Combate a Incendio

Combate a Incendio

Apostila de Combate Incêndios III

Aspirantes 2009 Paraná

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Apostila de Combate Incêndios III ÍNDICE

Aspirantes 2009 Paraná

INTRODUÇÃO...............................................................................................................................6 MÓDULO I .....................................................................................................................................8 Veículos de Incêndio ...................................................................................................................8 Classificação dos Veículos ......................................................................................................8 VEÍCULOS DE SOCORRO E DE COMBATE A INCÊNDIOS ..............................................9 Veículos de combate a incêndios com bomba.........................................................................9 Veículos especiais de combate a incêndios ...........................................................................10 VEÍCULOS COM MEIOS ELEVATÓRIOS ...........................................................................11 Escadas giratórias ..................................................................................................................11 Plataformas elevatórias..........................................................................................................12 VEÍCULOS DE SOCORRO E DE ASSISTÊNCIA.................................................................13 Veículos de socorro – Ambulâncias ......................................................................................13 Veículos de transporte de pessoal..........................................................................................14 Veículos de apoio logístico....................................................................................................14 Veículos para operações específicas......................................................................................15 PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA..............................................................................16 MÓDULO II ..................................................................................................................................17 Organização do Material em Viaturas .......................................................................................17 Introdução ..............................................................................................................................18 Transporte dos materiais........................................................................................................18 Módulo III......................................................................................................................................28 Entradas Forçadas......................................................................................................................28 Ferramentas ...........................................................................................................................30 Fechaduras .............................................................................................................................34 Cadeados e correntes .............................................................................................................36 Portas .....................................................................................................................................37 Abertura para dentro do ambiente .............................................................................................38 Abertura para fora do ambiente .................................................................................................39 Portas duplas.............................................................................................................................40 Portas corta-fogo.......................................................................................................................42 Portas metálicas ........................................................................................................................43 Portas metálicas de fechamento horizontal ...........................................................................44 Vitrôs e Janelas..........................................................................................................................48 Paredes.......................................................................................................................................50 Pisos...........................................................................................................................................51 Telhados.....................................................................................................................................52 Forros.........................................................................................................................................54 Divisórias...................................................................................................................................55 Divisórias de metal ....................................................................................................................55 Cercas ........................................................................................................................................56 Módulo IV .....................................................................................................................................59 Escadas ......................................................................................................................................59 Considerações Gerais sobre a escada e seu uso.........................................................................60 Escada Simples ..........................................................................................................................62 Escada de Gancho (ou de Telhado) ...........................................................................................62 Escada Prolongável....................................................................................................................63 Escada Crochê ...........................................................................................................................64 Escada de Bombeiro (ou de um banzo) .....................................................................................64 Escada Prolongável com Suporte ..............................................................................................65 2

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Posicionamento das Escadas .....................................................................................................66 Manuseio de Escadas.................................................................................................................66 Manuseio de escada prolongável ...............................................................................................68 Escada de bombeiro ou escalada lacraia....................................................................................69 Módulo V.......................................................................................................................................70 EPIs Em Geral ..........................................................................................................................70 Botas ..........................................................................................................................................71 Capa ...........................................................................................................................................74 Capacete.....................................................................................................................................75 Módulo VI .....................................................................................................................................77 Combate a Incêndio em Instalações elétricas e líquidos inflamáveis........................................77 Incêndios em Componentes Elétricos........................................................................................78 Emergência com eletricidade.................................................................................................79 Técnicas de combate em emergência ....................................................................................79 Incêndio em Líquidos Inflamáveis ............................................................................................80 Técnica de combate em emergências ....................................................................................81 Fenômenos BLEVE e BOIL OVER ......................................................................................83 Módulo VII ....................................................................................................................................86 Equipamentos de Iluminação.....................................................................................................86 CLASSIFICAÇÃO:...................................................................................................................88 1) Gerador de Força ...........................................................................................................88 2) Material de iluminação elétrica .....................................................................................90 Lanternas à pilha....................................................................................................................90 Faróis à bateria.......................................................................................................................91 Holofotes ...................................................................................................................................93 Utilização...................................................................................................................................93 Módulo VIII...................................................................................................................................95 Escada Mecânica .......................................................................................................................95 Movimentos principais da Escada: ............................................................................................97 Funcionamento ..............................................................................................................................98 Cuidados a serem tomados: ......................................................................................................98 Estabelecimento.........................................................................................................................99 Operação ....................................................................................................................................99 Para Armar a Escada............................................................................................................101 Preparar................................................................................................................................101 Elevar...................................................................................................................................102 Desenvolver .........................................................................................................................102 Procedimento para estaiar a AEM .......................................................................................102 Para armar a escada manualmente.......................................................................................102 Escadas Mecânicas com Armadores Automáticos ..............................................................102 Bomba de Incêndio ..................................................................................................................104 Lançamento de água com a escada não apoiada..................................................................104 Capacidade com o uso da Torre D`Água.............................................................................106 Módulo IX ...................................................................................................................................107 Bombas e abastecimento .........................................................................................................107 BOMBAS DE INCÊNDIO......................................................................................................108 Quanto ao funcionamento....................................................................................................108 Quanto à Fonte de Energia que as Movimenta....................................................................108 Quanto ao transporte............................................................................................................109 Quanto à Potência................................................................................................................109 Bomba de Pistão ..................................................................................................................109 3

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Bombas de Engrenagens (ou Rotativa de Engrenagens) .....................................................110 Bomba Centrífuga................................................................................................................111 Componentes Gerais de uma bomba centrífuga ..................................................................113 Funcionamento em Série e Paralelo ........................................................................................127 Associação de bombas em série ..........................................................................................127 Associação de bombas em paralelo .....................................................................................128 Cavitação - N.P.S.H (Net Positive Suction Head)...............................................................128 Manutenção de Bombas de Incêndio.......................................................................................129 Operações com Bombas ..........................................................................................................130 Abastecimento em Incêndios...............................................................................................130 Abastecimento em Hidrantes Públicos ................................................................................131 Abastecimento por viaturas .................................................................................................132 Abastecimento em Mananciais e reservatórios .......................................................................133 Módulo X.....................................................................................................................................134 Combate a Incêndio Diversos..................................................................................................134 Introdução ....................................................................................................................................135 COMBATE A INCÊNDIOS EM ARMAZÉNS E SILOS......................................................136 Comportamento em relação ao fogo........................................................................................136 Carbonização .......................................................................................................................136 Oxidação..............................................................................................................................136 Explosão ..................................................................................................................................137 Combate a Incêndio em Caldeiras ...........................................................................................138 Incêndio em Museus ....................................................................................................................140 Causa principal de Incêndios...................................................................................................141 Pré-plano de Emergência para incêndios.............................................................................143 Atuação do Corpo de Bombeiros.............................................................................................145 Usinas Hidrelétricas.................................................................................................................150 Módulo XI ...................................................................................................................................153 Combate a Incêndio em veículos à G.N.V ..............................................................................153 GNV.........................................................................................................................................155 PROCEDIMENTOS DO SOCORRO .....................................................................................156 EPI necessário......................................................................................................................156 Estabelecimento...................................................................................................................156 Isolamento ...........................................................................................................................156 Aproximação .......................................................................................................................157 Por onde se aproximar: ........................................................................................................157 Combate...............................................................................................................................157 Fechamento das válvulas .........................................................................................................158 Válvula de Abastecimento...................................................................................................158 Válvula do Cilindro .............................................................................................................159 Desligamento do cabo da bateria.........................................................................................160 Módulo XII ..................................................................................................................................161 Informações técnicas ...............................................................................................................162 Tipos de recipientes transportáveis..........................................................................................163 Fenômeno em incêndio com recipiente sob pressão. ..............................................................165 Proteção contra o Bleve...........................................................................................................166 Procedimentos no combate a incêndio com GLP. ...................................................................167 Controle de Vazamento de G.L.P com Fogo.......................................................................168 Módulo XIII.................................................................................................................................171 Materiais de Estabelecimento..................................................................................................171 Introdução 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Materiais de estabelecimento...................................................................................................171 Guarnição de Combate a Incêndio...........................................................................................172 Acondicionamento de mangueiras...........................................................................................173 Acondicionamento...................................................................................................................174 Sistema Aduchado Preparado-SAP .........................................................................................178 Desenrolar Mangueiras aduchadas ......................................................................................179 Avançar e recuar Linhas ..........................................................................................................182 PLANO INCLINADO.........................................................................................................197 MÓDULO XIV............................................................................................................................204 Extintores.................................................................................................................................204 Introdução ...............................................................................................................................204 Agentes Extintores ...................................................................................................................206 Tipos de Extintores..................................................................................................................208 Agente Extintor-Pó para Extinção de Incêndio Classe ABC ......................................................216 Fabricante: Kidde Brasil..............................................................................................................216 Tempo de Descarga de Alguns Extintores...............................................................................219 Curiosidades............................................................................................................................220 Classificação dos extintores quanto à portabilidade................................................................220 Módulo XV..................................................................................................................................223 Líquido Gerador de Espuma....................................................................................................223 Utilização de Espumas em Combate a Incêndios ................................................................223 Expansão das espumas.........................................................................................................226 Equipamentos Formadores de Espuma....................................................................................233 Técnicas de Emprego de Espuma............................................................................................239 Módulo XVI ................................................................................................................................242 Rescaldo...................................................................................................................................242 Fatores considerados na elaboração de uma operação de rescaldo .....................................243 Ações que devem ser adotadas em situações de rescaldo ...................................................244 Princípios em todo serviço de rescaldo: conservar e não destruir .......................................246 Condições perigosas da edificação ......................................................................................247 Detecção e extinção de focos ocultos ..................................................................................248 Extinguindo Focos de Incêndio ...........................................................................................250 Inspeção Final......................................................................................................................251 Proteção e Preservação do Local Sinistrado........................................................................252 Equipamentos do Rescaldo..................................................................................................254 Limpeza e manutenção dos equipamentos ..........................................................................256 Módulo XVII ...............................................................................................................................257 Incêndio em Edificações Altas ................................................................................................257 Introdução ............................................................................................................................258 DEFINIÇÕES / NOÇÕES GERAIS ...................................................................................258 Material Necessário .............................................................................................................258 Cuidados ..............................................................................................................................259 Procedimentos Operacionais ...............................................................................................260 Abastecimento em hidrante público ....................................................................................263 BIBLIOGRAFIA .........................................................................................................................273

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INTRODUÇÃO
O combate a incêndio ficou conhecido em Roma Antiga, porém eram mais organizações com fins lucrativos do que serviços prestados a população. Assim os donos de guarnições particulares compravam edificações em chamas a preços irrisórios, e logo após apagavam o incêndio. Depois com Augustus foi criada uma patrulha do fogo treinada, paga e equipada pelo estado, também chamada de Vigiles. No Brasil,foi criado do Corpo Provisório de Bombeiros da Corte, no Rio de Janeiro em 1856 por Dom Pedro II. Devido aos incêndios no Teatro São Pedro. Logo, é o combate a incêndio a atividade fidedigna do Corpo de Bombeiro, afinal foi para esta atividade que ele foi criado. Nesta apostila, encontrar-se-ão assuntos relacionados ao combate incêndio urbano em diversas edificações e veículos. Abordando desde a organização de material a manutenção dele após a utilização do mesmo. A apostila foi desenvolvida pelos cadetes que cursam o 2º ano do Curso de Formação de Oficiais no ano de 2008. Com o objetivo de criar um material didático de apoio e padronização das atividades, tendo em vista que estes cadetes estarão no comando de operações já ao final de 2009 como aspirantes. Foi um verdadeiro desafio agregar informações, pois não bastava colocar qualquer informação, precisávamos de algo atualizado e que coubesse ao dia a dia de nossas guarnições. Colhemos muitas informações de outros Corpos de Bombeiros do Brasil e também através da Internet recorremos a algumas informações dos Bombeiros de Portugal, de Nova York (FDNY) e Los Angeles. Também utilizamos do nosso dia a dia para tirar fotos e assim ilustrar este material didático. Assim desta forma, após cinco meses de dedicação árdua e muitos dias dispensados conseguimos finalizar a Apostila que foi orientada pelo Sr. Capitão Edson Manasses. Agradecimentos Especiais aos atuais Aspirantes que nos cederam uma boa parte do material, aos Bombeiros de São Paulo que de muito os trabalhos feitos por eles servem de consulta e base e ao instrutor desta matéria que de muito bom grado programou e ministrou diversas instruções fossem elas práticas ou teóricas, buscando trazer situações do nosso cotidiano para dentro da sala de aula e que sempre apoiou e tirou dúvidas a respeito da matéria e da própria apostila dando a sua opinião sobre os módulos e o que poderia ser melhorado. 6

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Responsáveis pelos Módulos – Cad. Olesh, Cad. Murillo, Cad. Feijó, Cad Ana Paula, Cad. Rafaela, Cad. Thayane, Cad. Tondo, Cad. Gomes, Cad. Hoffmann, Cad. Everton, Cad. Alexandre e Cad. Fidalgo Responsável pela capa da Apostila- Cad. Theodoro] Responsável pelas capas dos módulos- Cad. Murillo Responsável pela formatação dos módulos- Cad. Murillo Responsável pela formatação da Apostila – Cad. Baron “Atitude, conhecimento e vontade ainda fazem a diferença entre uma pessoa e outra.

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MÓDULO I
Veículos de Incêndio

Classificação dos Veículos

- Segundo a massa Os veículos a motor utilizados pelos corpos de bombeiros classificam-se, segundo a massa total em carga, em três tipos:

• •

Veículos ligeiros, entre 2 e 7,5 toneladas; Veículos médios, entre 7,5 e 14 toneladas; 8

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- Segundo a categoria Todos os veículos a motor são classificados em três categorias em função da sua capacidade de movimentação em diferentes condições de terreno:

• •

Categoria 1: Urbana, para circulação em vias públicas normais; Categoria 2: Rural, para utilização em todos os tipos de vias públicas, bem como em terrenos pouco acidentados;



Categoria 3: Todo-o-terreno, para utilização em todos os tipos de vias públicas, bem como em terrenos acidentados.

- Segundo o campo de aplicação Em função do campo de aplicação os veículos dos corpos de bombeiros estão divididos pelos seguintes grupos, de acordo com a sua utilização principal:

• • •

Veículos de socorro e combate a incêndios; Veículos com meios elevatórios; Veículos de socorro e de assistência.

VEÍCULOS DE SOCORRO E DE COMBATE A INCÊNDIOS

Veículos de combate a incêndios com bomba

Trata-se de veículos equipados com bomba de incêndio, tanque de água e outros equipamentos necessários para o salvamento e combate a incêndios, dos quais se apresentam a seguir os mais significativos. Estes veículos são designados por pronto-socorro e todos possuem bomba acoplada ou moto bomba, lanços de mangueira flexível, mangueira semi-rígida de 25

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mm montada em carretel, material hidráulico diverso, extintores, espias, cabos e material de sapador. São os Auto Bomba Tanque Resgate (ABTR).

Veículos especiais de combate a incêndios

Trata-se de veículos de combate a incêndios utilizando meios especiais de extinção em grande capacidade, nomeadamente, auto químico (AQ), por exemplo, alguns dos utilizados em aeroportos e refinarias.

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VEÍCULOS COM MEIOS ELEVATÓRIOS
Escadas giratórias

Trata-se de veículos com uma estrutura extensível com forma de escada, com ou sem cesta, apoiando-se numa base giratória. Designam-se, genericamente, por auto-escadas (AEM) e as dimensões típicas da extensão máxima da escada são compreendidas entre 24 e 50 metros.

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Plataformas elevatórias

Estes veículos possuem uma estrutura extensível com cesta, compreendendo um ou mais mecanismos rígidos ou telescópicos, articulados ou em tesoura, combinados ou não entre si, sob a forma de braços e/ou escadas, podendo ou não apoiar-se numa base giratória. Designam-se, genericamente, por plataformas elevatórias (APM) e a dimensão típica da extensão máxima do braço articulado é da ordem dos 30 a 50 metros.

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VEÍCULOS DE SOCORRO E DE ASSISTÊNCIA
Veículos de socorro – Ambulâncias

São veículos utilizados na assistência e transporte de doentes e sinistrados (AA).

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Veículos de transporte de pessoal

São veículos destinados a transportar bombeiros e o seu equipamento individual. Estes veículos podem ser dotados de tração normal ou tração total (4x4). São denominados (ATP).

Veículos de apoio logístico

São veículos para transportar equipamento ou meios de extinção para reforço a uma unidade operacional. Entre esses veículos destacam-se os auto tanques (AT), que possuem depósitos de água, moto bomba ou bomba acoplada, lanços de mangueira flexível, material hidráulico diverso, espias, cabos e material de sapador. Dentre os outros veículos de apoio logístico ainda se destacam os destinados à recarga de aparelhos respiratórios, ao transporte de grande quantidade de mangueiras, bem como os destinados à confecção de refeições no teatro de operações,denominados (ABS).

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Veículos para operações específicas

Trata-se de veículos destinados a operações específicas, tais como, intervenção em acidentes rodoviários, com aeronaves ou ferroviários, bem como para socorro em meio aquático. De entre estes veículos distinguem-se, por serem os mais vulgares, os seguintes:



Veículos de Auto Busca e Salvamento, equipados com diverso material de salvamento e desencarceramento, extintores, material de sinalização e de sapador, tradicionalmente designados por (ABS).



Veículos de transporte aquáticos, como as moto aquáticas, botes infláveis e a lancha. Para atuação em operações de salvamento em ambiente aquático.

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PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA

No embarque, desembarque e durante o transporte em veículos de socorro é essencial que os bombeiros tenham em atenção todas as questões relacionadas com a sua segurança, bem como cumpram rigorosamente as instruções do chefe de guarnição. De entre os procedimentos a observar no embarque, desembarque e deslocação em veículos de socorro são fundamentais o cumprimento rigoroso, por cada bombeiro, dos seguintes procedimentos de segurança individual:



Não embarcar ou desembarcar sem receber ordem expressa do chefe de guarnição;

• • • •

Nunca embarcar ou desembarcar sem o veículo estar completamente parado; Nunca embarcar no veículo se existir excesso de lotação; Colocar o cinto de segurança durante toda a viagem; Garantir que todas as portas do veículo estão bem fechadas durante toda a viagem;

• •

Manter todo o corpo no interior do veículo; Garantir, durante a viagem, que os equipamentos existentes junto aos locais destinados à guarnição do veículo estão bem fixos e nunca os soltar;

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Ter sempre atenção aos movimentos de um veículo, quando estiver no exterior junto a ele;



Regressar ao quartel sempre no mesmo veículo em que se deslocou para o local de prestação do serviço, exceto se tiver havido rendição individual no teatro de operações.

MÓDULO II
Organização do Material em Viaturas

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Introdução

Os materiais utilizados nas ocorrências, treinamentos e simulados de bombeiros são muitos e diversificados. São materiais resistentes e de trato pesado, porém sem o cuidado adequado compromete-se o equipamento inviabilizando seu uso, e tornando o custo de manutenção da atividade operacional muito elevado. Logo, quanto melhor for à atenção dispensada com manutenção e armazenamento deste material na viatura e almoxarifado, maior será a durabilidade deste equipamento. Outro aspecto importante a ser ressaltado é a confiabilidade do material que se trabalha, pois se o cuidado não é adequado aumentam os riscos de acidentes. Assim podendo gerar vitimas e causar outros danos a materiais e viaturas. O armazenamento da viatura gera problemas quando este tem riscos de cair da viatura ou quando fica mal acondicionado rolando ou batendo no interior das gavetas da viatura operacional, danificando a viatura e o material.

Transporte dos materiais

Os materiais são transportados pelas viaturas de combate a incêndio, que no caso aqui no Paraná são os ABTs (Auto Bombas Tanque) e os ABTRs (Auto Bombas Tanque Resgate), dentro de suas gavetas, convés e no interior da cabine da guarnição. Os compartimentos para materiais deverão ser protegidos com estrados de madeiras, com sistema que permite o perfeito escoamento de líquidos (água) bem como devem ter uma perfeita vedação das aberturas laterais, com acesso pela parte externa do veículo. Devem ser previstos dispositivos tipos catraca para fixação de todos os materiais no interior das gavetas. Assim são as novas viaturas adquiridas pelo CB do Paraná.

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Temos vários lugares para transportar os materiais, e sem dúvida alguma um posicionamento e divisão adequados dentro da viatura, principalmente nos ABTRs que carregam equipamentos para resgate além dos de combate a incêndio, facilitam o emprego operacional. Geralmente temos um compartimento que abriga os comandos da bomba de combate a incêndio, bem como as expedições e sucções de água. As viaturas mais novas estão vindo também com um local abaixo do painel de controle da bomba para armazenamento do sistema aduchado preparado e de uma linha de ataque direto, sendo que estas mangueiras ficam apoiadas num suporte que impede que elas movimentem-se no interior da gaveta. É interessante que os materiais de combate a incêndio fiquem do lado do painel de controle da bomba, sendo que as mangueiras devem estar aduchadas, que é a melhor forma para o emprego operacional, e colocadas de pé em seu suporte como na foto abaixo, porém seguras pela catraca do compartimento para que evitem bater na porta.

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Caso a viatura não disponha de suportes no painel de controle da bomba, pode-se acondicionar a mangueira em forma de sanfona dentro da gaveta deixando-a pronta para o emprego operacional.

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Ainda podem ser aduchadas colocadas uma ao lado da outra de forma que não fiquem espaços vagos e devem estar amarradas a fim de evitar a movimentação das mesmas. Atentando-se para que as juntas não fiquem batendo umas nas outras.

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Os esguichos, reduções, proporcionadores de espuma, requintes, chaves de mangueira, chaves de hidrante, colunas de hidrante, luvas de hidrante e outros possíveis materiais de combate a incêndio que são feitos de metal e caso sejam deformados perdem sua eficiência. Deste modo devem ficar fixos, de forma que não se movimentem dentro da viatura. Podem ser colocados no interior de caixas de madeira, amarrados com as catracas do interior da viatura, ou simplesmente podem ser fixados, reduções Storz no interior da gaveta e todos estes materiais supracitados podem ser atarrachados.

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Os demais materiais que auxiliam o combate a incêndio devem usar dispositivos que os fixem dentro da viatura para que não possam colidir contra as paredes dos compartimentos nos deslocamentos para as ocorrências e no teste de prontidão. Adiante estão alguns exemplos.

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Desencarcerador Hidráulico

Ferramenta Moto-Abrasiva e Material de Sinalização

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Materiais de Sapa que podem ser acondicionados desta forma no interior de gavetas ou no convés dentro do compartimento reservado para elas.

Os materiais de salvamento rígidos podem ser colocados em pequenos ganchos e as cordas acondicionadas em mochilas.

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Materiais Acondicionados (desde geradores a EPR´s)

Viatura com materiais devidamente acondicionados (lado direito da mesma).

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Viatura com materiais devidamente acondicionados (lado esquerdo da mesma).

Organização ainda é a chave de tudo.

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MÓDULO III
Entradas Forçadas

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Muitas vezes, ao ser acionado para o atendimento a uma ocorrência, o bombeiro irá se deparar com um ambiente de difícil acesso, em que se fará necessário o uso de ferramentas para conseguir acessar o local. É de extrema importância que o bombeiro conheça os métodos de operação de cada ferramenta e equipamento de entradas forçadas, objetivando sempre o uso mais eficaz das ferramentas e causando o mínimo de danos possível, evitando ao máximo o arrombamento. Entrada forçada é o ato de adentrar em um recinto fechado utilizando-se de meios não convencionais. Existem diferentes métodos de entradas forçadas que podem ser utilizados para se retirar um único obstáculo, cabendo ao bombeiro optar por aquele que causará menor dano e for o mais rápido. Alguns cuidados básicos devem ser tomados ao se efetuar uma entrada forçada: • • • • • Verificar a estabilidade da edificação ou estrutura antes de entrar; Verificar se portas e janelas encontram-se abertas, antes de forçá-las; Transportar ferramentas com segurança; Identificar atmosfera explosiva. Na dúvida, agir como se fosse; Manter-se em segurança, quando estiver quebrando vidros, e remover todos os cacos; • Escorar todas as “portas que abrem acima da cabeça”, bem como as portas corta-fogo, após a abertura; • • • • Utilizar o EPI completo; Manter pessoas afastadas durante a operação; Desligar a chave elétrica quando houver fiação no obstáculo; Lembrar que uma abertura grande normalmente é mais eficaz e mais segura que várias pequenas; • Verificar a existência de animais de guarda no interior do imóvel e tomar as precauções devidas; • Não deixar pontas ou obstáculos que causem ferimentos.

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Ferramentas

Para que o bombeiro execute entradas forçadas, necessita de ferramentas e equipamentos que tornem isto possível, bem como conhecer sua nomenclatura e emprego. Alavanca - São simples peças rígidas, tais como, barras, hastes, travessões (retos ou curvos), capazes de girar ao redor de um ponto ou eixo, denominado fulcro ou ponto de apoio, empregadas para mover ou levantar objetos pesados. Em uma das extremidades da alavanca o operador aplica seu esforço (F) e ela transfere para a outra extremidade (ou região) uma força (R) para a 'carga' aí colocada. Apresenta-se em diversos tamanhos ou tipos: • Alavanca de unha - Alavanca utilizada nas operações que necessitam muito esforço. Possui uma extremidade achatada e curva que possibilita o levantamento de grandes pesos, e um corte em “V” para a retirada de pregos. • Alavanca pé-de-cabra - Possui uma extremidade achatada e fendida, à semelhança de um pé-de-cabra. É muito utilizada no forçamento de portas e janelas por ter pouca espessura, o que possibilita entrar em pequenas fendas. • Alavanca de extremidade curva - Também denomina-se alavanca em “S”. Possui extremidades curvas, sendo uma afiada e outra achatada. • Alavanca multiuso - Possui uma extremidade afilada e chata formando uma lâmina, em cuja lateral estende-se um punção, em cujo topo há uma superfície chata. Na outra extremidade há uma unha afilada com entalhe em “V”. Alicate - Ferramenta destinada ao aperto de pequenas porcas, corte de fios metálicos e pregos finos e para dobrar ou torcer alguma peça. O alicate é composto de três partes básicas: a cabeça, a articulação e o par de cabos.

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Alicate de pressão - Ferramenta destinada a prender-se a superfícies cilíndricas, possibilitando a rotação das mesmas e possuindo regulagem para aperto. Tipos de alicate:

Alicate universal:

De bico chato:

De bico redondo:

De corte:

Torquês:

Bomba d´água:

Arco de serra - Ferramenta constituída de uma armação metálica de formato curvo que sustenta uma serra laminar. Destina-se a efetuar cortes de metais.

Chave de fenda - Ferramenta destinada a encaixar-se na fenda da cabeça do parafuso, com finalidade de apertá-lo ou desapertá-lo.

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Chave de fenda Philips - A extremidade da haste, oposta ao cabo, nesse modelo de chave, tem a forma em cruz. Esse formato é ideal para os parafusos Phillips que apresentam fendas cruzadas. Chave de grifo - Ferramenta dentada, destinada a apertar, desapertar ou segurar peças tubulares.

Chave inglesa - Substitui, em certos casos, as chaves de boca fixa. É utilizada para apertar ou desapertar parafusos e porcas com cabeças de tamanhos diferentes, pois sua boca é regulável. Chave allen - A chave Allen, também conhecida pelo nome de chave hexagonal ou sextavada, é utilizada para fixar ou soltar parafusos com sextavados internos. O tipo de chave Allen mais conhecido apresenta o perfil do corpo em L, o que possibilita o efeito de alavanca durante o aperto ou desaperto de parafusos. Antes de usar uma chave Allen, deve-se verificar se o sextavado interno do parafuso encontra-se isento de tinta ou sujeira. Tinta e sujeira impedem o encaixe perfeito da chave e podem causar acidentes em quem estiver manuseando. Chave de boca - As chaves de boca podem ser do tipo de boca aberta (chave fixa) ou boca fechada (chave estrela). Gravado no seu cabo elas trazem um número que representa a sua medida.

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A principal vantagem da chave de boca fechada, é que sua extremidade pode ser fabricada mais fina, o que lhe permite entrar em locais apertados, onde as chaves de boca aberta não conseguem penetrar. Chave fixa - Utilizada para apertar ou afrouxar porcas e parafusos de perfil quadrado ou sextavado. Pode apresentar uma ou duas bocas com medidas expressas em milímetros ou polegadas. Chave estrela - Tem o mesmo campo de aplicação da chave de boca fixa, porém diversifica-se em termos de modelos, cada qual para um uso específico.Por ser totalmente fechada, abraça de maneira mais segura o parafuso ou porca. Corta-a-frio - Ferramenta para cortar telas, correntes, cadeados e outras peças metálicas. Croque - É constituído de uma haste, normalmente de madeira ou plástico rígido, tendo na sua extremidade uma peça metálica com uma ponta e uma fisga.

Cunha hidráulica - Equipamento composto por duas sapatas expansíveis, formando uma cunha, que abre e fecha hidraulicamente. Presta-se a afastar certos obstáculos. Eletrocorte - Aparelho destinado ao corte de chapas metálicas. Machado - Ferramenta composta de uma cunha de ferro cortante fixada em um cabo de madeira, podendo ter na outra extremidade formato de ferramentas diversas. Malho - Ferramenta similar a um martelo de grande tamanho, empregado no trabalho de arrombamento. 33

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Martelete hidráulico e pneumático - Ferramenta que serve para cortar ou perfurar metais e cortar, perfurar ou triturar alvenaria. Martelo - Ferramenta de ferro, geralmente com um cabo de madeira, que se destina a causar impacto onde for necessário.

Motor de bombeamento de óleo hidráulico - Aparelho destinado à compressão do óleo hidráulico, para o funcionamento das ferramentas de corte, alargamento e extensão.

Moto-abrasivo - Aparelho com motor que, mediante fricção, produz cortes em materiais metálicos e em alvenarias. Oxicorte - Aparelho destinado ao corte de barras e chapas metálicas. Picareta - Ferramenta de aço com duas pontas, sendo uma pontiaguda e a outra achatada. É adaptada a um cabo madeira alvenaria. Punção - Ferramenta de ferro ou aço, pontiaguda, destinada a furar ou empurrar peças metálicas, com uso de martelo. e empregada nos serviços de escavações, demolições e na abertura de passagem por obstáculo de de

Talhadeira - Ferramenta de ferro ou aço, com ponta achatada, destinada a cortar alvenaria, com uso de martelo.

Fechaduras

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Consiste de uma lingüeta dentro de uma caixa de metal, que é encaixada no batente da porta. Existem basicamente 5 tipos de fechaduras, sendo que para cada uma há uma maneira adequada de se efetuar sua abertura ou retirada.

Fechadura do tipo tambor não cilíndrico saliente Para este tipo de fechadura, deve-se usar um martelo e, com batidas sucessivas, forçar o tambor a entrar, empurrando-o. A seguir, introduzindo-se uma chave de fenda no vazio deixado pelo tambor, força-se a lingüeta para dentro da caixa da fechadura.

Fechadura do tipo tambor cilíndrico saliente Usa-se uma chave de grifo ou alicate de pressão para girar o cilindro, quebrando, desta forma, o parafuso de fixação do tambor e soltando o cilindro, e forçase a lingüeta para dentro da fechadura.

Fechadura do tipo tambor rente Se o tambor não estiver saliente, coloca-se um punção no meio do tambor e, batendo com um martelo, empurra-se o tambor para que saia do lado interno. Com 35

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uma chave de fenda introduzida no vazio deixado pelo tambor, força-se a lingüeta para dentro da fechadura. Usa-se este processo para qualquer formato de tambor.

Fechadura embutida Se a fechadura estiver na maçaneta, utiliza-se uma alavanca pé-de-cabra, encaixando-a entre a porta e a maçaneta, forçando-a. A partir daí, surgem duas situações: • O tambor sai com a maçaneta — neste caso, u

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