Medicações mais usadas na emergência

Medicações mais usadas na emergência

(Parte 1 de 4)

Adenocard (adenosena)

Definição

Nucleotídeo endógeno, presente em todas as células do organismo, com efeitos farmacológicos como: vasodilatação coronariana e atividade adrenérgica; redução do tempo de condução através do nódulo1 atrioventricular; possível interrupção da atividade reentrante através do nódulo1 AV  e  restauração do ritmo sinusal nas indicações abaixo. Meia- vida é estimada como inferior à 10 segundos; é metabolizada à inosina e adenosina monofosfato (AMP). Tem ação direta, portanto, suas atividade e metabolismo2 não são afetados pelas funções renal3 ou hepática.

Indicação

Conversão da taquicardia4 supraventricular paroxística, incluindo a associação com Wolf- Parkinson-White. Auxiliar em testes cardíacos onde a adenosina substitui o stress.

Efeitos colaterais /Reações adversas

A reação mais freqüente é o rubor facial, em geral de curta duração (18%). Foram relatadas outras reações, com menor freqüência, nos seguintes sistemas (<1%): Cardiovascular: cefaléia, sudorese, palpitação, dor torácica e hipotensão. Respiratório: pressão torácica, hiperventilação, dispnéia/encurtamento da respiração. Sistema Nervoso Central: vertigem, formigamento nos braços, torpor, distúrbio da visão, sensação de ardor, dor dorsal, peso na nuca e braços. Gastrintestinal: náusea (3%), sabor metálico, aperto na garganta e pressão na virilha

Apresentação

Adenosina 6 mg ampolas IV.

Interação medicamentosa

Não foram observadas reações com digitálicos, quinidina, beta- bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio e inibidores da ECA. A cafeína e teofilina antagonizam os efeitos da adenosina; atenção: quando usados concomitantemente, aumentar a dose de adenosina; pode ocorrer ineficácia da adenosina. Há potencialização dos efeitos na presença do dipiridamol (adequar doses de ambos). Carbamazepina pode aumentar o bloqueio na condução, assim o uso concomitante pode agravar o bloqueio atrioventricular.

Preparo

1 ampola em "bolus6" IV. A aplicação pode ser repetida com intervalo de 1 à 2 minutos. Dose máxima 12 mg (meia vida de 10 segundos).

Fernegan(Cloridrato de Prometazina)

Definição

O Fenergan cujo principio ativo é a prometazina,  é um antiemético, antivertiginoso e antialérgico, que pode ser encontrado para toma oral, administração injetável ou uso tópico.

Indicação

Rinite alérgica ou vasomotora; conjuntivite alérgica; coceira;urticária; angioedema; espirros; corrimento nasal; dor pós-cirúrgica; reações anafiláticas; sedativo hipnótico; enjôo ou vertigem em viagem; náusea ou vômito e na potencialização de analgésicos, devido à sua ação sedativa.

Efeitos colaterais/ Reações adversas

Sonolência é o efeito adverso mais comum do uso de Fenergan.

Outros efeitos, embora raros, podem ocorrer: tontura, confusão mental, secura da boca, sintomas extrapiramidais, bradicardia ou taquicardia; aumento ou diminuição da pressão arterial (mais comum com a forma injetável); rash cutâneo e, mais raramente, fotossensibilidade; náuseas e vômitos; leucopenia, trombocitopenia e agranulocitose. Recomenda- se um controle regular da crase sangüínea nos 3 ou 4 primeiros meses de tratamento. Raramente foram descritos casos de discinesia tardia após administração prolongada de certos anti-histamínicos.

Apresentação

Estojo de 20 comprimidos a 25 MG. Caixas de 25 ampolas de 2 ml a 50 mg.

Cada comprimido contém 25 MG de cloridrato deprometazina. Cada ampola contém 50 mg (2 ml) de cloridrato de prometazina.

Uso tópico: passar uma camada do produto 2 ou 3 vezes por dia.

Interação Medicamentosa

 A ação sedativa da prometazina é aditiva aos efeitos de outros depressores do SNC, incluindo o álcool, analgésicos narcóticos, sedativos, hipnóticos, antidepressivos tricíclicos e tranqüilizantes. Portanto, estes agentes devem ser evitados ou, então, administrados em doses reduzidas a pacientes em uso de prometazina. Evitar o uso com IMAO, pois prolongam e intensificam os efeitos anticolinérgicos da prometazina.

Preparo

  • Esquematicamente - e apenas a título de orientação - podem ser prescritas as seguintes doses: adultos: 2 a 6 comprimidos por dia. Estas doses devem ser divididas em duas, três ou quatro vezes, reservando-se a maior fração para a noite. 

  • A forma injetável deve ser reservada aos casos de urgência, devendo o produto ser administrado por via intramuscular, em doses a serem estabelecidas pelo médico. (A administração endovenosa deste produto é bem tolerada, mas não é isenta de riscos. Administração subcutânea e/ou intra-arterial não deve ser utilizada).

Dopamina

Definição

dopamina é um neurotransmissor, precursor natural da adrenalina e da noradrenalina. Tem como função a atividade estimulante do sistema nervoso central.

Indicação

Alguns tipos de choque acompanhada de oligúria e resistência vascular periférica baixa ou normal. Choque cardiogênico e bacteriêmico, hipotensao intensa seguida da remoção da feocromocitoma.

Efeitos colaterais/ Reações adversas

Náuseas, vômitos, taquicardia, dor de angina, arritmias, cefaléia, hipertensão e vasoconstricção podem ser encontradas durante a infusão do produto. O extravasamento de quantidades excessivas de dopamina durante a infusão pode provocar neurose isquêmica, formação de escara, e gangrena dos dedos das mãos ou dos pés com a infusão prolongada da substanciaEm caso de acidente de superdosagem, diminuir a dose aplicada ou mesmo interromper a aplicação.

Apresentação

Caixa contendo 10 ampolas de 10 ml. Cada ml contem cloridrato de dopamina 5 mg.

Interação Medicamentosa

Os efeitos da dopamina são prolongados e intensificados por inibidores da MAO, bloqueadores alfa e beta-adrenérgicos anestésicos gerais e fenitoína. Digitálicos ou levodopa: uso concomitante pode aumentar o risco de arritmias cardíacas. Diminui os efeitos antianginosos dos nitratos.

Preparo

Administrar IV diluído em soro glicosado a 5%, solução fisiológica a 0,9%, solução de lactato de Ringer ou solução de dextrose a 5%.Neonatos: a dose usual varia de 1 a 20µg/kg/min em infusão contínua.Crianças: a dose usual varia de 1 a 20µg/kg/minuto em infusão contínua, podendo chegar a um máximo de 50µg/kg/min.Adultos: a dose inicial é de 1 a 5µg/kg/min. em infusão contínua, podendo chegar até a 50µg/kg/min.Elevações de doses são efetuadas em função da resposta terapêutica, com aumentos de 1 a 4µg/kg/minuto a intervalos de 10 a 30 minutos.Doses baixas de 1 a 5µg/kg/min. são consideradas `doses renais ou dopaminérgica, determinando aumento do fluxo plasmático renal e mesentérico. Doses de 5 a 10µg/kg/min são consideradas dose cardíaca, determinando aumento do fluxo plasmático renal, freqüência cardíaca, contratilidade e débito cardíaco. Doses de 10 a 20µg/kg/min. são consideradas doses vasopressora, determinando aumento da pressão arterial.

Solu cortef (Hidrocortizona injetável)

Definição

A hidrocortizona  é um antiinflamatório esteróide de administração intramuscular ou intravenosa. Pode ser encontrado também sob a denominação de Flebocortid ou Cortizonal.

Indicação

Asma brônquica; otite ulcerativa; doença do colágeno; edema angioeneurótico; inflamação grave; insuficiência supra-renal; Pêfingo; reação alérgica grave.

Efeitos colaterais/ Reações adversas

Catarata; fraqueza muscular; perda óssea; indigestão; dor nas costas; escoriações; candidíase oral. (associados ao tratamento prolongado)

Apresentação

Cx. c/ 1 fr. de 100 mg de hidrocortisona c/ 1 ampola de 2 ml de diluente. cx. c/ 1 fr. de 500 mg de hidrocortisona c/ 1 ampola de 4 ml de diluente.

Interação Medicamentosa

Fenobarbital, fenitoína, rifampicina e efedrina: podem aumentar a depuração dos corticóides, reduzindo seus efeitos terapêuticos, podendo requerer um ajuste na dosagem do corticóide.

Troleandomicina: pode inibir o metabolismo dos corticóides, ocasionando o aumento da sua concentração plasmática, meia- vida de eliminação e os efeitos terapêuticos e tóxicos. A dosagem de corticóide deverá ser ajustada durante e no decorrer do tratamento.

Ácido acetilsalicílico e salicilatos: corticóides podem aumentar a eliminação do ácido acetilsalicílico, portanto o ácido acetilsalicílico deve ser usado com cautela em associação com corticóide nos casos de hipoprotrombinemia. Os salicilatos podem ter suas concentrações séricas diminuídas ou o risco de toxicidade aumentado, durante o uso concomitante com corticóides.

Anticoagulantes cumarínicos: os corticóides alteram a resposta dos anticoagulantes, portanto os índices de coagulação devem ser monitorados, para manter adequado o efeito anticoagulante.

Anfotericina B e inibidores da anidrase carbônica: o uso concomitante com corticóides pode resultar em hipocalemia severa e deve ser utilizado com cautela, as concentrações séricas de potássio e a função cardíaca deverão ser monitorizados durante essa associação. O uso de hidrocortisona para controle das reações adversas da anfotericina B pode resultar em casos de inchaço cardíaco e insuficiência cardíaca congestiva. O uso concomitante de corticóide com acetazolamina sódica pode aumentar o risco de hipernatremia e/ou edema por retenção de sódio e líquidos causados pelo corticóide; o risco dependerá da necessidade de sódio do paciente tratado. Deve- se considerar que o uso concomitante crônico de inibidores da anidrase carbônica e corticóides pode levar ao aumento do risco de hipocalemia e osteoporose pois inibidores da anidrase carbônica também aumentam a secreção de cálcio.

Contraceptivos orais e estrógenos: podem alterar o metabolismo e a ligação às proteínas, diminuir a depuração e aumentar a meia- vida de eliminação, assim como, os efeitos terapêuticos e tóxicos dos corticóides, portanto a dose do corticóide deve ser ajustada durante essa associação.

Diuréticos depletores de potássio: podem causar o aparecimento de hipocalemia severa, nesse caso, recomenda- se a monitorização da concentração sérica de potássio e da função cardíaca.

Glicosídios digitálicos: podem aumentar a possibilidade de arritmias ou intoxicação digitálica associada à hipocalemia.

Antiiflamatórios não esteroidais e álcool: podem aumentar a incidência ou a gravidade de ulceração gastrointestinal ou hemorragias.

Antidiabéticos orais e insulina: podem aumentar a concentração de glicose sangüínea, portanto, se necessário, deve- se reajustar a posologia do hipoglicemiante.

Imunossupressores: podem aumentar os riscos de infecções e desenvolvimento de linfomas ou outras desordens linfoproliferativas.

Bloqueadores neuromusculares despolarizantes: podem aumentar os riscos de depressão respiratória, por relaxamento prolongado.

Vacinas de vírus vivos ou outras imunizações: podem aumentar os riscos de reações adversas.

Preparo

Este preparado pode ser administrado por injeção ou infusão intravenosa, ou por injeção intramuscular, sendo a injeção intravenosa o método preferido para iniciar o tratamento em casos de urgência.

O tratamento se inicia administrandoSolu-cortef (succinato sódico de hidrocortisona) por via intravenosa em um período de 30 segundos (por exemplo, succinato sódico de hidrocortisona equivalente 100 mg de hidrocortisona) a 10 minutos (por exemplo, 500 mg ou mais). Em geral, o tratamento com corticóides em doses elevadas deverá ser continuado somente até que o estado do paciente tenha se estabilizado, geralmente em não mais de 48 a 72 horas. Embora não sejam comuns as reações adversas com altas doses em terapia de curta duração, pode ocorrer ulceração péptica. Pode ser indicado, profilaticamente, um antiácido. Quando o tratamento com doses elevadas de hidrocortisona for prolongado por mais de 48-72 horas, pode ocorrer hipernatremia. Em tais circunstâncias, é recomendável substituir Solu-cortef (succinato sódico de hidrocortisona) por um corticóide como succinato sódico de metilprednisolona, que produz pequena ou nenhuma restrição de sódio.

A dose inicial de Solu-cortef (succinato sódico de hidrocortisona) é de 100 a 500 mg (hidrocortisona equivalente a succinato sódico de hidrocortisona), dependendo da gravidade do quadro. Esta dose pode ser repetida a intervalos de 2, 4 ou 6 horas, de acordo com a resposta do paciente e seu estado clínico. Embora a dose possa ser reduzida em crianças, deve ser regida mais pela gravidade da doença e resposta do paciente do que por sua idade ou peso corporal. Não deverá, porém, ser menor que 25 mg ao dia. Pacientes sujeitos a stress severo após corticoterapia, devem ser observados quanto à possibilidade de desenvolver insuficiência adrenocortical.

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