Monografa especialização acupuntura lato senso

Monografa especialização acupuntura lato senso

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Relatório científico apresentado ao Centro Integrado de Terapias Energéticas - CITE, como parte das exigências do curso de Pós- Graduação Lato Sensu em Acupuntura, para obtenção do Título de especialização, sob orientação do Profº José Heitor Alves Casado Filho.

“A verdadeira catástrofe pessoal consiste na corrupção da alma. Por isso é muitíssimo mais prejudicial a alguém cometer do que sofrer injustiça.

Devemos ter pena do perpetrador da injustiça, não da vítima”

Sócrates

Dedico este trabalho à minha querida mãe (in memoriam), pela mulher caridosa, benevolente e irradiante.

Agradecimento

A Deus, acima de todas as coisas,

Ao nosso irmão maior Jesus Cristo,

Ao meu amigo Eduardo Queiroz, por ter viabilizado o contato e a amizade com o Profº Heitor Casado,

Ao Dr. Heitor Casado, pelo incomensurável apoio à realização dos meus estudos na especialização em Acupuntura,

A Dra Tereza Lira, pela confiança em mim depositada desde cedo, quando encaminhava pacientes para tratamento,

Ao meu preceptor acupunturista e amigo Dr. Carlos, pelos incentivos e elogios,

A minha esposa e aos meus filhos, pela compreensão da minha ausência em decorrência dos estudos e estágios,

Aos amigos Colaboradores do CITE Adriana Buanafina, Kette Freire, Arlindo Lopes e Amauri Ferreira, pela cordialidade e dedicado apoio,

A paciente que tornou possível a realização deste estudo.

Resumo7
Summary9
1. Introdução1
1.1 Objetivo Geral1
1.2 Objetivos Específicos1
2. Fundamentação Teórica13
3. Metodologia21
4. Estudo de Caso2
4.1 Avaliação Energética23
4.1.1 Diagnóstico Energético23
4.1.1.1 Comentário Sobre o Diagnóstico Energético24
4.2 Tratamento25
4.2.1 Tratamento Inicial25
4.2.1.1 Justificativa do Tratamento Inicial25
4.2.2 Evolução e Tratamento Subseqüente26
5. Análise dos Resultados30
6. Considerações Finais3
7. Referência Bibliográfica35
8. Anexo I37

Sumário 6

Resumo

Contextualização: O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES), embora esteja classificada como doença reumatológica, consiste em uma enfermidade autoimune inflamatória crônica que pode afetar múltiplos sistemas do organismo, provocando várias manifestações clínicas polimórficas como febre, anorexia, mal-estar e perda de cabelo, emagrecimento, artrite, pleurite, pericardite, nefrite, anemia, leucopenia, trombocitopenia e doença do sistema nervoso central, com períodos de remissões e exacerbações agudas ou crônicas. Segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) as doenças reumatológicas são fruto da diminuição da “energia de defesa” chamada de Wei Qi e do ataque sucessivo de patógenos externos chamados de vento-frio, vento-calor e vento umidade que pouco a pouco vão se instalando nas articulações. Objetivos: Verificar a atuação da acupuntura em paciente com Lupus Eritematoso Sistêmico, avaliando os aspectos clínicos que envolvem os múltiplos sistemas do corpo à medicina ocidental e segundo a Medicina Tradicional Chinesa; executar o tratamento dirigido à prevenção de perda das funções dos órgãos, à probabilidade de doença aguda, à minimização das incapacidades relacionadas com doença e prevenir as complicações decorrentes da terapia. Metodologia: Trata-se de um estudo do tipo descritivo, realizado no Ambulatório de clínica do Centro Integrado de Terapias Energéticas – CITE, na cidade de Recife, Participou do estudo, uma paciente portadora de Lupus Eritematoso Sistêmico, como voluntária, encaminhada pelo seu médico assistente. Foi submetida a um tratamento envolvendo técnicas de acupuntura, com uma sessão semanal de quarenta minutos de duração cada uma, perfazendo um total de 10 sessões, sendo utilizadas agulhas de acupuntura esterilizadas e descartáveis. Resultado: Houve melhora completa da síndrome, atingindo os objetivos estabelecidos. Conclusão: A acupuntura mostrou-se um eficiente tratamento complementar para pacientes com Lupus Eritematoso Sistêmico em suas fases agudas e crônicas, evitando incapacidades decorrentes da doença e prevenindo as complicações da terapia medicamentosa.

Summary

Background: Systemic Lupus Erythematosus (SLE), although it is classified as a rheumatic disease, consists of an autoimmune chronic inflammatory disease that can affect multiple organ systems, causing several polymorphic clinical manifestations such as fever, anorexia, malaise and loss of hair, weight loss, arthritis, pleurisy, pericarditis, nephritis, anemia, leukopenia, thrombocytopenia and central nervous system disease, with periods of remission and exacerbation of acute or chronic. According to Traditional Chinese Medicine (TCM) rheumatic diseases are the result of reduced "defensive energy" called Wei Qi and successive attack of external pathogens called wind-chill, wind-heat and humidity that wind will gradually installing joints. Objectives: To investigate the role of acupuncture in patients with Systemic Lupus Erythematosus, evaluating the clinical aspects that involve multiple body systems to Western medicine and Traditional Chinese Medicine seconds, run the treatment directed to prevention of loss of organ functions, likelihood acute disease, minimizing disability-related illness and prevent complications of therapy. Methodology: This is a descriptive study, conducted at the Outpatient Clinic of the Centre for Integrated Energy Therapies - CITE in the city of Recife, participated in the study, one patient with SLE, as a volunteer, be referred by your doctor assistant. She underwent a treatment involving acupuncture techniques, with a weekly session of forty minutes each, for a total of 10 sessions, being used acupuncture needles sterile and disposable. Result: There was complete syndrome, reaching the goals established.

Conclusion: Acupuncture proved to be an effective adjunctive treatment in patients with Systemic Lupus Erythematosus in their acute and chronic phases, preventing disability due to disease and preventing complications of drug therapy.

1. Introdução

Certo dia, durante o estágio de especialização numa clínica-escola de acupuntura, deparei-me com uma jovem paciente portadora de lúpus eritematoso sistêmico que nos foi referenciada pelo seu médico assistente. Fiz anamnese, o diagnóstico energético conforme a medicina tradicional chinesa e iniciei o tratamento.

Contudo, por nunca ter acompanhado pacientes com esse quadro nosológico em laboratório de acupuntura, senti-me necessidade de embasarme na literatura científica. Encontrei um vasto arsenal (livros, artigos, etc.), mas apenas na medicina convencional/ocidental.

Assim, observando a escassez de material bibliográfico relacionado ao

Lúpus Eritematoso Sistêmico, segundo a medicina tradicional chinesa, e trabalhos com relatos de casos acompanhados pela Acupuntura, fui impulsionado a realizar este estudo. Ou seja, descrever um contexto de vida real no qual uma intervenção ocorreu – tratamento de uma paciente com Lupus Eritematoso Sistêmico pela Acupuntura.

1.1Objetivo Geral

Verificar a atuação da acupuntura em paciente com Lupus Eritematoso

Sistêmico. 1.2 Objetivos Específicos

•Avaliar os aspectos clínicos que envolvem os múltiplos sistemas do corpo da paciente, antes de iniciar o tratamento;

•Avaliar os aspectos clínicos segundo a Medicina Tradicional Chinesa, elucidando o diagnóstico energético. 1

•Executar o tratamento observando as seguintes metas: 1. Prevenção da perda progressiva das funções dos órgãos; 2. Redução da probabilidade de doença aguda; 3. Minimizar as incapacidades relacionadas com a doença e prevenir as complicações decorrentes da terapia.

•Analisar os resultados obtidos com a acupuntura no tratamento do Lupus Eritematoso Sistêmico.

•Observar e documentar a recuperação do paciente.

2. Fundamentação Teórica

O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) consiste em uma enfermidade autoimune inflamatória crônica que pode afetar múltiplos sistemas do organismo, a partir da deposição de complexos antígeno-anticorpo, em capilares de estruturas viscerais ou à destruição de células hospedeiras mediada por auto-anticorpos (p. ex.: trombocitopenia) provocando várias manifestações clínicas polimórficas como febre, anorexia, mal-estar e perda de cabelo, emagrecimento, artrite, pleurite, pericardite, nefrite, anemia, leucopenia, trombocitopenia e doença do sistema nervoso central, com períodos de remissões e exacerbações agudas ou crônicas. A maioria dos pacientes tem lesões de pele em alguma instância1, 2,3.

O LES teve seu marco histórico em 1851, quando o médico francês

Pierre Lazenave observou pessoas que apresentavam "feridinhas" na pele, como pequenas mordidas de lobo. E em 1895, o médico canadense Sir William Osler caracterizou melhor o envolvimento das várias partes do corpo e adicionou a palavra "sistêmico" à descrição da doença. Lupus=lobo eritematoso=vermelhidão sistêmico=todo6.

Epidemiologicamente, o Lupus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença rara de apresentação variável, podendo ocorrer em qualquer idade, principalmente entre as idades de 16 e 5 anos, mais incidente em mulheres jovens na fase reprodutiva. Em crianças, a relação mulher : homem é de 3:1; em adultos, ela varia de 10:1 a 15:1; em indivíduos mais velhos, a relação é de 8:1. Tem praticamente a mesma prevalência em todo o mundo, estimada entre 40 e 50 casos por uma população de 100.0 pessoas. Parece ser comum na

China, no Sudeste Asiático e entre negros no Caribe, sendo infreqüente em negros na África. Nos Estados Unidos a incidência maior é entre os asiáticos no Havaí, negros e certos americanos nativos (Sioux, Crow, Arapahoe), sendo de 1:250 o risco de uma mulher negra americana desenvolver a doença3.

O único estudo de incidência de LES realizado no Brasil foi à cidade de

Natal, Rio Grande do Norte, indicava uma estimativa de 8,7 casos novos por 100.0 habitantes, no ano de 20. Essa alta incidência pode ser devida às diferenças genéticas ou ambientais, como a maior exposição solar4.

Os fatores genéticos destacam-se importantes devido à maior prevalência da doença entre familiares com LES, bem como a maior concordância da doença entre gêmeos monozigóticos, em relação aos dizigóticos e o encontro de associação da doença com certos antígenos de histocompatibilidade, tais como DR2, DR3, DQA1 e DQB14.

A maior relação da taxa de hormônios femininos (estrógenos) e masculinos (testosterona) participante da patogênese da doença é sugerida devido à alta prevalência no sexo feminino na idade reprodutiva, com declínio após a menopausa e a freqüente exacerbação durante a gravidez. Experiências com camundongos revelaram que o estrógeno tem um efeito acelerador da doença. Fêmeas que tiveram seus ovários retirados antes da puberdade, e que receberam altas doses de hormônio masculino, tiveram a doença menos intensa. E aqueles que receberam altas doses de estrógeno, tiveram a doença exacerbada. Os estrógenos provavelmente aumentam a produção de anticorpo anti-DNA, dentre outras consequências6.

Quanto a influência ambiental, reconhece-se que raios ultravioletas, alguns medicamentos e agentes infecciosos, especialmente vírus Epstein-Barr, são fatores considerados desencadeantes da doença. A soma de alguns desses fatores poderá levar a perda da tolerância imunológica, com ativação policlonal de linfócito B e produção de auto-anticorpos antinucleares. Há uma subpopulação de linfócitos T CD4+ (CD4+CD25+), com características supressoras, cuja função pode ser inibida na presença de determinadas moléculas Toll-like receptors (TLR), especialmente TLR-7/8, com capacidade de se ligar aos peptídeos como o DNA e o RNA4.

Normalmente, numa ocorrência aguda de reação auto-imune contra os próprios tecidos do organismo, o número de células T supressoras sensibilizadas ao auto-antígeno agressor aumenta consideravelmente, contrabalanceando os efeitos dos anticorpos autoimunes, bem como das células auxiliares e doas células T citotóxicas sensibilizadas, bloqueando o ataque imune ao tecido, fazendo com que os sintomas dessa reação desapareçam depois de alguns dias ou várias semanas, embora os anticorpos autoimunes ainda persistam no plasma circulante. Contudo, com o avanço da idade as pessoas quase sempre perdem parte de sua tolerância imune a seus próprios tecidos. Em geral, essa perda é observada após destruição de alguns tecidos corporais, que liberam quantidades consideráveis de antígenos que circulam no organismo e, presumivelmente, causam imunidade adquirida na forma de células T ativadas ou de anticorpos. Alguns desses antígenos parecem combinar com outras proteínas (proteínas de bactérias e vírus) para formar novo tipo de antígeno capaz de provocar imunidade. Assim, as células T ativadas e os anticorpos atacam os próprios tecidos do corpo5.

Os mecanismos patogenéticos envolvidos na lesão tecidual do LES são devidos, principalmente, à formação de imunocomplexos e ativação do sistema de complemento, ou, a formação de anticorpos contra antígenos específicos de membranas de determinadas células (mecanismo da anemia hemolítica, plaquetopenia etc.). Outro mecanismo que também pode contribuir para a patogênese do LES é a trombose vascular secundária à presença de anticorpos antifosfolípides4. No caso do Lúpus eritematoso, o indivíduo se torna simultaneamente imunizado contra diversos tecidos corporais, ocasionando lesões extensas e, com freqüência, podendo levar a morte rápida5.

O diagnóstico correto é feito a partir do histórico do paciente associado ao exame clínico e exames laboratoriais. O "American College of Rheumatology", uma associação americana que reúne profissionais reumatologistas, estabeleceu em 1971 e revisou em 1982, 1 critérios que definem o quadro de Lupus. Estes critérios foram modificados em 1997. Uma pessoa pode ter LES se 4 critérios estiverem presentes6: Critérios de pele: 1 - mancha "asa borboleta" (vermelhidão característica no nariz e face) (FIG 1). 2 - lesões na pele (usualmente em áreas expostas ao sol) 3 - sensibilidade ao sol e luz (lesões após a exposição de raios ultravioletas (FIG 2) 4 - úlceras orais (recorrentes na boca e nariz) Critérios sistêmicos: 5 - artrite (inflamação de duas ou mais juntas periféricas, com dor, inchaço ou fluído) 6 - serosite (inflamação do revestimento do pulmão - pleura, e coração - pericárdio) 7 - alterações renais (presença de proteínas e sedimentos na urina) 8 - alterações neurológicas (anormalidades sem explicações - psicose ou depressão) Critérios laboratoriais: 9 - anormalidades hematológicas (baixa contagem de células brancas - leucopenia, ou plaquetas - trombocitopenia, ou anemia causada por anticorpos contra células vermelhas - anemia hemolítica) 10 - anormalidades imunológicas - (células LE, ou anticorpos anti-DNA, ou anticorpos SM positivos, ou teste falso-positivo para sífilis) 1 - fator antinúcleo positivo (FAN).

Fonte: Cecil (2005, 1941)Fonte: Cecil (2005, 1941)

FIGURA 1 Mancha “asa borboleta” FIGURA 2 – Lesões na pele

O tratamento do LES inclui o controle da doença aguda e Crônica. A doença aguda visa o controle do aumento da atividade da doença ou exacerbações que podem afetar qualquer órgão do sistema. A fase crônica envolve a monitorização periódica e o reconhecimento das alterações clínicas que requerem ajustamento7.

Uma série de medidas é recomendada para que se viva bem6: a)Os pacientes com fotossensibilidade ou manchas, devem evitar a exposição ao sol, fazendo sempre o uso de filtros solares. b)Sabe-se que, quando os pacientes usam corticosteróides, a retenção de água no organismo acontece provocando inchaços, devendo-se então diminuir o sal na dieta normal. Quando o peso está acima do normal, deve-se reduzir calorias. Há estudos sobre a eficácia de óleo de peixe na redução de inflamação. Além disso, cientistas suspeitam que o aminoácido l-canavanina presente na alfafa, provoca sintomas de Lupus, o que foi comprovado em pesquisas com macacos. Deve-se então evitála. c)Sulfas, anticoncepcionais orais e penicilinas podem disparar a doença e devem ser evitados. O álcool e o fumo são prejudiciais a qualquer 17 pessoa, mas no caso de LES deve-se principalmente evitar a interação do álcool com sedativos e antialérgicos, e do fumo no caso de acometimento pulmonar. d) As articulações têm estruturas que devem ser bem cuidadas. Quando inflamadas precisam de períodos de repouso intercalados com os de atividade, evitando-se lesões. Também se deve dar atenção à postura e posições de trabalho e lazer. Por isso, exercícios regulares podem ajudar a prevenir fraqueza muscular e fadiga. e)Corticosteróides – são hormônios sintéticos, cópia do hormônio cortisona produzido pela glândula supra-renal extremamente potente contra a inflamação. Mas, em altas dosagens, apresentam efeitos colaterais como ganho de peso, "inchaço", espinhas, pressão alta, catarata, devendo então ser usados com precaução e unicamente através de indicação médica. Os mais comuns são: prednisona, prednisolona, hidrocortisona, entre outros. f)Antiinflamatórios não-esteróides - alguns sintomas como fadiga, febre e artrite podem ser tratados eficientemente com não-esteróides. Não apresentam os efeitos colaterais dos esteróides, mas registra-se a intolerância do estômago. O mais antigo é a aspirina. g)Antimaláricos - são muito úteis para o controle da artrite e problemas de pele, usados também contra a malária. O maior problema com o seu uso se refere à visão, devendo-se estar atento à acuidade visual, o que sugere exames de controle junto ao oftalmologista. Os antimaláricos usados são cloroquina e hidroxicloroquina. h)Imunossupressores - são usados para diminuir a ação do sistema imune, existindo controvérsias sobre o seu uso em função de grandes efeitos colaterais. É preciso avaliar muito seriamente os benefícios e riscos associados a este tratamento. Segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) as doenças reumatológicas são fruto da diminuição da “energia de defesa” chamada de Wei Qi e do ataque sucessivo de patógenos externos chamados de ventofrio, vento-calor e vento umidade que pouco a pouco vão se instalando nas articulações. Com o passar do tempo, existe um alojamento permanente desse “vento” e as crises podem ser desencadeadas sem fatores externos predisponentes. A circulação da energia (Qi) fica bloqueada principalmente a nível articular gerando dores e rigidez. Por outro lado, existe uma alteração de imunidade cada vez mais pronunciada levando, em última análise, a uma desvitalização7.

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