AULA 1. TEXTO 1 GIDDENS, A. Sociologia, cap. 1 – O que é Sociologia. TEXTO 2 - GALLIANO, A.G. Introdução a Sociologia, cap. 1. Sociologia Caracteriza

AULA 1. TEXTO 1 GIDDENS, A. Sociologia, cap. 1 – O que é Sociologia. TEXTO 2 -...

21/02/2011

AULA 1. TEXTO 1: GIDDENS, A. “Sociologia, cap. 1 – O que é Sociologia?”;

TEXTO 2: GALLIANO, A.G. “Introd. a Sociologia, cap. 1. Sociologia: Caracterização Geral”.

Sociologia – O que é Sociologia?”

  • Estudo da vida social humana, dos grupos e das sociedades;

  • Objeto de estudo: nosso próprio comportamento como seres sociais;

  • Surgiu da necessidade de assumir uma visão mais ampla sobre POR QUE somos como somos e por que agimos como agimos;

  • Não possui um corpo de ideias que todos aceitam como válida;

  • Diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e difícil esforço que podemos empreender;

  • Pensar sociologicamente = cultivar imaginação;

  • Imaginação Sociologia – Wright Mills – exige de nós que pensemos fora das rotinas familiares de nossas vidas cotidianas, observemos de modo renovado; (EX: xícara de café).

  • Sua decisão individual reflete sua posição numa sociedade mais vasta;

  • Os ambientes sociais dos quais viemos tem muito a ver com os tipos de decisões que achamos apropriadas;

  • Sociologia estuda as transações globais;

  • Sociologia investiga as conexões entre o que a sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmo;

  • Sociologia nos permite ver o mundo social a partir de pontos de vistas diferentes do nosso;

  • Sociologia nos fornece um auto esclarecimento, uma maior auto compreensão;

  • Se compreendermos como os outros vivem, também adquirimos melhor entendimento de quais são seus problemas. (EX: assistente social branco dentro de uma comunidade negra);

  • Sociólogos estão interessados em entender como a globalização aumenta a consciência das pessoas acerca de assuntos que vem ocorrendo em cantos distintos do planeta, estimulando-as a desenvolver nosso conhecimento em suas próprias vidas;

  • Pesquisa sociologia: fornece ajuda pratica na avaliação dos resultados de iniciativas politicas. (EX: shoppings em áreas mais pobres dilapidam-se e fornecem terreno fértil a assaltos e outros crimes violentos);

  • ORIGENS: seus primórdios datam fins do séc. XVIII,

  • Teve como cenário de surgimento as mudanças radicais introduzidas pelas “duas grandes revoluções” da Europa dos séc. XVIII e XIX; (Rev. Francesa 1789, triunfo das ideias e dos valores seculares, liberdade e igualdade; e a Rev. Industrial na Grã Bretanha, final séc. XVIII, com o desenvolvimento de grandes inovações tecnológicas);

  • PIONEIROS DA SOCIOLOGIA: Os primeiros sociólogos queriam fazer mais do que simplesmente descrever e interpretar os eventos decisivos de seu tempo buscavam desenvolver modos de estudar o mundo social que pudessem explicar o funcionamento das sociedades em geral e a natureza da mudança social;

  • Durkheim, Marx e Weber empregaram abordagens muito diferentes em seus estudos do mundo social;

  • Três da mais importantes e recentes perspectivas teóricas o funcionalismo, a abordagem de conflito e o internacionalismo simbólico tem conexões diretas com Durkheim, Marx e Weber, respectivamente.

  • AUGUSTO CONTE (1798-1857): “pai da sociologia”, pois designou tal nomenclatura. Seus pensamentos refletiam os eventos turbulentos de seu tempo. Buscou criar uma ciência da sociedade que pudesse explicar as leis do mundo social da mesma forma que a ciência natural explica o funcionamento do mundo físico. Afirmava que a sociedade se conformava com leis invariáveis da mesma maneira que o mundo físico. Ciência Positiva – sustenta que a ciência deveria estar preocupada somente com entidades observáveis que são conhecidas pela experiência.

Lei dos Três Estágios – esforços humanos para entender o mundo passaram através dos estágios: teológico (pensamentos guiados por ideia religiosas e pela crença de que a sociedade era uma expressão da vontade de Deus), metafisico (sociedade começa a ser vista em termos naturais) e positivo (aplicação de técnicas cientificas no mundo social).

Religião da Humanidade – abandonaria a fé e o dogma em favor de um fundamento cientifico, a Sociologia estaria no centro dessa nova religião.

  • ÉMILE DURKHEIM (1858-1917): seus estudos tiveram um impacto mais duradouro na sociologia moderna do que os de Comte. Via a Sociologia como uma nova ciência que poderia elucidar questões filosóficas tradicionais ao examina-las de uma maneira empírica. “Estude fatos sociais como coisas!” . Principal preocupação dele era com os fatos sociais. Acreditava que as sociedades tem uma realidade própria. Os fatos sociais são meios de agir, pensar ou sentir que são extremos aos indivíduos e tem sua própria realidade fora das vidas e das percepções das pessoas individuais. Admitia que os fatos sociais são difíceis de se estudar. Abandonar os preconceitos e a ideologia. Estava preocupado com as mudanças que transformação a sociedade da sua época, particularmente interessado na solidariedade social e moral. Divisão do Trabalho na Sociedade, seu primeiro trabalho, analise da mudança social, argumentando que o advento da era industrial significava o surgimento de um novo tipo de solidariedade (solidariedade mecânica – culturas tradicionais com uma baixa divisão do trabalho, há pouco espaço para divergência individual, esta fundada no consenso e na similaridade de crença - e orgânica – sociedades mantidas unidas pela interdependência econômica das pessoas e pelo reconhecimento da importância das contribuições dos outros).

O estudo de Durkheim sobre o Suicídioainda que os humanos vejam a si mesmo como indivíduos que tem liberdade de escolha seus comportamentos são frequentemente padronizados pela sociedade em que vivem. Para tanto se utilizou de um ato altamente pessoal como o suicídio é influenciado pelo mundo social. Sendo assim dividiu o suicídio em Suicídio egoístico (ocorre quando um individuo está isolado ou quando seus laços com o grupo estão enfraquecidos), Suicídio anômico (falta de regulação social, perca de um ponto de referencia fixo para normas e desejos), Suicídio altruísta (quando o individuo valoriza mais a sociedade do que a ele mesmo) e o Suicídio fatalista (quando o individuo é regulado demais pela sociedade).

  • KARL MARX (1818-1883): suas ideias contrastam radicalmente com as de Comte e Durkheim. Buscava explicar as mudanças que estavam tendo lugar na época da Rev. Industrial. Visava temas econômicos, sendo que testemunhou o crescimento das fabricas e as desigualdades que isso resultava. Tem um trabalho rico em percepções sociológicas. Identifica dois elementos fundamentais dentro das empresas capitalistas, o capital e a mão de obra assalariada. Acreditava que aqueles que detêm o capital, capitalistas, formam uma classe dominante, enquanto a massa da população constitui uma classe operaria, sendo assim o capitalismo é inerentemente um sistema de classes, baseada por uma dependência altamente desequilibrada, considerada exploração, com relações caracterizadas por conflitos.

  • MAX WEBER (1864-1920): seus interesses se estendiam por muitas áreas, seu trabalho também estava relacionado com muito do capitalismo moderno. Também procurava entender a natureza e as causas da mudança social. Na sua concepção as ideias e os valores tem exatamente o mesmo impacto na mudança social. Acreditava que a sociologia deveria se concentrar nas ações sociais e não nas estruturas e que os indivíduos tem a habilidade de agir livremente e de moldar o futuro. Concluiu que certos aspectos das crenças cristãs influenciaram fortemente o surgimento do capitalismo e que ideias e valores culturais ajudam a modelar a sociedade e modelam nossas ações individuais. Ideia do tipo ideal – modelos conceituais ou analíticos que podem ser usados para compreender o mundo. Acreditava que as pessoas estavam se afastando das crenças tradicionais fundadas em superstição, na religião, no costume e nos hábitos ancestrais. Na sua visão a Rev. Ind. e a ascensão do capitalismo foram prova de uma forte tendência em direção à racionalização. O capitalismo não é dominado pelo conflito de classes, mas pela ascensão da ciência e da burocracia. Temia que com a racionalização a sociedade moderna fosse um sistema que esmagaria o espirito humano ao tentar regular todas as esferas da vida social.

  • FUNCIONALISMO: sociedade é um sistema complexo cujas diversas partes trabalham conjuntamente para produzir estabilidade e solidariedade, diz que a sociologia deveria investigar a relação das partes da sociedade como tudo. Enfatiza a importância do conselho moral para se manter a ordem e a estabilidade na sociedade. Veem a ordem e o equilíbrio como o estado normal da sociedade. Uma critica comum do funcionalismo é a de que ele enfatiza desnecessariamente fatores que conduzem a coesão social, as custas daqueles que produzem divisão e conflito.

  • PERSPECTIVAS DE CONFLITO:Classe e Conflito de classes na Sociedade Industrial (1959) Ralf Dahrendorf – argumenta que os pensadores funcionalistas consideram somente um lado da sociedade, diz ainda que em todas as sociedades há uma divisão entre aqueles que mantem a autoridade e aqueles que são largamente excluídos dela, entre os que fazem as regras e os que obedecem elas.

  • PERSPECTIVAS DA AÇÃO SOCIAL: dão maior atenção à ação e à interação dos membros da sociedade ao formar aquelas estruturas; se concentra na analise de como os agentes individuais se comportam ou se orientam com respeito a cada um e à sociedade. Weber é apontado como o mais antigo defensor dessa perspectiva.

  • Interacionismo Simbólico: surge de uma preocupação com a linguagem e com o significado. Elemento-chave: SIMBOLO. Humanos dependem de símbolos e de conhecimentos compartilhados em suas interações uns com os outros. Todas as interações entre os indivíduos humanos envolvem uma troca de símbolos.

Introd. a Sociologia – Sociologia: Caracterização Geral”.

A sociologia – o que estuda e como se relaciona com as outras disciplinas afins.

  • Sociologia é (ou se esforça para ser) um ramo da ciência;

  • Sociologia é uma disciplina relativamente nova, que na verdade ainda não superou inteiramente sua fase de formação enquanto ciência;

  • Sociologia: criada por Augusto Comte em 1839 designa “o estudo do social” ou “o estudo da sociedade”;

  • SOCIOLOGIA é o estudo dos homens em interdependência;

  • Não parte nunca do individuo isolado, mas no mínimo da existência de alguma forma de relacionamento entre indivíduos;

  • INTERDEPENDENCIA HUMANA: ideia geral associada à palavra sociologia;

  • Tudo que pode ser diretamente observado na vida social é o comportamento de indivíduos;

  • As relações entre as ações humanas podem não ser diretamente observáveis, mas podem ser inferidas pelo observador;

  • ORGANIZAÇÃO SOCIAL:

  • Normas;

  • São cumpridas, na grande maioria dos casos;

  • Chamadas padrões sociais;

  • Essas compartilhadas pelos indivíduos pertencentes a um dado agrupamento social são o que permitem o encadeamento de suas ações em séries continuas;

  • Permite que a ação individual se caracterize como ação social;

  • Normas devem ser aceitas e cumpridas para que haja, de fato, organização social.

  • Em geral, não são rígidas, não preveem nos mínimos detalhes todas as circunstancias da vida social;

  • Não formam sistemas perfeitamente coerentes;

  • Assim, ações sociais estão sujeitas a normas de vários tipos: regras explícitas ou implícitas, planos, regulamentos, estatutos, leis. EX: balconista de farmácia que dança bolero.

  • RECIPROCIDADE:

  • “Lei da Reciprocidade”.

  • Sem organização não há sociedade.

  • Se manifesta, igualmente, quando dois ou mais grupos inteiros se associam.

  • Muitas vezes deixamos de perceber a existência de reciprocidade numa dada organização social simplesmente porque ela não se encaixa em nossa escala de valores particular.

  • Para que a mesma se manifeste, basta que a equivalência das obrigações entre as partes seja admitida pelas próprias partes.

  • É tida como o alicerce de toda forma de vida social.

  • DESVIO DAS NORMAS:

  • O cumprimento das normas e obrigações dá estabilidade à vida social;

  • Já o desvio das normas ou o desrespeito das mesmas é fator de desordem social, porém não significa que qualquer desvio das normas seja sinônimo de caos ou colapso da vida social;

  • Sociedade distingue diversas formas de desvio das normas, classificando-as por meio de expressões “esquisitice, infração, crime, imoralidade, etc”.

  • Desvios considerados da mesma natureza podem assumir graus de intensidade diferentes;

  • Há uma gama de desvios involuntários que podem ser explicadas por falhas no aprendizado das formas sociais;

  • Cultura deve ser aprendida por meio da comunicação simbólica humana;

  • Nem sempre o desvio voluntário exprime a vontade de mudar;

  • Desvio de normas passa da realidade de possível para necessário;

  • Só o tempo, a experiência, a posição social dos que desviam as normas e as necessidades gerais da sociedade decidiram se um dado desvio será ou não aceito, dará ou não origem a mudança da organização social. EX: desde 2002 a traição não é mais considerada crime no BR.

  • SOCIOLOGIA – ESTUDO DA ORDEM E A DESORDEM SOCIAL.

  • Sociologia parte do pressuposto de que existe certa ordem nos fenômenos que estuda, uma ordem que pode ser descoberta, descrita e compreendida;

  • Sociologia trata de explicar a ordem e a desordem social;

  • Ordem social – principal problema da sociologia, porém com algumas ressalvas;

  • Não pode afastar a desordem social de seu foco;

  • Existência de ordem social não exclui a existência de desordem. E desordem não significa caos total;

  • Os agrupamentos humanos são capazes de preservar sua organização, enquanto os indivíduos passam, até mesmo as comunidades “primitivas” (índios brasileiros).

  • SOCIOLOGIA – CIENCIA DOS GRUPOS SOCIAIS

  • Grupo social

  • Todo e qualquer sistema de relações sociais (amistosas ou hostis);

  • Devem se formar voluntariamente;

  • Porém nem todas as relações sociais definem grupos sociais;

  • Relações sociais são todas as que se estabelecem entre os indivíduos por meio de suas ações reciprocas;

  • Somente relações estáveis e duradouras constituem grupos sociais, relações de cooperação;

  • Cooperação é essencial nas relações sociais, implica a existência de normas que orientam a ação do grupo, mesmo que haja rivalidade, mas este não interfira na cooperação. EX: detentos de presidio.

  • Grupo e Individuo

  • Grupos sociais são formados de indivíduos que só integram um grupo na qualidade de membro do grupo;

  • Nossa participação em um grupo pode influenciar a maneira como participamos dos outros. EX: trab. Tesoureiro;

  • Certo nº de indivíduos não formam um grupo pelo simples fato de estarem juntos também um grupo não deixa de existir só porque seus membros estão dispersos. EX: time de futebol.

  • Grupos e Subgrupos

  • Os grupos não existem apenas “lado a lado” mais também se interpenetram;

  • No interior de cada grupo é possível identificar subgrupos;

  • Todos os membros do subgrupo fazem parte também do grupo a que estão incluídos.

  • Grupo e Sociedade

  • As sociedades são exemplos de grupos marcados por características fundamentais:

  • 1º Definição territorialtoda sociedade é um grupo territorial. Sua existência esta ligada a um território definido. Isso não significa que todo grupo territorial – bairro, cidade – seja necessariamente uma sociedade, há sociedades nômades que nunca se fixam, mas não deixam de ser sociedades;

  • 2º Manutenção pela Reprodução Sexual – as sociedades mantêm seu contingente humano fundamentalmente por meio de reprodução sexual;

  • 3º Cultura autossuficiente – todo grupo tem sua cultura, “conj. de capacidades adquiridas”. Uma sociedade possui elementos suficientemente diversificados para atender as exigências de sobrevivência do grupo em todos os aspectos de vida social.

  • 4º Independência – uma sociedade nunca é um subgrupo de um grupo mais abrangente.

  • SOCIOLOGIA E DISCIPLINAS AFINS

  • Filosofia SocialProcura descrever e entender a realidade da interdependência humana, ou do relacionamento social, baseando-se na observação dos fatos e fazendo generalizações a partir dessa observação.

Enquanto o sociólogo trata de explicar a interdependência humana exclusivamente a partir dos fatos que observa em domínios empíricos limitados da vida social, o filosofo procura explicar essas realidades parciais nos termos e na dependência da sua interpretação da realidade global.

  • Históriaestuda a interdependência humana no passado visando reconstruir consequências de acontecimentos concretos e determinados, tem preocupação de reconstruir o passado com o maior numero possível de detalhes. Já o sociólogo busca determinar os elementos constantes da interdependência humana.

  • Psicologia Social- aproxima a sociologia da psicologia. Interessa-se nos processos mentais que levam os indivíduos a agir dessa ou daquela maneira.

  • Ciências Sociais concretasduas merecem atenção especial: Economia e Etnologia ou Antropologia Cultural.

Economiapreocupa-se quase exclusivamente com o inter-relacionamento de varias economias abstratas como preço e oferta, circulação do dinheiro, balanço de pagamento, etc. A sociologia é mais abrangente que a Economia que limita seus interesses a esse tipo especial de relações sociais que são as relações econômicas.

Etnologia ou Antropologia Cultural é o estudo sociológico das chamadas sociedades primitivas, ou não-letradas, limitando-se ao estudo de uma espécie de grupo social. Já a Sociologia é mais abrangente, pois se interessa por qualquer tipo de grupo social.

  • SOCIOLOGIA – CIENCIA SOCIAL UNIFICADORA: devemos admitir que o objetivo da Sociologia não é constituído apenas por aquilo que é comum a todos os fenômenos sociais e pelas relações entre suas varias subclasses. Ele inclui também todas as subclasses de fenômenos que ainda não foram privilegiados como objeto de estudo de uma nova ciência social concreta.

A SOCIOLOGIA – HISTÓRICO, PRINCIPAIS ABORDAGENS, DIVISÕES E PROBLEMAS

  • OS PRECURSORES: PONTE DE VISTA NORMATIVO E FINALISTA

  • Normativo: no sentido de buscarem estabelecer normas ou regras para a vida social; Finalista: no sentido de proporem como finalidade da vida social a realização dessa organização ideal;

  • São características comum a todos os filósofos que escreveram a respeito da vida social;

  • Santo Agostinho (354-430) preocupado com a já previsível derrocada do Império Romano, do qual o cristianismo se tornara a religião oficial, dedicou a mais importante de suas obras, De Civitate Dei, ao exame de problemas sociais;

  • Tomás de Aquino (1227-1274) desenvolveu uma doutrina segundo a qual a soberania, ou a fonte de poder politico, reside de modo imediato no povo e de modo mediato em Deus.

  • OS PRECURSORES: PONTE DE VISTA NORMATIVO E FINALISTA – foi preciso aplicar o conceito de lei natural à vida social para que a sociologia pudesse surgir reivindicando um lugar entre as chamadas ciências positivas.

  • Dá Filosofia à Ciência

  • Sociologia começa com a obra de Augusto Comte (1798-1857). Além de cunhar o nome da nova ciência, foi de Comte a primeira tentativa de definir-lhe o objeto, seus métodos e problemas fundamentais; bem como a primeira tentativa de determinar-lhe a posição no conjunto das ciências.

  • O organicismo contribui para o estabelecimento de conceitos unitários a respeito dos fenômenos sociais, para a busca mais sistemática de dados empíricos e para a difusão de uma atitude objetiva em relação aos fenômenos sociais;

  • Sociologia “Filosófica” – Florestan Fernandes - desdobrou-se em três níveis de reflexão: 1º Filosofia da História – tentava associar o presente ao passado para descobrir as leis de desenvolvimento do espirito humano; 2º Filosofia Social – procurava caracterizar a função civilizadora da vida social ao mesmo tempo em que se dedicava a questão social e 3º Filosofia Politica – através da analise critica dos sistemas políticos modernos, estabelecia ligações entre a concepção da Filosofia da História e da Filosofia Social.

  • Novas Diretrizes – o fato de quase a Sociologia do séc. XIX se encontrar permeada por uma atitude filosófica não diminui a importância desse período no desenvolvimento da nova disciplina. Foi sob a influência dessa atitude que o ponto de vista normativo e finalista deu lugar ao ponto de vista positivo na interpretação dos fenômenos sociais.

  • A SOCIOLOGIA NO SÉC. XX

  • Os primeiros vinte e cinco anos do nosso século foram os mais ricos para a caracterização da Sociologia como disciplina cientifica, nesse período começam a se estabelecer os padrões próprios da sociologia;

  • Pesquisa de campo foi se fixando, a pesquisa de reconstrução histórica e a pesquisa quantitativa além da pesquisa voltada para a comparação de grupos sociais;

  • A ascensão do nazi-fascismo e a 2ª Guerra Mundial truncam o desenvolvimento da sociologia na Europa;

  • A contribuição dos sociólogos norte-americanos teve enorme influencia no desenvolvimento da Sociologia até o presente, através da concentração dos esforços metodológicos na criação de técnicas próprias de coletas de dados, contribuíram também para a difusão de uma nova mentalidade cientifica, enfim, mostraram que a passagem da pesquisa qualitativa para a pesquisa quantitativa depende mais dos métodos de investigação empregados que da natureza dos fenômenos sociais pesquisados.

  • RELATIVISMO

  • Para que a Sociologia saísse definitivamente da órbita da Filosofia e entrasse na da ciência empírica, ainda seria preciso que se introduzisse nela um sentido básico de relativismo;

  • Três séries de fatores para isto acontecer: fatores de natureza sociocultural; fatores de natureza intelectual e fatores decorrentes da própria dinâmica do chamado “sistema das ciências”.

  • Fatores Socioculturaisuma série de mudanças ocorridas na vida econômica e politica contribui para alterar a mentalidade média do homem comum no mundo moderno. Na antiguidade e na Id. Média, as formas estabelecidas de vida social se revestiam de caráter sagrado com modo intocável;

  • Fatores IntelectuaisTanto a dialética de Hegel como o evolucionismo de Darwin contribuíram, assim, para que o pensamento sociológico se libertasse de qualquer reverencia especial pelas formas aparentemente fixas da vida social. Com isso a sociologia pode se abrir para perceber a variabilidade das formas de organização social, tanto no tempo como no espaço;

  • O sistema das ciências

  • 1º O singular e o genéricouma ciência do acontecimento singular, que nunca se repete, é evidentemente impossível, as repetições são observáveis; diante disso podemos dizer que a dificuldade da Sociologia em se constituir como uma ciência acabada não está, por certo, na falta de repetições observáveis entra os acontecimentos que ela estuda. Ao contrario, o que pode dificultar o trabalho dos sociólogos é antes o nº excessivo de repetições que lhes atrai a atenção;

  • 2º As leis na Sociologiaé preciso que os acontecimentos apresentem regularidade, que sigam determinadas leis, que dentro das Ciências Sociais são tendenciais e probabilísticas, enquanto que nas Ciências Naturais são absolutas; Numa situação de interação quanto mais durar a situação, quanto mais frequentemente se repetir, quanto mais intima for, quanto menos competição houver, quanto mais descontraente for a atmosfera, e quanto maior a necessidade de atividade mutua, maior será a probabilidade da formação de uma amizade.

  • 3º Compreensão e Mensuração -se todas as técnicas de observação tem suas limitações, não há por que rejeitar em principio as técnicas quantitativas.

  • TEORIA E EMPIRISMO – até hoje os sociólogos se dividem em duas correntes opostas uma voltada principalmente para a teoria e outra para a pesquisa empírica.

  • A elaboração de conceitos Sociológicos – a elaboração de conceitos é indispensável, são estes que estabelecem a forma e o conteúdo das varias considerações importantes.

  • Generalização empírica

  • O produto típico desse trabalho é a correlação entre as variáveis observáveis;

  • Tem pouco valor se não tiver ligada a uma teoria suficientemente abrangente, isso por que o nº de fatos é praticamente limitado, os resultados obtidos se contradizem e a falta de uma teoria abrangente não permitem acumular conhecimento sobre os aspectos da realidade social estudada.

  • Elaboração da Teoria Científica – o que uma ciência almeja não são generalizações isoladas, mas generalizações que se inter-relacionam no interior de leis cientificas. O ideal da Sociologia seria desenvolver o maior nº possível de proposições a partir das leis cientificas.

  • SOCIOLOGIA PURA E SOCIOLOGIA CRÍTICA

  • Questão que divide os sociólogos é saber se a Sociologia deve ser pura, ou seja, neutra diante da realidade social, ou participante, esforçando-se para seus resultados interferirem na realidade;

  • Durkhein – As regras do Método Sociológico: “A Sociologia (...) individualista, socialista, nem comunista... Por principio ignorara essas doutrinas, nas quais não poderia reconhecer qualquer valor cientifico, pois tendem, não a descrever ou interpretar, mas a reformar a organização social.”;

  • Max Hokheimer e Theodor Adorno: “A Sociologia pura não existe, assim como não existe uma história pura ou uma economia pura (...).”;

  • Ultimamente sociólogos tem tentado superar essa oposição entre Sociologia Pura e Sociologia Crítica, ex. Alex Inkeles;

  • DIVISÃO DA SOCIOLOGIA – por falta de um acumulo suficiente de dados foi comum, nos primeiros tempos, fazer a divisão da Sociologia por analogia com outras disciplinas. Assim por analogia a Biologia, Durkheim dividiu a Sociologia em Morfologia Social, Fisiologia Social e Sociologia Geral.

  • Divisão Metodológica – Karl Manheim, sociólogo alemão, em 1936 apresentou a primeira tentativa propriamente sociológica de divisão da Sociologia, tratava de estabelecer uma divisão para cada tipo de método de observação e interpretação sociológica. Adotando esse critério Florestan Fernandes propõe a seguinte divisão:

  • Sociologia Sistemática – procura explicar a ordem existente nas relações dos fenômenos sociais através de condições, fatores e efeitos que operam num campo a-histórico. Divide-se em:

  • Sociologia Sistemática Estática – estuda os requisitos gerais de subsistência da ordem social, cabendo-lhe definir os conceitos sociológicos básicos;

  • Sociologia Sistemática Dinâmica – partindo dos requisitos gerais da ordem social caracterizados pela subdivisão anterior, busca explicar os diferentes processos de mudança social.

  • Sociologia Descritiva – investiga os fenômenos sociais no plano da sua manifestação concreta;

  • Sociologia Comparada - pretende explicar a ordem existente nas relações dos fenômenos sociais através de condições, fatores e efeitos que operam em um campo supra histórico. Não deixa de lado as peculiaridades da forma de organização de cada sociedade para considerar apenas os elementos comuns a todas elas;

  • Sociologia Diferencial – estuda as características peculiares da forma de organização global de cada sociedade como sua divisão em castas ou em classes sociais;

  • Sociologia Aplicada – estuda com finalidades praticas as condições de intervenção racional, deliberada ou artificial nos processos sociais e seus efeitos possíveis.

  • Sociologia Geral ou Teóricatem função de critica ou de síntese com caráter metodológico. Examina em que condições estão sendo aplicados os métodos utilizados pelos sociólogos e verifica os resultados alcançados. Consiste em reunir as varias descobertas da Sociologia para formar um conjunto teórico uniforme, traduzindo-as em expressões de conotação universal.

  • Divisão pela Magnitude do Objetohá sociólogos que adotam um outro critério de divisão para a Sociologia, pela grandeza ou magnitude dos objetos com os quais ela lida. Macrossociologia e Microssociologia. Dividindo assim em três grupos de observação:

  • 1º Plano Macrossociológico das Sociedades Globais – o grupo territorial que se mantém primordialmente pela reprodução sexual, possui uma cultura autossuficiente e é independente de qualquer outro grupo;

  • 2º Plano dos Agrupamentos Parciais – compreende subgrupos das sociedades globais, como a família, os grupos de parentescos, as associações voluntárias, as classes sociais, etc.

  • 3º Plano Microssociológico dos Diferentes Modos de Ligações Sociais – compreende as relações sociais estabelecidas entre os membros de um grupo, as diversas formas pelas quais esses membros se relacionam com o grupo e entre si através do grupo.

POSSÍVEIS OBJETIVOS DO ESTUDANTE

  1. Explicar, do ponto de vista da Sociologia, o que significa interdependência humana.

Interdependência humana é o fato básico de que os homens não vivem isolados, mas juntos; a formação de agrupamentos estáveis onde se da o encontro do homem com o homem; ao estabelecimento de relações de cooperação, luta e domínio entre os homens no interior desses agrupamentos; e ao desenvolvimento ou destruição das culturas humanas que decorrem de tais relações.

  1. Definir ação e organização social.

AÇÃO SOCIAL – São todas as ações praticadas pelos indivíduos, tudo que pode ser diretamente observado na vida social e desencadeia relacionamentos complexos;

ORGANIZAÇÃO SOCIAL – É a existência de normas, também chamadas de padrões sociais, que são cumpridas na maioria dos casos, a fim de organizar e limitar de forma organizada as atitudes e atos humanos é preciso também que aquelas sejam aceitas pelos indivíduos.

  1. Definir e exemplificar o significado de reciprocidade nas relações sociais.

A reciprocidade se manifesta, igualmente, quando dois ou mais grupos inteiros se associam. Ex: aliança entre grupos politicamente autônomos para enfrentar um inimigo comum, fenômeno frequente nas antigas guerras tribais.

  1. Dar exemplos de desvio das normas sociais e discutir-lhe, se for o caso, as implicações do ponto de vista da mudança social.

“Mentirinha” conjugal, verdadeira traição, roubar, matar, etc.

  1. Expor resumidamente o principal problema de que trata a sociologia.

A sociologia parte do pressuposto de que existe certa ordem nos fenômenos que estuda; uma ordem que pode ser descoberta, descrita e compreendida, essa ordem nada mais é a qual se manifesta na vida social. A ordem social é tida como o principal problema de que trata a sociologia, mas essa afirmação admite algumas ressalvas. A existência de ordem social não exclui a existência de desordem. E desordem, no caso, não significa necessariamente caos. Sendo assim a sociologia trata de explicar a ordem e a desordem social.

  1. Descrever um aspecto qualquer da sua experiência cotidiana, aplicando os conceitos de grupo e subgrupo social.

Todos os empregados que trabalham na mesma loja que eu, formam um grupo de funcionários da loja, já uma parte desse grupo forma um subgrupo de pessoas evangélicas que se opõem ao subgrupo de pessoas católicas.

  1. Estabelecer a distinção entre sociedade e demais grupos sociais e explicar a importância do estudo da sociedade para a Sociologia.

À sociedade deve ser atribuída importância especial como grupo social, pois ela possui as seguintes características marcantes: definição de território, manutenção pela reprodução sexual, cultura autossuficiente e independência. Ela é de grande importância para o estudo sociológico, pois o relacionamento social de quase a totalidade das pessoas ocorre no interior de uma sociedade. Todos os grupos sociais tem uma ligação importante com uma ou com várias sociedades, ou são subgrupos de uma sociedade.

  1. Resumir a argumentação que procura caracterizar a Sociologia como Ciência Social unificadora.

Somos obrigados a assumir que o objetivo da Sociologia não é constituído apenas por aquilo que é comum a todos os fenômenos sociais e pelas relações entre suas varias subclasses, ele inclui também todas as subclasses de fenômenos que ainda não foram privilegiados como objetivo de estudo de uma Ciência Social concreta.

  1. Indicar o ponto de ruptura da Sociologia com toda a reflexão anterior a respeito da vida social.

Quando começaram a estabelecer os padrões próprios da sociologia para a coleta sistemática de dados empíricos, sendo assim a pesquisa de campo foi se fixando, juntamente com a reconstrução histórica e a pesquisa quantitativa e finalmente a pesquisa voltada para a compreensão de grupos sociais.

  1. Caracterizar resumidamente a passagem da sociologia “Filosófica” para a Sociologia “Positiva”.

A atitude filosófica foi realmente decisiva para os primeiros passos para o desenvolvimento da Sociologia. Foi sob a influencia dessa atitude que o ponto de vista normativo e finalista deu lugar ao ponto de vista positivo na interpretação dos fenômenos sociais. No próprio século XIX surgem autores que contribuem decisivamente para eliminar da sociologia a atitude filosófica inicial. Buscando procedimentos de investigação baseados na natureza do conhecimento cientifico e compatíveis com a complexidade dos fenômenos sociais, esses autores lançaram as principais soluções metodológicas para os problemas fundamentais da Sociologia.

  1. Expor os principais problemas que constituem objeto de controvérsias entre os sociólogos da atualidade.

Saber se a Sociologia deve ser pura, ou seja, neutra diante da realidade social, ou participante, esforçando-se para seus resultados interferirem na realidade;

  1. Esquematizar as divisões da Sociologia segundo o critério metodológico e segundo o a magnitude do objeto.

  • Divisão Metodológica – Karl Manheim, sociólogo alemão, em 1936 apresentou a primeira tentativa propriamente sociológica de divisão da Sociologia, tratava de estabelecer uma divisão para cada tipo de método de observação e interpretação sociológica. Adotando esse critério Florestan Fernandes propõe a seguinte divisão:

  • Sociologia Sistemática – procura explicar a ordem existente nas relações dos fenômenos sociais através de condições, fatores e efeitos que operam num campo a-histórico. Divide-se em:

  • Sociologia Sistemática Estática – estuda os requisitos gerais de subsistência da ordem social, cabendo-lhe definir os conceitos sociológicos básicos;

  • Sociologia Sistemática Dinâmica – partindo dos requisitos gerais da ordem social caracterizados pela subdivisão anterior, busca explicar os diferentes processos de mudança social.

  • Sociologia Descritiva – investiga os fenômenos sociais no plano da sua manifestação concreta;

  • Sociologia Comparada - pretende explicar a ordem existente nas relações dos fenômenos sociais através de condições, fatores e efeitos que operam em um campo supra histórico. Não deixa de lado as peculiaridades da forma de organização de cada sociedade para considerar apenas os elementos comuns a todas elas;

  • Sociologia Diferencial – estuda as características peculiares da forma de organização global de cada sociedade como sua divisão em castas ou em classes sociais;

  • Sociologia Aplicada – estuda com finalidades praticas as condições de intervenção racional, deliberada ou artificial nos processos sociais e seus efeitos possíveis.

  • Sociologia Geral ou Teórica – tem função de critica ou de síntese com caráter metodológico. Examina em que condições estão sendo aplicados os métodos utilizados pelos sociólogos e verifica os resultados alcançados. Consiste em reunir as varias descobertas da Sociologia para formar um conjunto teórico uniforme, traduzindo-as em expressões de conotação universal.

  • Divisão pela Magnitude do Objeto – há sociólogos que adotam um outro critério de divisão para a Sociologia, pela grandeza ou magnitude dos objetos com os quais ela lida. Macrossociologia e Microssociologia. Dividindo assim em três grupos de observação:

  • 1º Plano Macrossociológico das Sociedades Globais – o grupo territorial que se mantém primordialmente pela reprodução sexual, possui uma cultura autossuficiente e é independente de qualquer outro grupo;

  • 2º Plano dos Agrupamentos Parciais – compreende subgrupos das sociedades globais, como a família, os grupos de parentescos, as associações voluntárias, as classes sociais, etc.

  • 3º Plano Microssociológico dos Diferentes Modos de Ligações Sociais – compreende as relações sociais estabelecidas entre os membros de um grupo, as diversas formas pelas quais esses membros se relacionam com o grupo e entre si através do grupo.

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