USO DA URÉIA PECUÁRIA E RAÇÃO CONCENTRADA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS NO PERÍODO DA SECA

USO DA URÉIA PECUÁRIA E RAÇÃO CONCENTRADA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS NO...

USO DA URÉIA PECUÁRIA E RAÇÃO CONCENTRADA NA ALIMENTAÇÃO

DE VACAS LEITEIRAS NO PERÍODO DA SECA

CORRÊA, Adriel Fernandes 1

BARROS, Paulo Ribeiro 2

OLIVEIRA, Juçara Tinasi de ³

RESUMO: Na época da seca em que a remuneração do leite aumenta, o ato de alimentar vacas leiteiras de forma adequada e a um custo reduzido se configura em um maior ganho que o produtor adquire ao desenvolver essa atividade. A pesquisa teve por objetivo de avaliar a diferença na produção leiteira utilizando uréia pecuária e ração concentrada, analisando também a aceitação das vacas pelos dois diferentes produtos protéicos, que assim procura obter uma melhor produção utilizando uma alimentação com maior viabilidade econômica. A experiência foi realizada na propriedade Boa Esperança, em Jauru-MT, no qual foi utilizado 15 vacas de pequena produção leiteira, por um período de 14 dias. A uréia pecuária e a ração concentrada foram misturadas com cana-de-açúcar triturada e fornecida para as vacas logo depois da ordenha. Para determinar a produção de leite foi medida diariamente a produção total e a aceitação foi determinada avaliando o consumo de ração, o custo de produção foi baseado no preço de cada produto comparando a produção obtida dos mesmos. A produção de leite usando a ração concentrada foi mais significativa comparando com a uréia pecuária, mas economicamente a alimentação baseada na uréia é bem mais viável que a alimentação com concentrado.

PALVRAS-CHAVE: Uréia Pecuária. Ração Concentrada. Alimentação.

1. INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos, tem-se observado uma exigência crescente pelo aumento da eficiência no processo produtivo da pecuária leiteira. As despesas com alimentação contribuem de forma significativa no custo de produção da atividade leiteira, com isso surge à necessidade de criar alternativas para aumentar a produtividade e ao mesmo tempo diminuir os gastos com alimentação do gado. Na época da seca em que a remuneração do leite aumenta, o ato de alimentar vacas leiteiras de forma adequada e a um custo reduzido se configura em um maior ganho que o produtor adquire ao desenvolver essa atividade.

A suplementação protéica para vacas leiteiras no período seco do ano vem ganhando espaço ultimamente, até mesmo nas pequenas propriedades rurais.

O uso da uréia pecuária na alimentação dos ruminantes já é bastante conhecido por todo país, é uma das fontes mais utilizadas para suprir parcialmente as deficiências protéicas das pastagens e possui um custo muito baixo em relação aos outros alimentos protéicos.

A maioria dos produtores de leite utiliza a ração concentrada para suprir as necessidades protéicas das vacas, pois ela proporciona um aumento significativo na produção, mas por outro lado deve-se disponibilizar de um elevado custo para adquirir o produto.

Essa pesquisa teve por objetivo avaliar a diferença na produção leiteira utilizando uréia pecuária e ração concentrada, analisar também a aceitação das vacas pelos dois diferentes produtos protéicos, avaliando o consumo total das rações, buscando uma melhor produção utilizando uma alimentação com maior viabilidade econômica. O presente trabalho irá beneficiar os pequenos e grandes produtores de leite, pois terão o conhecimento da melhor alternativa a ser aplicada na alimentação de seu rebanho, para que possa obter melhora na produtividade sem se preocupar com o preço de produção.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

As primeiras análises de eficiência de uso de suplementos por animais em lactação a pasto no Brasil no período da seca foram publicadas por Lana (2000).

A mistura de cana-de-açúcar e uréia, sobretudo durante o período de lactação, vem sendo adotada por muitos produtores. A razão está no custo do volumoso e do produto não protéico, comumente utilizado como complemento alimentar no período da seca.

Apesar do alto valor energético e baixo custo de produção, a cana tem reduzido valor nutricional, o que determina a necessidade de se reforçar a dieta com uréia pecuária, uma fonte potencial de proteínas. Para o preparo desta mistura, os técnicos recomendam adicionar ainda pequenas quantidades de sulfato de amônia. O enxofre disponível no sulfato é importante para que os microorganismos existentes no rúmen dos bovinos possam sintetizar a proteína a partir do nitrogênio contido na uréia (ARMANDO, 1998).

Os pesquisadores alertam que os animais necessitam de uma semana de adaptação ao novo alimento, período esse que se deve observar qualquer sintoma de reações tóxicas. Segundo Bordini (2002), durante os primeiros sete dias de fornecimento da cana, a dose recomendável é 0,5 kg de uréia com sulfato para 100 kg de cana, depois desse período, a proporção a ser utilizada 1 kg da mistura para 100 kg de cana.

O valor protéico da uréia é indiscutível: 1 kg desse elemento equivale, em nitrogênio, a 9 kg de farelo de soja, em termos de proteína digestível (LEME, 2006).

De acordo com Magalhães (1997), as vantagens do uso da uréia na alimentação dos ruminantes são as seguintes: aumento na produção de leite; por conter baixo custo por unidade de proteína, reduz o custo da ração e facilidade no fornecimento ao gado.

Segundo Rogério Lana (2005):

O uso de alimentos concentrados deve melhorar o aproveitamento da forragem, complementando as exigências dos animais. No entanto, o aspecto econômico não deve ser esquecido, uma vez que os preços desses suplementos podem inviabilizar seu uso no sistema de produção. Esses detalhes devem ser analisados corretamente pelo produtor ou técnico responsável, para se obter sucesso no desenvolvimento de sua atividade.

O concentrado além de conter fonte de proteína necessária ao animal, ele se disponibiliza de fonte de energia, minerais e vitaminas. Tornando uma ração mais rica e palatável, suprindo as necessidades do animal.

Segundo Jardim (1976), a boa palatabilidade em uma ração é muito importante, pois propicia uma melhor aceitação pelos animais, que irão consumir em maior quantidade e consequentemente irá produzir mais leite, ela depende inteiramente dos alimentos que compõem a ração.

Araujo (2001) diz que:

Pesquisa da equipe da UFV avaliou a eficiência do uso de concentrado, estudando a relação quantidade de ração concentrada versus produção de leite. O resultado obtido foi de baixa resposta na produção de leite com o uso de concentrado, em oito experimentos feitos com vacas a pasto. A produção obtida foi de 6,8 a 13,8 kg de leite/dia, sem ração, e de 0,67 kg de leite por quilo de ração.

Novas pesquisas (Resende, et. al. 2001) confirmam o rendimento decrescente na produção de leite pela suplementação concentrada de vacas sob pastejo. O bom agricultor poderá produzir leite mais economicamente que o mau agricultor. (JARDIM, 1976).

3. MATERIAIS E MÉTODOS

O experimento foi realizado na propriedade Boa Esperança, localizada no Município de Jauru-MT, no período de 05 à 19 de outubro de 2009, um dos períodos mais seco do ano. Utilizou-se 15 vacas leiteiras cruzadas de pequena produção da própria propriedade, alimentando-as com uréia pecuária e ração concentrada ambas associada à cana-de-açúcar.

A uréia foi misturada com o sulfato de amônia antes do tratamento, na proporção de 10/1 (25 kg de uréia e 2,5 kg de sulfato de amônia). Baseado em orientações técnicas, foi misturado 0,5 kg de uréia para cada 100 kg de cana, isso porque até o sétimo dia os animais se encontram em período de adaptação, então se recomenda 50% da dosagem. Cada animal deveria consumir em média 15 kg da mistura de uréia + cana-de-açúcar por dia, sendo 75 gramas de uréia para cada vaca. A ração concentrada foi fornecida junto com a cana, sendo colocado 1 kg de concentrado para cada animal por dia.

O tratamento com uréia + cana foi feito no período de 05/10 a 12/10, sendo feito da seguinte forma: a cana era picada na hora do tratamento e distribuída nos cochos, a uréia era misturada na água e distribuído sobre a cana com auxilio de um regador, em seguida era feito a homogeneização da mistura.

O tratamento com concentrado + cana foi realizado no período de 12/10 a 19/10, era distribuído 225 kg de cana picada nos cochos e depois colocada a ração concentrada por cima, fazendo a homogeneização. Em média cada animal deveria consumir 15 kg de concentrado + cana durante o dia.

As vacas foram tratadas pela manhã logo após a ordenha e em seguida foram soltas para o pastoreio e ingestão de água, e retornavam mais tarde para consumir o restante da ração.

A produção de leite foi avaliada baseada na ordenha das vacas. Todos os dias durante o período da manhã, logo após a ordenha, foi feito a medida da produção total de leite, sendo coletado informações de 7 dias para a produção com uréia e 7 dias para a produção como concentrado.

A aceitação foi avaliada analisando o comportamento das vacas durante o consumo da ração, normalmente elas tendem a brigar durante as refeições. Foi analisada a preferência pelas duas rações baseado na palatabilidade das mesmas, podendo assim avaliar o consumo de cada mistura. A viabilidade econômica foi estimulada através de cálculos do custo de produção de cada suplemento protéico e na produção de leite dos mesmos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

No período de tratamento com uréia pecuária a produção leiteira foi menor comparando com a produção com ração concentrada (Gráfico 1). Em média cada vaca produziu 3,6 litros/leite/dia com uréia e 3,8 litros/leite/dia com concentrado, totalizando uma média de 55,2 litros por dia para a uréia e 57,5 litros por dia para o concentrado.

O fato de a produção de leite com os dois produtos ter sido baixa pode estar associado ao período em que foi realizada a pesquisa, pois no período da seca as pastagens estão em péssimas condições para consumo. As vacas utilizadas no experimento não tinham grande potencial de produção leiteira e a dosagem de uréia e concentrado fornecida não foi suficiente para aumentar a produção de leite de uma forma significante.

As vacas tiveram maior preferência pela mistura de concentrado + cana, pois a palatabilidade era mais acentuada, fazendo com que consumissem maior quantidade da mistura e consequentemente a produção foi maior.

O custo de produção da alimentação pesquisada foi estimado pelo custo do concentrado e da uréia. O preço de um 1 kg de uréia teve um custo de R$1,75, sendo que pôde alimentar, aproximadamente, 13 vacas durante um dia. Já 1 kg de concentrado custa,

em média, R$0,75 e pôde alimentar apenas 1 vaca durante um dia. No lote de 15 vacas, gastou-se R$13,80 com uréia durante os 7 dias de pesquisa e concentrado teve um gasto de R$78,75 durante os mesmos 7 dias. O custo com pastagem e cana-de-açúcar não foi estimado, pois o preço não iria interferir no resultado do trabalho, já que nos dois produtos adicionam-se os mesmos alimentos volumosos.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ração concentrada é a melhor alternativa em relação à produção de leite, entretanto, é economicamente inviável, sendo mais indicada para vacas com grande produção de leite. Em contrapartida, a uréia é de baixo custo, portanto, mais viável, podendo ser fornecida para animais com pequena produtividade leiteira.

Além disso, este experimento serviria como sugestão para futuras pesquisas, analisando a produção de leite em diferentes raças leiteiras baseado no uso de uréia pecuária e ração concentrada.

6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LANA, R.P. Sistema Viçosa de formulação de rações. Viçosa: Editora UFV, 2000. 60p.

ARMANDO, A. R. Cana e uréia aceleram crescimento de novilhas com economia. São Paulo, vol.3, n.409, p.23, 1998.

BORDINI, A. P. Alimentação de vacas em lactação. Toledo, vol.2, n.56, p.82, 2002.

ARAÚJO, G.G.L.; SILVA, J.F.C.; VALADARES FILHO, S.C. et al. Ganho de peso, conversão alimentar e características da carcaça de vacas alimentadas com dietas contendo diferentes níveis de volumoso. Revista Brasileira de Zootecnia, v.27, n.5, p.1006-1012, 2001.

MAGALHÃES, J. A. Como utilizar uréia pecuária na alimentação de ruminantes. Rio de Janeiro, n.16, p.8, 1997.

LANA, R.P. Nutrição e alimentação animal. Viçosa: UFV, 2005. 344p.

RESENDE, F.D.; QUEIROZ, A.C.; OLIVEIRA, J.V. et al. Bovinos mestiços alimentados com diferentes proporções de volumoso:concentrado. 1. Digestibilidade aparente de nutrientes, ganho de peso e conversão alimentar. Revista Brasileira de Zootecnia, v.30, n.1, p.261-269, 2001.

LEME, Paulo. DBO: aliança pra valer. São Paulo, vol.25, n.306, p.50, abril de 2006.

JARDIM, Walter Ramos. Curso de bovinocultura. 4.ed. Campinas: ICEA, 1976.

1 Aluno do Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio do IFMT – Campus Cáceres.

2 Orientador: Prof. do Curso Técnico do IFMT – Campus Cáceres.

³ C0-orientadora: Profa. MSc. do Curso Técnico do IFMT – Campus Cáceres.

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