O Petróleo e as Cinco Forças de Porter

O Petróleo e as Cinco Forças de Porter

Escola de Economia de São Paulo – EESP – FGV

Laboratório de Casos e Problemas Econômicos I

Prof. Jorge Oliveira Pires

- Deborah Zilberman Macret - Thaís Mantovani Canina

1) Introdução

Analisamos, ao decorrer do curso, vários aspectos microeconômicos que levam as empresas a definirem suas estratégias a fim de maximizarem seus lucros. Diversos economistas pensaram em estratégias eficientes para que isso acontecesse.

Esse foi o caso de Michael Porter, que, em 1979, analisou, num grande contexto, o poder de competição das empresas. Segundo ele, existem 5 (cinco) “forças competitivas”, que devem ser consideradas a fim de se estabelecer determinada estratégia para uma empresa.

Essas forças afetam a empresa no quesito de obtenção de clientes e maximização de lucro. Caso haja alguma mudança em alguma delas, todo plano estratégico da empresa deve ser revisado para que, enfim, um novo equilíbrio possa ser reestabelecido.

As cinco forças são: “Ameaça de bens substitutos”; “Poder de negociação dos fornecedores”; “Poder de negociação dos clientes”; “Ameaça de entrada de novos concorrentes” e “Rivalidade entre os concorrentes”. Vale destacar que, num determinado período para certo setor industrial, alguma dessas forças torna-se mais importante que as demais, o que a faz exercer uma maior influência no contexto geral.

O objetivo de nosso trabalho, portanto, é analisar os efeitos das 5 (cinco) Forças Competitivas de Porter relacionadas à Indústria do Petróleo.

2) O Petróleo e as Forças de Porter

2.1) A Ameaça Bens Substitutos

Bens substitutos, por definição, são os quais o consumidor aceita fazer uma troca entre eles, por exercerem a mesma função.

Deste modo, temos a quantidades demandas do bem 1 e do bem 2, dadas por X1 e X2, com preços P1 e P2, respectivamente. Assim sendo:

O petróleo, por sua vez, é um bem cujo substituto perfeito não existe.

Proveniente de antigos soterramentos de mares e lagos, ele se tornou um recurso natural não renovável e, então, sua escassez é algo já previsto.

Tal produto é responsável pela derivação de diversos outros bens, tais como a gasolina, diesel, querosene, solventes, parafina. Além disso, ele também é o componente principal de outros, tais como plásticos e afins.

Dentre outras coisas, a maior função do petróleo, atualmente, é o fornecimento de energia. Ele é responsável pelo fornecimento de 85% da energia global. Este é o principal motivo pelo qual sua escassez é algo temível.

A fim de achar substitutos para tal recurso, foram estudadas diversas fontes de energia alternativa, tais como: gás natural, hidrelétricas, energia solar, eólica e nuclear, e até mesmo carvão mineral. Todas as alternativas citadas acima já foram colocadas em prática, porém nenhum é tão eficiente quanto o petróleo nesse quesito.

As opções podem até, de certo modo, compensar uma fração da falta que a escassez do petróleo poderá resultar. Acontece que, apesar de servirem como fontes de energia, elas não são capazes de gerar derivativos e nem de ser constituintes de bens utilizados em nosso dia-a-dia.

etc

Ao contrário dos demais recursos, vale ressaltar que o petróleo é uma précondição para inúmeros projetos, até para ele mesmo. Ele é necessário em várias construções, tais como: plataformas de exploração, termelétricas, usinas nucleares

Deste modo, por ser um dos principais recursos essenciais para a sobrevivência humana, a busca por petróleo atingiu níveis de guerra. A fim de achar substitutos para ele, vários países começaram a investir em fontes alternativas, o que fez o aumento da elasticidade preço-demanda desse bem aumentar mais ainda.

Assim, podemos dizer que não há um substituto perfeito para o petróleo. Há bens substitutos que podem, de certo modo, substituí-lo em alguns aspectos, porém não em todos. O que faz com que a „ameaça de bens substitutos‟, nesse caso, não seja levada tão a sério. Este é o fato que mais preocupa as organizações mundiais atualmente.

O que pode se dizer, por fim, é que a busca por recursos alternativos aumentou a elasticidade preço-demanda do petróleo, mas, devido à inexistência de substitutos perfeitos, pode chegar uma hora em que a demanda por petróleo torne-se perfeitamente inelástica.

2.2) Poder de Negociação dos Fornecedores

O poder de negociação dos fornecedores talvez seja, nesse caso, a maior força competitiva declarada por Porter. Como já citado, o petróleo é um recurso natural proveniente de soterramentos de antigos mares e lagos, o que nos faz concluir que seus pontos de localização são restritos a alguns territórios.

Após a 2ª Guerra Mundial, em 1960, foi criada a OPEP (Organização dos Países

Exportadores de Petróleo). Esse cartel foi fundado por 5 (cinco) países, são eles: Arábia Saudita, Kuwait, Irã, Iraque e Venezuela. Atualmente, mais 7 (sete países) fazem parte da organização, são eles: Emirados Árabes Unidos, Qatar, Angola, Argélia, Líbia, Nigéria e Equador.

A OPEP foi criada com alguns objetivos bem visíveis, tais como: estabelecimento de uma política petrolífera frente aos países membros; combinação de estratégias de produção; controle de preços e quantidades no mercado mundial. Pode-se ver, portanto, que ela exerce um grande poder frente à negociação e comercialização do petróleo. Além disso, os países membros totalizam 75% das reservas mundiais do recurso.

Um dos maiores exemplos dessa influência são os 2 (dois) choques do petróleo, que aconteceram em 1973 e em 1979. Para essa conclusão, teremos que relatar, brevemente, os acontecimentos acima.

A rivalidade entre árabes e judeus é um dos maiores conflitos mundiais. Em 1973, os árabes, a fim de se vingar por um território (Península do Sinai e Colinas de Golã) tomado pelos judeus, na guerra dos 6 (seis) dias, atacaram Israel justamente em um feriado sagrado, o Yom Kippur, dos judeus. Tal ataque, por fim, resultou em uma guerra entre Egito + Síria X Israel.

Os EUA, por sua vez, declararam seu apoio a Israel. Deste modo, a OPEP, a fim de boicotar o maior importador mundial de petróleo, aumentou o preço do barril de petróleo em torno de 300%, o que fez com que tal país tivesse que procurar, num 2º plano, fontes alternativas para a obtenção do mesmo.

O ano de 1979 foi turbulento no Oriente Médio. A URSS invadiu o Afeganistão; os fundamentalistas islâmicos tomaram o poder no Irã (Revolução Iraniana); e Sadam Hussein foi eleito no Iraque. Frente a estas desordens, a produção de petróleo caiu drasticamente, o que prejudicou imensamente os países importadores.

Os dois choques do petróleo citados acima foram somente exemplos de como essa força competitiva de Porter exerce tamanha influência sobre o comércio do produto. Discrepâncias ideológicas e religiosas, principalmente, são capazes de causar flutuações econômicas, tanto no preço quanto na quantidade ofertada deste cartel.

O mesmo acontece atualmente. A invasão estadunidense no Oriente Médio, com ênfase no Iraque, tem como principal justificativa a prevenção do “Terrorismo”. Porém muitas vezes é omitido o fato de que o Iraque possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

É visível, no dia-a-dia, como os conflitos no Oriente Médio afetam a quantidade e o preço do barril de petróleo. Há pouco tempo, um conflito interno no Egito fez com que o preço do barril se elevasse.

Portanto, concluímos que o “poder de negociação dos fornecedores” tem a maior influência no produto frente às forças competitivas de Porter. O domínio exercido pelo cartel é o maior responsável pelas flutuações econômicas do recurso.

Exportações de Petróleo, por país:

Imagem: Wikipedia.

2.3) Poder de Negociação dos Clientes

O petróleo lidera e continuará liderando o ranking das fontes energéticas.

Atualmente, a Opep produz aproximadamente 40% de todo petróleo extraído no mundo e 70% das exportações desse recurso em todo o globo.

Do lado da demanda, há uma forte inelasticidade do preço no curto prazo desse recurso, no entanto, no longo prazo, o cenário se modifica, a demanda por petróleo é caracterizada por uma substancial elasticidade. Isto é dizer que uma forte elevação no preço provoca pequena alteração no consumo no curto prazo, porém modifica de forma importante o consumo no longo prazo. Caso isso aconteça, por um lado, há um ganho excessivo dos produtores no curto prazo, entretanto, no longo prazo, há o risco da perda significativa de mercado. Tal fato inibe os aumentos drásticos nos preços do petróleo, já que os produtores o fariam, dado a forte dependência desse recurso no mundo industrial.

O consumo de petróleo está também concentrado em poucos países. Somente os Estados Unidos consomem cerca de 25% do petróleo produzido no mundo. Os países europeus e o Japão são responsáveis por cerca de 40% adicionais.

O poder de negociação dos compradores é, portanto, reduzido. O mercado do petróleo estabelece um comércio altamente lucrativo, com poucos produtores que dominam o volume e o preço da produção. Além disso, esse recurso é extremamente importante para os compradores e não apresenta substituto imediato. Tais fatos contribuem para que os produtores exerçam um forte controle sobre o mercado.

2.4) Ameaça de Entrada de Novos Concorrentes

O petróleo é uma riqueza distribuída de forma desigual entre os países e um recurso não renovável. Portanto, para ser um produtor deste recurso, o país deve, primeiramente, possuir um poço em seu território. A empresa estatal busca parceiros para explorar uma área, dividindo riscos e investimentos. Em caso de descoberta, paga-se os custos de exploração e operacional; e o lucro é dividido entre as empresas.

A análise das incertezas constitui um dos elementos-chave das atividades de exploração e produção de petróleo. No passado, os desafios com os quais as indústrias se defrontavam não eram tão diversos e contraditórios como hoje em dia. Além disso, os processos decisórios para a análise de riscos eram realizados de formas mais simples e intuitivas. Entretanto, esse cenário alterou-se drasticamente, com o passar do tempo, houve uma clara diminuição nos poços de petróleo facilmente identificáveis e de baixo custo. Ocorreu, também, o aumento da globalização dos negócios e do envolvimento dos agentes, tomando o processo de tomada de decisão na exploração bastante complexo e nem sempre de fácil solução.

Além disso, as empresas envolvidas na atividade exploratória freqüentemente se defrontam na quantificação de diferentes tipos de riscos, tais como: risco de um poço exploratório ou de desenvolvimento ser seco; risco de uma descoberta não possuir um volume de óleo suficiente para os custos envolvidos no seu aproveitamento econômico; risco relacionado com o preço futuro de óleo e gás natural; risco econômico-financeiro; risco ambiental; risco político vinculado às incertezas jurídico-institucionais de um país detentor dos recursos petrolíferos;

O petróleo é um insumo com características peculiares. Seu custo técnico de produção varia muito, em função das características geoeconômicas e geológicas da região produtora. Nos dias atuais, esse custo técnico do barril oscila entre pouco menos de US$ 1 em alguns campos da Arábia Saudita e pouco mais de US$ 12 em boa parte dos campos terrestres da costa leste dos Estados Unidos.

Contudo, o custo do petróleo não é composto apenas de seu custo técnico de produção. Sobre este incidem tributos que são particularmente relevantes no caso dos petróleos de baixo custo técnico de produção. Estes impostos são a mais importante fonte de receita fiscal nos países em desenvolvimento que têm no petróleo seu principal produto de exportação. Nesses países, as empresas petrolíferas são induzidas a programar sua produção em função das necessidades fiscais do governo. Quando o preço no mercado internacional está elevado e a situação fiscal é confortável, as empresas são induzidas a restringir sua produção. O inverso ocorre quando o preço está baixo e a situação fiscal é frágil.

Neste mercado, a ameaça da entrada de novos concorrentes não é preocupante. Inicialmente, deve haver uma descoberta de um poço de petróleo. Os investimentos iniciais são muito altos, apesar do baixo custo técnico. Além disso, a empresa contará com inúmeros riscos e com alta tributação. Tais características limitam a entrada de novos concorrentes neste mercado.

2.5) Rivalidades Entre os Concorrentes

O mercado do petróleo não conta com um grande número de produtores. Os países responsáveis pela maior parte da produção estão reunidos na OPEP. Esta organização realiza reuniões periódicas com o objetivo de decidir a quantidade produzida e o nível dos preços. Por constituir a maior fonte energética do mundo, sua demanda é muito alta. Tais fatos contribuem para reduzir a rivalidade entre os produtores.

Por outro lado, apesar de estarem reunidos em um cartel, já existiram tensões entre os países membros. Um exemplo disso foi a Guerra do Golfo, 1990. Saddam Hussein, então presidente do Iraque, culpou o Kuwait pela queda dos preços do petróleo principalmente.

Como o Kuwait não aceitou a culpa, o Iraque o invadiu, a fim de retomar território e controlar a exploração de petróleo. Este acontecimento provocou uma reação imediata da comunidade internacional e acarretou variações nos preços do recurso também.

Portanto, pode-se dizer que o mercado do petróleo não constitui um mercado com muitas rivalidades. Os países importadores têm alto grau de dependência dos grandes produtores, que estão reunidos em um cartel. Apesar de já ter ocorrido alguns atritos entre estes, são eles que determinam a quantidade a ser produzida e o nível de preços.

3) Referências Bibliográficas

- Wikipedia; “Petróleo” – disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo Acessado em 12/06/2011, às 13h.

- Varian, Hal R. “Microeconomia – Princípios Básicos – Uma abordagem Moderna” – 7ª edição – 2006.

- Porter, Michael E. “The Five Competitive Forces that Shape Strategy”.

- Wikipedia: “Guerra do Golfo”, “Choques do Petróleo”.–

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