Acusações- a- IASD

Acusações- a- IASD

(Parte 4 de 5)

Devemos lembrar que só em 1863 é que a Igreja Adventista se organizou de forma mais completa, mas mesmo antes o assunto de seguros contra fogo e calamidades, principalmente, já estava na preocupação dos dirigentes.

A questão mais difícil, realmente, é sobre o seguro de vida. Ellen

White desaconselhou o seguro de vida aos membros da Igreja e aos obreiros, em seu tempo. E, no entanto hoje esse tipo de seguro é praticado para os que trabalham na Organização Adventista.

Há um documento preparado pelo Departamento dos Escritos de Ellen White (“White

Estate”), na Associação Geral, que trata do assunto, tanto histórica como administrativamente. Estamos colocando à disposição dos interessados esse documento, para maiores esclarecimentos.

Em resumo, o documento mostra que o seguro de vida, naqueles tempos, não era algo sério e bem regulamentado, e muitos que o fizeram, ao necessitarem dele (família) dificilmente recebiam os benefícios. Era, pois, um negócio muito arriscado, que às vezes exigia bastante dinheiro em pagamento, mas que não oferecia segurança. Com respeito à posição da Sra. White sobre certos problemas de sua época, e sobre os quais ela se manifestava, há uma declaração dela que pode servir de orientação com respeito a seus escritos. Diz ela: “Quanto aos testemunhos, coisa alguma é ignorada; coisa alguma é rejeitada; o tempo e o lugar, porém, têm que ser considerados. Coisa alguma deve ser feita inoportunamente.” – Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 57.

Muitas vezes, com o passar do tempo, as circunstâncias mudam, e é necessário novo posicionamento sobre certos assuntos. Por exemplo: Ellen White era contra a oficialização de nossas escolas. Ela achava que se fossem oficializadas, perderíamos a liberdade de tê-las sob nosso completo controle. No entanto hoje, nem é possível funcionar uma escola sem ser oficializada. Ninguém nem discute mais isso.

No seu tempo Ellen White declarou que as crianças só deviam ir para a escola com 8 ou 10 anos. Hoje, a ida das crianças já para o Jardim é inevitável, já pela obrigatoriedade social e legal (aos 7 anos é obrigatório a criança já estar no curso fundamental), já pelas circunstâncias das famílias, cujas mães precisam trabalhar fora. Por isso é que Ellen White orientou, quanto aos seus escritos: “ O tempo e o lugar devem ser levados em conta.”

Pensamos que esse é o caso também do seguro de vida. As circunstâncias de hoje são diferentes das que existiam naquele tempo concernentes ao assunto de seguros. Hoje, muitas vezes, esses seguros devem ser feitos.

Mas os que se interessarem em mais detalhes sobre a questão de seguros de vida, leiam o documento todo do “White Estate”, à disposição aqui, ao final desta resposta.

Com respeito à própria Organização Adventista ter a sua seguradora, creio ser compreensível que é muito mais sábio manter esse dinheiro, gasto obrigatoriamente com seguros, dentro da Organização, do que gastá-lo com empresas seguradoras de fora. O crescimento da Igreja vai exigindo providências e medidas administrativas, que não eram necessárias antes.

Os responsáveis pela condução da Obra, em todos os seus aspectos, bem como as comissões competentes, estão alerta e buscando a direção divina para tomar as decisões corretas no momento certo, diante de cada problema que surge. E o fato da Igreja ter uma seguradora para seus bens, em nada vai prejudicar o andamento da obra missionária e evangelística. Os que ali trabalham são preparados para aquele tipo de serviço.

Um pouco antes de morrer, Ellen White reafirmou sua confiança de que Deus estaria com os homens sob os quais estava a liderança da Igreja: “Nossos homens de mente firme sabem o que é bom para o crescimento e progresso da causa.” - Ellen White, 1915 – Última mensagem à Igreja, ditada de seu leito durante sua última enfermidade – (A Igreja Remanescente, pág. 81).

Deus está à frente da obra e Ele porá tudo em ordemTenhamos fé em que Deus

“Não há necessidade de duvidar, de temer que a obra não terá êxito. há de pilotar seguramente ao porto, a nobre nau que conduz o povo de Deus.” –

36 Ellen G. White, 1892 – (A Igreja Remanescente, pág. 68).

12.1.1 Os Adventistas do Sétimo Dia e o Seguro de Vida

(Documento Aprovado pelo Concílio Anual da Associação Geral)

Histórico Sobre o Assunto

Desde seus primeiros anos, os adventistas do sétimo dia têm discutido sobre a participação ou não de membros da igreja em planos de seguro contra perda, com atenção dada ao seguro de vida.

Apesar de a Igreja como um todo não ter tomado uma posição, muito menos ter feito disso um teste de disciplina, muitos membros creram que a Igreja desencorajou fazer seguro de vida, por ser tal prática supostamente incompatível com o tipo de confiança na providência que marca o cristão dedicado. Ministros têm incluído freqüentemente em suas apresentações públicas testemunhos contra seguros e têm encorajado os crentes, tanto antigos como novos, a abandonarem seguros já existentes.

Muitos pioneiros adventistas, apesar de saberem que a Bíblia não aborda diretamente o assunto de seguros, pediram que nenhum tipo de seguro fosse feito por cristãos. Por exemplo, em 1860 Roswell F. Cottrell, autor e líder proeminente, citou os seguintes textos da Bíblia como apoio para a sua posição:

“Quem fica por fiador de outrem sofrerá males” (Provérbios 1:15).

“Não toqueis em coisas impuras” (2 Coríntios 6:17). “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação” (Salmos 146:3). “O Senhor os ajuda e os livra dos ímpios e os salva, porque nEle buscam refúgio” (Salmos 37:39 e

40). “Feliz o homem que em Ti confia” (Salmos 84:12).

Apesar de concordar com a posição geral de Cottrell, James White tinha reservas sobre a aplicação do texto, e expressou sua preocupação quanto às conseqüências através das seguintes palavras:

“Quanto ao seguro, dizemos [no Vol. XV, nº 23], ‘Com respeito ao seguro não temos nada a declarar no momento. Até agora não asseguramos nossos próprios prédios e se a igreja concordar em não assegurar os bens da igreja, seremos processados.’ Por isso as fortes razões do Irmão RFC são um lado da principal questão em debate. Mas esperamos que todos considerarão cuidadosamente suas evidências e conexões, para que vejam por si mesmos a quantidade de testemunhos diretamente contra o seguro . A verdade prevalecerá.” – Ibidem.

Enquanto a discussão anterior entre os líderes adventistas tratava de seguro de todos os tipos, os riscos envolvidos os levaram posteriormente a aceitar o princípio do seguro de bens contra fogo, tempestade e roubo. A mudança de atitude surgiu por volta de 1860, quando a igreja estava consentindo na incorporação legal a fim de manter os bens da Igreja. Naquela época o risco de incêndio era muito ameaçador, porque o aquecimento era produzido por fogões à carvão ou à lenha e a luz era de lâmpadas à óleo.

A aceitação de Ellen White com respeito ao seguro de proteção aos bens é registrada em suas cartas. Em 1880 ela escreveu ao seu filho, William C. White: “Quero que você providencie para que a casa em Healdsburg seja assegurada. Fale com Lucinda sobre isso. Estou preocupada com isso” (Carta 17, 1880). Quatro anos mais tarde ela escreveu: “Irmão Palmer diz que lhe escreveu sobre o seguro. Se a casa não está no seguro, isso deve ser feito imediatamente”

(Carta 53, 1884).

Este conselho estava em harmonia com suas repetidas instruções de que todos os passos deveriam ser tomados para salvaguardar as propriedades. Enquanto ela ainda estava viva, seu filho, William C. White, respondeu a uma inquirição com respeito a seguro contra fogo:

“Não encontramos nos escritos da Mamãe nenhuma condenação da prática do seguro em nossas propriedades contra fogo. Mamãe sempre considerou isso muito diferente de seguro de vida. Ela mantêm seus imóveis corretamente assegurados, e tem encorajado algumas de nossas instituições a fazer o mesmo” – Carta de W. C. White, em 5 de agosto de 1912.

Ellen G. White e o Seguro de Vida

No entanto, o seguro de vida foi visto sob uma luz diferente. De um modo geral, os que assumiram uma posição contra o seguro de vida, o fizeram baseados nas declarações de Ellen White, iniciando com o seu artigo de duas páginas, “Seguro de Vida”, publicado primeiramente em 1867 em Testimony nº 12. Por ser sua mais antiga e mais extensa explanação sobre o assunto, é reproduzida de maneira completa aqui:

“Foi-me mostrado que os adventistas que guardam o sábado não devem se envolver em seguro de vida. Esse é um comércio com o mundo que Deus não aprova. Os que participam nesses empreendimentos estão se unindo ao mundo, enquanto Deus chama Seu povo para sair dele e ser separado. O anjo disse: ‘Cristo o comprou através do sacrifício de Sua vida. Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora pois glorificai a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, que é de Deus.’ ‘Porque estais mortos, e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é vossa vida, aparecer, então vós também aparecereis com Ele em glória.’ Aqui está o único seguro de vida que o céu aprova.

“O seguro de vida é uma norma mundana que leva nossos irmãos a se envolverem, e abandonarem a simplicidade e pureza do evangelho. Cada um desses desvios enfraquece a nossa fé e diminui nossa espiritualidade. Disse o anjo: ‘Mas vós sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo peculiar, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.’ Como povo pertencemos ao Senhor de maneira especial. Cristo nos comprou.

“Anjos de extremo poder estão ao nosso redor. Nem um pardal cai sem que o nosso Pai celestial note. Até mesmo os cabelos da nossa cabeça estão contados. Deus tem feito provisões para Seu povo. Ele cuida do Seu povo de maneira especial, e estes não deveriam desconfiar de Sua providência, participando de empreendimentos do mundo.

“Deus tem a intenção de que preservemos a nossa simplicidade e santidade peculiar como um povo. Os que se envolvem nessas praxes mundanas, investem meios que pertencem ao Senhor, que Ele nos confiou para usar em Sua causa. Porém poucos receberão algum retorno do seguro de vida, e sem as bênçãos de Deus, mesmo estes terão prejuízo em vez de benefício.

“Satanás está constantemente apresentando tentações ao povo escolhido de Deus, para atrair suas mentes do solene trabalho de preparação para as cenas do futuro. Ele é, no sentido mais profundo da palavra, um enganador, um habilidoso sedutor. Ele encobre seus planos com coberturas de luzes emprestadas do Céu. Ele tentou a Eva a comer do fruto proibido, fazendo-a crer que teria muitas vantagens por causa disso.

“Satanás leva seus agentes a introduzir variadas invenções e direitos de patentes e outros empreendimentos, para que os guardadores adventistas do sábado, que têm pressa de ficar ricos, caiam em tentação, tornem-se seduzidos, e embrenhem-se em muitas tristezas. Ele está bem alerta e empenhado diligentemente em levar o mundo ao cativeiro. Através da força do mundanismo, ele mantém um atraente estímulo para levar os imprudentes que professam crer na verdade, a unirem-se aos mundanos. A lascívia no olhar, o desejo de emoção e diversão, é uma tentação e uma armadilha ao povo de Deus.

“Satanás tem muitas tramas sutis e redes perigosas, que aparentam inocência, mas pelas quais está se preparando habilidosamente para enfeitiçar o povo de Deus. Há shows alegres, diversões, leituras frenológicas e uma variedade interminável de empreendimentos que surgem constantemente, planejados para levar o povo de Deus a amar o mundo e as coisas que há no mundo.

“Através da união com o mundo, a fé se enfraquece, e recursos que poderiam ser investidos na causa da presente verdade são transferidos para as fileiras do inimigo. Através desses diferentes canais, Satanás está habilidosamente desperdiçando as posses do povo de Deus, e por causa disso a indignação do Senhor está sobre eles.” – Testimonies, vol. 1, p. 549-551.

Uma leitura cuidadosa nos habilita a ver as cinco razões dadas por

1Sobrecarrega excessivamente os crentes com as coisas do
2Encoraja um espírito mundano e secular, contrários à

Ellen White para opor-se ao seguro de vida: mundo. simplicidade e sinceridade do serviço cristão.

3Diminui o senso da providência de Deus.
4Representa uma negação à verdadeira mordomia para com
5Manifesta ganância como a especulação em direitos de

Deus, por desviar seus fundos em aventuras arriscadas, na esperança de ganho. patentes e invenções.

Baseado nessa análise de Ellen White, é óbvio que ela considera a participação em seguro de vida tanto uma ameaça à experiência espiritual, como inconveniente, por ser uma aventura especulativa.

Após seu artigo inicial de 1867, Ellen White fez somente referências ocasionais ao seguro de vida em seus escritos. Outra declaração sua foi dirigida a N. D. Faulkhead, um proeminente obreiro na Austrália, que além do seu profundo envolvimento com a Maçonaria, fez um seguro no valor de 200 libras. Ellen White, ao instar-lhe a romper sua conexão com a Maçonaria, também o aconselhou a cancelar seu seguro de vida. Respondendo ao seu apelo, Faulkhead escreveu: “Também vi sabedoria em seu testemunho concernente ao seguro de vida. Eu tinha um seguro em um dos escritórios da cidade, e com a ajuda de Deus eu o descontinuei também.” – N.D.Faulkhead para Ellen G. White, 18 de setembro de 1893.

para se libertar da MaçonariaAlegro-me também que você se desfez do seguro
de vida

A irmã White escreveu-lhe em resposta, dizendo: “Sua carta foi recebida e lida com profundo interesse. Estou muito agradecida ao nosso bondoso Pai celestial que lhe deu força através de Sua graça

“A certeza do céu é o melhor seguro de vida que você pode ter. O Senhor prometeu Sua guarda neste mundo, e no mundo porvir Ele prometeu nos dar a vida imortal.” – Carta 21, 1893.

As subseqüentes referências de Ellen White sobre o seguro de vida não refletem nenhuma explanação filosófica adicional, mas há vários usos metafóricos do termo “seguro de vida”, freqüentemente relacionado à convicção encontrada em 2 Pedro 1:10 e 1. Ela escreveu por exemplo:

“Ninguém precisa perder o sono devido a documentos de seguro de vida. Seu direito como herdeiro de Deus, e co-herdeiro com Jesus Cristo, é de uma herança incorruptível, imaculada e que não se desvanecerá.” Ms 63, 1899.

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