transporte público urbano... parte 01. introdução

transporte público urbano... parte 01. introdução

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2a EDIÇÃO AMPLIADA E ATUALIZADA

São Carlos 2004

2a EDIÇÃO AMPLIADA E ATUALIZADA

Antonio Clóvis “Coca” Pinto Ferraz

Departamento de Transportes

Escola de Engenharia de São Carlos

Universidade de São Paulo Brasil

Isaac Guillermo Espinosa Torres

Departamento de Estudos Regionais

Instituto de Ciências Sociais e Humanas

Benemérita Universidade Autônoma de Puebla México

Rua Oscar de Souza Geribelo, 232 – Santa Paula 13564-0 – São Carlos, SP

w.rimaeditora.com.br

© 2001, 2004 Antonio Clóvis “Coca” Pinto Ferraz e Isaac Guillermo Espinosa Torres.

Direitos reservados desta edição RiMa Editora

Capa Autoria de Ernesto Lia, artista plástico brasileiro consagrado internacionalmente.

Editoração, revisão e fotolitos RiMa Artes e Textos

Editora

Transporte público urbano/Antônio “Coca” Pinto

Ferraz; Isaac Guilhermo Espinosa Torres – São Carlos : RiMa, 2004. 428p.

1. Transporte Público Urbano. 2. Urbanismo. I. Título. I. Autores.

Às nossas esposas, filhos, pais, irmãos, demais parentes, amigos e colegas de trabalho.

PREFÁCIO À 1A EDIÇÃO

O mundo atual é essencialmente urbano. No Brasil, cerca de 80% da população vive nas cidades.

Se, de um lado, a vida urbana traz uma série de benefícios à humanidade, de outro, também traz grandes desafios, como, por exemplo, a solução para os problemas de água, esgoto, lixo, energia elétrica, transporte, etc.

O grau de desenvolvimento econômico e social de uma sociedade está diretamente associado à facilidade de transporte de passageiros e carga. Em particular, a qualidade de vida nas cidades é fortemente influenciada pelas características do sistema de transporte urbano.

Dessa forma, o equacionamento adequado da questão do transporte urbano é um dos grandes desafios do Brasil e do mundo. Acerca disso, não resta dúvida de que um adequado sistema de transporte urbano passa necessariamente pela valorização do transporte público. A experiência mundial aponta claramente nesse sentido.

Uma maior utilização do transporte público é a solução para os problemas de congestionamento, poluição, acidentes, desumanização e outros males que afligem as cidades modernas.

Quando se fala de transporte público coletivo, cabe destacar dois aspectos positivos de grande importância. Primeiro, a questão social: o transporte coletivo é o único modo motorizado acessível à população de baixa renda que oferece total segurança e grande comodidade. Segundo, o caráter democrático: o transporte público é, muitas vezes, a única forma de locomoção para aqueles que não têm automóvel, não podem ou não querem dirigir.

O livro do professor Coca Ferraz e do arquiteto Isaac Espinoza Torres é, assim, muito bem-vindo. Trata-se de uma efetiva contribuição na busca de sistemas de transporte urbano mais racionais; em especial, no planejamento de sistemas de transporte público mais eficientes e com melhor qualidade.

Dr. Geraldo Alckmin Governador do Estado de São Paulo

PREFÁCIO À 2A EDIÇÃO

Muito me honrou o convite do professor Coca Ferraz e do arquiteto Isaac Espinosa para prefaciar esta segunda edição do livro Transporte Público Urbano.

Os autores dispensam apresentação, dado o cabedal de conhecimento que acumularam na área de transporte urbano, tanto na prática como na teoria, retratado nas suas publicações, conferências, cursos e projetos de engenharia.

A primeira edição, lançada em 2001, veio preencher uma lacuna no ensino da Engenharia dos Transportes no Brasil, nos cursos de graduação e pós-graduação, sendo um dos poucos livros que tratam desse assunto de maneira didática, com a prática aliada à teoria de maneira equilibrada, mercê do brilhantismo dos autores.

Quando tratam da questão Transporte Urbano x Urbanismo, os autores afirmam que o transporte público é o modo mais indicado para as cidades sobretudo as maiores. Gostaria de acrescentar: principalmente nos países subdesenvolvidos ou ditos do terceiro mundo, onde, necessariamente, os governos necessitam e devem planejar, dirigir, controlar e subsidiar o transporte coletivo urbano .

Os profissionais e estudantes, com este livro, obtêm os conhecimentos teóricos especializados para planejar e operar sistemas de transporte público com melhor qualidade e maior eficiência.

Sobre o professor Coca Ferraz, gostaria de destacar o magnífico trabalho que desenvolveu nas áreas de trânsito e transporte público em Araraquara e São Carlos. O terminal de integração do transporte coletivo de Araraquara, em especial, constitui uma obra de profundo alcance social, que trouxe justiça tarifária para os usuários do sistema de ônibus urbano.

A segunda edição deste livro traz as evoluções e as correções necessárias que o assunto requer no ensino, na pesquisa e na prática do transporte público urbano. Ação muito apropriada, pois: a procura do aperfeiçoamento contínuo e a busca da excelência são a tônica da perfeição e o que leva o ser humano a superar-se cada vez mais .

Eng. Roberto Massafera*

* Engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo e diretor da Construtora Massafera, foi prefeito de Araraquara, no período 1993-1996, e secretário adjunto de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, no período 1987-1988.

O objetivo deste livro é oferecer a estudantes, profissionais e interessados uma publicação em que os fundamentos sobre Transporte Público Urbano são abordados de forma sintética e prática.

Este livro resulta, principalmente, da adequação de textos anteriormente produzidos pelos autores e da adaptação de material contido em diversas publicações, em especial das seguintes: Sistema de Transporte Coletivo Urbano por Ônibus Planejamento e Operação, manual elaborado pela Mercedes-Benz do Brasil; Public Transportation: Planning, Operations and Management, livro editado por G. E. Gray e L. Hoel; Urban Public Transportation Systems and Technology e Transportation for Livable Cities, livros de autoria de V. Vuchic.

Como mais de 90% das viagens por transporte público urbano no Brasil e no mundo são realizadas por ônibus, é natural que este modo de transporte tenha maior destaque no texto em relação às outras modalidades.

Esta segunda edição incorpora algumas ampliações e atualizações em relação à primeira, bem como alteração na ordem dos capítulos.

Externamos aqui os nossos agradecimentos a todos que colaboraram para viabilizar este livro. Em especial, agradecemos às seguintes pessoas e empresas: Sr. Ângelo Leoni, Eng. Cida Cristina de Souza Moraes, Eng. Hilário Sérgio Ferrari, Sr. Vivaldo Mazon, Construtora Araguaia, Circular Santa Luzia, Curso e Colégio Objetivo (Araraquara e São Carlos), Grupo Bandeirantes, Logit Logística, Informática e Transportes, Viação Paraty, Viação Renascença de Transporte Coletivos e Viação Santa Cruz.

Os autores

AUTOR DA CAPA Ernesto Lia

Ernesto Lia é um artista consagrado em nível nacional e internacional, mercê das láureas que tem conquistado nos mais diversos salões de arte, museus e coleções particulares. Traz em sua bagagem inúmeros prêmios conquistados em salões de arte do país e do exterior, como em Paris, Nice, Lisboa, Roma, Tampa, Rio de Janeiro, São Paulo e em várias outras cidades.

Acadêmico honoris causa e atual vice-presidente da Academia Brasileira de

Belas Artes, membro da Accademia Mondiale Degli Artisti e Professionisti, em Roma, membro do Le Centre Internacional d Art, em Paris, e membro efetivo de diversas outras entidades nacionais e internacionais de arte, Ernesto Lia tem participado de dezenas de exposições no Brasil e em outros países. Seu acervo de retratos é amplo, e nomes do jet-set internacional já foram reproduzidos em suas telas: Martha Rocha, Juscelino Kubitschek, Adalgiza Colombo, Luz Marina Zuluaga, ex-Miss Universo, Carmem Prudente e a atriz norte-americana Betty Grable.

Em 27 de janeiro de 2000, foi selecionado entre os 100 maiores pintores internacionais pela Who s Who in the Internacional Art, de Genebra, Suíça, pela obra Ecce Homo, que retrata o rosto de Cristo. Esta obra foi reproduzida em selo comemorativo do ano 2000: Celebration de l année 2000 avec Ernesto Lia, Artists e Maitres. Em dezembro de 2000, participou com várias telas de uma exposição na Galeria Le Carré D or, em Paris, promovida pelos Who s Who in the Internacional Art.

Em 2003, foi incluído, pela Who s Who in the Internacional Art, no compêndio Os Grandes e Novos Nomes do Mundo Artístico do Século 21 (Les Grands et Nouveaux Noms du Monde Artistique dAujourd hui). Neste ano de 2004, mais uma vez, irá expor algumas de suas telas na Europa, na Europ Art Foire Internationale D Art, a maior feira de arte européia, que acontece em Genebra, Suíça, e na DaSilva Internationale Galerie, em Paris, França, onde será realizada a Lille 2004 Capitale Europeenne De L Art.

Como artista de prestígio internacional, esteve presente, como convidado especial, na posse do atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

xivTransporte Público Urbano

Sobre esse grande artista brasileiro vale reproduzir algumas opiniões de entidades e críticos de arte:

Ele é incapaz de conceber para reproduzir, porque a inspiração criadora sempre o exercita numa especulação sem trégua, deixando-lhe visível a inquietude de buscas perdidas no ilusório acordo das tintas. Assim ele é: mesmo em aparência, viola e revela a insuspeitável fisionomia dos seus modelos, como se através de um fio de academicismo ele pudesse dar-nos as impressão do retrato interior (Lannuaire International de L Àrt).

Ainda que como em toda forma de Arte, sua pintura está além da racionalização. Sua obra pertence à estética, ao ideal e à beleza que a informa. Ainda, seu nome, ligado aos horizontes longínquos, onde somente os privilegiados travam para transmitir-nos seu diálogo eterno com a eternidade (Academia Brasileira de Belas Artes).

Com a imensurável universalidade de sua arte, é um cidadão do mundo, nasceu predestinado a gênio, é homem de Paris, Roma, Londres ou Berlim (M. Gandhra Ribeiro, crítico de arte).

Ernesto Lia tem sabido manter seu nome na selecionada constelação dos grandes mestres brasileiros (Sérgio Milliet, professor e crítico literário).

Sumário xv

Introdução1
1.1 A importância do transporte urbano1
1.2 O transporte urbano2
1.3 O transporte público urbano4
1.4 Questões7

Capítulo 1

História do Transporte Urbano e da Evolução das Cidades9
2.1 História do transporte urbano9
2.2 História da evolução das cidades21
2.3 Questões23

Capítulo 2

Modos de Transporte Urbano25
3.1Classificação dos modos de transporte urbano25
3.2Modos privados ou individuais a pé26
3.3Modos públicos, coletivos ou de massa37
3.4 Modos semipúblicos58
3.5Flexibilidade e capacidade dos diversos modos69
3.6 Modos especiais69
3.7 Questões82

Capítulo 3

Transporte Coletivo x Transporte Individual83
4.1Vantagens e desvantagens do transporte privado83
4.2Vantagens e desvantagens do transporte público85
4.3Mobilidade e distribuição modal nas cidades8
4.4Ações empregadas para reduzir o uso do carro91
4.5 Uso racional do carro93
4.6 Considerações finais95
4.7 Questões96

Capítulo 4

Qualidade no Transporte Público Urbano97
5.1 Visão geral da qualidade97
5.2Fatores de qualidade para os usuários101
5.3Padrões de qualidade para os usuários109
5.4 Avaliação global da qualidade112
5.5 Questões115

Capítulo 5

Eficiência no Transporte Público Urbano117
6.2Fatores que afetam a eficiência econômica118
6.3 Avaliação da eficiência econômica120
6.4 Padrões de eficiência econômica123
6.5 Eficiencia social123
6.6 Questões124

xviTransporte Público Urbano

Integração no Transporte Público Urbano125
7.1 Integração no transporte de passageiros125
7.2 Integração física126
7.3 Integração tarifária127
7.4 Integração no tempo130
7.5 Questões131

Capítulo 7

Linhas e Redes133
8.1 Linhas de transporte público133
8.2 Redes de transporte público136
8.3 Projeto das redes143
8.4 Projeto das linhas145
8.5 Questões152

Capítulo 8

Planejamento e Programação da Operação153
9.1 Demanda de passageiros153
9.2 Desempenho operacional dos veículos157
9.3 Dimensionamento da oferta horária164
9.4Programação da operação ao longo do dia169
9.5 Estratégias operacionais alternativas172
9.6 Planejamento e controle da operação176
9.7 Parâmetros quantificadores da operação176
9.8Capacidade de transporte em um corredor177
9.9 Questões181

Capítulo 9

Pagamento da Passagem e Controle do Acesso187
10.1 Pagamento da passagem187
10.2 Controle do acesso191
10.3Equipamentos utilizados na cobrança e controle do acesso192
10.4 Questões198

Capítulo 10

Controle da Operação199
1.1 Introdução199
1.2 Trabalho dos fiscais199
1.3 Tecnologias utilizadas201
1.4 Sistemas inteligentes de transporte21

Sumário xvii

Levantamentos e Pesquisas215
12.1 Considerações iniciais215
12.2 Principais levantamentos216
12.3 Principais pesquisas2
12.4 Questões229

Capítulo 12

Pontos de Parada e Estações (Terminais)235
13.1 Conceituação235
13.2 Pontos de parada237
13.3 Estações (terminais) de ônibus253
13.4 Estações de trens urbanos263
13.5 Questões268

Capítulo 13

Sistema Viário: Geometria e Priorização271
14.1 Geometria271
14.2 Priorização do transporte público276
14.3 Questões283

Capítulo 14

Informações aos Usuários285
15.1 Introdução285
15.2 Informações nos veículos285
15.3Informações nos pontos de ônibus e bondes288
15.4 Informações nas estações (terminais)289
15.5 Informações impressas em folhetos291
15.6 Informações por telefone292
15.7 Informações via Internet292
15.8 Informações pelos órgãos de comunicação292
15.9 Questões293

Capítulo 15

Custos e Tarifas295
16.1Juros, rentabilidade e oportunidade de capital295
16.2 Transferência de valores de capital297
16.3Custos associados aos projetos de transporte298
16.4Custos de capital: remuneração e depreciação299
16.5Custos de operação do transporte por ônibus306
16.6Métodos de cálculo da tarifa de ônibus308
16.7 Compensação tarifária315
16.8 Formas de tarifação316
16.9Importância do valor correto da tarifa318
16.10Valores dos custos do transporte público318
16.1 Financiamento do transporte público320

xviiiTransporte Público Urbano

Avaliação de Projetos e Sistemas de Transporte Público Urbano325
17.1 Introdução325
17.2Impactos dos projetos de transporte urbano326
17.3 Avaliação econômica330
17.4 Análise multiobjetivo334
17.5Avaliação de sistemas de transporte público urbano339
17.6 Questões340

Capítulo 17

Legislação Brasileira343
18.1 Constituição brasileira343
18.2Lei de concessão e permissão de serviços públicos343
18.3 Questões359

Capítulo 18

Planejamento, Gestão e Operação361
19.1 Introdução361
19.2 Planejamento363
19.3 Gestão364
19.4Organização do planejamento e da gestão366
19.5 Operação366
19.6 Questões368

Capítulo 19

Empresas Operadoras369
20.1 Tipos de empresas operadoras369
20.2 Atividades essenciais nas empresas operadoras369
20.3 Organização das empresas operadoras371
20.4Dimensionamento da frota e de pessoal375
20.5Localização, arranjo físico e dimensionamento da garagem376
20.6A empresa de ônibus sob a ótica do usuário378
20.7 Questões379

Capítulo 20

O Transporte Urbano e as Cidades381
21.1Transporte x qualidade e eficência das cidades381
21.2Ocupação do espaço na área central das cidades387
21.3Custo do transporte público x ocupação do solo390
21.4Tempo de viagem xocupação do solo393
21.5Custo da infra-estrutura xocupação do solo394
21.6Características da cidade xtipo de transporte público395
21.7 Questões403

1 INTRODUÇÃO

1.1A importância do transporte urbano

A facilidade de deslocamento de pessoas, que depende das características do sistema de transporte de passageiros, é um fator importante na caracterização da qualidade de vida de uma sociedade e, por conseqüência, do seu grau de desenvolvimento econômico e social.

Também associado ao nível de desenvolvimento econômico e social está a facilidade de deslocamento de produtos, o que depende das características do sistema de transporte de carga.

Essas afirmações valem em todos os contextos geográficos, ou seja, em nível de país, estado, região, município e cidade.

As atividades comerciais, industriais, educacionais, recreativas, etc., que são essenciais à vida nas cidades modernas, somente são possíveis com o deslocamento de pessoas e produtos. Assim, o transporte urbano é tão importante para a qualidade de vida da população quanto os serviços de abastecimento de água, coleta de esgoto, fornecimento de energia elétrica, iluminação pública, etc.

A mobilidade é, sem dúvida, o elemento balizador do desenvolvimento urbano. Proporcionar uma adequada mobilidade para todas as classes sociais constitui uma ação essencial no processo de desenvolvimento econômico e social das cidades.

O equacionamento adequado do transporte urbano é uma preocupação presente em todos os países, pois a maioria da população mora nas cidades.

No Brasil, mais de 80% da população vive nas cidades. Assim, dos cerca de 175 milhões de habitantes do país, 140 milhões utilizam os sistemas de transporte urbano. Daqui a aproximadamente 30 anos, quando a população brasileira deverá se estabilizar em torno de 230 milhões, a população nas cidades deverá estar próxima de 184 milhões de pessoas todos usuários dos sistemas de transporte urbano.

2Transporte Público Urbano

Os custos do transporte urbano englobam o investimento, a manutenção e a operação do sistema viário: vias, obras de arte (viadutos, pontes, túneis, trevos, rotatórias, etc.), dispositivos de controle do tráfego, sinalização, estacionamentos, etc., bem como das vias específicas de transporte público e de todos os veículos públicos e privados. Estudos realizados mostram que o custo do transporte nas grandes cidades constitui uma expressiva parcela da matriz dos custos urbanos.

Outros estudos apontam que o custo do transporte público coletivo em algumas cidades grandes chega a superar o custo de outros serviços públicos básicos, como abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica, iluminação pública, coleta de esgoto, etc.

1.2O transporte urbano

Conceitos básicos

Transporte é a denominação dada ao deslocamento de pessoas e de produtos. O deslocamento de pessoas é referido como transporte de passageiros e o de produtos, como transporte de carga.

O termo transporte urbano é empregado para designar os deslocamentos de pessoas e produtos realizados no interior das cidades.

Motivos de viagem

Os motivos que levam as pessoas a viajar são diversos: trabalho, estudo, compras, lazer (recreação) e outras necessidades específicas, como ir ao banco, prefeitura, correio, hospital, médico, dentista, residência de outra pessoa, etc.

O movimento de carga no interior das cidades ocorre pelas seguintes principais razões: coleta de lixo, chegada de insumos às indústrias e obras, saída de produtos das indústrias, chegada e saída de mercadorias dos estabelecimentos comerciais, movimentação de terra e de entulhos, transporte de mudanças, etc.

Modos de transporte

A palavra modo é empregada para caracterizar a maneira como o transporte é realizado.

Há vários modos de transporte de passageiros nas cidades: a pé, de bicicleta, montado em animal, em veículo rebocado por animal, com motocicleta ou veículo assemelhado, de carro, com perua, de ônibus, por intermédio de trem, bonde, embarcação, helicóptero, etc. Os meios mais comuns são: a pé,

1. Introdução3 bicicleta, motocicleta, carro, perua (van), ônibus, bonde (em algumas poucas cidades), metrô e trem suburbano (os dois últimos nas grandes cidades).

O transporte urbano de carga é em geral realizado por caminhões (de diversos tamanhos e formas), camionetas (caminhonetes) e peruas (vans). Também são utilizados o automóvel (para carga de baixo peso e pequeno volume, como, por exemplo, alimentos), carreta rebocada por trator, carroça puxada por animal, carriola empurrada por pessoa (em pequenas distâncias), etc.

Classificações dos modos de transporte

No que diz respeito à origem do esforço utilizado no deslocamento, os modos de transporte podem ser classificados como motorizados e não motorizados.

Não motorizados são todos os modos em que o esforço para movimentação é realizado pelo homem ou por animal.

Motorizados são os modos que utilizam no deslocamento outra fonte de energia que não a tração animal ou humana, a qual é normalmente transformada em energia mecânica por um motor. As principais fontes de energia usadas na locomoção de veículos de transporte são: derivados de petróleo (gasolina e óleo diesel), álcool, gás natural, eletricidade, etc.

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