Condutas de enfermagem para cliente com cirrose hepática

Condutas de enfermagem para cliente com cirrose hepática

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André Luís da Silva Campos1

Closeny Maria Soares Modesto2 Tallita Santos Pereira de Assis1

Alexandre Costa Batista4

Dayana Adams5 DEFINIÇÃO

Segundo Brunner & Suddarth (2002), cirrose hepática é uma doença caracterizada pela substituição do tecido hepático normal pela fibrose difusa a qual rompe com a estrutura e a função do fígado.

Ainda, segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, a cirrose é “uma doença crônica e degenerativa do fígado que envolve a formação de tecido fibroso (cicatricial) e formação de nódulos os quais, em ultima análise, determinam a destruição da arquitetura normal do órgão com conseqüente comprometimento de sua função”.

1) CIRROSE PORTAL DE LANNEC (alcoólica, nutricional), na qual o tecido cicatrizado envolve caracteristicamente as áreas portais. É o tipo mais comum de cirrose. É uma doença caraterizada por episódios de necrose envolvendo as células hepáticas, às vezes ocorrendo repetidamente durante o curso da doença. Os hepatócitos destruídos são gradualmente substituídos por tecido cicatricial; eventualmente a quantidade de tecido cicatricial excede a de tecido hepático funcional. A doença em geral tem início insidioso e um curso lento, ocasionalmente durante um período de trinta anos ou mais.

2) CIRROSE PÓS-NECRÓTICA, na qual existem bandas largas de tecido cicatrizado, como resultado final de uma hepatite viral aguda prévia.

3) CIRROSE BILIAR, na qual ocorre cicatriz no fígado ao redor dos ductos biliares. Esse tipo é o resultado de obstrução biliar crônica e infecção (colangite).

1 Acadêmico do Curso de Graduação em Enfermagem da Unidade Curricular VIII da Universidade Federal de Mato Grosso Semestre letivo 2002/2

2 Docente Auxiliar de Ensino I especialista do Departamento de Enfermagem Médico Cirúrgica da FEN/UFMT

1 Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Unidade Curricular VIII da Universidade Federal de Mato Grosso responsável pela revisão compartilhada da conduta no Semestre letivo 2007/2- Turma Especial de Rondonópolis. 4 Acadêmico do Curso de Graduação em Enfermagem da Unidade Curricular VIII da Universidade federal de Mato Grosso, semestre letivo 2007/2. 5 Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Unidade Curricular VIII da Universidade Federal de Mato Grosso, semestre letivo 2008/1.

A parte do fígado mais envolvida na cirrose consiste nos espaços periportais e portais, onde os canalículos biliares de cada lóbulo se comunicam para formar os ductos biliares do fígado. Essas áreas tornam-se o local da inflamação e os ductos biliares ocluídos por bile espessada e pús. É feita uma tentativa pelo fígado de formar novos canais biliares; há portanto um grande crescimento de tecido feito principalmente de ductos biliares recém formados, desconectados e rodeados por tecido cicatricial.

Os sinais e sintomas da cirrose aumentam em gravidade à medida que a doença evolui. Segundo Brunner & Suddarth (2005), pode ser categorizada em duas apresentações principais:

1. Compensada:

Febre baixa e intermitente. Aranhas vasculares. Eritema palmar (palmas avermelhadas). Epistaxe inexplicada. Edema de tornozelo. Indigestão matutina vaga. Dispepsia flatulenta. Dor abdominal. Fígado firme e aumentado. Esplenomegalia.

2. Descompensada:

Ascite. Icterícia. Fraqueza. Desgaste Muscular. Perda de Peso. Febre baixa contínua. Baqueteamento dos dedos. Equimoses espontâneas. Epistaxe. Hipotensão. Pêlos corporais escassos. Unhas esbranquiçadas. Atrofia de gônadas.

FISIOPATOLOGIA, segundo Silva et al, 2004 A partir da instalação do processo de cirrose, ocorrem alterações na hemodinâmica hepática, caracterizadas por compressão venosa com aumento da resistência ao fluxo. Tais alterações são responsáveis pela hipertensão porta. Esta acaba por gerar vasodilatação venosa e formação de conexões portossistêmicos, intra e extra-hepáticas, com irrigação inadequada dos nódulos regenerativos. Esta vasodilatação ocorre principalmente no leito vascular esplâncnico, com aumento do diâmetro da veia porta. O desenvolvimento de circulação colateral, em associação com a hipertensão porta, pode envolver tanto a abertura de vasos sangüíneos préformados quanto a neoformação vascular ou angiogênese.

A presença de vasodilatação, shunts, ou ambos, pode levar ao desenvolvimento de circulação hiperdinâmica, que consiste em alterações hemodinâmicas caracterizadas por aumento do débito e da freqüência cardíaca, que se associam à diminuição da resistência vascular sistêmica e queda da pressão arterial. A patogenia da circulação hiperdinâmica ainda é pouco compreendida, porém existem evidências que ela esteja associada a mecanismos locais e neuro-humorais envolvidos na regulação da hemodinâmica e da excreção de sódio. Tal processo ocorre em graus variáveis, de acordo com o estádio da doença hepática.

Complicação Potencial: Sangramento e hemorragia Complicação potencial: Encefalopatia hepática Complicação Potencial: Excesso de volume de líquidos. Complicação Potencial: Varizes de esôfago

Antes da alta o cliente e família irá:

Relatar a importância da exclusão do álcool da dieta. Descrever a necessidade da restrição de sódio na alimentação. Reconhecer a importância da adesão ao plano terapêutico, incluindo o repouso, alteração no estilo de vida e ingesta nutricional adequada. Compreender que a recuperação não é rápida e nem é fácil, havendo possibilidades de recidivas e aparente falta de melhora. Referir os sinais e sintomas de encefalopatia iminente, possíveis tendências de sangramento e suscetibilidade a infecções.

Hematoma na Cirrose Hepática

Icterícia na Cirrose Hepática

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM: Intolerância à atividade relacionada com a fadiga, letargia e indisposição.

RESULTADOS ESPERADOS: Paciente relata diminuição na fadiga e reporta capacidade aumentada para participar das atividades.

1. Avaliar o nível de tolerância à atividade e grau de fadiga, letargia e indisposição quando realiza suas atividades de vida diária.

2. Administrar vitaminas suplementares (A,

C, K e as do complexo B), conforme prescrição médica.

3. Ajudar nas atividades e higiene quando fatigado.

4. Encorajar o repouso quando fatigado ou quando ocorre a dor ou desconforto abdominal.

5. Ajudar na seleção e compasso das atividades desejadas e exercícios.

1. Fornece a linha de base para a avaliação posterior e critérios para a avaliação da eficácia das prescrições.

2. Fornecer nutrientes adicionais permite prevenir ou melhorar a deficiência de vitaminas, devido às funções hepáticas estarem prejudicadas na formação, uso e armazenamento de dessas vitaminas (SMELTZER E BARE, 2005).

3. Promove o exercício e a higiene dentro do nível de tolerância do paciente.

4. Conserva energia e protege o fígado.

5. Estimula o interesse do paciente nas atividades selecionadas.

Anotações de Controles: - Registrar queixas de fadiga, quando em atividades que exigem maiores esforços.

- Anotar as atividades diárias que necessitou de ajuda.

Anotações de Evolução:

- Planeja as atividades e exercícios para permitir períodos alternados de repouso e atividade. - Reporta a força e bem-estar aumentado.

- Participa do cuidado de higiene.

Sumário de Alta - Exibe interesse pelas atividades e eventos.

- Participa das atividades e aumenta gradualmente o exercício dentro dos limites físicos. - reporta força e bem-estar aumentados.

- Reporta ausência de dor abdominal e desconforto.

- Planeja as atividades para permitir amplos períodos de repouso. - Toma as vitaminas conforme prescrição.

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM: Nutrição alterada: menor que as necessidades corporais, relacionada com o metabolismo prejudicado de proteínas, gorduras, glicose e reserva de vitaminas.

RESULTADOS ESPERADOS: Balanço nitrogenado positivo, sem perda adicional de massa muscular; satisfaz aos requisitos nutricionais.

1. Avaliar a ingestão diária e o estado nutricional por meio da história e diário da dieta, medições diário do peso e dados laboratoriais.

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