[Desenho Técnico] Aula 11 - Escalas e Cotagem

[Desenho Técnico] Aula 11 - Escalas e Cotagem

Prof. BrennoFerreira de Souza –Engenheiro Metalúrgico

Introdução

Não se pode esquecer que, na área técnica, o meio utilizado para expor o resultado de um projeto resultante de estudos e cálculos é o desenho técnico e, assim sendo, os profissionais técnicos, de qualquer modalidade, no mínimo precisam estar preparados para elaborar esboços cotados.

Esboço cotado é um desenho técnico feito a mão-livre, no qual, além da representação da forma, estão contidas todas as dimensões do objeto.

Desta forma, os assuntos referentes ao dimensionamento dos objetos representados serão apresentados, neste capítulo, visando não só a interpretação de desenhos mas também a sua elaboração.

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Escalas

Como o desenho técnico é utilizado para representação de máquinas, equipamentos, prédios e até unidades inteiras de processamento industrial, é fácil concluir que nem sempre será possível representar os objetos em suas verdadeiras grandezas.

Assim, para viabilizar a execução dos desenhos, os objetos grandes precisam ser representados com suas dimensões reduzidas, enquanto os objetos, ou detalhes, muito pequenos necessitarão de uma representação ampliada.

Para evitar distorções e manter a proporcionalidade entre o desenho e o tamanho real do objeto representado, foi normalizado que as reduções ou ampliações devem ser feitas respeitando uma razão constante entre as dimensões do desenho e as dimensões reais do objeto representado.

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Escalas

A razão existente entre as dimensões do desenho e as dimensões reais do objeto é chamada de escala do desenho.

É importante ressaltar que, sendo o desenho técnico uma linguagem gráfica, a ordem da razão nunca pode ser invertida, e a escala do desenho sempre será definida pela relação existente entre as dimensões lineares de um desenho com as respectivas dimensões reais do objeto desenhado.

Para facilitar a interpretação da relação existente entre o tamanho do desenho e o tamanho real do objeto, pelo menos um dos lados da razão sempre terá valor unitário, que resulta nas seguintes possibilidades:

• 1 : 1 para desenhos em tamanho natural – Escala Natural • 1 : n > 1 para desenhos reduzidos – Escala de Redução

• n > 1 : 1 para desenhos ampliados – Escala de Ampliação

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Escalas

A norma NBR 8196 da ABNT recomenda, para o Desenho Técnico, a utilização das seguintes escalas:

A indicação é feita na legenda dos desenhos utilizando a palavra ESCALA, seguida dos valores da razão correspondente.

Quando, em uma mesma folha, houver desenhos com escalas diferentes daquela indicada na legenda, existirá abaixo dos respectivos desenhos a identificação das escalas utilizadas.

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Cotagem

O desenho técnico, além de representar, dentro de uma escala, a forma tridimensional, deve conter informações sobre as dimensões do objeto representado.

As dimensões irão definir as características geométricas do objeto, dando valores de tamanho e posição aos diâmetros, aos comprimentos, aos ângulos e a todos os outros detalhes que compõem sua forma espacial.

A forma mais utilizada em desenho técnico é definir as dimensões por meio de cotas que são constituídas de linhas de chamada, linha de cota, setas e do valor numérico em uma determinada unidade de medida conforme a figura do slide a seguir.

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Cotagem 7

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Cotagem

As cotas devem ser distribuídas pelas vistas e dar todas as dimensões necessárias para viabilizar a construção do objeto desenhado, com o cuidado de não colocar cotas desnecessárias.

As cotas devem ser colocadas uma única vez em qualquer uma das vistas que compõem o desenho, localizadas no local que representa mais claramente o elemento que está sendo cotado.

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Cotagem

O dimensionamento do rasgo existente na parte superior da peça ode ser feito somente na vista lateral esquerda ou com cotas colocadas na vistas de frente e na vista superior.

Observe que as cotas da vista lateral esquerda definem as dimensões com muito mais clareza.

Para facilitar a leitura do desenho, as medidas devem ser colocadas com a maior clareza possível evitando-se, principalmente, a colocação de cotas referenciadas às linhas tracejadas.

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Cotagem

Pode-se observar na figura ao lado que as cotas colocadas na vista de frente representam as respectivas dimensões com muito mais clareza do que as cotas colocadas nas vistas superior e lateral esquerda.

Não devem existir cotas além das necessárias para definir as medidas do objeto.

O dimensionamento ou localização dos elementos deve ser cotado somente uma vez, evitando-se cotas repetidas.

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Cotagem

Todas as cotas de um desenho ou de um conjunto de desenhos de uma mesma máquina ou de um mesmo equipamento devem ter os valores expressos em uma mesma unidade de medida, sem indicação do símbolo da unidade de medida utilizada.

Normalmente, a unidade de medida mais utilizada no desenho técnico é o milímetro.

Quando houver necessidade de utilizar outras unidades, além daquela predominante, o símbolo da unidade deve ser indicado ao lado do valor da cota.

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Cotagem

A figura mostra a utilização de unidades diferentes. Enquanto a maioria das cotas está em milímetro e sem indicação da unidade utilizada, o comprimento da peça, na vista de frente, está cotado em centímetro, bem como a largura, na vista lateral, e o diâmetro do furo, na vista superior, estão em polegadas.

Pode-se observar também a utilização de cota com tolerância de erro admissível para uma determinada dimensão.

A cota de 20±0,1 significa que, no processo de fabricação, a dimensão da peça poderá variar de 19,9 a até 20,1.

Na prática, a escolha das cotas ou a colocação de tolerâncias para limitar os erros dependerá dos processos utilizados na fabricação do objeto e também da sua utilização futura.

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Cotagem

As figuras abaixo mostram que as dimensões do recorte que aparece na vista de frente pode ser cotado valorizando o espaço retirado (a) ou cotado dando maior importância às dimensões das partes que sobram após o corte (b).

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Regras para a Cotagem

A próxima figura mostra que tanto as linhas auxiliares (linhas de chamada), como as linhas de cota, são linhas contínuas e finas.

As linhas de chamadas devem ultrapassar levemente as linhas de cota e também deve haver um pequeno espaço entre a linha do elemento dimensionado e a linha de chamada.

As linhas de chamada devem ser, preferencialmente, perpendiculares a ponto cotado.

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Cotagem

A cotagem funcional e a definição de tolerâncias são matérias específicas da tecnologia de construção de máquinas e de equipamentos, que fogem dos objetivos deste curso.

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Regras para a Cotagem

As linhas de centro ou as linhas de contorno podem ser usadas como linhas de chamada, conforme mostra a figura.

No entanto, é preciso destacar que as linhas de centro ou as linhas de contorno não devem ser usadas como linhas de cota.

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Regras para a Cotagem

O limite da linha de cota pode ser indicado por setas, que podem ser preenchidas ou não, ou por traços inclinados, conforme mostra a figura ao lado.

A maioria dos tipos de desenho técnico utiliza as setas preenchidas.

Os traços inclinados são mais utilizados nos desenhos arquitetônicos.

Em um mesmo desenho a indicação dos limites da cota deve ser de um único tipo e também deve ser de um único tamanho.

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Regras para a Cotagem

Só é permitido utilizar outro tipo de indicação de limites da cota em espaços muito pequenos, conforme mostra a figura.

Havendo espaço disponível, as setas que limitam a linha de cota ficam por dentro da linha de chamada com direções divergentes, conforme são apresentadas nas cotas de 15, 20 e 58.

Quando não houver espaço suficiente, as setas serão colocadas por fora da linha de cota com direções convergentes, exemplificadas pelas cotas de 7, 8 e 12.

Observe que a cota de 12 utiliza como seu limite uma das setas da cota de 15.

Quando o espaço for muito pequeno, como é o caso das cotas de 5, os limites da cota serão indicados por uma seta e pelo traço inclinado.

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Regras para a Cotagem

Na cotagem de raios, o limite a cota é definido por somente uma seta que pode estar situada por dentro ou por fora da linha de contorno da curva.

Os elementos cilíndricos sempre são dimensionados pelos seus diâmetros e localizados pelas suas linhas de centro.

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Regras para a Cotagem

Para facilitar a leitura e a interpretação do desenho, deve-se evitar colocar cotas dentro dos desenhos e, principalmente, cotas alinhadas com outras linhas do desenho.

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Regras para a Cotagem

Outro cuidado que se deve ter para melhorar a interpretação do desenho é evitar o cruzamento de linha da cota com qualquer outra linha.

As cotas de menor valor devem ficar por dentro das cotas de maior valor, para evitar o cruzamento de linhas de cotas com as linhas de chamada

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Regras para a Cotagem

Sempre que possível, as cotas devem ser colocadas alinhadas.

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Regras para a Cotagem Outro exemplo de alinhamento de cotas:

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Regras para a Cotagem

Os números que indicam os valores das cotas devem ter um tamanho que garanta a legibilidade e não podem ser cortados ou separados por qualquer linha.

A Norma NBR 10126 da ABNT fixa dois métodos para posicionamento dos valores numéricos das cotas.

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Regras para a Cotagem

O primeiro método, que é o mais utilizado, determina que:

• nas linhas de cota horizontais o número deverá estar acima da linha de cota, conforme mostra a figura (a);

• nas linhas de cota verticais o número deverá estar à esquerda da linha de cota, conforme mostra a figura (a);

• nas linhas de cota inclinadas deve-se buscar a posição de leitura, conforme mostra a figura (b).

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Regras para a Cotagem

Pelo segundo método, as linhas de cota são interrompidas e o número é intercalado no meio da linha de cota e, em qualquer posição da linha de cota, mantém a posição de leitura com referência à base da folha de papel.

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Regras para a Cotagem

Pelo segundo método, as linhas de cota são interrompidas e o número é intercalado no meio da linha de cota e, em qualquer posição da linha de cota, mantém a posição de leitura com referência à base da folha de papel.

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Regras para a Cotagem

As figuras abaixo mostram, respectivamente, a cotagem de ângulos pelos dois métodos normalizados pela ABNT.

A linha de cota utilizada na cotagemde ângulos é traçada em arco cujo centro está no vértice do ângulo.

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Regras para a Cotagem

Para melhorar a leitura e a interpretação das cotas dos desenhos são utilizados símbolos para mostrar a identificação das formas cotadas conforme tabela abaixo:

Os símbolos devem preceder o valor numérico da cota, como mostram as figuras a seguir

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Regras para a Cotagem 30

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Regras para a Cotagem

Quando a forma do elemento cotado estiver claramente definida, os símbolos podem ser omitidos:

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Exercícios

Faça a cotagem das projeções ortogonais feitas em sala de aula e sugeridas pelo professor.

Prof. BrennoFerreira de Souza –Engenheiro Metalúrgico brenno.senai@sistemafieg.org.br

Fonte:

Ribeiro, A.C. Peres, M. P. Izidoro, N. Leitura e Interpretação de Desenho Técnico. Escola de Engenharia de Lorena. Lorena: EEL-USP.

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