Protocolos de exames laboratoriais

Protocolos de exames laboratoriais

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Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

Universidade Federal de Minas Gerais 2009

Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais Subsecretaria de Políticas e Ações de saúde Superintendência de Atenção à Saúde

Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Medicina Departamento de Propedêutica Complementar

AUTORES Letícia Maria Henriques Resende Luciana de Gouvêa Viana Pedro Guatimosim Vidigal

COLABORADORES Myriam de Siqueira Feitosa Silvana Maria Elói Santos

Taciana de Figueiredo Soares SUMÁRIO

SUMÁRIO1
INTRODUÇÃO6
EXAME DE URINA DE ROTINA9
DOSAGEM DE CREATININA14
DOSAGEM DE URÉIA17
DOSAGEM DE GLICOSE20
TESTE ORAL DE TOLERÂNCIA A GLICOSE (TOTG24
MICROALBUMINÚRIA27
HEMOGLOBINA GLICADA29
VELOCIDADE DE HEMOSSEDIMENTAÇÃO32
DOSAGEM DE PROTEÍNA C-REATIVA35
DOSAGEM DE FERRO38
DETERMINAÇÃO DA CAPACIDADE TOTAL DE LIGAÇÃO DO FERRO41
DOSAGEM DE FERRITINA4
DOSAGEM DE FÓSFORO INORGÂNICO47
DOSAGEM DE CÁLCIO TOTAL49
DOSAGEM DE ÁCIDO ÚRICO52
DOSAGEM DE MAGNÉSIO5
DOSAGEM DE ALFA-FETOPROTEÍNA57
CONTAGEM DE RETICULÓCITOS60
DOSAGEM DE ANTÍGENO PROSTÁTICO ESPECÍFICO TOTAL62
DOSAGEM DE HORMÔNIO ESTIMULANTE DA TIREÓIDE – TSH65
DOSAGEM DE TIROXINA LIVRE – T4L68
CULTURA DE URINA71
PESQUISA DE BACILO ÁLCOOL-ÁCIDO RESISTENTE – BAAR74
CULTURA PARA MICOBACTÉRIA7
DOSAGEM DE ALANINA AMINOTRANSFERASE80
DOSAGEM DE ASPARTATO AMINOTRANSFERASE83
DOSAGEM DE ALBUMINA86
DOSAGEM DE FOSFATASE ALCALINA8
DOSAGEM DE AMILASE91
DOSAGEM DE LÍPASE94
DOSAGEM DE BILIRRUBINAS96
DOSAGEM DE PROTEÍNAS TOTAIS9
DOSAGEM DE GAMA GLUTAMIL TRANSFERASE101
DOSAGEM DE COLESTEROL103
COLESTEROL FRAÇÕES106
DOSAGEM DE TRIGLICÉRIDES109
DOSAGEM DE CREATINO QUINASE (CK)112
DOSAGEM DA ISOENZIMA CREATINO QUINASE MB (CKMB114
DOSAGEM DE DESIDROGENASE LÁTICA117
DOSAGEM DE LACTATO120
DOSAGEM DE POTÁSSIO122
DOSAGEM DE SÓDIO125
ANTICORPOS ANTI-HAV IGM127
ANTICORPOS ANTI-HAV IGG129
HBs Ag131
ANTICORPOS ANTI-HBC - IGM134
ANTICORPOS TOTAIS ANTI-HBC137
ANTICORPOS ANTI-HBS140
HBeAg143
ANTICORPOS ANTI-HBe146
PROTEINÚRIA DE 24 HORAS149
DOSAGEM DE CARBAMAZEPINA151
DOSAGEM DE FENITOÍNA153
DOSAGEM DE LÍTIO161
DOSAGEM DE VITAMINA B12164
VDRL (VENERAL DISEASE RESEARCH LABORATORY)167
FTA-abs (FLUORESCENT TREPONEMAL ANTIBODY ABSORPTION)170
ANTICORPOS ANTI-Toxoplasma gondii – IgM173
ANTICORPOS ANTI-Toxoplasma gondii – IgG176
ANTICORPOS ANTI-HCV180
DOSAGEM DE TRIIODOTIRONIA TOTAL – T3183
ANTICORPOS ANTI-PEROXIDASE TIREOIDIANA186
ANTICORPOS ANTI-RECEPTORES DE TSH188
ANTICORPOS ANTI-TIREOGLOBULINA191
PESQUISA DE LEUCÓCITOS193
PESQUISA DE SANGUE OCULTO195
EXAME PARASITOLÓGICO198
FAN – FATOR ANTINUCLEAR201
PESQUISA DE FATOR REUMATÓIDE207
SOROLOGIA PARA HIV210
TESTE RÁPIDO PARA HIV214
CARGA VIRAL PARA HIV221
ANTICORPOS ANTI-CITOMEGALOVÍRUS (CMV) – IGM226
ANTICORPOS ANTI-RUBÉOLA – IGM229
ANTICORPOS ANTI-RUBÉOLA – IGG232
TESTE DE COOMBS DIRETO235
TESTE DE COOMBS INDIRETO237
GRUPO SANGUÍNEO E FATOR RH239
PESQUISA DE BETA-HCG241
DOSAGEM DE ÁCIDO FÓLICO243
DOSAGEM DE CLORO246
GASOMETRIA249
DÍMERO D252
TEMPO DE PROTROMBINA (TP)254
TEMPO DE TROMBOPLASTINA PARCIAL ATIVADO (TTPa)257
LÍQUOR ROTINA260
LÍQUOR GRAM E CULTURA264
HEMOGRAMA266
HEMOCULTURA274
CULTURA DE FEZES277
CULTURA PARA FUNGOS280
EXAME MICOLÓGICO DIRETO283
FALCIFORME E FIBROSE CÍSTICA286
GRAM DE GOTA DE URINA NÃO CENTRIFUGADA289
ANEXO 1 – ORIENTAÇÕES PARA COLETA DE SANGUE VENOSO292

Os exames laboratoriais estão entre os principais e mais utilizados recursos no apoio diagnóstico à prática clínica, o que traz repercussões importantes no cuidado ao paciente e custos ao sistema de saúde. A elevação de tais custos nos últimos 20 anos contribuiu, substancialmente, para a inflação dos custos gerais da assistência à saúde. Sob o ponto de vista dos aportes financeiros federais, os repasses relativos à Patologia Clínica/Medicina Laboratorial representam o segundo maior gasto vinculado ao elenco de procedimentos do primeiro nível da média complexidade ambulatorial.

Tem sido demonstrado que, na atenção primária, os erros médicos relacionados à investigação complementar (exames laboratoriais e de imagem) representam 18% do total, seguindo os erros relacionados a processos administrativos (29%) e os erros relacionados ao tratamento (26%). Estes erros refletem, provavelmente, deficiências na organização e competência técnica da atenção primária como um todo e, no que tange a Medicina Laboratorial, refletem a complexidade inerente ao serviço. A organização destes serviços representa uma tarefa complexa, por exigir a combinação de tecnologias diversificadas e sua adaptação às características locais e restrições orçamentárias, particularmente em relação à saúde pública. No Brasil, a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) definiu os requisitos para o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratorial, públicos ou privados, que realizam atividades na área de análises clínicas, patologia clínica e citologia. Trata-se da RDC nº. 302, de 13 de outubro de 2005, cujos princípios e requisitos devem, inclusive, nortear a seleção dos estabelecimentos prestadores de serviço na área.

A implantação de estratégias voltadas à otimização e uso apropriado de exames laboratoriais tem sido bem sucedidas em serviços médicos ambulatoriais e hospitalares. Essas incluem programas educativos, desenvolvimento e implantação de protocolos clínicos e propedêuticos, auditorias, envolvimento do corpo clínico, incentivos econômicos, tais como a bonificação mediante redução no número de exames solicitados, além de restrições administrativas.

A coleção de Protocolos de Patologia Clínica vai ao encontro da estratégia atual da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) que visa capacitar o médico e propiciar ferramentas para que este possa fazer uso racional dos exames laboratoriais, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade da assistência prestada ao usuário do sistema de saúde e a otimização dos custos assistenciais.

Essa coleção faz parte de uma estratégia mais ampla de educação permanente dos atores da atenção primária a saúde. A prática educativa, porém, deve ser entendida como parte integrante das ações em saúde e deve favorecer a mudança, tendo na transformação seu aspecto mais relevante.

Para a elaboração dos protocolos foram considerados os exames laboratoriais constantes nas linhas-guia do Programa de Saúde em Casa da SES/MG, publicadas anteriormente, que incluem: Atenção ao Pré-natal, Parto e Puerpério, Atenção à Saúde da Criança, Atenção Hospitalar ao Neonato, Atenção à Saúde do Adolescente, Atenção à Saúde do Adulto (Hipertensão e Diabetes, Tuberculose, Hanseníase, HIV/AIDS, Atenção à Saúde do Idoso, Atenção em Saúde Mental e Atenção em Saúde Bucal.

O conteúdo dos protocolos contempla informações técnico-científicas atualizadas e contextualizadas à realidade regional da assistência em saúde. Foram consideradas também as diretrizes propostas pelas Boas Práticas de Laboratório e pelo Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial.

Os protocolos foram estruturados de acordo com o processo da assistência laboratorial conforme se segue:

Assim, cada protocolo destaca os principais aspectos relacionados às indicações clínicas do exame; preparo do paciente; cuidados com coleta e manuseio da amostra biológica; principais fatores pré-analíticos e interferentes; métodos mais utilizados para

Indicação e solicitação do exame

Preparo do paciente

Coleta, armazenamento e transporte

Realização do teste

Análise do resultado

Liberação do laudo de exame

Fase Pré-analíticaFase AnalíticaFase Pós-analítica

Indicação e solicitação do exame

Preparo do paciente

Coleta, armazenamento e transporte

Realização do teste

Análise do resultado

Liberação do laudo de exame a realização dos testes; critérios para interpretação do resultado e os Comentários do Patologista Clínico. Nessa última seção, chama-se a atenção para questões relevantes em relação ao teste e/ou resultado, com o intuito de contribuir para melhor utilização da propedêutica laboratorial; seja na solicitação do exame, seja na interpretação do resultado.

Nota Importante: Esta é uma edição provisória e poderá sofre mudanças. Os Protocolos a seguir estão em processo de validação.

1. NOME DO EXAME Exame de urina de rotina

1.1 Sinonímia • Urina do tipo 1;

• Urina parcial;

• EAS (elementos anormais e sedimento);

• Sumário de urina;

• EQU (exame químico de urina);

• ECU (exame comum de urina);

• PEAS (pesquisa dos elementos anormais e sedimento).

2. INDICAÇÃO CLÍNICA Diagnóstico e monitoramento de:

• Doenças renais e do trato urinário;

• Doenças sistêmicas ou metabólicas;

• Doenças hepáticas e biliares;

• Desordens hemolíticas.

3. PREPARO DO PACIENTE

• Recomenda-se que a coleta seja realizada após 8 horas de repouso, antes da realização das atividades físicas habituais do indivíduo e, preferencialmente, em jejum.

• Alternativamente, a amostra de urina pode ser coletada em qualquer momento do dia, preferencialmente após 4 horas da última micção.

• O paciente deve ser orientado com relação ao procedimento de coleta de urina de jato médio (Anexo 2 – Procedimento de coleta de exame de urina de jato médio).

4. AMOSTRA

• Amostra de escolha: Primeira urina da manhã, jato médio, sem preservativos. • Alternativa: Amostra de urina aleatória, colhida após 4 horas da última micção.

5. CUIDADOS PARA COLETA • Utilizar frascos descartáveis, não reutilizados e estéreis.

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