Exames Contrastados

Exames Contrastados

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ANATOMIA RADIOGRÁFICA

SISTEMA DIGESTIVO

o sistema digestivo inclui todo o tubo digestivo e vários órgãos acessórios.

tubo digestivo

O tubo digestivo começa na (1) cavidade oral (boca); continua como (2) faringe,(3) esôfago, (4) estômago e (5) intestino delgado, e termina como o intestino grosso (6), que, por sua vez, termina como o (7) ânus.

A anatomia e o posicionamento das partes (1) cavidade oral, até (5) duodeno, são descritos neste capítulo. O restante do intestino delgado, e (6) o intestino grosso e o (7) ânus, estão descritos no próximo capitulo.

órgãos acessórios

OS órgãos acessórios do sistema digestivo incluem as glândulas salivares, o pâncreas, o fígado e a vesícula biliar.

funções

O sistema digestivo realiza as três funções primárias a seguir:

1. A primeira função é a de ingestão e/ou digestão de alimento, água, vitaminas e minerais. O alimento é ingerido na forma de carboidratos, lipídios e proteínas.

Esses grupos complexos de alimentos de­vem ser quebrados, ou digeridos, para que haja a absorção.

2. A segunda função primária do sistema digestivo é a de absorver as partículas alimentares digeridas, juntamente com a água, as vitaminas e os elementos essenciais do tubo digestivo para o sangue ou os capilares linfáticos.

3. A terceira função é eliminar todos os resíduos alimentares na forma de produtos semi-sólidos nas fezes.

PROCEDIMENTOS RADIOGRÁFICOS BÁSICOS

Dois procedimentos comuns envolvendo o trato gastrointestinal alto são apresentados neste capítulo.

Esses exames radiográficos envolvem a administração de um contraste.

Esofagografia com Bário (Estudo da Faringe e do Esôfago)

O exame específico da faringe e do esôfago é chamado de esofagografia baritada. Esse exame avalia a forma e a função da faringe e do esôfago através do bário deglutido.

Seriografia Esôfago-Estômago-Duodeno - (SEED)

O procedimento utilizado para se estudar a porção distal do esôfago, estômago e duodeno em um só exame é chamado de serigrafia esôfago-estômago-duodeno (SEED). Designações alternativas para a seriografia esôfago-estômago-duodeno incluem seriografia do TGI alto. Uma radiografia PA de uma SEED é mostrada na Fig. 14.2.

O sulfato de bário misturado com água é o contraste preferido para todo o tubo digestivo. A área de densidade negativa (de aspecto branco) na radiografia indica o estômago e o duodeno preenchidos pelo sulfato de bário, que é o contraste.

DEGLUTIÇÃO E PERISTALSE

O esôfago contém camadas bem desenvolvidas de músculo esquelético (circular e longitudinal) no seu terço superior, músculo liso e esquelético no seu terço médio e apenas músculo liso no seu terço inferior. Diferentemente da traquéia, o esôfago é um tubo normalmente colabado que se abre somente quando ocorre a deglutição. O processo de deglutição se continua no esôfago após ter sido iniciado na boca e na faringe. Os líquidos tendem a atravessar da boca e da faringe até o estômago apenas pela gravidade. O bolo alimentar de material sólido atravessa o esôfago por gravidade e com a ajuda dos movimentos peristálticos.

A peristalse é uma série de ondas de contrações musculares involuntárias que impulsionam o material sólido e semi-sólido através do tubo digestivo.

Um bolo sólido de sulfato de bário preenchendo todo o esôfago é visto na Fig. 14.10, ganhando o estômago tanto por gravidade como por peristalse.

O acúmulo de bário no estômago é visto nessa radiografia em PA. .

Um foco em maior aumento de uma radiografia na posição OAD visto na Fig. 14.11 demonstra o esôfago parcialmente preenchido com bário, com as constrições peristálticas normais mais evidentes nas porções média e superior do esôfago.

A relação do esôfago com o coração é vista nessas radiografias. O esôfago é imediatamente adjacente às bordas direita e posterior do coração.

SUMÁRIO

Em geral, três funções básicas do sistema digestivo são realizadas no interior do tubo digestivo. Primeira, a ingestão e/ou digestão toma lugar na cavidade oral, faringe, esôfago, estômago e intestino delgado. Segunda, os produtos finais da digestão, juntamente com água, vitaminas e minerais, são absorvidos principalmente pelo intestino delgado e, em pequena monta, pelo estômago, sendo, então, transportados para o sistema circulatório,Terceira, o material desprezado e não-absorvido é eliminado pelo intestino

grosso.

Biotipo

O biotipo tem um grande efeito na localização do TGI no interior da cavidade abdominal. Para posicionar o paciente adequadamente e com precisão para a realização de procedimentos radiográficos do TGI, deve-se

conhecer e entender as características de cada uma das classes de biotipo.

As quatro classes gerais de biotipo estão na Fig. 14.23.

HIPERESTÊNICOS VERSUS HIPOSTÊNICOS/ASTÊNICOS (Fig. 14.25)

Hiperestênicos O tipo hiperestênico refere-se aos 5% da população com a constituição corporal atarracada, com o tórax e o abdome muito largos e profundos ântero-posteriormente. Os pulmões são curtos, e o diafragma é alto. O cólon transverso é elevado, e todo o intestino grosso tende a se alojar na periferia da cavidade abdominal. Esse tipo geral­mente requer duas radiografias a partir da linha média para incluir todo o intestino grosso.

A vesícula biliar tende a se localizar em relação com a região pilórica e o bulbo duodenal. No paciente hiperestênico, a vesícula biliar está elevada e quase transversa, localizando-se bem à direita da linha média. O estômago também está muito elevado e assume uma posição trans­versa, estendendo-se

aproximadamente de T9 a T13, com o seu centro cerca de 2,5 cm distalmente ao processo xifóide. O bulbo duodenal se encontra no nível de T11 ou T12, à direita da linha média.

Hipostênicos/ Astênicos Esses indivíduos, que representam o tipo corporal oposto, são mais magros e têm pulmões mais estreitos e compridos, com o diafragma baixo. Essa disposição faz com que o intestino grosso esteja muito rebaixado no abdome e tenha a sua maior capacidade na região pélvica.

O estômago tem a forma de J e situa-se mais baixo no abdome, estendendo-se de T11 até abaixo das cristas ilíacas, aproximadamente até L5 ou até mesmo mais baixo. A porção vertical do estômago está à esquerda da linha média, com o bulbo duodenal próximo à linha média, no nível de L3 ou L4.

A vesícula biliar está próxima à linha média ou ligeiramente à direita e verticalmente no nível da crista ilíaca, aproximadamente em L3 a L4.

Estênicos (Fig. 14.25) A compleição corporal média é o tipo estênico, que é uma versão mais magra do hiperestênico. O estômago também lembra um J, está localizado mais inferiormente que o tipo atarracado, e geralmente se estende de T10 ou T11 até L2, aproximadamente. O bulbo duodenal se encontra entre L1 e L2, à direita da linha média. A vesícula biliar é menos transversa e se localiza a meio caminho entre a parede abdominal lateral e a linha média. A flexura cólica esquerda (esplênica) do intestino grosso é freqüentemente muito elevada, localizando-se logo abaixo do diafragma esquerdo.

RADIOGRAFIAS DE TGI ALTO DEMONSTRANDO OS TIPOS CORPORAIS

A maior parte dos pacientes não se enquadra claramente em nenhum dos três tipos corporais, mas são uma combinação desses tipos, sendo necessário avaliar cada paciente para a localização provável do estômago e vesícula biliar. Os três exemplos radiográficos e fotográficos dos tipos corporais demonstram a posição e a localização do estômago dos tipos corporais mais comuns. A localização do estômago e do bulbo duodenal em relação às vértebras específicas deve ser notada, além das relações com a crista ilíaca e a margem costal inferior.

Estômago - elevado e transverso, entre T9 e T12.

Porção pilórica - nível de T11 a T12, na linha média.

Bulbo duodenal - nível de T11 a T12, à direita da linha média.

Geralmente tem altura menor, com ombros e quadris largos e tórax curto (menor distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca). A cavidade abdominal é mais larga nas regiões superiores.

Estômago - nível de Tl0 a L2.

Porção pilórica - nível de L2, próximo à linha média.

Bulbo duodenal - nível de L2, próximo à linha média.

Próximo da média em peso, altura e distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca (pode ser mais corpulento que a média, com algumas características do hiperestênico ).

Estômago - rebaixado e vertical, nível de T11 a L4.

Porção pilórica - nível de L3 a L4, à esquerda da

linha média.

Bulbo duodenal - nível de L3, na linha média.

Geralmente magro e alto, com grande distância entre a reborda costa I e a crista ilíaca. (Esse exemplo está entre o hipostênico e o astênico.) A cavidade abdominal é mais larga nas regiões inferiores no tipo astênico verdadeiro.

ASPECTOS EM COMUM

Os procedimentos ou exames radiográficos do tubo digestivo como um todo são similares em três aspectos gerais.

Primeiro, como muitas partes do TGI são comparáveis em densidade aos tecidos adjacentes, algum tipo de contraste deve ser adicionado para visualizar as várias partes do TGI. As únicas regiões do tubo digestivo que podem ser vistas em radiografias comuns são o fundo gástrico (com o paciente em pé), graças à

bolha gástrica, e partes do intestino grosso, graças ao ar e ao material fecal que se acumula.

A maior parte do tubo digestivo se mistura com as estruturas adjacentes e não pode ser visualizada sem o uso de contraste. Esse fato é ilustrado pela comparação de uma radiografia comum de abdome (Fig. 14.32) com uma radiografia contrastada com sulfato de bário (Fig. 14.33).

O segundo aspecto em comum é que o estágio inicial de cada exa­me radiográfico do tubo digestivo é realizado com fluoroscopia. A fluoroscopia permite ao radiologista (1) observar o TGI em movimento, (2) produzir imagens radiográficas durante o exame e (3) determinar as ações mais apropriadas para um exame radiográfico completo. Visualizar órgãos em movimento e isolar estruturas anatômicas é absoluta­mente essencial no exame radiográfico do TGI alto. As estruturas nessa área assumem uma

grande variedade de formas e tamanhos, dependendo do biotipo, da idade e de outras influências individuais.

Além disso, a atividade funcional do tubo digestivo exibe uma ampla faixa de diferenças que são consideradas dentro dos limites da normalidade.

Além dessas variações, existe um grande número de alterações ou condições anormais, tornando importante que esses órgãos sejam visualizados diretamente pela fluoroscopia.

Um terceiro ponto em comum é que as imagens radiográficas são registradas durante, e freqüentemente após, o exame fluoroscópico, a fim de fornecer um registro dos achados normais ou anormais. Uma radiografia com raios emitidos de cima para baixo pós-fluoroscopia está sendo preparada pelo radiologista

para a exposição, após a realização da fluoroscopia em uma SEED – Fig. 14.35. A seção sobre posiciona­mento, adiante neste capítulo, descreve as incidências rotineiras mais comuns pós-fluoroscopia para a esofagografia e a SEED.

Com o uso crescente da fluoroscopia digital, o número de radio­grafias pós-fluoroscopia diminuiu muito. Alguns centros confiam estrita­mente na imagem por fluoroscopia digital, em vez de qualquer outra imagem

adicional pós-fluoroscopia. A fluoroscopia digital é descrita em mais detalhes mais adiante neste capítulo.

CONTRASTES

Contrastes radiotransparentes e radiopacos são utilizados para tornar o TGI visível radiologicamente.

Meios de contraste radiotransparentes ou negativos incluem o ar deglutido, cristais de CO2 e a bolha gástrica normalmente presente no estômago. Cristais de citrato de cálcio e magnésio carbonatado são substâncias mais comumente usadas para produzir o gás CO2.

sulfato de bário (bário)

O contraste positivo ou radiopaco mais comumente usado é o sulfa­to de bário (BaS04), geralmente referido apenas como bário. Como ilustrado na Fig. 14.36, o sulfato de bário é um pó, lembrando o gesso. O pó é misturado à água antes da ingestão pelo paciente.

Esse composto, que é um sal de bário, é relativamente inerte, graças à sua extrema insolubilidade em água e em outras soluções aquosas, como os ácidos. Todos os outros sais de bário tendem a ser tóxicos ou venenosos para o homem. Dessa forma, o sulfato de bário usado em centros radiográficos deve ser quimicamente puro.

Uma mistura de água e sulfato de bário forma uma suspensão coloidal, não uma solução. Para uma solução as moléculas da substância adicionada à água deveriam na verdade se dissolver na água. O sul­fato de bário nunca se dissolve na água. Em uma suspensão coloidal, entretanto (como o sulfato de bário e a água), as partículas suspensas na água tendem a se precipitar quando se deixa a mistura repousar por um período de tempo.

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