transporte público  Urbano... parte 10. controle de operação

transporte público Urbano... parte 10. controle de operação

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CAPÍTULO: 10 10 CONTROLE DA OPERAÇÃO

10.1 INTRODUÇÃO

ou na entrada das estações, e a venda de bilhetes

A operação do transporte público coletivo urbano envolve, basicamente, a condução dos veículos pelos itinerários das linhas nos horários programados, com paradas para embarque e desembarque de passageiros nos pontos, a cobrança pelo serviço, que pode ser realizada no interior dos coletivos

programação em tempo real (on line)

Os objetivos do controle da operação são os seguintes: fazer com que as viagens sejam realizadas nos horários programados; fazer com que não haja fraudes no recebimento/pagamento da passagem (por parte dos operadores e dos usuários); fazer com que os operadores tenham comportamento adequado no que refere à segurança e comodidade do transporte, tratamento dos usuários e honestidade na cobrança pelo serviço; coletar dados e informações sobre a operação (demanda, oferta, etc.) para checar o cumprimento da programação operacional e fazer o planejamento do serviço, de modo a não ter excesso de lotação dos coletivos que comprometa a qualidade e nem baixa ocupação que comprometa a eficiência; e, em alguns casos regular a oferta com uma

Para a realização desse elenco de atividades que compõem o controle da operação, é necessário utilizar funcionários, genericamente denominados de fiscais, e contar com o apoio de tecnologias adequadas.

sobre ITS e sistemas de detecção de veículos e pessoas e transmissão de informações

Na seqüência é discutido o trabalho realizado pelos fiscais e descritos os principais tipos de equipamentos utilizados no controle da operação do transporte público coletivo urbano. Alguns equipamentos mais sofisticados utilizados no controle da operação fazem parte do universo de tecnologias referido genericamente como Sistemas Inteligentes de Transporte (Inteligent Transportation System – ITS), pois utilizam sistemas complexos de detecção de veículos e pessoas e transmissão de informações; por essa razão, no final do capítulo são feitas algumas considerações

10.2 TRABALHO DOS FISCAIS

Uma das atribuições dos fiscais é a verificação do comportamento dos motoristas e cobradores.

No caso dos motoristas, o fiscal deve checar os seguintes principais pontos:

respeitar os limites de velocidade, aceleração e desaceleração

Condução dos veículos: dirigir com cuidado, praticar as regras de direção defensiva e

presos nas mesmas

Fechamento das portas: fechar todas as portas antes de partir de cada parada e verificar se todos os usuários já embarcaram e desembarcaram antes de fechá-las, evitando que fiquem

quando solicitadas

Tratamento aos usuários: tratar os usuários com atenção e respeito, fornecendo informações

Postura pessoal: trajar roupa limpa e adequada ao trabalho (uniforme, se for o caso), manter boa higiene pessoal, não utilizar linguagem inadequada, etc.

Honestidade: proceder de maneira honesta na cobrança da passagem, não permitir o uso indevido do transporte público, etc.

No caso dos cobradores, a fiscalização deve verificar os mesmos aspectos relativos aos condutores, exceto o que diz respeito à maneira de dirigir.

Também é de responsabilidade dos fiscais tomar as providências necessárias no caso de acidentes ou incidentes com os veículos durante a operação, providenciando a substituição de operadores (motoristas ou cobradores) que estão com problemas, substituindo carros avariados,

graves, elaborando relatórios sobre as anormalidades ocorridas na operação, etc

acompanhando a polícia na elaboração de boletins de ocorrência no caso de incidentes/acidentes

Muitas vezes faz parte do trabalho dos fiscais realizar o controle da programação operacional.

horário programado

Para isso, eles se posicionam em locais onde passam várias linhas e, no caso de atraso significativo de algum coletivo, podem determinar ao condutor que não recolha passageiros durante certo tempo para recuperar o atraso, ou mesmo passar os passageiros para o veículo que vem atrás e suprimir parte do itinerário do coletivo que está atrasado, para que ele possa voltar a circular dentro do

Esses funcionários são conhecidos como despachantes

Quando a operação da linha está baseada na liberação dos coletivos de um terminal ou base de operação (local para onde os veículos se dirigem após completarem as viagens), alguns funcionários ficam nesse local liberando os veículos de acordo com a programação operacional preestabelecida.

Não existindo sistema de comunicação nos coletivos, no caso de defeito dos veículos durante a operação, os condutores devem buscar um telefone próximo (público ou particular) para avisar a central de operações ou a garagem da empresa do ocorrido, para que sejam tomadas as providências pertinentes: consertar o veículo num dos pontos terminais onde é realizado o controle dos horários se o defeito for leve e o coletivo puder continuar em operação; consertar o veículo no próprio local onde apresentou o defeito se esse for grave, colocando outro coletivo para substituí-lo; ou, ainda, substituir o coletivo com problemas e rebocá-lo para a garagem, se o defeito for muito grave.

Apesar de rudimentar, o controle da operação do transporte coletivo por ônibus sem sistema de comunicação nos coletivos, ou seja, baseado apenas em fiscais, é empregado na maior parte das cidades do Brasil e dos países não desenvolvidos.

10.3 TECNOLOGIAS UTILIZADAS

transporte público coletivo urbano. Outros tipos, mais complexos, ainda tem uso restrito

Alguns tipos de tecnologias mais simples são bastante utilizadas no controle da operação do

grandes (comuns, articulados ou biarticulados)

As tecnologias mais sofisticadas são de utilização mais freqüente nos modos sobre trilhos: metrô, pré-metrô e trem suburbano (metropolitano). Também nas linhas troncais operadas por ônibus

coletivo urbano

Os principais tipos de tecnologia empregados no controle da operação do transporte público urbano são descritos a seguir. Embora as características dos equipamentos utilizados no sistema de cobrança/pagamento da passagem já tenham sido apresentadas no capítulo 10, elas são repetidas aqui para proporcionar uma visão geral dos diversos tipos de tecnologias empregadas no transporte 10.3.1 Registrador mecânico de passageiros

O registrador mecânico de passageiros é conhecido como catraca, roleta, borboleta ou torniquete.

Trata-se de um dispositivo dotado de braços que giram quando os usuários passam por ele. O giro dos braços aciona um mecanismo que registra em um mostrador o total de passageiros que passaram. As catracas são utilizadas nos coletivos e nas estações (terminais).

confortável para as pessoas muito gordas mas praticamente impede o uso indevido

Dois tipos básicos de catraca são utilizados. O primeiro é a catraca de três braços, que proporciona maior conforto aos passageiros por oferecer maior espaço de passagem, mas, por outro lado, possibilita o uso indevido, uma vez que os passageiros muito magros podem passar pela mesma sem girar os braços do dispositivo. O segundo tipo é a catraca de quatro braços, que é menos

O registrador mecânico de passageiros fornece o total de passageiros por período, bastando fazer a diferença entre os valores indicados no mostrador. Essa informação é útil para o planejamento da operação e para o controle da arrecadação - que não é perfeito por não diferenciar os distintos tipos de usuários: os que pagam tarifa integral e aqueles que têm algum tipo de benefício (desconto ou mesmo gratuidade).

dificulta mas não evita fraudes)

Assim, se a cobrança é realizada pelos operadores (cobradores ou motoristas), não se eliminam as possibilidades de fraudes por parte deles: que podem retirar dinheiro ou bilhetes com tarifa integral e colocar bilhetes com benefícios em substituição; nem por parte dos usuários: que podem utilizar bilhetes com benefícios mesmo que não seja seu direito (a obrigação de exibir documentos

portanto sem passar pela roleta

A catraca também não detecta fraudes no caso em que o usuário sobe e desce pela mesma porta,

eletromagnéticas quando da passagem dos coletivos por locais onde existe receptores com antenas

A catraca pode ser acoplada a um dispositivo eletrônico a bordo, para que este registre o horário da passagem dos usuários. Com isso se obtém automaticamente a variação da demanda ao longo do dia – informação bastante útil para a programação da operação. Nesse caso, os dados coletados podem ser transmitidos a um computador central no final da jornada de trabalho por dispositivo eletrônico através de conexão física, ou durante o período de operação através de ondas 10.3.2 Registrador eletrônico de embarques e desembarques

horário dos embarques e dos desembarques

É um equipamento que consiste de sensores colocados nas portas dos coletivos para detectar a passagem dos passageiros e que estão acoplados a um dispositivo eletrônico a bordo que registra o

arrecadação

Assim, o dispositivo fornece o total de pessoas que passaram pelas portas nos diversos períodos do dia, como também a quantidade de passageiros que subiram ou desceram em cada parada (não ponto de parada) e, portanto, a ocupação do veículo entre as paradas (por conseqüência a ocupação máxima por viagem). Esses dados são úteis no planejamento do serviço e no controle da

evita fraudes)

Em comparação com a catraca apresenta a vantagem de não ocupar espaço no veículo, fato importante nos microônibus, e de detectar os casos de embarque e desembarque pela mesma porta, informação útil no controle da arrecadação. Contudo, se a cobrança é realizada por operadores não se eliminam as possibilidades de fraudes por parte deles: que podem substituir dinheiro ou bilhetes normais por bilhetes com benefícios; nem por parte dos usuários: que pode utilizar bilhetes com benefícios mesmo que não seja seu direito (a obrigação de exibir documentos dificulta mas não

receptores com antenas

Os dados coletados podem ser transmitidos a um computador central no final da jornada de trabalho por dispositivo eletrônico através de conexão física, ou durante o período de operação através de ondas eletromagnéticas quando da passagem dos coletivos por locais onde existe 10.3.3 Emissor de comprovante de pagamento

Consiste num dispositivo que faz a emissão de comprovantes de pagamento aos usuários, registrando a operação. O comprovante é distinto conforme a categoria do usuário (normal, com beneficio x, com beneficio y, etc.).

comprovante

Atua no sentido de diminuir fraudes por parte do operador quando não se utiliza catraca ou registrador eletrônico de passageiros na porta de embarque, pois a fiscalização passa a ser feita de forma automática – só existindo fraude se o usuário pactuar com a ação, não exigindo o

Fornece o horário de pagamento de cada passageiro, e portanto a demanda total por período do dia – informação útil para o controle da arrecadação e planejamento do serviço.

10.3.4 Cobrador automático com bilhete magnético

da passagem ocorre através da introdução do bilhete no validador

Trata-se de um equipamento de leitura-escritura magnética denominado validador, que faz a leitura de informações magnéticas gravadas usualmente num bilhete de papel cartão e tem a capacidade de modificar ou gravar novas informações no bilhete. Portanto, o pagamento/cobrança

percorrida desde que o bilhete seja colocado na entrada e na saída das estações fechadas, etc

Esse sistema permite a utilização de bilhetes com múltiplas viagens, bilhetes com validade no tempo, integração tarifária (tarifas reduzidas nos transbordos realizados dentro de um intervalo preestabelecido de tempo), tarifas diferenciadas nos diversos períodos do dia ou dias da semana (nesse tipo de tecnologia com a exigência de utilizar bilhetes distintos), cobrança por distância

bilhete. Também podem atuar sem catraca, conectados a um alarme que emite som e acende luzes

Em geral, o validador é acoplado a uma catraca, que é desbloqueada após a introdução do

Existem dispositivos híbridos que além do bilhete com tarja magnética aceitam moedas para o pagamento da passagem de uma viagem simples (alguns tipos fazem inclusive troco).

arrecadação

Como armazenam informações do horário de passagem dos usuários, proporcionam dados sobre a distribuição da demanda no tempo, que são úteis no planejamento do serviço e no controle da

tarifária

As vantagens em comparação com o pagamento feito a operadores são: impossibilidade de fraudes (os operadores não tem acesso ao dinheiro), maior agilidade nas operações de embarque, possibilidade da utilização de múltiplas viagens com o mesmo bilhete e possibilidade de integração 10.3.5 Cobrador automático com cartão inteligente

seu interior com grande capacidade de armazenar informações

Essa tecnologia utiliza validadores e cartões de plástico que possuem microcircuitos (chips) no

Além das possibilidades da tecnologia com o uso de bilhetes/cartões com tarja magnética, apresenta outras tais como: recarga dos cartões, identificação do proprietário, permissão do uso do cartão de usuários com benefícios em horários ou quantidades predefinidas no tempo, bloqueio automático de cartões perdidos ou roubados, recarga automática dos cartões pelos validadores no caso do vale-transporte, impossibilidade de integração tarifária em alguns tipos de deslocamento para evitar o uso indevido deste benefício, possibilidade de utilizar valores diferenciados de tarifas em distintos períodos do dia ou dias da semana (nesse tipo de tecnologia com o mesmo cartão), possibilidade de intercâmbio de informações entre os validadores e o computador central de controle em tempo real ou quase, etc.

validado). Neste último caso a operação de pagamento/cobrança é mais rápida

O acionamento do validador pode ser com contato (com a introdução do cartão em uma ranhura) ou sem contato (com a simples exibição do cartão a uma distância pequena da leitora ótica do

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