Artigo ERP

Artigo ERP

(Parte 1 de 3)

PONTA GROSSA 2011

Artigo original que tem como objetivo uma explanação de um sistema ERP e apresentar informações teóricas utilizadas na prática da implementação de um software assim através de um estudo de caso.

Apresentado na UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Ponta Grossa ao docente Flávio Madalosso Vieira.

PONTA GROSSA 2011

Resumo

Este artigo têm como objetivo o esclarecimento do que vem a ser um ERP, bem como conceitos relacionados a este. Discorre sobre seu surgimento a partir dos sistemas MRP e MRP I, utilizados previamente em empresas de manufatura. Aborda, alguns fatores importantes, de forma sucinta, numa implantação de um software deste modelo, visto que sua adoção traz consigo mudanças, sejam elas organizacionais ou administrativas. Logo após, há um breve estudo de caso em que uma empresa implanta um sistema ERP doutro fornecedor devido à alguns motivadores referentes a este e também à questões administrativas. Encerra com algumas conclusões de valia para os futuros clientes de um ERP, tendo como fundamento os argumentos aqui apontados.

Palavras-chave: MRP. MRP I. ERP. Integração de dados.

Introdução

No decorrer da evolução dos meios utilizados para gerenciamento, têm-se o

MRP – Manufacturing Requeriment Planning – Planejamento das Necessidades dos materiais - e, posteriormente, o MRP I – Manufacturing Resource Planning – Planejamento dos Recursos de Fabricação - que adiciona novas funções ao MRP. Progredindo-se novamente através de novas mudanças, surgiu-se o ERP – Enterprise Resource Planning. Esta ferramenta vem sido utilizada amplamente pelas empresas devido aos seus benefícios. Muitas o adotam com a finalidade de melhorar seus processos. Ao longo deste trabalho, será mostrado o que as empresas esperam destes sistemas.

O tema a ser explorado neste trabalho acadêmico, suas características e pontos importantes na sua implantação aqui explanados estão resumidos, não entrando, portanto, em maiores detalhes. Assim, propõe-se que este trabalho seja somente um guia introdutório ao tema que é de grande amplitude.

Histórico dos sistemas MRP

As empresas produtoras de peças e/ou máquinas, necessitavam de informações precisas em relação aos materiais como quando deveria ter as matérias-primas em qual quantidade para a produção correspondente. E, no mesmo contexto, tinha-se o desenvolvimento dos computadores. Logo, uma combinação desta necessidade e uma nova ferramenta disponível para uso resultou em uma solução para as empresas. Com efeito, tem-se o MRP como resultante.

Segundo Nigel et al. (1999, p. 327) o “O MRP I permite que as empresas calculem quantos materiais de determinado tipo são necessários e em que momento.” Essa previsão torna-se essencial nas empresas manufatureiras porque, desse modo, pode-se gerenciar com uma melhor eficácia a produção de seus produtos.

Devido ao atendimento de clientes variados que precisam de materiais diferentes, as empresas necessitavam realizar cálculos para fornecer o produto numa ocasião determinada, sendo assim relevante uma previsão futura.

Ainda segundo Nigel et al., o “MRP 2 I permite que as empresas avaliem as implicações da futura demanda da empresa nas áreas financeiras e de engenharia, assim como analisem as implicações quanto à necessidade de materiais.” MRP 2 - Manufacturing Resource Planning.

De acordo com Oliver (1982 apud NIGEL, 1999, p. 348), MRP I é conceituado como:

“um plano global para o planejamento e monitoramento de todos os recursos de uma empresa de manufatura: manufatura, marketing, finanças e engenharia. Tecnicamente, ele envolve a utilização do sistema MRP de ciclo fechado para gerar números financeiros.”

De modo a distinguir a finalidade entre MRP I e MRP I, Corrêa (1998-1999, p. 139) argumenta que “O MRP I diferencia-se do MRP pelo tipo de decisão de planejamento que oferece; enquanto o MRP orienta as decisões de o que, quanto e quando produzir e comprar, o MRP I engloba também as decisões referentes à como produzir, ou seja, com que recursos, tal como ilustrado pela Figura 4.2”

Figura 4.2 – Abrangência do sistema MRP I e MRP I Fonte: Corrêa (1998-1999, p. 140)

Com a incorporação de novas funcionalidades no MRP I, este passou por incorporações em sua estrutura, tendo, por conseguinte novas funcionalidades mais específicas Thais Cássia Cabral Padilha, Fernando Augusto Silva Martins (2005, p.105).

Durante a década de 90, a competitividade aumentou notavelmente entre as empresas, alcançando fronteiras internacionais ( colocar Poter ). Com o objetivo de obter lucros, as corporações adotaram novas medidas para redução de custos, melhoria na eficácia operacional e iniciou-se uma tendência de integrar os diversos setores da empresa.

Ademais, o conhecimento passou a ser importante no nível organizacional, pois é a partir dele que a empresa gera prospectivas do mercado, lançando produtos apropriados aos consumidores.

Como resultado para um gerenciamento empresarial, teve-se o surgimento do ERP – Enterprise Resource Planning. A partir daí ocorre à integração de todos os dados e informações da empresa em um banco de dados que abrange todas as partes da empresa (ATUL GUPTA, 2000).

Definição de ERP

De acordo com Cesar Alexandre Souza (2003, p.) o ERP é “O software integrado é parte de uma tecnologia com recursos de informática que registra e processa cada evento empresarial oriundo das funções empresariais básicas, por um único input ou entrada para processamento.”

Tendo como base a definição pelo autor Cesar Alexandre Souza (2003, p. 64), pode ser definido por:

“Os sistemas ERP são sistemas de informação integrados adquiridos na forma de pacotes comerciais de software com a finalidade de dar suporte à maioria das operações de uma empresa industrial (suprimentos, manufatura, manutenção, administração, financeira, contabilidade, recursos humanos etc.)”

Outra definição dada para ERP é dada por Esteves, & Pastor (2004 apud

John Douglas Thomson 2010) em que é conceituado como um software organizado abrangente, utilizado para gerenciar e coordenar todos os recursos, informações e funções de um negócio de um banco de dados compartilhado.

Em suma, pode-se conceituar como um sistema que, geralmente vendido como um pacote de funções por empresas fornecedoras, manipula o fluxo de dados e informações, abrangendo toda a empresa, englobando os mais variados setores funcionais, almoxarifado, recursos humanos, vendas e etc., e organiza-os em uma central de banco de dados.

Deste modo, através da organização, obtém-se uma melhor visão possível, exata e real, das operações empresariais. Com efeito, a corporação pode tomar decisões hábeis. Desta maneira, correndo o menor risco possível, devido ao fato de a consulta aos dados e sua devida interpretação, gerar informações que venham a ser úteis para a empresa.

Módulos de um ERP genérico e suas funcionalidades Fonte: http://revolutionary-technologies.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/erp1-1.jpg

Características referentes ao sistema

Conforme Cesar Alexandre Souza (2003, p. 65), os sistemas ERPs possuem características que basicamente se resumem em:

são pacotes comerciais de software; incorporam modelos de processos de negócios;

são sistemas de informação integrados e utilizam um banco de dados corporativo;

possuem grande abrangência funcional;

requerem procedimentos de ajuste para que possam ser utilizados em determinada empresa.

Analogamente aos softwares proprietários, estes sistemas geralmente são vendidos em pacotes por fornecedores destacados como, SAP, Oracle e Infor. Entretanto, há disponíveis ERPs cujo como modelo de distribuição é open-source, isto é, seus códigos fontes são livres e disponíveis para modificação, sendo de uso gratuito. No sítio da web http://sourceforge.net/projects/comunion/ tem-se acessível um sistema fundamentado neste modelo de oferta.

Aspecto relevante a se observar nesta ferramenta gerencial, é que ela é desenvolvida com base em práticas do mercado, denominadas best pratics pelas empresas produtoras. Os fornecedores do software adotam práticas comerciais gerais. Assim, caso haja uma adoção coletiva de um mesmo ERP, o mercado tende a uma homogeneização em sua estrutura gerencial, existindo divergências entre si em alguns pontos relativos ás características específicas de cada organização.

Sob o ponto de vista de Thais Cássia Cabral Padilha, Fernando Augusto

Silva Martins (2005, p.108, 109) os ERP possuem pontos críticos, sendo alguns destes: eles são pacotes comerciais desenvolvidos a partir de modelos padrões de processos, possuem a capacidade de integrar todas as áreas das empresas, são modificados através da parametrização e customização, apresentam custos elevados, dificuldades no cumprimento de prazos estabelecidos para o cumprimento da implantação.

A integração no ERP é um fator a se destacar dentre as suas peculiaridades, pois a partir da unificação de dados em uma central, a empresa pode manipulá-los de uma maneira mais rápida e eficiente. Como conseqüência, facilita-se a elaboração de relatórios dos mais variados tipos num período de tempo proporcional á complexidade desta atividade. Esse processo por um sistema gerencial é importante para as corporações competitivas. A unificação contribui para uma melhor organização empresarial, visto que, se os dados estiverem localizados em um mesmo lugar, o acesso se dá mais rapidamente do que havendo softwares específicos para cada setor, pois seria necessário ir até a sua central de dados para uma busca determinada.

Divididos em módulos, o ERP através destes realiza cada operação em específico. Assim, como havendo diferentes setores numa empresa haverá também diferentes módulos responsável por cada atividade. Ressalva-se que o ERP, como dito anteriormente, com base em sua padronização pode não oferecer todos os módulos para todos os tipos de empresas.

Como apresentado anteriormente, estes softwares adotam modelos padrões e, sendo assim, eles não possuem alta especificidade, que por sua vez ocasiona em uma parametrização e/ou customização por parte do cliente. A primeira, através de mudanças de preferências para atender de forma satisfatória cada cliente, tem como foco atender ás necessidades empresariais que não são supridas pelos ERPs em sua forma básica. Todavia, ocorrendo muitas alterações no código-fonte, o software desvia-se de seu escopo característico que é a diferença de sistemas desenvolvidos internamente.

Depois da parametrização, havendo necessidade de alterações no sistema, as corporações recorrem à customização. Seu objetivo é modificar o ERP de sua forma original para uma que atenda ao cliente, sendo vital a modificação do código fonte para adição de novas funcionalidades. Por outro lado, essas customizações podem gerar falta de compatibilidade nas possíveis atualizações futuras de softwares lançadas pelo fornecedor.

Questões relevantes

Para uma implantação deste modelo de software, algumas questões dever ser abordadas de modo a evitar transtornos e facilitar em sua adoção (Thais Cássia Cabral Padilha, Fernando Augusto Silva Martins, 2005).

Primeiramente o custo, que abrange todo o processo de adoção de um sistema ERP. Tem-se a aquisição da licença, treinamento de equipe para domínio do sistema e outras demais variáveis imbuídas nesse processo. E, o alto valor da licença para uso desta ferramenta gerencial, contribui aumenta ainda mais a quantia gasta. Desse modo, há que se realizar um estudo prévio de gastos, para que se consiga estimar gastos.

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