na deambulação no leito;

  • Prevenir deformidades físicas;

  • Avaliar o nível de estresse do paciente;

  • Incluir familiares e entes queridos no processo de reabilitação.

5. IMPLEMENTAÇÃO

  • Recomendar que o paciente mantenha os olhos abertos e olhe fixamente bem em frente quando deitado e tendo vertigens;

  • Encorajar o paciente a se sentar quando tonto;

  • Colocar um travesseiro de cada lado da cabeça para restringir sua movimentação;

  • Administrar medicações antivertigem e/ou medicação para sedação vestibular ou orientar quanto à sua administração e a respeito das vertigens e seu tratamento;

  • Promover uma nutrição adequada, incentivando a ingestão de líquidos e suspendendo bebidas que contenham cafeína (estimulante vestibular);

  • Orientar o paciente quanto às formas adequadas de alimentar-se, ampliando seus conhecimentos quanto à sua nutrição;

  • Agendar os horários de alimentação e líquidos, afim de que não coincidam com o período de deambulação;

  • Proporcionar um ambiente agradável, se possível longe de ruídos, e com oportunidade para higiene oral após cada episódio de vômito;

  • Avaliar a extensão da incapacidade em relação às atividades da vida diária;

  • Posicionar o paciente adequadamente no leito e realizar exercícios adequados;

  • Incentivar a alternância entre repouso e atividade;

  • Encorajar aumento do nível de atividades, com ou sem o uso de dispositivos auxiliares;

  • Oportunizar, regularmente, caminhadas para o cliente, com companhia ou em local seguro;

  • Evitar que o paciente levante-se após as refeições, a fim de reduzir as náuseas relacionadas à tontura;

  • Evitar atividades que produzam estresse e orientar ao paciente quanto a técnicas para controlá-lo, pois podem exacerbar os sintomas.

6. EVOLUÇÃO

Espera-se que, com as intervenções de enfermagem, o cliente possa sentir-se mais confortável enquanto estiver restrito ao leito; apresentando melhoras consideráveis nos quadros de náuseas e vômitos; não seja vítima de quedas e/ou deformidades devido ao distúrbio do equilíbrio; possua um nível de atividade aumentado; adquira conhecimento e habilidade para lidar com as vertigens; compreenda os tratamentos; aprenda técnicas para controlar o estresse quando necessário; identifique comportamentos adaptativos anteriores como bem-sucedidos e que, em conjunto com as intervenções médicas, possa alcançar a cura para seus problemas.

7. CONCLUSÃO

Diante do que foi realizado, tornou-se notória a importância da enfermagem no auxílio ao cliente com labirintite, ressaltando a necessidade de se utilizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em todos os níveis do cuidado, favorecendo assim, uma maior qualidade na assistência e maior satisfação pessoal na prestação do cuidado de enfermagem e na obtenção dos resultados esperados.

O processo de enfermagem demonstra que não é somente a medicina que proporciona a cura, e que a enfermagem tem fundamental importância ao oferecer subsídios para a realização desse objetivo.

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