Empreendedorismo na Educação: Perspectivas e Desafios para o Professor do Século XXI

Empreendedorismo na Educação: Perspectivas e Desafios para o Professor do...

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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO Lato Sensu em Gestão e Ensino de Ciências, Tecnologia e Inovação

EMPREENDEDORISMO NA EDUCAÇÃO: Perspectivas e Desafios para o Professor no Século XXI

Orientadora: Profª Dra. Maria Thereza Toledo

Imperatriz/MA, 20 de dezembro de 2010.

EMPREENDEDORISMO NA EDUCAÇÃO: Perspectivas e Desafios para o Professor no Século XXI

Trabalho Final apresentado ao Curso de Pós- Graduação em Gestão e Ensino de Ciências, Tecnologia e Inovação da Faculdade de Tecnologia IBTA como parte dos requisitos para atendimento da resolução nº 1 do Conselho Nacional de Educação, de 08 de junho de 2007.

Orientadora: Profª Dra. Maria Thereza Toledo Aprovado em _/_/_ Parecer da Profª _

Imperatriz (MA) Dezembro/2010

Ao pai o grande empreendedor da vida, Deus! E aos nossos familiares.

A Deus, criador da vida e fonte de toda sabedoria, pela inspiração e graças recebidas.

À Universidade Virtual do Maranhão – UNIVIMA pela realização desta meta em prol da formação profissional dos trabalhadores na educação.

A nossa orientadora, Profª Dra. Maria Thereza Toledo, por todo o apoio, orientação e compreensão, fundamentais para a realização deste trabalho.

Aos familiares de:

Carlos Augusto Ferreira Lima; Carmen Lucia Vieira e José Lopes de Carvalho, pelo apoio na realização de seus projetos.

Ao grupo de professores do Curso de Pós-Graduação em Gestão e Ensino de Ciências, Tecnologia e Inovação da Faculdade de Tecnologia IBTA.

Aos técnicos que trabalharam nas transmissões das vídeos conferências. Aos colegas da Especialização, por termos alcançados juntos esse ideal.

O empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que foi a revolução industrial para o século X.

O ensino empreendedor no Brasil vem se tornando cada vez mais frequente nas instituições de ensino superior e no ensino básico da rede pública e particular motivado pelas mudanças ocorridas no setor produtivo no final do século X, trazendo aumento significativo no desemprego. Essas mudanças foram ocasionadas pelo desenvolvimento tecnológico, economia globalizada, mudanças sociais e culturais. E mediante a nova ordem econômicoprodutiva verifica-se que as sociedades atuais precisam investir em novos projetos educacionais implantando projetos que garanta o ensino empreendedor destinado à formação de docentes capacitando-os para o desenvolvimento de uma cultura que garanta à inclusão do ensino empreendedor no sistema educativo brasileiro em todos os níveis. Este trabalho de pesquisa monográfica apresenta uma descrição da história do ensino empreendedor, da formação do professor e das organizações que somam esforços para fortalecer os setores produtivos brasileiros através da qualificação profissional e da instrução dos investidores em novos empreendimentos.

Palavras-chave: Educação Empreendedora; Empreendedorismo; Ensino Empreendedor;

The enterprising teaching in Brazil is becoming increasingly common in institutions of higher education institutions and basic teaching of the public and private net motivated by changes happened in the productive section in the end twentieth century, bringing significant increase in the unemployment. These changes were caused by technological development, global economy, social and cultural changes. And through new economical-productive order it is clear that the current societies need to invest in new educational projects implanting projects that it guarantees the enterprising teaching destined to the teachers' formation qualifying them for the development of a culture that guarantees to the inclusion of the enterprising teaching in the Brazilian educational system in all the levels. This work of research monograph presents an overview of the history of the enterprising teaching, of the teacher's formation and of the organizations that add efforts to strengthen the Brazilian productive sections through the professional qualification and of the investors' instruction in new enterprises.

Keywords: Enterprising education; Entrepreneurship; Enterprising teaching;

1 INTRODUÇÃO09
2 CAPITULO 110
2.1 O HOMEM E A NECESSIDADE DE EMPREENDER10
2.1.1 Histórico e Conceitos do Empreendedorismo12
2.1.2 Empreendedorismo no Brasil15
3 CAPITULO 219
3.1 EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA19
3.1.1 Formação do Professor Empreendedor24
3.1.2 O Perfil do Professor Empreendedor25
3.1.3 Processo Educativo Empreendedor no Ensino Médio27
3.1.4 Metodologia do Ensino Empreendedor para o Ensino Médio28
4 CONCLUSÃO30
REFERÊNCIAS

SUMÁRIO 31

1 INTRODUÇÃO

O desenvolvimento científico e tecnológico vem provocando mudanças significativas nos processos produtivos nos últimos dois séculos e a educação acompanha e contribui com esse processo. Durante a segunda metade do século X a educação empreendedora vem sendo apontada fator prioritário para garantir o desenvolvimento econômico de uma sociedade. Para os sistemas de ensino garantir às novas gerações o conhecimento das diretrizes empreendedoras faz-se necessário investir em políticas educacionais capaz de garantir a formação dos profissionais da educação em empreendedorismo e a inclusão da disciplina na grade curricular do ensino básico e superior, garantindo a formação de uma cultura empreendedora para as novas gerações.

O presente trabalho descreve o processo histórico do empreendedorismo e os investimentos feitos pelo homem para obter lucros de seus investimentos e a disseminação do conhecimento através da manipulação das informações no decorrer dos tempos. Esses conhecimentos permitiram o aperfeiçoamento das atividades produtivas gerando uma nova ordem produtiva e então surge a atividade empreendedora em pequenas organizações com meio eficiente para gerar emprego e renda. Diante deste contexto o trabalho procurou verificar a contribuição da educação empreendedora pra o desenvolvimento das nações e as condições em que o ensino brasileiro vem desenvolvendo projeto de formação empreendedora pra os profissionais do ensino básico e superior. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica que reuniu livros, artigos e apostilhas.

O desenvolvimento do trabalho foi dividido em dois capítulos. No primeiro foi relatado o processo de desenvolvimento humano demonstrando as manifestações culturais que levaram a humanidade a um modelo econômico-social marcado por desigualdade social e de luta pela sobrevivência. Foi descrito também o histórico do empreendedorismo no mundo e no Brasil, bem como diversos conceitos de empreendedor e de empreendedorismo. O segundo capítulo foi destinado para os relatos sobre a educação empreendedora com enfoque na formação de professores e a metodologia a ser utilizada no ensino empreendedor.

2 CAPITULO 1 2.1 O HOMEM E A NECESSIDADE DE EMPREENDER

Os processos de produção desenvolvidos pelo homem são caracterizados por diversas manifestações culturais, tendo início com a construção de ferramentas utilizadas para explorar o ambiente e favorecer uma melhor qualidade de vida para o ser humano. Essas manifestações variam de acordo com o momento histórico, as condições ambientais e o modelo econômico-social no qual o homem está inserido e que o faz integrar-se num processo contínuo de criação e disseminação de conhecimento que os possibilita criar recursos tecnológicos a serem utilizados na produção de bens e serviços necessários à sobrevivência da espécie humana. E para Fialho et al (2006, p.9):

Através da observação e da aprendizagem, o homem foi capaz de criar, desenvolver e disseminar seus conhecimentos ao aprender a caçar, proteger-se do frio e dos outros animais, construir abrigos, ferramentas e instrumentos de metais como cobre, bronze e ferro, que gradativamente foram sendo substituindo as pedras e ossos.

Esse conhecimento acumulado e transmitido às novas gerações possibilita ao homem da Idade Antiga desenvolver o comércio e o enriquecimento de pequenos grupos em detrimento da maioria dos indivíduos, trazendo as desigualdades sociais. Durante a Idade Média foi criado as primeiras Universidades e ocorreu o surgimento da imprensa, ambas possibilitaram um melhor acesso ao conhecimento e o empreendedor da época era o indivíduo que gerenciava projetos de produção, utilizando recursos disponíveis (DORNELAS, 2001).

Já a entrada para a Idade Moderna foi marcada pela passagem do Feudalismo para o Capitalismo e o surgimento do Renascimento Cultural, Mercantilismo, Colonização Européia, Estado Absolutista, Revolução Inglesa, Revolução Americana, Reforma Protestante (Lutero), Contra-Reforma (Igreja Católica), e a Revolução Industrial, que fez a substituição das ferramentas manuais pela mecanização dos sistemas de produção (FIALHO et al, 2006). Nesta nova ordem econômica o empreendedor correspondia aos profissionais que realizavam acordos contratuais, enxergavam oportunidades de negócios e assumiam riscos e a partir do século XVIII, mediante o processo de industrialização houve uma diferenciação entre capitalista e empreendedor.

A Idade Contemporânea foi marcada pela Revolução Francesa, Independência das Colônias Latino-Americanas, surgimento do Socialismo, Primeira e Segunda Guerra Mundial, criação da ONU (Organização das Nações Unidas), Guerra Fria, Criação dos Blocos Econômicos, Crise do Petróleo, Grandes Inovações Tecnológicas que provocaram a criação e disseminação do conhecimento a serviço do poder econômico. Trouxe também o surgimento das teorias organizacionais que alavancou o crescimento produtivo e os empreendedores foram confundidos com os gerentes e administradores, essas mudanças nos setores produtivos desencadearam a necessidade de empreendedores determinados e preparados para vencer as barreiras da competitividade. E de acordo Fialho et al (2006, p.1):

Ao final do século X, com a descoberta da tecnologia digital, [...] entramos na sociedade do conhecimento, onde as exigências econômicas e mercadológicas demandam por educação cada vez mais avançada e treinamentos muito mais sofisticados para manter a competitividade das organizações e garantir a empregabilidade de seus colaboradores. Cada vez mais o nível de educação, de conhecimento e das habilidades dos indivíduos é visto como fator chave na determinação de sua qualidade de vida e na definição de seu espaço no mercado.

De acordo com essa nova ordem econômico-produtiva é necessário investir numa educação comprometida com uma cultura empreendedora, estimulando uma aprendizagem que lhe permita administrar seu próprio negócio, pois o mercado produtivo de bens e serviços exige profissionais capazes de elaborar soluções rápidas e criativas. Assim, Fialho et al (2006, p.26) considera “o estudo do empreendedorismo como uma alternativa que todas as nações poderiam perseguir, pois pode estar aí a base para o seu desenvolvimento econômico e social”. Por isso, considera-se que as realizações humanas são construídas através de ações empreendedoras de pessoas com responsabilidade de criar e inovar buscando sucesso. E para Tajra e Santos (2009, p.80):

O empreendedorismo não é apenas uma questão de opção, mas também de necessidade. Com o crescimento da população, os avanços tecnológicos, a agilidade dos meios de comunicação e a difusão dos meios de transporte, cada dia que passa as chances de conseguir um bom emprego no mercado de trabalho são cada vez menores, até porque cada vez mais são gerados menos empregos.

Portanto, cada um é responsável pela sua construção econômica e são muitas as oportunidades no mundo atual. E cada indivíduo deve procurar se aparelhar para investir no seu próprio negócio mediante suas atitudes, escolhas e iniciativas produtivas, mas é preciso saber reconhecer uma oportunidade e defini-la com parâmetros e condições para criar um novo negócio ou melhorar um negócio já existente. O empreendedor necessita: de aprovação para construir sua independência, desenvolvimento pessoal e profissional; de conhecimento sobre aspectos técnicos relacionados ao ramo de negócio, formação escolar e complementar, experiência ou vivência com situações novas; de habilidade para identificar novas oportunidades, pensamento criativo, capacidade de comunicação e negociação; do contexto econômico, político e social de sua localidade e global; de condições para adquirir e utilizar adequadamente novas tecnologias e precisa também de valores éticos, intelectuais, morais e religiosos para alcançar o sucesso nos negócios (CIELO, 2006, p. 202-207).

2.1.1 Histórico e Conceitos do Empreendedorismo

A partir do século XVII os pesquisadores da área econômica começam a investigar os indivíduos com capacidade gerir uma atividade econômica utilizando criatividade e inovação para obter lucro e então, elaboram diversos conceitos para empreendedor e empreendedorismo. O vocábulo empreendedor (entrepreneur) foi usado inicialmente por Richard Cantillon1. Segundo Zanon (2009) “Richard Cantillon, [...] é considerado por muitos como um dos criadores do termo empreendedorismo, tendo sido um dos primeiros a diferenciar o empreendedor (aquele que assume riscos), do capitalista (aquele que fornecia o capital)”. Ainda segundo o mesmo autor, “A palavra empreendedor (entrepreneur) surgiu na França por volta dos séculos XVII e XVIII, com o objetivo de designar aquelas pessoas ousadas que estimulavam o progresso econômico, mediante novas e melhores formas de agir”. Para Dornelas (2001, p. 37) empreendedor, “[...] é aquele que

1 Richard Cantillon escritor e economista que viveu na França no final do século XVII e inicio do século XVIII.

detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados”.

No início do século XIX, Jean Baptiste Say (1767-1832), conceituou o empreendedor como “[...] o indivíduo capaz de mover recursos econômicos de uma área de baixa para outra de maior produtividade e retorno”. Essa nova visão abordada em sua teoria colocou o “empreendedor, a inovação e o crescimento econômico” no foco dos pesquisadores. “A partir de então foi desvelado um segredo que tem a idade da civilização: a capacidade do ser humano de ser protagonista do próprio destino, de agir intencionalmente para modificar sua relação com o outro e com a natureza e de se recriar constantemente” (DOLABELA, 2003). E ainda se pode verificar que:

Os Economistas associaram o empreendedor às inovações e ao seu papel no desenvolvimento econômico; os Comportamentalistas relacionaram o “empreendedor” a seus atributos, como a criatividade, persistência, entre outros; os Engenheiros de Produção vêem os empreendedores como bons coordenadores e distribuidores de recursos; os Financistas definem como empreendedor alguém capaz de calcular riscos. Para os profissionais do Marketing, são pessoas que identificam oportunidades e se preocupam com a satisfação do consumidor. (DOLABELA, 1992, p.52 apud BASTOS et al).

Durante o século X pesquisadores tendo como base as diversas áreas do conhecimento criaram diversos conceitos de empreendedor e empreendedorismo enfatizando diversos aspectos: Joseph Alois Schumpeter (1883-1950) importante economista do século X. Em 1934, associou definitivamente o tema empreendedor ao conceito de inovação como critério para explicar o desenvolvimento econômico. Em sua visão de negócio o desenvolvimento econômico depende das inovações tecnológicas, do crédito bancário e do empresário inovador, sendo que esse empresário é capaz de estruturar um novo negócio com capital próprio ou de investidores. Para Menezes (2003, p.4) são esses empreendedores que:

Promovem o rompimento da economia em fluxo circular para uma economia dinâmica, competitiva e geradora de novas oportunidades. A verdadeira concorrência na economia está entre as empresas inovadoras que geram novos produtos e que retiram do mercado produtos antigos. A dinâmica capitalista promove um permanente estado de inovação, mudança, substituição de produtos e criação de novos hábitos de consumo. A destruição criativa é responsável pelo crescimento econômico de um país.

Para McClelland (1961) “O empreendedor é alguém que exercita controle sobre os meios de produção e produtos, e produz mais do que consome a fim de vendê-la (ou trocá-la) pelo pagamento ou renda”. Já para Lynn (1969) “O empreendedor é também alguém criativo no sentido de que tenha de criar um novo produto ou serviço na imaginação e, então, deve ter energia e autodisciplina de transformar a nova idéia em realidade”. De acordo Brereton (1970) que descreve o Empreendedorismo como “[...] habilidade de criar uma atividade empresarial crescente onde não existia nenhuma anteriormente”. Assim como o conceito de Meridith e Nelson (1982 apud MOTA, SANTOS e SILVA, 2004, p.27), “Empreendedores são pessoas que têm habilidade de ver e avaliar oportunidades de negócios, prover recursos necessários para pô-las em vantagens, e iniciar ação apropriada para assegurar o sucesso”. Os conceitos elaborados nestas décadas demonstram um indivíduo com habilidade de executar trabalho, organizar e gerir negócio assumindo risco. Logo, é importante ressaltar que na década de 1990 e na primeira década do século XXI novos conceitos foram para atender a nova visão empreendedora dos pesquisadores mediante ao novo mercado produtivo.

Segundo Filion (1999 apud PEREIRA, ARAÚJO e WOLF, 2007, p.6):

[...] empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões, além de ser uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos, mantendo um nível de consciência do ambiente em que vive e utilizando-o para detectar oportunidades de negócios.

Fialho (2006, p.26), conceitua o empreendedorismo como:

[...] um processo que ocorre em diferentes ambientes e situações empresariais, provocando mudanças através da inovação realizada por indivíduos que geram ou aproveitam oportunidades, que criam e realizam atividades de valor tanto para si próprio quanto para a sociedade.

O mesmo autor afirma que “Empreender significa inovar, buscar novas oportunidades de negócios, tendo sempre como alvo a inovação e a criação de valor”. Para Tajra (2009, p.56-57), “ser empreendedor [...] é ser uma pessoa com atitude voltada para resultados, inovação e realizações”. Ainda diz que “O empreendedorismo é um movimento empresarial voltado para o desenvolvimento de funcionários da organização com postura empreendedora como forma de alavancagem de novos negócios para que a própria empresa gere seu crescimento de forma continuada”.

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