Desafios da enfermagem na promocao do aleitamento materno em adolescentes primiparas

Desafios da enfermagem na promocao do aleitamento materno em adolescentes...

O DESAFIO DA ENFERMAGEM NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EM ADOLESCENTES PRIMÍPARAS

Talitha Alves de Alencar1

Ana Roberta Vilarouca da Silva²

Iane de Lima Borges³

Juliana³

Letícia de Sousa Gonçalves³

Natali da Silva Sá4

¹ Acadêmica do 5° semestre do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí, inscrição 011, email: thalyta.fnt19@gmail.com

² Professora e enfermeira orientadora da Universidade Federal do Piauí, Doutorado em Enfermagem. ³ Acadêmica do 5° semestre do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí.

4 Acadêmica do 9° semestre do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí.

RESUMO

Partindo do enfoque sobre o aleitamento materno e da importância de relacioná-lo a adolescentes primíparas, o presente estudo traz uma reflexão teórica acerca da temática, objetivando abordar as questões que interferem na manutenção do aleitamento materno e identificar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem na promoção da prática de amamentação entre essas adolescentes. Para fundamentar o trabalho, foram selecionados três artigos científicos entre 2006 a 2010 da base de dados Scielo, que identificam como fatores de influência negativa à amamentação, a sociedade, a cultura e aspectos psicológicos relacionados à mãe. Concluiu-se que,assim como programas de saúde, a enfermagem tem um papel de grande importância no desenvolvimento de estratégias para promover o aleitamento materno e auxiliar na desmitificação e na quebra desses paradigmas.

Referências utilizadas:

FALEIROS, Francisca T.V.; TREZZA, Ercília M.C. e CARANDINA, Luana. Aleitamento materno: fatores de influência na sua decisão e duração. Revista de Nutrição. Campinas.19 (5), p. 623-630, set/out.,2006.

FROTA, Mirna A.; MAMEDE, Ana L. e S.; VIEIRA, Luiza J. E. de S.; ALBUQUERQUE, Conceição de M de e MARTINS, Mariana C. Práticas culturais sobre aleitamento materno entre famílias cadastradas em um Programa de Saúde da Família. Rev. Esc. Enferm. USP. 43(4), p. 895-901, 2009.

SANTOS, Lucas C. dos; FERRARI, Anna P. e TONETE, Vera L.P. Contribuições da enfermagem para o sucesso do aleitamento materno na adolescência: Revisão integrativa da literatura. Cienc. Cuid. Saúde. 8(4), p. 691-698, out/dez, 2009.

Descritores:

INTRODUÇÃO

Atualmente, a importância do aleitamento materno tem sido amplamente divulgada, porém, apesar das fontes de informação disponíveis, há casos de completa ignorância sobre a importância desse alimento, além da existência de fatores que influem negativamente e findam por favorecer o seu declínio, tornando seus comprovados benefícios insuficientes para o incentivo de sua prática.

Associado a esses fatores encontra-se a adolescência, uma fase marcada por mudanças, conflitos e adaptações, que pode tornar-se mais complicada com a presença de uma gravidez precoce. Além do despreparo da mãe adolescente, vários outros questionamentos englobam o ato de amamentar, desde fatores sociais, psicológicos e culturais, até opiniões e incentivos de pessoas próximas à adolescente primípara, que acabam por interferir direta ou indiretamente na decisão de prosseguir ou não amamentando, e no tempo de duração da amamentação, o que delega à enfermagem um papel importante na quebra desses paradigmas.

O aleitamento materno tem sido visto historicamente como uma condição imposta, constituindo, assim, mais um desafio a ser superado, que conta com a participação ativa da equipe de enfermagem, visando modificar essa ideologia a partir da promoção do aleitamento materno de forma fundamentada, desmitificando ideias preconcebidas e eliminando a opção ou imposição pelo desmame precoce.

Tendo em vista a relevância social do aleitamento materno, e a inexperiência de adolescentes primíparas, o presente trabalho trata-se de uma reflexão teórica que tem como objeitvo abordar as questões que interferem na manutenção do aleitamento materno em adolescentes e identificar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem na promoção da prática de amamentação entre essas adolescentes. Para fundamentar o estudo foram selecionados artigos publicados entre 2006 a 2010 utilizando a base de dados Scielo, obtendo informações relacionadas à pesquisa.

Assim como os programas de saúde, a enfermagem enfrenta desafios para conseguir promover a prática da amamentação, principalmente entre mães adolescentes que tem seu primeiro filho e ainda não tem experiência, orientando, estimulando e buscando minimizar as influências que se opõem a essa prática. Santos; Ferrari e Tonete (2009, p.692) afirmam que

A promoção envolve trabalhar de forma a aumentar o reconhecimento, por parte da sociedade, das inúmeras vantagens do aleitamento materno, criando um ambiente em que populações específicas, profissionais de saúde, dirigentes e gestores de serviços públicos e privados, empregadores e empregados valorizem esta prática.

Em relação às mães adolescentes, a idade pode constituir um possível fator negativo. Segundo Faleiros; Trezza e Carandina (2006, p.624)

Alguns autores relacionam a idade materna mais jovem à menor duração do aleitamento, talvez motivada por algumas dificuldades, como, por exemplo, um nível educacional mais baixo, poder aquisitivo menor, e, muitas vezes, o fato de serem solteiras.

Associado à idade precoce, encontra-se o fato da ausência de uma experiência anterior, o que não permite uma maior segurança à mãe. De acordo com Faleiros; Trezza e Carandina (2006, p.626)

Em se tratando de ter ou não uma experiência anterior com aleitamento materno, as mães que tiveram uma experiência prévia positiva, provavelmente, terão mais facilidade para estabelecê-lo com os demais filhos.

Porém, como essas experiências são individuais de cada adolescente, o contexto do nascimento varia em cada caso (idade, condições socioeconômicas, situação conjugal), como defendem Faleiros; Trezza e Carandina (2006, p.627)

O simples fato de ter uma experiência prévia, talvez não seja suficiente como estímulo para amamentação dos filhos subsequentes. Portanto, a dificuldade de análise da influência dessa variável se deve a múltiplos fatores e às mudanças na dinâmica familiar ocorridas com o passar do tempo.

Quando está presente uma situação conjugal, a mesma autora defende que “(...) A atitude positiva do pai parece exercer um maior efeito na motivação e na capacidade da mãe para amamentar” (p.626). Para Santos; Ferrari e Tonete (2009, p. 692), “(...) Apoiar significa sustentar, ser auxílio e amparo para a mãe que amamenta”. Avaliando essa hipótese, Faleiros; Trezza e Carandina (2006, p.626) concluem que

Seria importante aumentar a informaçãoaos pais sobre as vantagens do aleitamento materno e do seu real significado (...) isso ajudaria não só os pais a optarem mais pelo aleitamento materno, como também a manejar melhor a nova situação do casal promovendo, inclusive, satisfação e sucesso no aleitamento.

As ideologias culturalmente estabelecidas são outro fator que interfere na prática da amamentação ao seio. Observa-se uma contradição entre o discurso das mães e a prática da amamentação, como refere Faleiros; Trezza e Carandina (2006, p.628) “(...) as mães têm, geralmente, noção das vantagens do aleitamento materno (...)no entanto, apontam como relevantes os problemas relacionados à “falta de leite”, “leite fraco”, problemas mamários e a recusa do bebê em pegar o peito.”.

Para Frota et. al. (2009, p. 897), “(...) Pode-se perceber que os mitos e as crenças sobre o valor nutricional do leite materno se encontram enraizados na prática e discursos dessas mães”. Mais à frente a autora cita também a influência da sociedade: “A decisão da mãe de amamentar está relacionada, além de decisões pessoais, ao valor atribuído pela sociedade a este ato.” (p. 897), e o vínculo estabelecido pelas pessoas próximas à adolescente “(...) Os conhecimentos e a vivência materna, da sogra, da irmã, avó e do vizinho são repassados como exemplos, conselhos e ensinamentos, com discursos ora favoráveis ora contrários à amamentação.” (p. 898).

Como fatores que podem afetar a decisão da mãe, Faleiros; Trezza e Carandina (2006, p.629) acreditam que

Cabe, principalmente, aos profissionais de saúde a tarefa de garantir, a cada mãe, uma escuta ativa, ou seja, de saber ouvi-la, dirimir suas dúvidas, entendê-la e esclarecê-la sobre suas crenças e tabus, de modo a tornar a amamentação um ato de prazer e não o contrário.

Em outro artigo, Santos; Ferrari e Tonete(2009, p. 695), consideramque

O fato de a mulher existir como ser humano munido de vontades, opiniões e direitos assegura-lhe a decisão de amamentar ou não seu filho, sendo que esta ação deverá ser respeitada na medida em que ela esteja esclarecida sobre as vantagens do aleitamento materno para si e para seu filho.

Dessa forma, a Sistematização da Assistência de Enfermagem deve oferecer um atendimento voltado às necessidades individuais de cada mãe, auxiliando-as nas resoluções de suas dúvidas e no enfrentamento de seus problemas, como colocam Faleiros; Trezza e Carandina (2006, p.629)

É de fundamental importância que não se generalize a capacidade de amamentar, sem que antes se considerem as variáveis contextuais. Para que a mulher possa assumir com mais segurança o papel de mãe e de provedora do alimento de seu filho, ela precisa se sentir adequadamente assistida nas suas dúvidas e dificuldades.

(...) É importante que o profissional de saúde sinta-se responsável pelos casos de desmame precoce em situações sob sua orientação e busque a razão de cada caso de insucesso, refletindo sobre o que poderia ter feito a mais e melhor. (SANTOS; FERRARI e TONETE, 2009, p. 692). Enquanto Frota et. al. (2009, p. 898) refere que “(...) a unidade de saúde tem como um dos objetivos a reorientação dos modelos assistenciais de atenção e reestruturação dos serviços públicos, centrada na promoção da saúde.”.

Ambas as sugestões visam desenvolver ações diretamente com a adolescente e a família para a melhoria da saúde, como afirmam Santos; Ferrari e Tonete (2009, p.691) “(...) Entreas ações primordiais dirigidas às gestantes e mães, em especial às adolescentes, com vistas à saúde integral da criança e redução da mortalidade infantil, destacam-se as voltadas ao sucesso do aleitamento materno.”. Frota descreve essas ações como

Estratégias utilizadas no desenvolvimento de uma consciência crítica com vistas à mudança de comportamento, minimizando a existência dos fatores que influenciam, negativamente, na prática do aleitamento materno. (p. 898 – 899).

Sobre esse aspecto, Santos; Ferrari e Tonete (2009, p.692) defendem que “(...) o trabalho qualificado da enfermagem nas instituições de saúde materno-infantil é fundamental para o início e a continuidade ideal da amamentação (...)”.

Mais importante que desenvolver estratégias é manter um vínculo de confiança com a adolescente para estimulá-la a emitir aspectos cognitivos sobre a experiência materna que está vivenciando, podendo, assim, atender às suas necessidades individuais. Sobre essa afirmação, Santos; Ferrari e Tonete (2009, p.695) colocam que

No cuidado de enfermagem às adolescentes não se podem perder oportunidades de estreitar vínculos que devem estar suficientemente estabelecidos para possibilitar a expressão e compreensão da singularidade de cada experiência, permitindo assim a aplicação prática do conhecimento técnico-científico produzido na área.

Apesar dos esforços realizados com vistas a ampliar os índices de aleitamento materno, nem sempre são obtidos os resultados esperados. (...) Embora hoje a situação esteja bem melhor em todas as Regiões do Brasil, ainda não se nota um incremento na prevalência do aleitamento materno correspondente à meta desejada. (FALEIROS; TREZZA e CARANDINA, 2006, p.627).

Em relação a esse problema, Santos; Ferrari e Tonete (2009, p.695 - 696) colocam que

Diante da relevante situação atual da gravidez e maternidade na adolescência e todas as suas implicações na saúde materno-infantil, recomenda-se, em relação a esta área, a ampliação dos estudos que enfoquem e aprofundem o conhecimento de enfermagem sobre o aleitamento materno neste período de vida tão especial.

Enquanto Frota et al (2009, p.899) acredita que “(...) é possível diminuir o índice do desmame precoce desde que haja políticas que favorecem a dinâmica da vida de mães nutrizes.”.

Evidenciou-se a dificuldade enfrentada pelos profissionais de enfermagem, bem como os programas de saúde, ao tentar implantar o método do aleitamento materno em adolescentes que vivenciam pela primeira vez o papel da mãe.

Apesar do entendimento da importância do aleitamento materno, não se deve ignorar a forte influência de fatores sociopsicoculturais, entre eles, a opinião e o incentivo amplamente presentes de pessoas próximas à mãe, na maioria das vezes em oposição à prática do aleitamento.

Baseando-se nesses fatores e suas influências e na importância que eles adquirem na decisão da mãe de amamentar ou não, ou de escolher o momento que achar melhor para realizar o desmame ou, ainda, introduzir outros alimentos à nutrição do lactente, é que se desenvolvem estratégias para desenvolver outra consciência visando minimizar a existência desses fatores e facilitar a aceitação ao método do aleitamento materno.

Porém, mesmo com o surgimento de estratégias, programas de saúde em favor da proteção, incentivo e apoio à amamentação, legislações e normas, visando ampliar os índices de aleitamento materno, os resultados esperados não têm atingido um nível considerado satisfatório e ainda não foi possível superar o desmame precoce.

Visando auxiliar na promoção do aleitamento, os autores dos artigos analisados propõem métodos como aprimoramento dos conhecimentos técnicos e científicos dos profissionais de saúde em relação ao aleitamento materno, um aspecto muito importante para os profissionais de enfermagem tendo em vista que o enfermeiro deve incentivar e preparar as mães para essa prática, identificando de modo precoce o planejamento dessas mães com relação à alimentação dos filhos.

Focalizando a importância e a potencialidade da contribuição da enfermagem para a continuidade desta prática, e a relevância da maternidade precoce e dos aspectos relacionados a ela para a mãe e a sociedade, recomenda-se o desenvolvimento de estudos relacionados à área que aprofundem o tema do aleitamento materno e tenham a atenção voltada para a enfermagem no que diz respeito às ações por ela desenvolvidas para auxiliar as mães que enfrentam essa realidade.

REFERÊNCIAS

FALEIROS, Francisca T.V.; TREZZA, Ercília M.C. e CARANDINA, Luana. Aleitamento materno: fatores de influência na sua decisão e duração. Revista de Nutrição. Campinas.19 (5), p. 623-630, set/out.,2006.

FROTA, Mirna A.; MAMEDE, Ana L. e S.; VIEIRA, Luiza J. E. de S.; ALBUQUERQUE, Conceição de M de e MARTINS, Mariana C. Práticas culturais sobre aleitamento materno entre famílias cadastradas em um Programa de Saúde da Família. Rev. Esc. Enferm. USP. 43(4), p. 895-901, 2009.

SANTOS, Lucas C. dos; FERRARI, Anna P. e TONETE, Vera L.P. Contribuições da enfermagem para o sucesso do aleitamento materno na adolescência: Revisão integrativa da literatura. Cienc. Cuid. Saúde. 8(4), p. 691-698, out/dez, 2009.

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