Protocolos de exames laboratoriais

Protocolos de exames laboratoriais

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Por outro lado, o teste de tolerância a glicose é o método diagnóstico para o DM gestacional, já que essa parece ser mais sensível do que a glicemia de jejum em gestantes, nas quais o consumo fetal de glicose, durante o período de jejum noturno, reduz o nível plasmático da glicemia. O teste de tolerância a glicose deve ser realizado conforme as recomendações da OMS apresentada neste protocolo. Atualmente, não se recomenda a extensão do teste com dosagens de glicose em amostras colhidas em intervalos superiores à 120 minutos. Com relação à determinação da glicemia pós-prandial, esta só deve ser utilizada para acompanhamento do tratamento do paciente já diagnosticado, já que a sobrecarga de glicose é variada, tanto na quantidade quanto na velocidade de absorção, diferentemente do teste de tolerância a glicose que usa sobrecarga padronizada. Tem sido demonstrado que a reprodutibilidade do teste de tolerância a glicose para classificar os pacientes quanto ao distúrbio do metabolismo da glicose varia entre 50 e 6%. Fatores que parecem estar implicados nesta baixa reprodutibilidade incluem variação biológica intra-individual da concentração plasmática de glicose, efeitos diversos relacionados ao esvaziamento gástrico após administração da solução de glicose hiperosmolar e temperatura do ambiente. O desempenho dos ensaios para dosagem de glicose não está implicado nesse contexto, desde que sejam consideradas as especificações da qualidade analítica desejadas.

10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção a saúde do adulto: hipertensão e diabetes. Belo Horizonte: SAS/MG, 2006. 198 p. MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção ao pré-natal, parto e puerpério: protocolo Viva Vida. 2 ed. Belo Horizonte: SAS/SES, 2006. 84 p. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Consenso brasileiro sobre diabetes - diagnóstico e classificação do Diabetes Meliltus e tratamento do Diabetes Meliltus tipo 2. 2002. Disponível em: http://www.sbd.org.br. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Atualização Brasileira sobre Diabetes Rio de Janeiro – 2006. Disponível em: http://www.sbd.org.br. SACKS DB, Bruns DE, Goldstein DE. Guidelines and Recommendations for Laboratory Analysis in the Diagnosis and Management of Diabetes Mellitus. Clinical Chemistry 48 (3):436–72, 2002. THE EXPERT COMMITTEE ON THE DIAGNOSIS AND CLASSIFICATION OF DIABETES MELLITUS . Report of the Expert Committee on the diagnosis and classification of Diabetes Mellitus. Diabetes Care 1997; 20:1183-97 THE EXPERT COMMITTEE ON THE DIAGNOSIS AND CLASSIFICATION OF DIABETES MELLITUS. Follow up report on the diagnosis of Diabetes Mellitus. Diabetes Care 2003; 26:3160-3167. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Definition, diagnosis and classification of diabetes mellitus and its complications: report of a WHO consultation. Geneva: World Health Organization; 1999.

1. NOME DO EXAME Microalbuminúria

1.1 Sinonímia Não aplicável

2. INDICAÇÃO CLÍNICA

Diagnóstico precoce de nefropatia e avaliação de risco aumentado para doença cardiovascular e morte em pacientes diabéticos e hipertensos. A determinação da microalbuminúria deve ser realizada imediatamente após o diagnóstico do diabetes mellitus tipo 2 e após 5 anos do diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1. Posteriormente, deve ser determinada a cada 6 meses ou 1 ano. A determinação de microalbuminúria tem sido proposta também na avaliação de pacientes com pré-eclampsia e lúpus eritematoso sistêmico.

3. PREPARO DO PACIENTE Não fazer esforço físico durante a coleta.

4. AMOSTRA

Amostra de urina de 24 horas Primeira urina da manhã Amostra de urina aleatória

5. CUIDADOS PARA COLETA

Utilizar frascos de coleta descartáveis, não reutilizados. Não adicionar agentes conservantes. No caso de amostra de urina aleatória, a coleta deve ser realizada 3 horas após última micção. Ver Anexo 2 – Orientações para coleta de urina

6. ORIENTAÇÃO PARA TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO Caso o exame não possa ser prontamente realizado, recomenda-se manter a amostra refrigerada, entre 4 – 8° C, por até 7 dias, em recipiente fechado.

7. MÉTODOS MAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO CLÍNICO

Nefelometria Turbidimetria Quimioluminescência

8. INTERPRETAÇÃO

8.1 Valores de referência Amostra de urina de 24 horas: até 30 mg/24 h

Primeira urina da manhã ou amostra aleatória: até 30µg/g* *Quando não se utiliza amostra de urina de 24 horas, é recomendada a realização concomitante de dosagem de creatinina na amostra de urina, liberando-se o resultado em miligramas de albumina por gramas de creatinina (µg/g).

8.2 Valores críticos Não aplicável

8.3 Principais influências pré-analíticas e fatores interferentes

Exercício físico vigoroso, gravidez, febre, infecção urinária, hematúria, picos de hiperglicemia, insuficiência cardíaca, proteinúria postural benigna e estresse são fatores capazes de aumentar a excreção de albumina na urina e podem levar a resultados falsamente positivos.

8.4 Exames relacionados

Dosagem de glicose Dosagem de creatinina

9. COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO A excreção urinária de pequena quantidade de albumina, entre 30 e 300 mg/24 horas ou entre 30 e 300 30µg/g, caracteriza a microalbuminúria e representa sinal precoce de nefropatia e fator de risco aumentado para doença cardiovascular e morte em pacientes diabéticos e hipertensos. A intensificação do controle da glicemia e da pressão arterial contribuem para reduzir a evolução da nefropatia. A sensibilidade de detecção de microalbuminúria varia entre 6 e 91%. Não há consenso na literatura quanto ao tipo de amostra de urina que deve ser colhida para a determinação da microalbuminúria. A primeira urina da manhã parece ser a alternativa preferível na prática clínica já que os resultados obtidos através da relação albumina:creatinina com esse tipo de amostra apresentam menor variação intra-individual quando comparados com os resultados obtidos com amostras aleatórias colhidas ao longo do dia. A grande variação intra-individual da excreção urinária de albumina, que pode chegar a 36%, é o fator determinante para a necessidade de confirmação de microalbuminúria através da realização do exame em 3 amostras

10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARALLIEDDE J, Viberti G. Microalbuminuria and cardiovascular risk. Am J Hypertens, 2004; 17:986-983. MARRE M. Microalbuminuria and prevention of renal insufficiency and cardiovascular diseases. Am J Hypertens, 1998; 1:884-886. MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção a saúde do adulto: hipertensão e diabetes. Belo Horizonte: SAS/MG, 2006. 198 p. MOGENSEN CE, Keane WF, Bennett PH, Jeruns G, Parving H, Passa P, et al. Prevention of diabetic renal disease with special reference to microalbuminuria. Lancet, 1995; 346:1080-1084. MOGENSEN CE. Microalbuminuria and hypertension with focus on type 1 and type 2 diabetes. J Intern Med, 2003; 254:45-6. NATIONAL KIDNEY FOUNDATION. K/DOQI Clinical Practice Guidelines for Chronic Kidney Disease: Evaluation, Classification, and Stratification. Am J. Kidney Dis, 2002; 39: (suppl): 1:S1-S266. Disponível em: <http://w.kidney.org/professionals/kdoqi/guidelines_ckd/p1_exec.htm>.

1. NOME DO EXAME Hemoglobina glicada

1.1 Sinonímia

Hemoglobina glicosilada Hemoglobina glucosilada Glico-hemoglobina Hemoglobina A1c HbA1c

2. INDICAÇÃO CLÍNICA

A dosagem da hemoglobina glicada deve ser realizada regularmente em todos os pacientes com diabetes mellitus para monitoramento do grau de controle glicêmico. Recomenda-se: o Duas dosagens ao ano para todos os pacientes diabéticos o Quatro dosagens ao ano (a cada três meses) para pacientes que se submeterem a alterações do esquema terapêutico ou que não estejam atingindo os objetivos recomendados com o tratamento vigente

3. PREPARO DO PACIENTE Jejum mínimo de 4 horas – desejável

4. AMOSTRA Sangue total colhido em EDTA

5. CUIDADOS PARA COLETA

Nenhum cuidado especial Ver Anexo 1 – Orientação para coleta de sangue venoso.

6. ORIENTAÇÃO PARA TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO Caso o exame não possa ser prontamente realizado, recomenda-se manter a amostra refrigerada, entre 4 – 8° C, por até 7 dias, em recipiente fechado. A amostra não deve ser armazenada a 20°C negativos.

7. MÉTODOS MAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO CLÍNICO

Cromatografia o em coluna o de alto desempenho (HPLC) o de baixo desempenho (LPLC)

Nefelometria Turbidimetria.

Recomenda-se que os laboratórios médicos utilizem preferencialmente os métodos de ensaio certificados pelo National Glycohemoglobin Standardization Program (NGSP), com rastreabilidade do desempenho analítico ao método utilizado no DCCT.

8. INTERPRETAÇÃO

8.1 Valores de referência

Os níveis recomendados para hemoglobina glicada por faixa etária são apresentados na tabela seguinte:

Faixa etária Hemoglobina Glicada

Pré-puberal* <8% Puberal* <8,5% Fase final da puberdade e adultos jovens <7%

Adulto <7% Idosos* <8% *Faixas etárias vulneráveis a hipoglicemia grave quando submetidos a controle glicêmico intensivo.

8.2 Valores crítica Não aplicável

8.3 Principais influências pré-analíticas e fatores interferentes

Amostras armazenadas a 20°C negativos podem levar a resultados falsamente elevados. Anemia por deficiência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico pode levar a resultados falsamente aumentados. Hipertrigliceridemia, hiperbilirrubinemia, uremia, presença de ácido ascórbico e fração pré-HbA1c, alcoolismo crônico, ingestão crônica de ácido acetilsalicílico e opiáceos, podem interferir em algumas metodologias, produzindo resultados falsamente elevados. Doença hemolítica e hemorragia podem levar a resultados falsamente diminuídos. A dosagem de hemoglobina glicada em pacientes portadores de hemoglobinopatias heterozigóticas resulta em valores falsamente elevados ou diminuídos dependendo da variante da hemoglobina e do método utilizado.

8.4 Exames relacionados Dosagem de Glicose Teste oral de tolerância a glicose Dosagem de frutosamina Microalbuminúria Dosagem de creatinina

9. COMENTÁRIOS DO PATOLOGISTA CLÍNICO

(Parte 6 de 12)

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