Relatorio Educação Ambiental

Relatorio Educação Ambiental

(Parte 1 de 7)

Programa “Trilha da Vida:

(Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos”

Um Caminho Transdisciplinar na Formação de Educador@s Ambientais

Relatório da Formação em Educação Ambiental do Núcleo de

Pesquisa e Educação Ambiental Augusta Knorring –

(Secretaria Municipal de Educação – Brusque, SC), realizado no período de 20 horas/aula

Brusque, SC 2007

Secretaria Municipal da Educação de Brusque Marilisi Fischer (Secretaria da Educação)

Escola de Ensino Fundamental Professora Augusta Knorring Elisabet Maria Weingartner (Diretora da unidade escolar)

Núcleo de Pesquisa e Educação Ambiental Augusta Knorring Estácio Jussie Odisi (Coordenador e responsável)

Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI Laboratório de Educação Ambiental

Faculdade Intermunicipal do Noroeste do Paraná – FACINOR Núcleo Disseminador da Trilha da Vida - PR

ONG - Voluntários pela Verdade Ambiental – Itajaí, SC

Ministrantes:

Estácio Jussie Odisi José Matarezi Renata Zimmerman Inui

Apoio e Redação Editorial

Estácio Jussie Odisi Thiago Kazuo Kitamura

08 de agosto de 2007 19 de setembro de 2007 07 de novembro de 2007

Fundação Ecológica e Zoobotânica de Brusque (Brusque, SC) Escola de Ensino Fundamental Professora Augusta Knorring (Brusque, SC)

Ao parque Zoobotânico de Brusque que cedeu espaço para a realização da vivência; À equipe da escola responsável pela refeição (Elisabet, Iria, Maria Helena, Tânia, Isolete, Ângela e Carminha); e à presença e comprometimento de todos os professores.

Buscando o sentido

O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do Universo.

Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência, as coisas e os eventos. O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir.

Me recuso a viver num mundo sem sentido.

Precisamos buscar o sentido.

Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa busca que é sua própria fundação.

Só buscar o sentido faz, realmente sentido. Tirando isso, não tem sentido.

Leminski

Introdução1

Sumário

1. Desenvolvimento da vivência “Caminhos de Encontros e Descobertas”5
2. Desdobramento da vivência – Sistematizações18
3. Avaliação das atividades referentes ao marco conceitual34

Capítulo I – Marco Conceitual

1. Resgate ao módulo do Marco Conceitual43
2. Formação da identidade do grupo48

Capítulo I – Marco Situacional

grupo56
4. Avaliação das atividades referente ao Marco Situacional58

3. Concepção de Educação Ambiental dos projetos realizados e do plano de ação do

1. Apresentação – Palestra com José Matarezi65
2. Sonhos de Educação Ambiental para a escola67
3. Propostas de ação70
4. Referências recomendadas72
5. Avaliação das atividades referente ao Marco Operacional73
6. Celebração de encerramento do curso78
Considerações Finais79

Capítulo I – Marco Operacional

Apêndice A – Proposta do curso81
Apêndice B – Programação do curso8

Introdução

Este processo de formação em educação ambiental é oferecido pelo

Laboratório de Educação Ambiental da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) ao Núcleo de Pesquisa e Educação Ambiental Augusta Knorring (NUPEAAK) que opera suas atividades na Escola de Ensino Fundamental Professora Augusta Knorring. O referido processo de formação está direcionado ao plano de ação do NUPEAAK e no enriquecimento de conhecimento na área de pesquisa e educação.

O número total de participantes foi de 32 professores das escolas municipais

Escola de Ensino Fundamental Professora Augusta Knorring, Escola de Ensino Fundamental Oscar Maluche, Escola de Ensino Fundamental Theodoro Becker, Escola de Ensino Fundamental Edith Krieger Zabel, Centro de Educação Infantil Max Rodolfo Steffen e da escola estadual Escola de Educação Básica Dom João Becker.

Fundamental Professora Augusta Knorring, ambas no município Brusque (SC)

O processo formativo foi realizado nos dias 08 de agosto, 19 de setembro e 07 de novembro, sendo a vivência realizada na Fundação Ecológica e Zoobotânica de Brusque e as demais atividades em salas de aula da Escola de Ensino

A formação realizou-se através da metodologia fundamentada no

Experimento Educacional Transdisciplinar “Caminhos de Encontros e Descobertas” criado dentro do programa Trilha da Vida. Esta referida metodologia de trabalho foi desenvolvida na forma de oficinas experimentais, que proporcionaram vivências subjetivas, reflexões, diálogo, teorizações, significações e re-significações da práxis, tornando-se uma referência em Educação Ambiental.

Este ciclo formador iniciado foi composto por três encontros, sendo os dois primeiros de 8 horas e o último de 4 horas. Onde o primeiro abarca o Marco Conceitual, o segundo o Marco Situacional e o último o Marco Operacional da Educação Ambiental do grupo de professores participantes.

Programa “Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos” 1

Introdução

O Marco Conceitual do grupo é trabalhado a partir de uma vivência significativa no Experimento Educacional Transdisciplinar “Caminhos de Encontros e Descobertas”, o qual se torna inicializador da construção individual e coletiva de conhecimentos relativos a Educação Ambiental. As atividades relacionadas a este Marco Conceitual estão descritas no Capítulo I.

No segundo encontro realizou-se um resgate ao conteúdo pertinente ao primeiro encontro, como a rede semântica, mapa simbólico e as narrativas, a fim de firmar o Marco Conceitual do grupo sobre Educação Ambiental (conceitos, princípios, atitudes e valores) confrontando com a prática educativa na escola, formando assim o Marco Situacional do referido grupo. O processo foi conduzido através de reflexões críticas e sistematizações construídas pelo grupo bem como a geração de textos coletivos. Esta análise crítica da práxis educativa na escola permite a visualização de ações e propostas de inserção da Educação Ambiental

Programa “Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos” 2

Introdução desejada pelo grupo. Esse processo é descrito detalhadamente no Capítulo I, que se refere ao Marco Situacional.

O terceiro encontro se tornou apropriado para que as ações e propostas, articuladas anteriormente com os Marcos Conceitual e Situacional, possam ser planejadas visando sua operacionalização e efetivação enquanto Projeto Político Pedagógico da Escola, remetendo assim ao Marco Operacional do grupo conforme descrito do Capítulo I.

Este processo de formação reconhece que o grande desafio dos educadores – cujo objeto de trabalho é o conhecimento e a aprendizagem - é justamente descobrir e viabilizar as oportunidades de aprendizagem certas, no momento certo e de forma pertinente a cada indivíduo, abrindo espaço para que a “mestria da natureza” faça seu papel.

Em consonância com a proposta de enraizamento da Educação Ambiental no país, o processo formador realizado vem atender à necessidade de promoção da cidadania participativa, como meio de estruturação de uma educação formadora, que possibilite avanços com relação ao campo social, ético e ambiental, mediante ações de educação ambiental que sejam mais formativas do que informativas. Assim, a Educação Ambiental Crítica se torna peça chave na valorização das diversas dimensões da sustentabilidade, seja cultural, ambiental, social, econômica, tecnológica, institucional e política.

Programa “Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos” 3

Capítulo I

Capítulo I - Marco Conceitual

1. Desenvolvimento da vivência “Caminhos de Encontros e Descobertas”

A presente vivência ocorreu na Fundação Ecológica e Zoobotânica de

Brusque no dia 8 de agosto de 2007 envolvendo 27 professores da escola realizadora Escola de Ensino Fundamental Professora Augusta Knorring e de outras escolas municipais e estaduais convidadas.

No primeiro momento realizou-se a abertura institucional com representantes da Secretaria Municipal de Educação de Brusque, Fundação Ecológica e Zoobotânica de Brusque, Escola de Ensino Fundamental Augusta Knorring e ministrantes do Laboratório de Educação Ambiental da UNIVALI.

Na seqüência os participantes foram encaminhados para a etapa preparatória da vivência “Caminhos de Encontros e Descobertas”, iniciando uma acolhida e centramento dos participantes para o fluxo de atividades a serem vivenciadas. Nesta etapa trabalhou-se o grupo para que despertasse os sentidos e houvesse um centramento individual e coletivo na proposta da vivência. O trabalho foi mediado pela ministrante Renata Inui com duração de 30 minutos.

Acolhida e centramento dos participantes

Para dar início à vivência “Caminhos de Encontros e Descobertas”, foram passadas algumas orientações aos participantes sobre como se conduzir na vivência, tais como: explorar, procurar, descobrir e/ou encontrar um lugar para permanecer, possibilitando realizar uma troca simbólica entre um punhado de terra e algo que fosse significativo para cada um. Além disso, foi requisitado aos

Programa “Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos” 5

Capítulo I - Marco Conceitual participantes para que isolassem a fala gerando uma atenção maior para com o experimento.

Procurar Encontrar um lugar para permanecer

Interagir com o ambiente Realizar a troca simbólica

Interagir sem fala Descobrir

Ao término do experimento formou-se uma grande roda onde os participantes realizaram uma convergência e diálogo para troca de experiências, através do compartilhamento de narrativas individuais, proporcionando a escuta coletiva da

Programa “Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos” 6

Capítulo I - Marco Conceitual diversidade de experiências, sensações, descobertas e trocas realizadas, permitindo aflorar a diversidade de percepções.

Roda de diálogo Transcrição das narrativas geradas no diálogo:

Renata Inui: Quem quer começar
penseiTêm tantas pedras que fazem parte do nosso caminho, então esta pedra eu estou
pensar, em refletir

Narrador 01: Eu adorei o passeio e o que eu peguei na caminhada foi a pedra, porque eu percorrendo. Então encontrei o nosso amigo, que sem falar a gente tinha que fazer uma troca então e eu não queria fazer esta troca, então, ele me deu esta coisa aqui. Esse chocalho, mais para mim isto aqui não tem nenhum significado, sentindo é gostoso sentir o barulho mais do chocalho, mais na minha vida, na minha caminhada esse objeto não tem nenhum sentido assim. Renata Inui: E como é que foi esta experiência de não falar, esta orientação, encontrou algum lugar significativo. Para eu ficar sem falar não foi muito significativo porque eu sou um pouco quieta, eu sou mais reservada então para mim foi gostoso este momento de estar em silêncio, em

Narrador 02: Eu não peguei nada porque a primeira coisa que eu vi foi aquilo que ela esta na mão, me chamou muito a atenção, porque ele é colorido, muito lindo e faz parte da cidade, só que eu não peguei porque eu posso ver as coisas, mas eu não pego para trazer, é uma coisa que eu não tenho comigo isso, não me interessa pegar, agora essa coisa do silêncio foi muito angustiante eu acho assim que eu precisava conversar, eu não via a hora de parar para eu falar, falar, falar.Com alguém foi bem angustiante porque eu precisava falar com alguém, tentei ficar sozinha porque se estivesse com alguém eu falava foi angustiante e até ouvi o loro falar eu tinha vontade de ir lá falar com ele, agora de pegar eu não peguei porque eu vejo acho bonito pego, mas devolvo não gostaria de ter para mim aquelas coisas, foi só...Essa foi minha caminhada.

Narrador 03: Bom eu não peguei nada também porque no momento que se olha, que nós estamos andando no ambiente de natureza que nos poderíamos pegar alguma coisa da natureza eu não imaginei que eu encontraria tantos objetos. E nem frutas foi uma coisa que nem me passou pela cabeça, então realmente eu achei que iria encontrar plantas, folhas e isso eu acredito que faz parte da natureza que nós não temos direito de ir lá e estar pegando isso, então como eu saí do grupo com esse propósito de olhar a natureza, eu achei que não deveria estar pegando nada.

Programa “Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos” 7

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 04: Eu também em relação à atividade pensei a mesma coisa que a ela, não faz parte do meu pensamento pegar as coisas da natureza então pelo caminho agente achou alguns lixos, pegamos e colocamos na lixeira então acho que foi uma troca não necessariamente coloquei alguma coisa no lugar, mas eu tirei dela o que não fazia parte da natureza.

Narrador 05: Eu peguei essa redeMas não gosto de pescar, venho de um estado lá no norte
alimento, caçarMas não dessa forma tão predatório como jogar uma rede onde ali ele vai
captar vários peixes, menores ou maiores e só para ver como a natureza não repõePor isso
eu peguei no sentido de fazer com que o homem pensasse um pouquinho mais
Renata Inui: Como foi essa sua experiência de caminhar sem poder falar

do Paraná onde ninguém tem o hábito de pescar, uma que não tem rio, não tem mar, muito poucos rios, só que ao olhar essa rede eu fiquei percebendo que o homem tem que buscar o

tranqüilo

Narrador 05: Para mim é tranqüilo porque eu quase não falo, sou bem tímido, mas foi bem Renata Inui: E para ti, como foi?

mostravaA gente curtiu muito o passeio na questão de observar os bichos, a natureza, mas
nós nos comunicamos sem a fala

Narrador 04: A gente não falou, mas acabou se comunicando com gestos, apertando a mão e

falar com alguém

Narrador 06: Eu não peguei nada porque eu fiquei caminhando, caminhando e resolvi não pegar nada. Aí para mim o mais angustiante foi não falar, aquilo ali eu achei que não ia conseguir, ficava olhando para um lado, para o outro dava quase que um desespero, porque eu precisava

seres que parecem tão superioresEntão esse pequeno momento mesmo de imersão na
geralmente tem que falar com muitas pessoas sempreEntão foi bem proveitoso, foi prazeroso...

Narrador 07: Eu peguei emprestado porque eu adoro esse barulhinho de chuva e há muito tempo eu sou uma admiradora da cultura indígena, do saber, do sentir das nações indígenas mesmas, do jeito que eles convivem com a natureza de uma forma totalmente diferente de nós, natureza foi gostoso, foi um momento que eu gostei de ficar quieta, porque no meu trabalho

vezes, mas sempre com crianças, parentes e a gente vem caminhando, falandoEntão hoje foi
um momento bem diferente, porque eu vim aquiMas foi diferente das outras vezes porque eu
conversando, você vem brincando e hoje foi um momento de admirarEntão foi uma experiência
bem diferente, apesar de ser um lugar que eu conheço bastanteAté assim para fugir dos
mesmoE o objeto a princípio eu tinha pego uma banana, troquei porque é uma fruta porque é
uma coisa que a natureza nos dáDentro do limite é claro, mas aí quando eu vi este colar eu
dentro de um outro caminho, que não é o caminho que eu vejo sempreFoi bem legal mesmo...

Narrador 08: Este momento de não falar foi bem legal também porque eu venho aqui várias pude olhar as coisas e sentir mais aquilo. Porque quando você vem com alguém você vem caminhos já definidos, porque hoje eu fui por caminhos que eu nunca vou, então foi bem legal achei muito lindo, porque é feito de sementes e os índios fazem muito bem o proveito da natureza para a arte de uma forma muito justa, não tirando dela mais do que pode então eu achei bem lindo e também faz um barulhinho gostoso e trouxe por isso. Mas foi bem legal a experiência de caminhar e sentir a natureza, observar as árvores, poder sentar um pouco e ver a natureza ali, Programa “Trilha da Vida: (Re)Descobrindo a Natureza com os Sentidos” 8

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 09: Eu gostei muito do caminhar, mas eu fugi da regra, não era para conversar, mas eu acabei conversando com a professora e o que eu encontrei jogado foi essa embalagem de formicida que eu acredito que não deveria estar jogada no ambiente, uma que o plástico demora a se decompor e outro devido ao conteúdo que não pode ser inalado por isso eu trouxe, pois ele não deveria estar lá, outra coisa, que me chamou a atenção foram às cascas de tangerina que estavam jogadas por todo o recinto, não deveriam estar lá, deveriam ter um local apropriado para decomposição e depois ser lançado.

Narrador 10: Bom eu não tive problema em ficar em silêncio em sala de aula eu falo demais. Para pensar para refletir e a troca que eu fiz foi tirar do ambiente esses apitos que eu acho que não são uma coisa boa para o ambiente. O homem no caso perdeu tempo criando apito e métodos de caça, ele às vezes não utiliza isso para alimentação e sim pelo simples prazer de caçar então eu acho um ponto negativo da natureza que esta sendo retirado dela.

Narrador 1: Para mim a experiência foi ótima diferente da outra vez inclusive, retirei dali objetos indígenas pelo som, um elemento, milho um alimento básico dos indígenas da América, toda cestaria e arte indígena o esfrengaozinho que é milenar e isto aqui a higiene que no contato entre brancos e índios foi absorvido a higiene indígena, os europeus aprenderam com os índios que tomavam de dez a doze banhos por dia enquanto os europeus de um a dois por ano. Neste sentido eles eram civilizados, houve uma troca em relação ao ambiente, eu fui sentir e cheirar, foi escutar a solução da seiva nas arvores cheguei próximo aos animais da América latina a Yama para também observar mias de perto esses animais bem diferentes que era nosso cavalo da América, mais foi muito bom sentir o cheiro do verde da natureza, orvalho nas arvores, a natureza nos ensina muito os ciclos que coisa perfeita a fruta que a terra nos dá, não existe nenhum produto industrializado que chegue aos pés.

(Parte 1 de 7)

Comentários