Comandante de Operações

Comandante de Operações

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Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros

1ª Edição 2006

Volume 2

PMESP CCBOs direitos autorais da presente obra pertencem ao Corpo de Bombeiros da

Polícia Militar do Estado de São Paulo. Permitida a reprodução parcial ou total desde que citada a fonte.

Comandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Antonio dos Santos Antonio

Subcomandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Manoel Antônio da Silva Araújo

Chefe do Departamento de Operações Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Comissão coordenadora dos Manuais Técnicos de Bombeiros

Ten Cel Res PM Silvio Bento da Silva Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Maj PM Omar Lima Leal

Cap PM José Luiz Ferreira Borges 1º Ten PM Marco Antonio Basso

Comissão de elaboração do Manual

Cap PM Roberto Suganuma

Cap PM Ivan Efimovivius Pieslak 1º Ten PM Wilson de Góes Júnior 2º Ten PM Edmilson Santos Silva 3º Sgt PM Alexandre Tiburtino da Silva 3º Sgt PM Alexandre Libardi Dellamatrice Sd PM Paulo Fernandes do Nascimento

Comissão de Revisão de Português 1º Ten PM Fauzi Salim Katibe 1° Sgt PM Nelson Nascimento Filho 2º Sgt PM Davi Cândido Borja e Silva

Cb PM Fábio Roberto Bueno Cb PM Carlos Alberto Oliveira Sd PM Vitanei Jesus dos Santos

As atividades de bombeiros sempre se notabilizaram por oferecer uma
Nosso Corpo de Bombeiros, bem por isso, jamais descuidou de contemplar a
Objetivando consolidar os conhecimentos técnicos de bombeiros, reunindo, dessa
Assim, todos os antigos manuais foram atualizados, novos temas foram

No início do século XXI, adentrando por um novo milênio, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo vem confirmar sua vocação de bem servir, por meio da busca incessante do conhecimento e das técnicas mais modernas e atualizadas empregadas nos serviços de bombeiros nos vários países do mundo. diversificada gama de variáveis, tanto no que diz respeito à natureza singular de cada uma das ocorrências que desafiam diariamente a habilidade e competência dos nossos profissionais, como relativamente aos avanços dos equipamentos e materiais especializados empregados nos atendimentos. preocupação com um dos elementos básicos e fundamentais para a existência dos serviços, qual seja: o homem preparado, instruído e treinado. forma, um espectro bastante amplo de informações que se encontravam esparsas, o Comando do Corpo de Bombeiros determinou ao Departamento de Operações, a tarefa de gerenciar o desenvolvimento e a elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros. pesquisados e desenvolvidos. Mais de 400 Oficiais e Praças do Corpo de Bombeiros, distribuídos e organizados em comissões, trabalharam na elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB e deram sua contribuição dentro das respectivas especialidades, o que resultou em 48 títulos, todos ricos em informações e com excelente qualidade de sistematização das matérias abordadas.

Na verdade, os Manuais Técnicos de Bombeiros passaram a ser contemplados na continuação de outro exaustivo mister que foi a elaboração e compilação das Normas do Sistema Operacional de Bombeiros (NORSOB), num grande esforço no sentido de evitar a perpetuação da transmissão da cultura operacional apenas pela forma verbal, registrando e consolidando esse conhecimento em compêndios atualizados, de fácil acesso e consulta, de forma a permitir e facilitar a padronização e aperfeiçoamento dos procedimentos.

Os novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB são ferramentas
Estudados e aplicados aos treinamentos, poderão proporcionar inestimável

O Corpo de Bombeiros continua a escrever brilhantes linhas no livro de sua história. Desta feita fica consignado mais uma vez o espírito de profissionalismo e dedicação à causa pública, manifesto no valor dos que de forma abnegada desenvolveram e contribuíram para a concretização de mais essa realização de nossa Organização. importantíssimas que vêm juntar-se ao acervo de cada um dos Policiais Militares que servem no Corpo de Bombeiros. ganho de qualidade nos serviços prestados à população, permitindo o emprego das melhores técnicas, com menor risco para vítimas e para os próprios Bombeiros, alcançando a excelência em todas as atividades desenvolvidas e o cumprimento da nossa missão de proteção à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio.

Parabéns ao Corpo de Bombeiros e a todos os seus integrantes pelos seus novos

Manuais Técnicos e, porque não dizer, à população de São Paulo, que poderá continuar contando com seus Bombeiros cada vez mais especializados e preparados.

São Paulo, 02 de Julho de 2006.
Coronel PM ANTONIO DOS SANTOS ANTONIO

Comandante do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

1 - INTRODUÇÃO

Comandar é uma qualidade presente na maioria dos componentes da nossa corporação. Seja no serviço, no lazer ou no lar, o bombeiro, pela sua formação, conhecimentos e, principalmente, pelo serviço que executa com tanta devoção, coloca-o como referência, como solução daquelas emergências que invariavelmente surgem no cotidiano da população.

O propósito do presente manual não é ensinar a comandar pois isso, é ministrado pelos nossos órgãos de ensino, com competência. Trataremos de expor princípios, regras e experiências, baseados em normas internacionais e da corporação, visando padronizar procedimentos e rotinas que a grande maioria realiza, entretanto, devido aos documentos estarem muitas vezes esparsos e isolados, passaremos a concentrá-los em uma única fonte, e assim, propiciar seu uso ou consulta ao efetivo a fim que sejam observados integralmente por todos e, desta forma, buscar a nossa visão de futuro: “Ser modelo de excelência em serviços de bombeiros”.

Por diversas vezes, acabaremos por invadir outros temas, mas unicamente, com o objetivo didático, visando exemplificar e ilustrar o assunto para uma melhor compreensão da abordagem realizada.

Alguns suscitarão dúvidas entre o presente tema PCOB (princípios de comando em operações de bombeiros) e o SICOE (sistema de comando em operações em emergências). Inicialmente trataremos de descrever as diferenças, conforme o dicionário * :

Princípios: momento de origem; preceitos, regras.

Sistema: disposição de elementos de um todo coordenados entre si e que funcionam como estrutura organizacional; conjunto coordenado de meios de ação tendente a um resultado.

Traduzindo, o SICOE se relaciona à questão “o que fazer”, mais direcionado à ação, procedimentos e estrutura física do comando. O nosso tema é mais voltado ao “como fazer”, ou seja, regras e prioridades que um comandante de operações deve observar para uma aplicação mais eficiente

1 - INTRODUÇÃO

do SICOE, ou mesmo de outras ocorrências que não utilizem o sistema por completo (com todos os recursos humanos e materiais previstos), mas sempre se deve reforçar a necessidade de um bombeiro exercendo a função de comando.

Na primeira parte trataremos de expor dois assuntos visando subsidiar a aplicação do conteúdo do presente manual, são eles: noções gerais de comando, de cunho cultural e comunicações, ferramenta imprescindível, primordial para o sucesso de um comando de operações.

Na segunda parte, os quesitos básicos a serem observados pelo bombeiro na função de comando, desde o cmt de uma guarnição até o cmt da emergência, para padronização do cotidiano de uma prontidão operacional: documentos usuais, fontes de consulta necessárias, atribuições e procedimentos padrão, além da rotina de serviço, enfatizando que será exposto o mínimo necessário, não esgotando o assunto, dada as peculiaridades de cada unidade.

Na terceira parte, que julgamos ser a fase crítica, são expostos os princípios de comando do acionamento a chegada na ocorrência, onde serão verificados os seguintes assuntos: o que deve ser observado no período pré – ocorrência; necessidade e vantagens de um comando central, procedimentos para assunção, confirmação e posicionamento de um comando, implantação e vantagens de um PC (posto de comando), processos e prioridades de uma avaliação inicial do sinistro.

Na quarta parte, o desenvolvimento da ocorrência, estabelecendo procedimentos para a continuidade e transferência de um comando de operações, planos operacionais táticos, organização, prioridades e o controle como elemento principal no gerenciamento de uma ocorrência.

1 - INTRODUÇÃO

Na última parte, a fase final de uma emergência, descrevendo regras para o encerramento de um comando de operações além de procedimentos e cuidados para o término de uma ocorrência, tais como: recolhimento do material; pesquisa; liberação; e saída do local do sinistro.

O trabalho desenvolvido é destinado aos bombeiros em geral, principalmente aos que podem exercer funções de comando seja qual o nível, entretanto, em razão dos termos aqui utilizados, poderão ocorrer dúvidas quanto a aplicabilidade nas unidades de missão específica, como por exemplo, a de salvamento marítimo, atual 17º GB (décimo sétimo grupamento de bombeiros).

O 17º GB tem como missão institucional “a preservação da vida a qualquer custo”, visando, basicamente, a proteção de banhistas na orla marítima, consequentemente, com os objetivos voltados essencialmente para a área de prevenção. Entretanto, há várias emergências que podem exigir estruturas de comando mediante aplicação do SICOE, tais como: naufrágio de uma embarcação com muitas vítimas, incêndio em navio petroleiro, afogamento simultâneo de vários banhistas, pesquisa envolvendo personalidades famosas, entre outras. Em situações como estas podemos sem dúvida, confirmar a necessidade da aplicação dos princípios expostos no presente manual como um comando central gerenciando os trabalhos, a implantação e posicionamento de um posto de comando, uma avaliação inicial eficiente, as prioridades a serem observadas para uma ação efetiva, a disciplina nas comunicações via rádio, providências para o controle da ocorrência, etc.

Na rotina operacional, em que a unidade possua várias peculiaridades, certamente, deverá conter a revista e preleção da prontidão, check-up das USA (unidades de salvamento aquático), rondas, atividades de condicionamento físico, Instrução, conferência de materiais, documentos usuais como escalas, livro-grade, planos de chamada, etc.

Finalizando, o presente manual procurou abranger todos os assuntos pertinentes ao tema, visando auxiliar o bombeiro na árdua missão de proteção da vida do meio ambiente e do patrimônio, e que possa contribuir, juntamente com todos os outros trabalhos, na melhoria da qualidade dos serviços prestados à população.

Introdução1/1
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS1
1.1Noções gerais de comando...............................................................................................................1
1.1.1. Relações entre comando e liderança1
1.1.2. Requisitos6
1.1.3. Regras de comando9
1.2Comunicações ...............................................................................................................................1
1.2.1. Equipamentos de comunicações12
1.2.2. Métodos alternativos de comunicações16
1.2.3. Procedimentos na comunicação19
2Da rotina diária no serviço operacional .....................................................................................25
2.1. Assunção e encerramento do serviço25
2.2. Preleção e revista à tropa25
2.3. Quesitos a serem observados27
2.3.1. Cmt de guarnição28
2.3.2. Cmt de prontidão28
2.3.3. Cmt de área30
2.3.4. Oficial de operações31
2.3.5. Supervisor de serviço31
2.3.6. Coordenador de operações32
2.3.7. Cmt da emergência3
2.4. Rotina diária das prontidões3
3. DO ACIONAMENTO À CHEGADA NA OCORRÊNCIA37
3.1. Assunção, confirmação e posicionamento do comando39
3.1.1. Posto de comando (PC)39
3.1.1.1. Necessidade de um comando central39
3.1.1.2. Vantagens de um comando central40
3.1.2. Assunção de comando42
3.1.2.1. Modos de comando43
3.1.3. Confirmação de comando46
3.1.4. Posicionamento do posto de comando47
3.2. Avaliação e planejamento50
3.2.1. Avaliação inicial52
3.2.1.1. Processos de avaliação5
3.2.1.2. Chegada na ocorrência57
3.2.1.3. Prioridades59
3.3. Planos operacionais táticos62
4. DO DESENVOLVIMENTO DA OCORRÊNCIA64
4.1. Continuidade de comando64
4.1.1. Fatores para um comando contínuo64
4.1.2. Procedimentos para a continuidade de um comando65
4.2. Transferência de comando67
4.3. Gerenciamento da ocorrência70
4.3.1. Objetivos71
4.3.2. Elementos do gerenciamento72
5. DO TÉRMINO E REGRESSO DA OCORRÊNCIA79
5.1. Término da ocorrência79
5.1.1. Recolhimento do material79
5.1.2. Saída do local80
5.1.3. Pesquisa do sinistro80
5.1.4. Liberação do local81
5.2. Término do comando81
5.2.1. Conclusão82
Bibliografia86

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

2 DA ROTINA DIÁRIA NO SERVIÇO OPERACIONAL

3 DO ACIONAMENTO À CHEGADA NA OCORRÊNCIA

4 DO DESENVOLVIMENTO DA OCORRÊNCIA

5 DO TÉRMINO E REGRESSO DA OCORRÊNCIA

MPCOB – MANUAL DE PRINCÍPIOS DE COMANDO EM OPERAÇÕES DE BOMBEIROS _ 1 1 CONSIDERAÇÕES INICIAISCONSIDERAÇÕES INICIAIS

Antes de iniciarmos o tema propriamente dito, trataremos de dois tópicos pertinentes ao assunto, com a finalidade de ilustrar e enriquecer culturalmente o exposto: noções gerais de comando e comunicações.

1.1.1Noções gerais de comando.Noções gerais de comando.

O propósito do tema aqui abordado é subsidiar a aplicação do conteúdo do presente manual observando-se outras técnicas de comando, pesquisadas em literatura fora da corporação.A literatura atual é diversa e mais voltada nos aspectos referentes à iniciativa privada dando um enfoque maior na área de liderança, tendo em vista a globalização e a competitividade na busca da preferência do consumidor.

Tendo em vista que os objetivos do presente trabalho visam a finalidade pública e as fontes sobre o assunto da corporação serem expostas nos cursos de formação, trataremos de apresentar um enfoque mais direcionado à visão do tema pelo serviço público, motivo pelo qual foi adotado o livro elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

1.1.1.Relações entre comando e liderança

Inicialmente, vamos descrever as relações entre comando e liderança, sob uma ótica militar, extraído do site do exército brasileiro, em sua página institucional *, enfoque este aplicável aos nossos comandantes de operações, principalmente, em uma situação de emergência de bombeiros.

Capítulo 1

MPCOB – MANUAL DE PRINCÍPIOS DE COMANDO EM OPERAÇÕES DE BOMBEIROS _ 2

Chefia e liderança são expressões sempre associadas quando falamos de liderança militar. Efetivamente, correspondem a duas atividades funcionais do comandante, exercidas simultaneamente em um só processo: o comando.

O comando pode ser entendido, preliminarmente, como direção de uma organização na realização de sua finalidade operativa. Porém, tratando-se de uma organização militar, é uma direção que assume características muito peculiares. Em teoria, seria essencialmente semelhante a qualquer organização empresarial, envolvendo as mesmas funções administrativas; contudo, desta se distingue por ser revestida de singularidades decorrentes de sua desatinação. A "empresa militar" é um instrumento de guerra que lhe impõe uma aptidão para atuar permanentemente em situação de emergência. A "empresa militar" na execução da sua atividade fim põe em jogo mais do que um investimento; põe em risco os seus "bens de capital" e os seus "recursos humanos". Efetivamente, por maior que seja o êxito de seu empreendimento, a "empresa" sempre sofrerá perdas patrimoniais. Além do mais, as pressões da emergência – o perigo constante, o desconforto, a fadiga – constrangem psicologicamente os recursos humanos, exigindo especial atenção de gerenciamento.

Um dos generais de Verdun, que esperava em seu posto de comando as informações sobre o ataque e só por palavras interrompidas ao telefone podia saber de alguma coisa, observa: "A inquietude devora-me, a angústia tortura-me e, entretanto, se quero conservar meu prestígio, fazer difundir a confiança, tenho de oferecer aos olhos inquietos que me interrogam, furtivamente, uma máscara impassível. Meu gesto deve permanecer sóbrio, minha voz firme, lúcido meu pensamento. Não conheço prova mais dura, e também mais decisiva, para a vontade do chefe”.

_ * Exercito Brasileiro - Artigo publicado no PADECEME, Informativo 3/9, extraído do “site” institucional – w.exercito.gov.br

O complexo organizacional, abrangendo como um todo estrutura, material e pessoal, é alvo das atenções do comandante. Entretanto, são as pessoas que vitalizam a organização e que transformam a sua vontade em ações produtivas. Desse fato surgem outras preocupações, que irão além daquelas ligadas simplesmente ao gerenciamento funcional dos homens na execução da missão. Estamos falando antecipadamente de liderança militar.

Constatamos assim que o comandante desempenha dois papéis funcionais: COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS

MPCOB – MANUAL DE PRINCÍPIOS DE COMANDO EM OPERAÇÕES DE BOMBEIROS _ 3

Primeiro, o de condutor de tropa, no qual se pode identificar o atributo de chefe militar, aquele que tem autoridade para dirigir e controlar e cuja atividade funcional é a chefia militar.

Segundo, o de condutor de homens, no qual se pode identificar o atributo de líder militar, aquele que tem a capacidade de influenciar e cuja atividade funcional é a liderança militar.

Eis, pois, dois atributos do comandante, o de chefe militar e o de líder militar, e as duas naturezas da sua atividade funcional.

Comandar é exercer a chefia militar e aplicar a liderança militar a fim de conduzir eficientemente e com êxito a organização militar ao cumprimento da sua missão.

Embora identificadas duas naturezas na atividade funcional do comandante, chefia e liderança militares, o exercício do comando é um processo global e, só para efeito de análise, estudo e compreensão, pode-se mencioná-las como coisas distintas.

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