INVENTÁRIO FLORESTAL 100% OU CENSO FLORESTAL

INVENTÁRIO FLORESTAL 100% OU CENSO FLORESTAL

UFRA/ICA/MEF

Prof. LIMA

7. INVENTÁRIO FLORESTAL 100% OU CENSO FLORESTAL

7.1. Definição – Consiste em um levantamento quantitativo e qualitativo, compreendendo a localização, identificação e avaliação de todas as árvores de interesse comercial com DAP igual ou superior a 0,50 m, bem como das árvores com potencial para corte futuro (diâmetro a partir de 0, 35 m), além das árvores porta sementes (matrizes), selecionadas em uma Unidade de Produção Anual. É importante ressaltar que o levantamento deve ser feito 1 a 2 nos antes da exploração da área, para que se possa atingir os objetivos.

Além das informações acima mencionadas, durante o inventário também podem ser identificados as variações topográficas da área, a presença de cipoais, corpos d’água, áreas de preservação permanente e outros dados que caracterizem o que se denomina de microzoneamento.

7.2. Objetivos – Elaboração do mapa de exploração, facilitar o planejamento da infra-estrutura, a operacionalização das atividades e o cálculo dos custos da exploração.

7.3. Metodologia:

Embora existam diferentes métodos para coleta dos dados do inventário, em geral os mesmos se assemelham não havendo diferenças significativas. Por isto, adotaremos aqui as metodologias indicadas pelo IMAZOM e pelo IFT, antiga FFT, que pouco divergem.

7.3.1. Equipe e Caminhamento do Inventário:

A equipe é constituída por 4 pessoas sendo 1 identificador botânico (mateiro), 1 anotador e 2 ajudantes chamados de laterais. Estes últimos fazem a procura e a localização das árvores a serem mapeadas, percorrendo a trilha, sendo cada um responsável por uma faixa de 25 metros, enquanto que o mateiro e o anotador se deslocam no meio da faixa. Os laterais que normalmente devem ter algum conhecimento sobre as árvores também ajudam na identificação e avaliação. A equipe faz o caminhamento na faixa até o final da trilha, voltando em sentido contrário, assim repetindo sucessivamente o mesmo procedimento até o levantamento total da área.

7.3.2. Identificação das árvores:

Deve-se ter bastante cuidado quando da identificação das árvores sejam elas comerciais, potenciais ou matrizes, sobretudo quando mais de uma pessoa realiza este procedimento, sendo recomendável que as espécies sejam conhecidas e identificadas pelo mesmo nome vulgar com o qual vai ser preenchida a ficha de campo, pois espécies diferentes podem ter o mesmo nome comum, enquanto uma única espécie pode ter nomes comuns diferentes. Por isto quando for possível, após o levantamento no campo deve-se fazer a checagem no escritório associando o nome vulgar ao nome científico. Para dirimir dúvidas recomendamos consultar os herbários do Museu Emílio Goeldi e da Embrapa Amazônia Oriental, ambos em Belém e do INPA em Manaus.

7.3.3. Medição das árvores:

Visando a estimativa do volume de madeira da área e auxiliar na seleção das árvores a serem exploradas, são mensuradas as seguintes variáveis:

a) Circunferência a Altura do Peito (CAP) ou Diâmetro a Altura do Peito (DAP)

Estas variáveis devem ser tomadas a 1,30 m do solo ou na altura do peito do medidor. Para medir a circunferência pode-se usar uma fita métrica enquanto que o diâmetro pode ser medido usando-se fita diamétrica ou uma suta. No caso de se medir a CAP a mesma pode ser transformada para DAP, aplicando-se a fórmula, DAP = CAP/ Π.

Acrescente-se que em geral todas as árvores de interesse ou valor comercial, acima do diâmetro estabelecido pela legislação são exploráveis no primeiro corte, entretanto, para algumas espécies, o diâmetro mínimo de corte pode ser maior devido possuírem um alburno (parte branca da madeira e sem valor) acentuado, como é o caso do jatobá e da quaruba, entre outros, o que requer que as árvores destas espécies sejam cortadas com diâmetros maiores.

b) Altura Comercial

A medição desta variável em geral é feita através de estimativa considerando os pontos que vão da base da árvore onde deverá ser feito o corte para derruba até a bifurcação dos seus galhos ou ainda na primeira ramificação considerável. A estimativa geralmente e feita a olho nu ou, para reduzir a margem de erro, utilizando-se o que se denomina “teste da vara”, conforme foi estudado na disciplina dendrometria. É bom lembrar que existem equipamentos como os Hipsômetros (Christen, Blume Leiss), Prancheta dendrométrica entre outros que poderiam ser utilizados mas não o são normalmente devido às dificuldades encontradas no seu s usos na floresta tropical sobretudo aquela de maior densidade.

78.3.4. Numeração das árvores no campo

Cada árvore deve corresponder a um número que a identificará. As árvore selecionadas para corte atual podem ser diferenciadas daquela indicadas para corte futuro através da colocação de uma letra antes do número,por exemplo:

A + Número - Árvores potenciais para extração (DAP >= 0,50 m

B + Número - Árvores para corte futuro (DAP entre 0,30 e 0,50 m)

Os números devem ser impressos preferencialmente em plaquetas de alumínio as quais são afixadas a uma altura média de 1.7 m na casca da árvore, com pregos comuns ou galvanizados de ¾ de polegadas ou de alumínio para não danificar o tronco. A marcação deve sempre ser feita na face da árvore voltada para a base do talhão, para facilitar a visualização.

7.3.5. Posicionamento para obtenção das coordenadas x e y e mapeamento das árvores

O procedimento consiste em anota a posição de cada árvore em sistema de coordenadas x e y na ficha de campo, onde, “x” refere-se à distância de uma árvore para a trilha vizinha e “y” à distância entre a árvore e a linha base mais próxima. Esses valores são fornecidos pelos chamados laterais, que os estimam com base nas distâncias anotadas nas balizas das trilhas, ou medem usando uma trena.

Para facilitar a localização das coordenadas, deve-se anotar na ficha de campo, a faixa onde se encontra a árvore inventariada. A ” faixa 1” , por exemplo, pode ser a área situada na cabeceira do talhão (linha base) entre as balizas 0 e 50 metros , a “ faixa 2 ” entre os pontos 50 e 100 metros e assim sucessivamente.

7.3.6. Avaliação da Qualidade do Tronco (Fuste)

Os troncos variam em termo de qualidade comercial. Os retos, cilíndricos, uniformes são classificados como bons e recebem a indicação de qualidade de fuste 1 (QF =1), enquanto que aqueles que não são perfeitamente uniformes, ou seja, apresentam algum pequeno defeito mas que não impeça em termos qualitativo e quantitativo, o seu aproveitamento madeireiro, são classificados como regulares e recebem indicação (QF = 2) e também são selecionados. Os troncos com defeitos graves, como ocos, tortuosidades excessivas, entre outros, são descartados.

7.3.7. Avaliação da tendência de direção de queda das árvores

A direção de queda de uma árvore depende principalmente da inclinação natural de seu tronco e da distribuição de sua copa. Por exemplo, uma árvore com tronco reto e copa bem distribuída, pode ser derrubada em qualquer direção (ampla possibilidade) com um ângulo de queda de 360 graus. Já uma com tronco reto, mas com a copa voltada para um dos lados, possui um ângulo de queda entre 90 e 180 graus, tendo uma avaliação intermediária. Com uma tendência limitada incluem-se as árvores com troncos inclinados, copas desiguais e acentuadas, as quais possuem ângulo de queda inferior a 90 graus.

7.3.8. Seleção de árvores matrizes

Inicialmente deve-se avaliar a qualidade da copa das árvores pois, as que possuem copas saudáveis, tendem a ser melhores produtoras de sementes, sendo portanto preferíveis em relação as que não possuem essa característica, além de se apresentarem inteiras e bem distribuídas em torno do eixo central da árvore. Contudo, as características individuais de cada espécie também influenciam na citada seleção. Para as espécies tolerantes à luz, por exemplo, cuja regeneração adulta vive poucos anos sob a sombra, as árvores matrizes são essenciais. Entre elas destacam-se o mogno, a andiroba, o cedro, as faveiras e o para-pará.

7.3.9. Processamento de dados/Resultados Obtidos

Os dados podem ser processados principalmente parta determinação do volume das árvores através da fórmula Vs/c = ח/4 . DAP2 . H . 0,7

7.3.10. Tabela Dinâmica

Nessa tabela são apresentados os valores calculados por espécie, referente ao Volume e N. de Árvores para Corte, Volume e N. de Árvores das Remanescentes e Volume e N. de Árvores Totais.

7.3.11. Critérios adotados para a definição das espécies comerciais

Segundo levantamentos procedidos no final da década passada e meados da presente década, cerca de 400 espécies madeireiras são exploradas na Amazônia. Todavia, nos pólos de produção madeireira mais afastados, o número de espécies economicamente viáveis pode ser menor, como é o caso da região Oeste do Pará que conta com cerca de apenas 50 espécies, o quem certamente deve ocorrer em outros locais. Assim, a decisão de qual critério adotar para definir tais espécies vai depender das perspectivas de crescimento do setor madeireiro local e da ampliação do mercado em questão. Assim sendo, e, considerando que a lista de espécies de valor comercial vem aumentando nos últimos tempos, seria oportuno incluir espécies de valor potencial, bem como a capacidade de comercialização, o valor de mercado, a abundância da espécie na área dos projetos, não incluindo somente as espécies ameaçadas de extinção.

7.3.12. Considerações finais.

Devemos concluir que a realização do IF 100% ou Censo Florestal é imprescindível para a elaboração do Plano Operacional do Projeto de Manejo Florestal, visto que as in formações coletadas, permitem calcular o volume a ser explorado, produzir mapas, que atualmente já são feito de forma georeferenciada e que serve como instrumento básico para orientar principalmente o planejamento a demarcação e a construção de infra-estruturas, assim como das operações de exploração e os tratamentos silviculturais pós-exploratórios

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