Projeto de pesquisa ensino de historia no ensino médio 02

Projeto de pesquisa ensino de historia no ensino médio 02

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INTRODUÇÃO

Ao passo que nos foi proposto desenvolver este Trabalho de Pesquisa na rede escolar, tivemos como preocupação compreender de que maneira se dá o processo de construção da cidadania no âmbito educacional, tendo como estrutura a figura do professor de história vinculada a do aluno e de como a cidadania é exercida no meio social.

Pois o ensino de história da maneira que está previsto na promulgação da nova LDB da década de 1990 está evidenciada na lei 9394/96 tem como tarefa central formar sujeitos ativos, críticos que valem do exercício da cidadania “A cidadania nada mais é senão a exercitarmos. Sendo inerente à condição de humano, ela depende de nossas ações” (GALLO, Silvio.p.135). Porque sem ação, não há consolidação da chamada democracia.

Dentro dessas temáticas foram realizadas entrevistas orais com professores de História da Instituição de Ensino CEM Dr. José Aluísio da Silva Luiz e também pesquisas com referências bibliográficas. Para concluirmos esta pesquisa nós tivemos vários impecílios por parte da coordenação da escola, pois acreditamos que a coordenação deveria funcionar como mediadora. Entretanto, isso não aconteceu. Então nós nos questionamos: será que a porta da escola está aberta à cidadania? Será a escola o primeiro reduto da cidadania? E como fica o papel dos nossos agentes educacionais dentro das finalidades?

Portanto, os aspectos deste trabalho serviu para mostrar que o ensino de História deve estar pautado na consciência dos professores de História na renovação dos métodos historiográficos, propiciando assim uma maior preocupação com a formação do sujeito como cidadão ativo na sociedade.

1. A ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA

O ensino de História na década de 60 e 70 estava voltado para a formação cívica e moral, possuía um caráter excludente porque não contribuía com a formação do sujeito como cidadão, tornando um ser alienado de todo processo que acontecia. Mas graças as inovações historiográficas norteadas pela nova LDB dos anos 90 centrada na lei 9394/96 que por parte desta inovação veio ampliar a visão e o modo de agir dos sujeitos dentro da história.

Dentro desse pressuposto, a atuação do professor de história tem como base a reflexão e a compreensão do conteúdo estudado por parte do aluno e focando a pesquisa e a interação dos alunos com o meio.

Vejamos um trecho da fala da professora:

Creio que sim, até mesmo porque eles dizem que a visão hoje, como eles estudam história hoje se sentem melhores, eles entendem para que serve estudar história [...] fazendo com que o ensino de história tinha sentido para eles. (depoimento nº1).

Com o enfoque do desenvolvimento e interação da pesquisa a escola tem o papel de formação de uma consciência crítica que tenha influência social capazes de autonomia intelectual, como coloca em sua fala a professora:

[...] o interesse por pesquisa, por gostar de ler né, para que assim possa estar trazendo pra eles, fazendo com que tenham vontade realmente do conhecimento... (depoimento nº2)

Mediante estas duas visões distintas podemos observar que dentro do ensino de história há o enfoque para interação e para inclusão do sujeito como cidadão. As entrevistas apontam em seu depoimento que essa visão de que o ensino do passado deve ser desconstruída, apontando a escola e o ensino de história como o primeiro lugar de interação e de construção social e intelectual, possibilitando uma leitura consciente das relações sociais.

2. O PAPEL DO ENSINO DE HISTÓRIA

O papel do ensino de História dentro da concepção de cidadania é de estimular o sujeito a sair da passividade. Pois a cidadania é de estimular o sujeito a sair da passividade. Pois a cidadania é entendida como uma relação de pertencer a uma comunidade, como já dizia Aristóteles: “O ser humano é inerente a condição política” também é dele a afirmação de que “ O homem é um animal político” . (GALLO, Silvio. P. 135).

Ora o passo que somos animais políticos e que vivemos em comunidade, compartilhar os nossos anseios e a nossa vida na sociedade.

Vejamos o que fala a professora:

Desenvolver o questionamento, de fazer sensibilizar o aluno que é importante a História para sua vida. E fazer com que ele desenvolva o senso crítico diante de tudo que acontece ao seu redor (depoimento nº2).

Conclui-se que o ensino de História tem o papel de estruturar a participação e atuação do sujeito no âmbito social, a partir da prática estudada com a investigação e a reflexão como caminhos a serem percorridos com uma aprendizagem significativa e de grande influência para com o seu meio.

3. CIDADANIA NA VISÃO DO PROFESSOR

Segundo a visão dos professores, a cidadania deve estar pautada na auto-confiança e na valorização por parte do indivíduo, quesito este que vai dar possibilidades para que ele possa exigir seus direitos e também inserir-se no cumprimento de seus deveres, fazendo com que essa cidadania possa ser exercida dentro e fora da escola, a professora aponta de começo a cidadania da seguinte maneira:

Então eu acho que até então a cidadania é, começa a partir da ação do professor em sala de aula. Para que a gente possa estar deixando que o aluno seja cidadão e fazendo com que ele lá na frente, nas suas oportunidades, no senso político, nas suas ações políticas, ele possa ter reação e cidadão e não reação coagida pela fome, pela pobreza, por medo de perder o emprego... (depoimento nº2)

Acrescentando a essa idéia uma outra professora ressalta o que é cidadania:

Bom, pra mim cidadania primeiro é você saber quais são os seus direitos na sociedade. A partir daí você o que vai buscar, ou seja, saber como você vai exigir os seus direitos na sociedade. (depoimento nº1)

portanto, dentro dessas visões a cidadania só faz sentido se o indivíduo participar de fato da vida política em todos os níveis onde o processo educativo é fundamental.

4. O QUE SIGNIFICA SER CIDADÃO?

Ser cidadão é vir de encontro a participação na sociedade, observando o seu meio, fazendo reflexão e intervindo como agente de mudança. É aquilo que Silvio Gallo enfatiza em relação a singularização do indivíduo junto a educação, “é aquele que é capaz de articular a identidade na diversidade, individualidade na comunidade”.

A professora em sua fala diz o que é ser justamente cidadão:

Bom, ser cidadão é justamente isso, é você ter consciência de qual é o seu dever e qual é o seu direito, pra você fazer valer os seus direitos na sociedade, não é mais dizer assim: ‘há não, eu sou só um e não muita gente. Eu não consigo mudar, você não consegue mudar a sociedade nesse momento’, mas você às vezes leva a pessoa a pensar no que está fazendo e exigir realmente os seus direitos. (depoimento nº1).

No entanto, é você ter consciência de que como indivíduo pode partir do âmbito particular para o coletivo.

4.1 Cidadania: Política do Votar

Geralmente essa palavra cidadania está vinculada na mídia e em especial, na época da política. Como você analisa o fator desta vinculação da cidadania em especial a questão do votar?

A relação é a seguinte que com as políticas é muito simples você dizer: - Ser cidadão, você vai exigir os direitos né, as pessoas adiam ainda nem todas já tá mudando muita coisa, mas acha assim, que exigir os seus direitos e ir lá no político pedir uma cesta básica, pedir um dinheirim na época da política, mas não é isso é você saber quem você tá elegendo e exigir depois que ele cumpra o que prometeu. Aí sim, você tá realmente exercendo a cidadania, juntamente com a política, um direito político que você tem. (depoimento nº1).

E um exemplo claro disto foram as eleições tanto a nível nacional, quanto local no Brasil demonstraram segundo os interesses oculto da elite, passa uma visão de democracia includente, essa que faz se legitima no slogan “Seja cidadão: vote, vota Brasil”. No entanto, essa óptica se revela excludente, quando passa o período eleitoral, pois os candidatos eleitos esquecem dos seus deveres para com a sociedade, porque são representantes da sociedade e usam de influência para proveito próprio, produzindo uma sociedade marginalizada, contribuindo para uma teia hierárquica.

Dentro deste contexto, o fator de suma importância é a conscientização do indivíduo através do ensino de História estigando-o a uma ação cidadã.

5. A CONTRIBUIÇÃO DO PROFESSOR E O ENSINO DE HISTÓRIA, PODE CONTRIBUIR PARA A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA EM NOSSA CIDADE, ESTADO E PAÍS?

O professor ancorado nos apostes teóricos metodológicos de historiografia, funciona como um pilar norteador e como agente construtor do processo que evidencia a cidadania como ferramenta mestre a nível local, estadual e nacional, esta que está localizada no âmbito da educação e alicerçada as políticas educacionais, políticas estas que, às vezes, deturpam o espírito da lei e às vezes faz-se opressora, saturando a carga horária do professor aumentando os dias letivos, pregando a qualidade, mas no entanto, os recursos aplicados na educação são irrisórias para contribuir com a construção da cidadania porque ele é formador de opinião com expressa a professora em sua fala:

A junção da qualidade e quantidade, tenho trabalhado muito a conscientização do aluno em cima da qualidade. Eu sempre digo pra eles, conseguir um certificado é a coisa mais fácil quem tem, o difícil é mostrar a qualidade [...] a questão quando chega ao mercado de trabalho eles vão exigir a qualidade, como? Através do seu trabalho que você fez, se você não tiver um bom desempenho você não faz nada. (depoimento nº1)

Numa visão, temos que mostrar a junção da qualidade e quantidade, não só na nossa profissão, mas nas nossas ações na sociedade, uma prova concreta disto é a evidência dada pela professora de História:

Para a escrita, para que haja mudança né, no contexto, na confecção de livros de História na mudança do livro didático e é eles que vão estar transformando, é dando uma mudança, dando uma nova roupagem para a história digamos assim. É um dos grandes problemas do Brasil é a questão da falta de leitura, quanto mais nós desenvolvemos ação voltada a leitura, sendo em sala de aula ou fora da aula ou na família. Mas ainda o brasileiro vai ser capaz de tomar suas decisões voltadas pra cidadania, voltada pra melhoria da sociedade brasileira (depoimento nº2)

Dessa forma, podemos concluir que as transformações que ocorre na sociedade tem como pilar o ensino de História estruturado na consciência do indivíduo por parte da educação legitimando assim o conhecimento que faz você questionar e intervir no seu meio social como diz a outra professora em sua fala “Hoje em dia não se busca o indivíduo, busca o coletivo” como atributo de inclusão e cidadania, possibilitando mudanças a nível micro e macro.

6. VOCÊ SE SENTE CIDADÃO? POR QUE?

Ao passo que questionamos os professores a respeito desse fator, suas respostas de imediato foram positivas, no entanto, deixa-se perceber em suas respostas os embates e as contradições que estão presente no campo da cidadania, como afirma a professora:

...Mas em determinados locais até nessa questão a perseguição existe, muito pouco, mas existe. Politicamente, estão, você exerce a função de cidadão, mas ainda tem momentos que você pensa antes de você falar, pra você, onde você estar falando (depoimento nº1)

Ainda há dentro da sociedade uma hierarquia, uma manutenção do poder muito grande, por isso que o conhecimento e a educação foi e é muito importante para a interação e a inclusão possibilitem mudanças. Ser cidadão é isso, é lutar e vencer e perder algumas lutas, essa é a dialética da vida e consequentemente da história.

CONCLUSÃO

Levando em consideração as informações expressas no texto deste trabalho de pesquisa é possível observar que a construção da cidadania dentro do âmbito escolar, ainda está engalinhando, pois ela não possui uma base estrutural, essas políticas educacionais não dá uma base forte na íntegra. Mas, através da reformulação curricular e historiográfica e a nível da nova LDB, busca ampliar esse conceito de cidadania, através das orientações do professor, este que se vale da questão das habilidades de leitura, de escrita da pesquisa para compreensão do aluno.

Neste sentido, oportuniza um ambiente que leva o aluno a aprender e a se auto-conhecer para depois exercer sua cidadania num processo de auto-reconstrução, ou seja, dando a idéia de sujeito ativo gerenciador de idéias e contribuindo para valorização do sujeito como ser coletivo no sentido de melhorar o âmbito social ao seu redor, tanto a nível local, estadual e nacional. Desta forma, cabe salientar o que diz Carninez, citado por Silvio Gallo “ vivemos hoje em tempos heróicos, lutamos titanicamente para a construção de uma sociedade civil, pela abertura de espaços para uma ação política efetiva dessa sociedade civil, na qual deixamos de ser simples indivíduos para nos tornarmos cidadãos”. (p.137).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FONSECA, Silva Guimarães. Ensino de História e a Construção da Cidadania. P.89-98. In: Didática e Prática de Ensino de História. Campinas, SP: Papirus, 2003.

GALLO, Silvio. Filosofia, Educação e Cidadania. P. 131-154. In: Filosofia, Educação e Cidadania. PEIXOTO, Adão José (org). 2º ed. Campinas,SP: Editora Alínea, 2004.

THOMPSON, Paul. A Entrevista p.254-278. A voz do panado – História Oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

ENTREVISTA (ENTREVISTADA A)

  1. Entrevistada A fale sobre sua atuação como professora de História:

  • Eu como professora de história procuro levar os meus alunos a refletirem os conteúdos que eles estudam, principalmente para tirar aquela visão de que a história é matéria decorativa, pois antes tinha noção de que era decorar, decorar, hoje não. Ai eu levo eles a que? Analisar o fato ocorrido com a atualidade, fazendo com que tenha sentido o estudo de História para eles.

A senhora sente que da forma que é trabalhado o ensino de história fica melhor para interação do aluno nesse processo?

  • Creio que sim, até mesmo porque eles dizem, que a visão hoje como eles estudam história hoje, se sentem melhor, eles entendem para que serve estudar história, que antes não, ele achava “pra que estudar história coisa que já aconteceu?”. Antes não. Eu levo assim eu acho que eles gostam mais porque se situam né, se entende o que aconteceu antes, qual o reflexo que se tem hoje, passa a gostar mais até entender o por quê estudar história. Passa a ser integrante da história.

2) Na sua opinião, qual o papel do ensino de história?

  • Eu creio que é fazer com que os alunos reflitam o que ocorreu no passado pra saber a conseqüência que tem hoje e o eles podem fazer pra melhorar o amanhã, qual a participação, como eles podem atuar na sociedade para que o amanhã seja melhor do que foi no passado.

3) O que você entende por cidadania?

  • Bom, pra mim cidadania primeiro é, você saber quais são os seus direitos na sociedade. A partir daí você vai buscar saber como exigir os seu direitos e também os seus deveres na sociedade.

4) Para você o que significa ser cidadão?

  • Bom, ser cidadão é justamente isso, é você ter consciência de qual é o seu dever e o seu direito, pra você fazer valer os seus direitos na sociedade. Não é, mas dizer assim, eu sou um e não muita gente, eu não consigo mudar a sociedade nesse momento, mas você às vezes leva a pessoa a pensar no que está fazendo e exigir realmente seus direitos.

OBS: Geralmente essa palavra cidadania está vinculada na nossa mídia, principalmente na época da política. Como a senhora analisa este fator da veiculação da cidadania, mais a questão da política e do votar?

  • A relação é a seguinte, com os políticos é muito simples você dizer ser cidadão você vai exigir os seus direitos né, e às vezes as pessoas acham, nem todas, já tá mudando muita coisa, mas acha assim que exigir os seus direitos é ir lá no político pedir uma cesta básica, pedir um dinheirim na época da política, mas não é isso é você saber quem estar elegendo e exigir os seus direitos né, e às vezes as pessoas acham assim que exigir os seus direitos é ir lá no político pedir uma cesta básica, pedir um dinheirim na época da política, mas não é isso. É você saber quem você estar elegendo e exigir que ele cumpra o que prometeu. Aí sim, você está realmente exercendo a cidadania juntamente com a política um direito político que você tem.

5) De que modo o professor e o ensino de história pode contribuir para a construção da cidadania em nossa cidade, estado e país?

  • Bom seria mais ou menos assim, até em relação a política né, a questão de luta de poder para estar no poder, então a veiculação seria que o aluno ele já tendo a base para fazer comparação do que ocorreu, do que a sociedade contribui para determinado fato, ele saberá a participação que ele pode ter hoje na sociedade né, ele pode mudar, exigir os seus direitos, ele pode até mesmo ser um novo político com uma visão, acredito os nossos alunos hoje, amanhã ou depois podem ser um político, exercer a função de um político, né. Então, ele já tendo a consciência dos seus direitos, por que o papel que ele deve exercer na sociedade ele vai mudar o futuro. Por que hoje nós já vimos que na política mesmo já mudou. As pessoas não querem mais políticos que ficam falando do outro. Eles querem o quê? Pessoas que mostram propostas e que trabalhem realmente para a sociedade. Então ele tendo essa consciência a nível de escola, ele parti para exigir de município, a nível de estado e de país.

Então os jovens hoje estão exigindo coisas melhores, eles querem está estudando, eles querem ter direito a faculdade, eles querem ter direito a um bom emprego, que antigamente, por exemplo, a faculdade era a nível só de gente rica, classe alta, hoje, por exemplo, vê o que, que o mais humilde querendo, estudando pode ter faculdade, ele consegue ter, fazer uma boa faculdade.

OBS: Isso é verdade, o processo tem mudado bastante e a história juntamente com o professor de história tem contribuído bastante, porque vem ampliar essa consciência e esta participação, porque até então o indivíduo (sujeito) era visto como ser passivo e que agora começa a se encaixar e a interagir como ser participante e atuante, essa questão é mais que relevante.

  • É assim, a questão que eles passam a valorizar o estudo de história né, ver qual a importância que tem o estudo de história e saber as transformações como o ensino de história eles ver o que as pessoas fizeram e o que deu de errado e o que deu de certo.

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