Artigo - A história da farmácia

Artigo - A história da farmácia

Farmácia. A Narrativa das Ciências Farmacêuticas no Passado, Presente e Futuro.

Pharmacy. The narrative of pharmaceutical sciences in the past, present and future.

Autores: Amarilúcia Silva, David Issackson, Kelly Vasconcellos, Leandro Cordovil, Lucas Ribeiro Rodrigo Nunes e Samara Vilaça.

Alunos, graduando, do curso de farmácia pela UFPA, 2011.

No princípio as ciências envolvendo a saúde, eram realizadas por boticários e farmacistas, eles exerciam funções do ser “farmacêutico” em várias modalidades como: médicos, farmacêuticos, psicólogos, entre outros. Por tanto, apresentavam mais o interesse comercial e às vezes, pouco a atenção individual. Os farmacêuticos no início, incrementaram diversas fórmulas existentes para melhor atender as necessidades da época, marcadas por um período entre guerras, doenças, epidemias etc. A partir do século X, houve um avanço no exercício dessa ciência promovendo uma especialização da profissão separando assim a medicina da farmácia. A maneira como as ciências farmacêuticas passaram a se relacionar com o cidadão, ficou bem distante daquilo que se tinha como o tratamento mais correto a ser realizado, fugindo da antiquada terapia medicamentosa para o novo modelo que prioriza a busca de novas noções visando à prevenção das doenças em geral. Este, tem se mostrado como um método bem mais eficaz para a prática farmacêutica.

Palavras-chave: Boticários, Ciências Farmacêuticas, Prevenção, Medicamentos.

Inprincipleinvolvingthe healthsciences, were madebyapothecariesand pharmacists, they practiced functionsof being"pharmacist" invarious formssuch asdoctors,pharmacists, psychologists, among others.Therefore,hadmostcommercial interestandsometimes,littleindividual attention. Thepharmacist at the beginning, had increase number of formulas exist to betterattend theneedsof thetime, marked byaperiodbetweenwars, diseases, epidemics, etc.. Fromthetenth century, there wasaprogress in thepursuitofscienceby promotingspecializationof the professionthus separatingmedicinefromthe pharmacy.  The waythepharmaceutical scienceshaveto relate tothecitizen, was distantfrom whatitwaslikethemostcorrecttreatmentto be realized, fleeing theold-fashioneddrugtherapyforthe newmodelwhichprioritizesthe searchof new concepts aimed atpreventingdiseasein general. Thishasproven to beamuch moreeffectivemethodforpharmacy practice.

Key-words: Apothecaries, Pharmaceutical Sciences, Prevention, Drugs.

FACULDADE DE FARMÁCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

BELÉM – PARÁ

2011

Introdução:

Graças aos estudos e trabalhos dos primeiros manipuladores de substâncias que visavam a cura, temos hoje a capacidade de desenvolver remédios que priorizem a saúde dos enfermos. O esforço e reconhecimento destes profissionais tiveram seus altos e baixos na construção das ciências farmacêuticas, durantes as décadas. Sempre estiveram em busca da fórmula perfeita. Dos famigerados boticários para os atuais farmacêuticos, o seu papel ganhou grande importância para a sociedade.

A ciência farmacêutica teve um longo processo até a sua consolidação que existe hoje. Iniciado pelos árabes e mais tarde espalhado pela Europa ocidental e Ásia, motivado principalmente pela busca de alguma substancia capaz de neutralizar a peçonha de certos animais, mas tarde recebendo o nome de antídoto. Este pequeno ato de curar levou outras pessoas a estudar métodos curativos para outras doenças que afetavam as populações naquela época. Por vários lugares do mundo antigo, havia produção de conhecimento a certos grupos, que tiveram grande relevância na busca de substancia com efeito curativo. Os ensinamentos dos lideres de tribos como o pajé, que tinha a função de sacerdote, médico e conhecedor do entendimento de plantas corretas para cada enfermidade. Há também, os alquimistas que passaram a vida viajando e estudando pelo mundo a fim de produzir o elixir da vida, um remédio capaz de trazer a vida longa e a cura para qualquer doença. E outros como a bruxaria e curandeiros, possuidores de um vasto conhecimento em plantas, usando em diversas formas. Todos esses preceitos ajudaram a formar e desenvolver a técnica de combinação de substancias para produzir compostos e remédios, primordialmente feitos pelos médicos-barbeiros da Europa, pois exerciam a função de diagnosticar e produzir remédios, até ocorrer a segregação destas funções.

É inegável, o valor que estes peritos na manipulação de fármacos apresentam para a saúde no mundo moderno, destinada a exercer e servir, objetivando a melhoria da condição de vida. A Farmácia ajudou nas mudanças ocorridas na relação saúde e paciente, aumento da expectativa de vida pela criação de diversas vacinas, na melhoria das instituições médicas, no avanço da medicina em geral, etc. O profissional desta área atua em vários setores. Portanto, é de extrema importância para a evolução do conhecimento cientifico na incessante busca de medicamentos e tratamentos mais eficientes contra enfermidades.

Para este artigo, iremos tratar a história, de maneira geral e abrangente, das ciências farmacêuticas. Trazendo a você todo o desenvolvimento de forma específica, no decorrer do tempo, das mudanças sofridas na profissão, a expansão desta ciência pelos continentes, da separação da medicina e farmácia, e a farmácia no Brasil. Revendo fatos históricos de pioneirismo dos boticários, conhecendo farmacêuticos famosos que deixaram a sua marca, analisando as modificações que a farmácia trouxe ao crescimento e aprimoramento da química e medicina. Portanto, para conhecer melhor o farmacêutico, nada mais relevante do que compreender o seu passado. E entender os motivos para a afirmação do reconhecimento dos farmacêuticos.

PROCESSO HISTÓRICO DA CIÊNCIA FARMACÊUTICA:

Inicio das Ciências Farmacêuticas.

A farmácia é uma das ciências mais antigas, seu nome deriva do termo “pharmakon” que significa remédio ou veneno, dependendo apenas da dose administrada. A ciência surge antes mesmo do seu nome, pois desde épocas remotas o homem já sentia a necessidade de aliviar suas dores, e com técnicas de erros e acertos era adquirido o poder de misturar substâncias e alcançar a cura. Nas sociedades arcaicas não existia um profissional especifico para essa função, a cada povo era encontrado uma pessoa que possuía o conhecimento de algumas substâncias e de como manipular as mesmas. Podiam ser os curandeiros, os pajés e até mesmo sacerdotes, dependendo do povo e região.

Sociedades urbanas e arcaicas.

Egito e Mesopotâmia são civilizações que possuem maior importância para a historiografia da farmácia ocidental, adquirindo grande desenvolvimento na escrita. As mais antigas fontes escritas médicos-famacêuticas são provenientes dessas civilizações, O papiro de Ebers é considerado o mais importante por ter referências de mais de 7000 substâncias medicinais com inclusão de 800 fórmulas. O misticismo e crença nos deuses fundamentam os conceitos terapêuticos desses povos, os quais designam doença como mal causada por espíritos malignos, alegando-se a falta de proteção dos deuses.

Farmácia Greco Romana.

E somente na Grécia e Roma começa a surgir a explicação cientifica da área médica e farmacêutica. Grandes nomes ganham destaques, como Hipócrates de cós, considerados o pai da medicina e Galeno o pai da farmácia, a qual este escreveu bastante sobre farmácia e medicamentos. Em suas obras se encontram certa de quatro centenas e meia de referência a fármacos, e é também o precursor da alopatia.

Separação da Farmácia e Medicina.

No século X, a medicina e a farmácia eram uma só profissão. Com o desenvolvimento dos conhecimentos da área de saúde, houve a necessidade de separar o profissional que diagnosticava a doença daquele que preparava e dispensava o medicamento. A separação ocorreu em 1240 d.C. Foi o imperador Frederick II que apresentou um decreto separando completamente as responsabilidades do médico e do farmacêutico.

Os Boticários, antecessores dos Farmacêuticos.

No século XIII surgem os primeiros boticários, que tinham a responsabilidade de conhecer e curar as doenças, mas para exercer a profissão deveriam cumprir uma série de requisitos e ter local e equipamentos adequados para a preparação e guarda dos medicamentos. Entretanto, antes disso, já existiam as especiarias que eram utilizadas para fins farmacêuticos, entrando na composição de vários medicamentos. Os boticários surgiram depois dos especieiros, vendedores de drogas e especiarias. Com o passar do tempo surgiu um estabelecimento fixo para a venda de medicamentos. Portanto, o boticário surge assim com a botica, que servia como depósito dos remédios. O boticário manipulava e produzia os medicamentos na frente do paciente de acordo com a prescrição médica. As boticas antecederam as farmácias modernas. Apenas no século XX, na década de 50 esse estabelecimento passa a se chamar farmácia, e o seu profissional, o farmacêutico.

A Evolução da Farmácia no Mundo e no Brasil.

A evolução da farmácia deu-se de forma gradual. Neste contexto, é importante ressaltar a figura do boticário no processo de produção e dispensação de fármacos, especialmente em Portugal no século XIII. Em 1497, foi criado o “Regimento dos boticários”, onde se estabelecia que a venda de medicamentos só poderia ser feita por supervisão deles. A produção de fármacos era feita de maneira artesanal em boticas ou pequenas indústrias.

Com a evolução da ciência, grandes indústrias foram se formando e conseqüentemente um aumento na produção de medicamentos. Porém, não podemos atribuir o mesmo mérito ao profissional farmacêutico. Durante muito tempo, o farmacêutico foi desvalorizado do mercado de trabalho, já que as grandes empresas faziam todo o processo de manipulação e comercializavam em larga escala, não exigindo a presença de um profissional nessa área. Foi a partir da década de 70 que se criou uma lei (nº 5991/73) onde se faz obrigatória a presença de um farmacêutico em farmácias e drogarias. Aos poucos a profissão retoma sua posição no mercado. Atualmente, existem 72 áreas de atuação no Brasil e não mais somente em pequenos estabelecimentos como no passado.

A farmácia tem como princípio fundamental a promoção da saúde pública. Um princípio que a cada dia precisa ser analisado e discutido para o melhoramento das condições da saúde humana no mundo.

A História da Vacina no Mundo.

A evolução da ciência trouxe inúmeros benefícios para a sociedade. Várias pesquisas foram feitas para a melhoria na qualidade de vida, principalmente em crianças. Um grande feito histórico a ser destacado é a criação da vacina. A descoberta dessa técnica foi feita na China, no século XI, contra a varíola e posteriormente foi seguida por egípcios, persas e romanos. Eles trituravam a casca da ferida, misturavam com um pó e sopravam na narina das crianças com um cano feito de bambu. A partir daí, outras foram se desenvolvendo:

- 1885 - Louis Pasteur cria a imunização contra a raiva.

- 1921 - Camille Jean-Marie Guérin e Albert Léon Charles Calmettecriam a vacina contra tuberculose – a BCG.

- 1936 - Max Theiler e Henry Smith criam a Cepa 17D contra a febre amarela.

- 1942 - É criada a imunização contra tétano, difteria e coqueluche em uma só – a tríplice ou DPT. Foi a primeira do mundo a imunizar contra mais de um microorganismo.

- 1949 - Jonas Salk e Albert Sabin criam a vacina contra poliomielite.

Em 1989 foi registrado o último caso de poliomielite no Brasil. Isso prova o quanto a vacina se tornou importante para a erradicação dessa e de outras doenças no mundo. Atualmente, existe o dia nacional da vacinação, realizado no dia 16 de outubro, promovido pelo Ministério da Saúde, a fim de promover a melhoria da saúde pública no país.

A Revolta da Vacina.

A revolta da vacina ocorreu em 1904 no Rio de Janeiro, no período de 10 a 18 de novembro. Nessa época, a cidade vivia sob péssimas condições de saneamento básico, o que facilitou para o surgimento de doenças, como a leptospirose, peste bubônica, febre tifóide, dentre outras. Em pouco tempo, essas enfermidades se alastraram pela região. É neste cenário que surge a figura do médico Oswaldo Cruz. Ele criou uma vacina para combater a varíola, doença transmitida de pessoa a pessoa pelas vias respiratórias. Porém, forçou a população a se vacinar. Casas eram invadidas por agentes da saúde, que em certos casos amarravam as pessoas para não fugirem. A população passou a sentir medo, pois não tinham o conhecimento adequado sobre os fins da vacinação, por se sentirem obrigados, decidiram confrontar as autoridades. O resultado de tudo foi mais de 50 pessoas mortas, centenas feridas e a grande maioria presa.

A partir desse episódio, a sociedade carioca permaneceu por muito tempo com receio de se vacinar. É nesse contexto que se enquadra a grande importância das campanhas de vacinação. Com o objetivo de motivar a população a cuidar de sua saúde, mostrando a necessidade em se imunizar para a prevenção de doenças.

Brasil e As Boticas Nacionais.

A população nativa brasileira, historicamente, possuía seus próprios meios para cura de enfermidades. Os pajés dispunham de conhecimento das qualidades terapêuticas de inúmeras raízes e plantas, que mesmo após a colonização usavam delas em suas tribos. Interessados nesse conhecimento, os colonizadores solicitaram a ajuda dos jesuítas que se aproximaram dos nativos e assimilaram deles as práticas visando repassá-las aos europeus colonizadores.

A botica foi uma das instituições ocidentais que aqui aportaram junto com os europeus. Jesuítas, cirurgiões-barbeiros, que por muito tempo concorreram com as boticas no comércio de drogas, e os aprendizes de boticários aportaram aqui com os “dominadores”, trouxeram junto consigo as “caixas de botica” _ arcas de madeira que dispunham de certa quantidade de drogas.

Com a vinda de Tomé de Sousa, aproximadamente mil pessoas se instalaram na Bahia, então capital brasileira, entre elas Diogo de Castro, primeiro boticário do país. Nos tempos coloniais existiram poucas boticas, as quais pertenciam aos jesuítas e aos hospitais militares, as únicas com que muitas vilas e cidades podiam contar.

Aos poucos, o povo passou a ser atendido em boticas jesuítas, preferiam essas ao invés daquelas administradas por meros comerciantes que costumavam errar no aviamento de receitas e na manipulação das drogas prescritas.

Situadas nas principais ruas, as boticas ocupavam dois cômodos. Num cômodo ficavam as drogas expostas à venda. Sobre as prateleiras viam-se boiões de louça, e potes com decorações artísticas; frascos e jarros de vidro, etiquetados guardavam xaropes e soluções de uso medicinal. No outro cômodo encontrava-se o laboratório do estabelecimento.

De acordo com Edler, autor de Uma História Ilustrada da Farmácia no Brasil, uma importante fonte de renda para os boticários era o fornecimento para as naus de guerra e fragatas. O preparo de caixas de botica para tropas em guerra ou em socorro a capitanias com epidemias podia render boa soma aos boticários.

Ainda segundo Edler, graças à possibilidade de ganhos que o monopólio da fabricação e comércio de remédios lhes garantia, os boticários foram acusados de zelarem mais pelos próprios interesses que pela saúde de seus pacientes.

Desde o princípio do século XVI as “Ordenações do Reino”, conjunto de lei que regeram o Brasil colonial, impunham regulamentações à matéria farmacêutica. Porém, o impacto sanitário dessa medida estava comprometido pela facilidade que qualquer pessoa podia obter sua “carta de aprovação” para o exercício da profissão, o que possibilitou certa degradação da profissão no país. Era comum na época, lavador de vidros ou simples ajudantes de botica requerer autorização perante o físico-mor e, uma vez aprovados, o que geralmente acontecia, aventuravam-se como boticários, estabelecendo-se por conta própria ou em sociedade com um capitalista ou comerciante.

As boticas só foram autorizadas, como comércio, em 1640 e multiplicaram-se de norte a sul do país, dirigidas por boticários aprovados em Coimbra pelo físico-mor, ou pro seu delegado encarregado na capital do Brasil, Salvador.

Farmacêutico ou Boticário?

Desde que surgiu a designação farmacêutica, a dúvida tomou força, ser farmacêutico ou ser boticário?

O farmacêutico Manoel Hilário Pires Ferrão foi o responsável por chamar atenção para a distinção entre as duas profissões. Em 1875, após proferir uma conferência intitulada “Da farmácia no Brasil e de sua importância: meios de promover a seu adiantamento e progresso”, o farmacêutico abre espaço para tal discussão.

Concluiu-se que boticário seria qualquer um que resolvesse abrir uma botica e comercializar a retalho vários medicamentos sem ter direito para isso. A designação farmacêutico, dava-se aqueles que eram formados em cursos regulares de farmácia. Oficina ou laboratório farmacêutico substituía o termo botica.

As boticas ou farmácias, mesmo nos centros urbanos da época, acabavam funcionando como locais de assistência médica e farmacêutica, incluindo a prescrição e manipulação de medicamentos.

Revolução Medicamentosa: De Ervas a comprimidos.

Até a primeira metade do século XX, a utilização de medicamentos prontos ainda era muito pequena. Foi, aproximadamente, após a segunda metade do mesmo século que a utilização desses produtos sofreu um forte incremento, fazendo com que a procura por produtos elaborados em laboratórios por farmacêuticos se reduzisse fortemente.

Os médicos foram os principais agentes responsáveis pela ampliação do consumo de produtos farmacêuticos, receitando, cada vez mais, medicamentos prontos, em substituição aos elaborados em farmácia.

Laboratórios estrangeiros passaram a por em prática uma propaganda voltada aos médicos, logo esses deveriam ser os novos mediadores do consumo, indicando aos seus pacientes medicamentos de fabricantes específicos. Amostras grátis, bônus, brindes e a forte atuação de representantes comerciais representavam as principais armas para atrair os interesses dos médicos. Além disso, os medicamentos desses laboratórios passariam a contar com uma novidade na orientação sobre o uso do medicamento, a bula informativa.

O Desenvolvimento do Profissional Farmacêutico.

O século XIX pode ser considerado como aquele em que nasceu a historiografia farmacêutica. A primeira grande obra de investigação da área data de 1886, feita pelo pesquisador Pedro José da Silva. A história da farmácia foi desenvolvida sobre três eixos: a investigação da disciplina nas instituições de ensino, as sociedades científicas que se dedicam e os museus de farmácia.

“O farmacêutico no século passado não era reconhecido como um profissional de grande importância, porém suas atividades desde o início requeriam grandes responsabilidades, pois na essência o profissional desempenha funções de muita importância na área das ciências da saúde, mesmo diante das adversidades que existiram no século XX, a classe farmacêutica permaneceu unida, visando o engrandecimento da profissão. A academia nacional de farmácia teve papel fundamental na evolução da intelectualidade do profissional. O farmacêutico desde o período da segunda guerra mundial já era de suma importância na organização e manutenção do serviço a saúde dedicado à sociedade nesse período de guerras. O profissional também é imprescindível no que diz respeito à instrução da população sobre os perigos expostos às substâncias químicas no dia-a-dia” (BIJOS, Gerardo Majella, 1954).

No século XVI os estudos envolvendo remédios ganharam força, foi desenvolvida uma série de pesquisas sobre a propriedade de plantas e minerais na cura de doenças, cabia ao boticário a responsabilidade de conhecer, curar as doenças e ainda deveria exercer a profissão cumprindo uma série de requisitos, tal como ter local e equipamentos adequados para o preparo e o armazenamento de medicamentos.

Em Portugal, foi somente no século XVIII que os boticários conseguiram se destacar em vários setores da vida nacional, nesse período surgiu livros escritos por e para eles e, no século seguinte iniciaram um longo processo de ascensão social e de afirmação profissional que os aproximaria do nível cultural de formação técnico-científica dos médicos. O boticário junto ao doente manipulava e produzia medicamentos, de acordo com a farmacopéia e prescrição dos médicos.

Em Portugal, os jesuítas foram os primeiros a instituir boticas em seus colégios, tornando-se especialistas em preparos de remédios, principalmente os feitos a base de plantas medicinais. Em 1640, as boticas foram legalizadas como ramo comercial, o primeiro professor de farmácia brasileiro foi o Senhor José Maria Bomtempo. Para os portugueses, o dia 26 de setembro é dia nacional dos farmacêuticos. A farmacopéia geral do reino português foi por algum tempo a farmacopéia oficial do Brasil.

O título recebido pelo curso de farmácia no país era o de farmacêutico, mesmo assim durante muitos anos ficou sendo conhecido como boticário. Com a fundação das primeiras faculdades de farmácia (1839-1898), o boticário foi lentamente sendo substituído pelo farmacêutico, foi somente em 1886 que isso se consolidou. A partir da década de 1930, o ensino de farmácia no Brasil passaria por várias mudanças em seu currículo, relacionadas principalmente às transformações da prática farmacêutica, para exercer a profissão é necessário está escrito no conselho regional de farmácia referente ao estado de atuação.

No Brasil com o regimento 1744 foi criada a figura do responsável técnico. Segundo o decreto 19.606/31 é competência de o farmacêutico exercer funções na área da análise clínicas, químico bromatologista, biologista e legista nesse período, pois com o passar dos anos suas funções englobaram muitas outras áreas. Nessa época, se alguma iniciativa não fosse tomada a profissão farmacêutica poderia ser extinta devido à alta faixa etária desses profissionais e o baixo índice de formandos da área anualmente. Outro fato que é importante ressaltar nesse período era o baixo salário recebido pelos profissionais (cerca de meio salário mínimo).

Todas as dificuldades que passavam os farmacêuticos só iam reforçando ainda mais a vontade da criação de um órgão de fiscalização da ética sobre os profissionais da classe, este era visto como a salvação da profissão farmacêutica. Pouco tempo depois foi sancionada a lei nº3820 de 11 de novembro de 1960, com isso foram instalados o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e os Conselhos Regionais de Farmácia (CRFs). Com o objetivo de manter a característica essencial que é a formação diferenciada, o Conselho Federal de Educação, cria um currículo mínimo para o curso de farmácia.

A direção dos laboratórios pelos farmacêuticos se tornou obrigatória. A industrialização em ritmo crescente torna o fármaco um produto industrial, aliado as mudanças da sociedade de consumo e ainda, objeto de interesses econômicos e políticos. Com a industrialização ocorre uma queda da procura por farmácias de manipulação, o foco passa a ser o médico e o farmacêutico se afasta para outras áreas. Na década de 80 estudos feitos no “projeto biomédico” revelaram dados de uma crise de identidade do farmacêutico, pois este havia se afastado do seu eixo principal: o medicamento.

Os farmacêuticos para manterem seu título e a sua autorização profissional têm obrigatoriamente fazer cursos de formação contínua, que revalidarão a sua carteira profissional, pois sem esses cursos não conseguirão conquistar os créditos necessários e com isso serão excluídos da profissão. Este profissional está envolvido tanto no processo de pesquisa, como no estudo de efeitos colaterais e das reações adversas dos medicamentos já existentes. Ele além de dispensador, agindo na fabricação de cosméticos, na medicação de doentes hospitalares, na fiscalização sanitária, entre outras atividades asseguradoras de qualidade de vida.

As Diretrizes Curriculares Nacionais de 2002 regulamentaram a formação do farmacêutico com o foco de ser um profissional de saúde e atuar também no sistema único de saúde. O farmacêutico generalista surgiu após vários encontros internacionais que tratavam dos cuidados primários com a saúde e com a reformulação do ensino através de implementação de novas diretrizes curriculares, estas mudaram a filosofia do ensino de farmácia e principalmente oferecer habilidades generalistas, humanistas, com capacidade de avaliar crítica e humanisticamente a sociedade em seus aspectos biológicos e sociais. O profissional passa a trabalhar com a comunidade a sua função social, ele atua em todos os níveis de atenção a saúde e através do seu conhecimento científico passa a lutar por uma Política Nacional de Assistência Farmacêutica, que é um conceito que engloba o conjunto de práticas voltadas à saúde individual e coletiva.

Segundo a OMS, as Profissionais sete estrelas devem possuir as seguintes qualidades: Prestação de serviços farmacêuticos, capacidade de tomar decisões, comunicação, liderança, gerência, atualização permanente e deve ser um bom educador.

Considerações finais.

No Brasil é no dia 20 de janeiro que se comemora o dia do farmacêutico, escolheu-se esse dia, pois ele faz alusão à fundação da Associação Brasileira de Farmacêuticos (ABF) em 1916.

A farmácia possui uma das bagagens históricas mais antigas da humanidade, tem resistido a várias mudanças e se adaptado às novas situações, alterando antigos hábitos. A importância desse profissional nas farmácias é cada vez maior, pois quando este não se encontra no local, o estabelecimento não funciona, isso ocorre em alguns países da Europa. A área de atuação destes profissionais tem crescido bastante no decorrer dos anos. O CFF é o órgão oficial do Brasil na fiscalização de outras atividades, nesse sentido a ANVISA auxilia de maneira considerável junto com o ministério da saúde, na legislação das atividades inerentes à profissão.

Para que ampliasse o campo de trabalho do farmacêutico, se tornou necessário uma maior abrangência de sua formação acadêmica, pois com isso a responsabilidade do profissional aumenta. O perfil do profissional generalista resgata a figura do médico-farmacêutico da antiguidade e, para ele o conhecimento da anatomia constituía a base de sua formação.

“O papel do farmacêutico no mundo é tão nobre quão vital. O farmacêutico representa o elo entre a medicina e a humanidade sofredora. É o atento guardião do arsenal de armas com que o médico dá combate às doenças. E quem atende às requisições a qualquer hora do dia ou da noite. O lema do farmacêutico é o mesmo do soldado: servir. Um serve à prática, outro à humanidade, sem nenhuma discriminação de cor ou raça.”

Autor: Monteiro Lobato

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