Florestas Higrófilas de Baixas Altitudes

Florestas Higrófilas de Baixas Altitudes

Florestas Higrófilas de Baixas Altitudes

Conceito

  • Diz-se da planta que só vegeta em lugares úmidos e que se caracteriza por grandes folhas delgadas, moles e terminadas em ponta afilada (Aurélio).

  • São formações ribeirinhas caracterizadas por ocorrerem em solo permanentemente encharcado e restrito a pequenos fragmentos junto a outros tipos de vegetação (Lamprecht).

Localização

  • Estendem numa área de aproximadamente 4 milhões de Km².

  • Ocupa extensas áreas da Bacia da Amazônia, Orinoco e Congo, Golfo da Guiné, Índia Ocidental e Tailândia.

  • Neste tipo florestal, as temperaturas variam muito pouco durante o ano (22-28º C),

  • A chuva cai regularmente durante todo o ano.

  • Os solos na sua maioria são geologicamente envelhecidos devido a influência do clima quente e úmido (Lamprecht, 1990).

Floresta higrófila perenifólia de baixa altitude

A composição florística é extremamente rica, diversificada, regionalmente muito distintas e varia muito no espaço de pequenas áreas.

O número de espécies arbóreas varia normalmente entre 60 e 80 (por vezes até 100 ou mais) e o número de árvores/ha com DAP 10 cm pode atingir 600 indivíduos.

Este tipo florestal ocorre em locais com regime pluviométrico entre 2000 a 4000 mm/ano Lamprecht (1990).

  • A estrutura vertical caracteriza-se por apresentar em alguns casos, difícil de delimitar um do outro, mas, em geral apresenta 3 a 4 estratos.

  • A altura das árvores do estrato superior variam entre 45-55 m e em casos excepcionais atingem 60 m ou mais.

  • As copas em geral são elevadas e não formam um dossel fechado pois, encontram-se geralmente isoladas ou em pequenos grupos.

  • O segundo estrato apresenta um dossel relativamente mais denso e composto por árvores cujas alturas variam entre 30 a 35 m. Abaixo deste encontra se um terceiro estrato e, por vezes, um quarto estrato, cuja densidade de cobertura, depende do grau de penetração da luminosidade. Em geral, é rara a ocorrência do estrato arbustivo e herbáceo.

Floresta higrófila perenifólia de baixas altitudes (Lamprecht, 1990)

Floresta higrófila perenifólia de baixas altitudes (Lamprecht, 1990)

  • Fisionomicamente, as árvores apresentam casca lisa e geralmente fina, folhas normalmente grandes e com as bordas inteiras. Nas florestas pouco perturbadas da África, a área basal varia entre 23 e 37 m2/ha (Dawkins, 1958, 1959, citado por Lamprecht, 1990).

  • Outros aspectos característicos deste tipo florestal, são a caulifloria e o desfolhamento observado em muitas espécies, freqüente ocorrência lianas, epífitas e palmeiras(principalmente nos estratos inferiores), embora, em números inferiores comparativamente as florestas higrófilas perenifólias de altitudes elevadas.

  • Sob aspecto florístico, fisionômico e estrutural, as florestas higrófilas perenifólias de baixa altitude no Mundo são bastante semelhantes, exceptuando as florestas de Dipterocarpácea que ocupam extensas áreas do Sudoeste Asiático, fazendo recordar uma autêntica monocultura, com uma composição florística bastante homogênea.

Floresta higrófila caducifólia de baixa altitude

  • As florestas higrófilas caducifólias, também designadas "florestas desfolhadas no período seco" estendem-se numa área de aproximadamente 250 milhões de hectares, compreendendo o continente Africano, Asiático, Australiano e a América Latina (Bullock et al., 1995). Em Moçambique este tipo florestal ocorre em algumas áreas da província de Cabo Delgado, Nampula, e Zambézia (Gurué) com pluviosidade entre 1400 a 1800mm/ano

  • As florestas higrófilas caducifólias são muito fechadas, possuem fustes altos e durante o período seco (3 a 5 meses), apresentam-se parcial ou completamente caducifólios, pelo menos no dossel superior. O número de estratos normalmente varia entre 1 a 2, e em geral, a altura das árvores varia entre 30 a 35 m, possuem diâmetros (DAP) superiores a 1 m e as copas em geral, são grandes.

  • O número de árvores varia entre 284 e 333, valores bastante inferiores aos encontrados nas florestas higrófilas perenifólias de baixa altitude (746 árvores/ha), o número de espécies arbóreas/ha varia entre 42 e 55, o quociente de mistura (QM) é semelhante ao das florestas higrófilas perenifólias (1:7) e a área basal é de aproximadamente 29 m²/ha.

  • A ocorrência de espécies facultativamente caducifólias deve-se a características inerentes as próprias espécies e a duração e intensidade do período seco.

  • Durante período seco, o solo fica recoberto por uma camada de folhas secas com uma espessura que atingir 10 cm.

  • No período chuvoso todas as árvores enverdecem mais ou menos em simultâneo, assemelhando-se a uma floresta higrófila perenifólia.

  • As florestas higrófilas caducifólias, apresentam em seu conjunto, um número menor de espécies arbóreas, um estrato arbustivo e herbáceo mais desenvolvido, e diversificado comparativamente as florestas higrófilas perenifólias.

  • Nas florestas higrófilas caducifólias, a maioria das espécies floresce no fim da época seco e a frutificação ocorre no início da época chuvosa.

Floresta higrófila subcaducifólia de baixas altitudes durante o período seco (Lamprecht, 1990)

Floresta higrófila subcaducifólia de baixas altitudes durante o período seco (Lamprecht, 1990)

Floresta higrófila inteiramente caducifólia, durante o período seco (de baixas altitudes) (Lamprecht, 1990).

Floresta higrófila inteiramente caducifólia, durante o período seco (de baixas altitudes) (Lamprecht, 1990).

Dinâmica das Florestas Higrófilas Tropicais

Dinâmica de Povoamento

  • Não é possível examinar em pormenor as interessantes propostas de Halle e colaboradores (Halle/Oldeman 1970; Halle ET alii 1978) voltadas à analise das tendências de desenvolvimento das arvores a partir da sua arquitetura. Os autores distinguem, principalmente a partir da estrutura da copa, entre árvores do presente, árvores do futuro e árvores do passado. Em termos da classificação da IUFRO(International Directory of Forest Information Services), estas categorias correspondem, em seus traços fundamentais, as árvores normalmente desenvolvidas e de posição sociológica estável, as árvores exuberantemente desenvolvidas e de posição sociológica ascensional e finalmente as árvores precariamente desenvolvidas e de posição sociológica descensional.

Dinâmica de Regeneração

  • Cada tipo de regeneração surge na dependência de numerosas pré-condições, que são freqüentemente bastante diversas de uma espécie arbórea para outra. Em todos os casos são indispensáveis as seguintes condições:

  • Presença, em quantidade suficiente de sementes viáveis.

  • Condições edafo-climaticas à altura das exigências de germinação e crescimento.

Gratos Pela Atenção !

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