Acusações- a- IASD

Acusações- a- IASD

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Uma revisão das declarações de Ellen White leva-nos à conclusão de que o seguro de vida, como era praticado na sua época, era contrário aos princípios cristãos, tanto do ponto de vista espiritual como administrativo.

Práticas de Seguro no Final do Século Dezenove O período após a Guerra Civil foi uma fase de rápida expansão e inovações tecnológicas nos Estados Unidos. Essa época foi descrita corretamente como um período de oportunismo crescente e de especulação, completamente não regulada pelo Governo. Práticas de monopólio e a industrialização se concentravam no acúmulo de vastas fortunas pessoais, quase que sem imposto. Os esquemas para enriquecer rapidamente eram muito comuns, geralmente resultando na perda do investimento. Foi um tempo bem caracterizado pela famosa sátira de P. T. Barnum: “Os trouxas nunca acabarão.”

A emergente indústria de seguros estava totalmente inserida no espírito da época, e se constituía num envolvimento de alto risco. Embora grupos de ações de seguro subcapitalizados prometessem rápido enriquecimento, faliam freqüentemente sem aviso prévio, deixando suas apólices sem valor. Ao as companhias tratarem com seus clientes, eram freqüentemente injustas e muitas vezes cometiam fraude. Seguros de vida feitos em nome de pessoas totalmente desconhecidas eram apresentados ao público, como publicidade, e as pessoas eram encorajadas a investir nessas companhias, na esperança de lucrar com a morte do assegurado

Os abusos de tal sistema levou o público a exigir regulamentos do

Governo. No início de 1906, leis reguladoras federais e estaduais foram designadas para coibir fraudes e exigir das companhias de seguro regras e práticas corretas.

As companhias de seguro atuais, reguladas criteriosamente pela lei e agências governamentais, diferem em aspectos importantes daquelas do final do século dezenove. O conselho de Ellen White contra investimentos em seguros de vida deve ser entendido no contexto e nas práticas de sua época, para compreendermos propriamente o significado de suas palavras.

Provisão para o Tempo de Necessidade Ambos, as Escrituras e os escritos de Ellen White, consideram um mandato divino a responsabilidade cristã de planejar e prover para os seus entes queridos. Tanto na fé como na prática, a Bíblia atribui uma responsabilidade primária tal cuidado com os parentes próximos. Baseado na autoridade do quinto mandamento, “Honra teu pai e tua mãe”, o apóstolo Paulo salienta a importância deste princípio de maneira enfática. Ele escreveu:

isto é bom e agradável diante de DeusMas, se alguém não tem cuidado dos seus,

“Mas se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (1 Tim. 5:4, 8). Jesus reforçou o mesmo princípio, referindo-se a isto como o

“mandamento de Deus” (Mat. 15:6).

Repetidamente Ellen White enfatizou a importância de planejar para as necessidades futuras. Exemplos de tal conselho incluem o seguinte:

real necessidade para devolver ao doador como oferta a Deus

“Poderias ter hoje capital para usar em caso de emergência e ajudar a causa de Deus, se tivesses economizado como devias. Cada semana, uma parte de teu salário deve ser reservada, e de maneira alguma tocada, salvo no caso de

“Os recursos que tens conseguido não têm sido sábia e economicamente gastos, de maneira a deixar margem para, no caso de vires a ficar doente, não ficar tua família privada dos meios para o seu sustento.” – O Lar Adventista, p. 395 e 396.

meramente viver o presente,sua família poderia ter tido conforto na vida.” –

“Se você e sua esposa tivessem entendido ser um dever que Deus lhes deu, negar seus gostos e desejos, e fazer provisões para o futuro, em vez de Testimonies, vol. 2, p. 432.

Através de sua vida Ellen White promoveu, como deveres cristãos, a prática da diligência, trabalho honesto, exercício da previdência, auto-negação e generosa benevolência para a causa do Senhor. Ela encorajou a aquisição de posses de qualidade, e o cuidado delas. Falou em favor de compra de casas, onde isto é possível, e aprovou o acúmulo de reservas razoáveis para uso em necessidades. Ela aconselhava que tais reservas estivessem disponíveis não somente para necessidades pessoais, mas também para expandir a obra de Deus e atender àqueles, fora da família, que estivessem em dificuldades. Ela via favoravelmente a aquisição de uma casa modesta, mas confortável, para a aposentadoria, e falou do respeito próprio que resultaria de se haver planejado para o futuro. (Ver Testimonies, vol. 7, p. 291 e 292.)

Conclusão Procurando entender os ensinamentos das Escrituras e os escritos de Ellen White sobre o seguro de vida, muitos adventistas têm-se concentrado nos seus avisos contra o seguro, negligenciando seus testemunhos que visam também fazer provisões para tempos de necessidade. O efeito tem sido privar os membros de benefícios dessa natureza, que um planejamento prudente poderia suprir.

Sob as atuais condições, as perguntas fundamentais são: As apólices de seguro oferecem um método para suprir as necessidades de emergência que são compatíveis com os princípios cristãos? Podem elas ajudar a resolver as crises surgidas pela deficiência ou morte do provedor, sem enfraquecer a fé ou o comprometimento da confiança na providência de Deus? Podem elas auxiliar a cumprir a responsabilidade, dada por Deus, de proteger os sobreviventes inocentes de tragédias, neste perigoso mundo? Podem elas preencher a lacuna criada pelos reduzidos laços familiares deste mundo moderno, à medida em que o individualismo aumenta e os programas governamentais desfazem os antigos vínculos?

Uma comissão de estudo da Associação Geral, e o Ellen G. White

1O Espírito de Profecia aconselha, sem hesitação, e ensina,

Estate, conduziu uma detalhada pesquisa do seguro de vida, resumida em um relatório de 50 páginas publicado em 1957. Suas proposições, baseadas em cuidadosa investigação, provêem uma sólida interpretação dos princípios envolvidos, e devem ser levados em consideração para se chegar à uma conclusão. Estes princípios incluem o seguinte: decididamente, que o cristão deve fazer provisão para os “maus dias”. Devemos reconhecer que virá tempo quando o salário será reduzido ou cessado; e olhando

2É apropriado ter a segurança de uma modesta moradia, e um
3É adequado nos beneficiarmos da proteção oferecida pelo
4Em qualquer provisão que fizer para o futuro, o cristão tem de
5A família e a igreja têm responsabilidade para com seus
6A extensão da provisão que deve ser feita para os dias de
7Os conselhos dados sobre o seguro de vida pelo Espírito de

para o futuro, devemos, se possível, ter uma quantidade razoável de propriedades, e reserva monetária, para suprir tais necessidades, a fim de que não fiquemos dependendo da caridade alheia. investimento financeiro moderado – aplicado no banco, investido na obra do Senhor, ou aplicado em outro investimento seguro. seguro de incêndio e de automóveis. estar sempre ciente do cuidado especial e amoroso de Deus sobre Seus filhos, e não se esquecer das necessidades da obra de Deus. membros, em tempo de necessidade e de luto. O cristão deve partilhar o fardo do seu próximo para que ninguém sofra. necessidade, e como isso deve ser efetuado, fica a critério do indivíduo, para resolver cuidadosamente e com oração, com o coração entregue a Deus, e com a determinação de que o cumprimento dessas responsabilidades seja dado, passo a passo, em harmonia com a vontade de Deus.

Profecia na década de 1860, foram dados num período em que seguro de vida não era corretamente regulamentado, e muitas vezes era manipulado em função de interesses de “caloteiros”, como um jogo desonesto num esquema de rápido enriquecimento.

8Apesar dos conselhos do Espírito de Profecia entre os anos de
9Vários planos de poupança e seguro que hoje são definidos

47 1867 e 1909 terem continuado a ser consistentes em desencorajar seguro de vida, deve ser reconhecido que nos Estados Unidos tal seguro ficou sob o controle de leis bancárias estaduais somente a partir de 1906. Até 1910 algumas companhias ainda estavam envolvidas em práticas duvidosas e freqüentemente desonestas. Entretanto, após 1909, não houve declarações de Ellen White sobre seguros de vida. como “seguro de vida”, protegidos por leis estaduais legisladas cuidadosamente, e sujeitos à inspeção rigorosa de autoridades governamentais, são geralmente considerados seguros-investimentos, e são mais sólidos do que muitos outros investimentos. 10. Na maioria dos assim chamados planos de seguro, como são designados hoje, o princípio de reservar algo para dias de necessidade, e também de partilhar o fardo com o próximo, está sendo executado. O círculo atinge, além da família ou igreja, um grande número de pessoas, equilibrando assim as responsabilidades, e minimizando as despesas. 1. Seguro de saúde é também outra maneira de nivelar o que poderia resultar em altas despesas. Nesse caso também, um grande número de pessoas dividem as responsabilidades uns com outros. 12. Seguro para funerais, igualmente, é uma forma de prover os recursos necessários para a morte, através do pagamento adiantado por um período de anos. 13. Institutos funerários dos quais um grande número de pessoas participa, seja por pagamento mensal, ou taxa por ocasião da morte de um membro, são uma maneira de dividir sistematicamente os gastos, de tal maneira que levamos as cargas uns dos outros. Através de um plano bem organizado fazemos a provisão apropriada para uma despesa que tem de ser paga. 14. Os institutos de previdência social (o INSS, no Brasil) são reconhecidos pela Igreja como um plano, através do qual o empregador e o empregado se unem em economizar, sistematicamente, para um fundo que estará à disposição em tempo de necessidade, seja na aposentadoria ou morte. 15. Esses diferentes planos proporcionam exatamente para os membros leigos o que a Denominação (IAJA) – por conselho do Espírito de Profecia – tem fornecido por muitos anos para ministros e outros funcionários da Denominação (IAJA). Esse é um plano no qual uma porcentagem regular da folha de pagamento de várias organizações de trabalho é acumulada num fundo centralizado que é para ser desembolsado em pagamentos mensais ao aposentado, ou ao trabalhador incapacitado, ou a suas viúvas, em situações de dificuldade, para gastos extras com médico e funeral. 16. Apesar de oficialmente não encorajar nem desencorajar seus membros quanto a diferentes tipos de seguro, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, através de votos da Comissão da Associação Geral em Concílio Anual, aprovou formalmente planos de seguridade social e de benefício para sobreviventes. 17. Na escolha do método empregado para prover “um capital para usar em caso de emergência” (O Lar Adventista, p. 395), seja qual for o método, um cuidado especial deve ser tomado em buscar e seguir os conselhos dos mais experientes, em quem se pode confiar para obter uma direção segura. 18. Independente da reserva que o provedor faça em preparo para o dia de adversidade financeira ou renda reduzida, ele deve guardar-se

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