ergonomia - lombalgias

ergonomia - lombalgias

(Parte 1 de 3)

Introdução

O objetivo deste trabalho é estudar as alterações ergonômicas que levam à lombalgia. Por ser muito vasto o estudo das causas de lombalgia, optamos pelo estudo da mesma com o uso de microcomputadores.

Vários fatores podem causar esta sintomatologia, e da mesma forma muitos tratamentos e técnicas de prevenção podem ser propostos. Com o avanço da tecnologia tem aumentado a incidência de doenças ocupacionais causadas pelo uso de microcomputadores de maneira inadequada, levando a uma série de transtornos, como dor, diminuição da capacidade funcional, além de estresse emocional. Tão importantes quanto os danos físicos, são os prejuízos de ordem financeira causados pelo absenteísmo, diminuição da produtividade e consequentemente dos lucros.

Não obstante o progresso tecnológico é possível a convivência deste com o bem estar físico e emocional do ser humano, desde que, observadas condições ergonômicas adequadas.

Este trabalho tem início com uma interessante observação de ITIRO

IIDA , quando refere que o assento é provavelmente uma das invenções que mais contribui para modificar o comportamento humano e que a espécie humana, homo sapiens , já deixou de ser um animal ereto, homo eretus, para se tornar um homo sedam. Além do assento sabemos que a tecnologia do mundo moderno, provocou mudanças no comportamento humano, tornando o homem mais estático, sedentário (tendo como causa: automóvel, televisão, computadores, etc.) e menos dinâmico.

Essas mudanças estão provocando um enfraquecimento da estrutura sustentadora do homo erectus, o que leva a uma grande sobrecarga, principalmente na coluna. Essas múltiplas causas em conjunto com outros fatores sociais, além de estresse, idade, sexo e outras conseqüências trabalho, acarretam essa lesão na região lombar que no desenvolvimento deste trabalho analisaremos item a item, nos diversos tópicos a seguir.

Palavras Chaves: ergonomia, lombalgia, prevenção. Palavras Chaves: ergonomia, lombalgia, prevenção.

1. Ergonomia

1.1. Definição A ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ao homem (VIEIRA,

2000; IIDA, 2000). Foi definida como “o conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários à concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência”(LAVILLE, 1977).

O que se observa, normalmente, é a adaptação do homem ao trabalho. O inverso é mais difícil, pois o ser humano nem sempre é adaptável ao trabalho. Daí temos que o homem é o ponto de partida para projetos de trabalho, adaptando-os às capacidades e limitações humanas (SANTOS, 1999).

Portanto, para o estudo da ergonomia é importante conhecermos características: do homem (aspectos físicos, fisiológicos, psicológicos, sociais, assim como idade, sexo, treinamento e motivação); da máquina (equipamentos, ferramentas mobiliários e instalações); do ambiente físico do trabalhador (temperatura, ruídos, vibrações, luz, cores, gases, etc.), além de conseqüências do trabalho, entre outros.

A ergonomia se preocupa com todos esses fatores objetivando a segurança, satisfação e bem estar dos trabalhadores em seus relacionamentos com os sistemas produtivos (PINHEIRO, MARZIALE, 2000).

1.2 Esboço histórico O início da história da Ergonomia remonta a criação das primeiras ferramentas, quando o homem pré-histórico provavelmente escolheu uma ferramenta que melhor se adaptasse à forma e movimentos de sua mão.

A partir do século XVII Ramazzini descreve as primeiras doenças profissionais. No século seguinte Tissot interessa-se por problemas de climatização dos locais e também pela organização de serviços para tratamento de artesãos. Villermé faz estudos estatísticos sobre condições de trabalho em fábricas da França, levando a um relatório publicado em 1840 sobre o os operários, que é considerado um marco para as primeiras medidas legais de limitação da duração do trabalho e da idade para engajamento de crianças.

A partir do século XVIII com a Revolução Industrial surgiram as primeiras fábricas, que eram sujas, barulhentas, perigosas e onde a jornada de trabalho chegava a 16 horas por dia, sem férias, em regime quase escravo. Neste século e no anterior os engenheiros Vauban e Belidor, respectivamente, tentam medir a carga do trabalho físico diário nos locais de trabalho. Sugerem que cargas muito elevadas levam a esgotamento e doenças, recomendando uma melhor organização das tarefas para aumentar o rendimento.

Mais tarde os engenheiros Vaucanson e Jacquard montaram dispositivos para suprimir postos particularmente penosos como o dos tecelões nas tecelagens.

Na França, no início do século X é criado o primeiro laboratório de pesquisa sobre trabalho profissional, por Jules Amar, o que dá condições a fisiologia do trabalho de desenvolver-se. Amar fornece as bases da ergonomia do trabalho físico, estudando os diferentes tipos de contração muscular (dinâmica e estática) e seu livro O motor humano publicado em 1914 é considerado por alguns a primeira obra de ergonomia.

Durante a I Guerra Mundial (1914-1917) foi criada a Comissão de

Saúde dos Trabalhadores na Indústria de Munições em 1915. Quando a guerra terminou a mesma foi transformada no Instituto de Pesquisa da Fadiga Industrial, que realizou várias pesquisas sobre o tema. Mais tarde esse instituto foi transformado no Instituto de Pesquisa sobre Saúde no Trabalho.

Na I Guerra Mundial (1939-1945) a construção de instrumentos bélicos exigia muitas habilidades do operador e em condições ambientais desfavoráveis e tensas no campo de batalha. Foram criados equipamentos e dispositivos cada vez mais complexos porém sob alto nível de estresse. Isso levou a um desenvolvimento de sistemas abaixo do esperado levando a necessidade de se conhecer mais sobre o homem, suas habilidades e limitações, para que se conseguisse o máximo do sistema de trabalho.

Essa sucessão de fatos culminou com a reunião pela primeira vez, na

Inglaterra de um grupo de cientistas e pesquisadores interessados em discutir e formalizar a existência desse novo ramo de aplicação interdisciplinar da ciência. Essa reunião ocorreu no dia 12 de julho de 1949 e é considerada por alguns a data “oficial” de nascimento da ergonomia. Esse grupo se reuniu pela segunda vez em 16 de fevereiro de 1950 e na ocasião foi proposto o neologismo ergonomia, formado pelos termos gregos ergo (trabalho) e nomos (regras, leis naturais). O polonês Woitej Yastembowsky já havia usado o termo anteriormente em um artigo publicado em 1857 chamado Ensaios de ergonomia ou ciência do trabalho, baseada nas leis objetivas da ciência sobre a natureza, porém, só a partir da fundação da Ergonomics Research Society, na Inglaterra, na década de 50 que a ergonomia se expandiu no mundo industrializado.

O primeiro Congresso da Associação Internacional de Ergonomia (IEA) foi realizado em Estocolmo, 1961.

No Brasil a Associação Brasileira de Ergonomia foi fundada em 1983 e também é filiada à IEA (DUL, 1998)

Alguns conhecimento em ergonomia foram convertidos em normas oficiais, com o objetivo de estimular a aplicação dos mesmos. No Brasil a norma regulamentadora NR 17 – Ergonomia, Portaria n° 3214, de 08. 06.78 do Ministério do Trabalho, modificada pela Portaria n° 3.751 de 23.1.1990 do Ministério do Trabalho, dispõe sobre o assunto (DUL, 1998; VIEIRA, 2000; CHEREN 2001; ROSSI, 2001).

1.3 Custo e benefício da ergonomia É sabido que em uma empresa que tem fito de lucro, qualquer decisão é baseada em análises de custo benefício. A ergonomia para ser bem aceita entre empresários deve trazer benefícios mensuráveis e que sejam maiores que os custos.

Os custos naturalmente são facilmente auferidos, porém, os benefícios não são tão simplesmente quantificados. Como saber quais acidentes foram evitados e quanto custariam se tivessem acontecido? Como saber o quanto as medidas ergonômicas influenciaram no bem estar do trabalhador e o quanto esse bem estar causou em aumento de produtividade? São medidas subjetivas, mas, podem ser avaliadas em termos de estimativa através de aumentos na produtividade e na qualidade, redução dos desperdícios, economias de energia, e assim por diante. Outros benefícios intangíveis de difícil avaliação são: satisfação do trabalhador, conforto, redução da rotatividade e aumento da motivação e do moral dos trabalhadores.

Embora de difícil avaliação, as medidas ergonômicas são de enorme importância para a empresa, não só em termos de lucro, mas também no aspecto social, proporcionando uma melhor qualidade de vida a nível individual e de toda a comunidade que com certeza se beneficiará de trabalhadores mais motivados e confortáveis em seus postos de trabalho (SANTOS 1999).

1.4 Tipos de ergonomia Alguns autores dividem a ergonomia em:

a) ergonomia de correção: procura melhorar as condições de trabalho já existentes, normalmente tem eficácia limitada e é onerosa do ponto de vista econômico; b) ergonomia de concepção: procura introduzir os conhecimentos sobre o homem desde o projeto do posto de trabalho, instrumento, máquina ou sistemas de produção (SANTOS, 1999).

Alguns autores falam também em “ergonomia de sistemas” que trata das interações dos diferentes elementos humanos e materiais de um sistema de produção, procurando definir: a divisão das tarefas entre os operadores, instrumentos e máquinas; as condições de funcionamento ótimo desse conjunto de elementos e a carga de trabalho para cada operador (LAVILLE, 1977).

A origem e o objetivo da ergonomia de sistemas está relacionado com a tarefa de cada um dos operadores. A ergonomia de sistemas e a ergonomia dos postos de trabalho convergem em torno dos problemas sócio-técnicos relativos às tecnologias e as características das populações no trabalho.

1.5 Metodologia ergonômica WISNER, 1994, propõe uma metodologia da análise ergonômica que comporta cinco etapas de importância e de dificuldade: a) análise da demanda: a meta é compreender a natureza e o objetivo do pedido. Proposta de contrato: um contrato deve ser firmado entre o requerente e o ergonomista, de modo a poder especificar a questão, os prazos de resposta, os meios disponíveis e os critérios de sucesso; b) análise do ambiente técnico, econômico e social da situação do trabalho: é importante verificar se as instalações da empresa são novas ou não, o quanto de dinheiro ela dispõe para medidas ergonômicas, se o ergonomista é de dentro ou de fora da empresa e considerar a diversidade de microsituações locais; c) análise das atividades e da situação de trabalho: tem por objetivo fazer um inventário das atividades no trabalho, indicação das inter-relações entre essas atividades e descrição do trabalho em sua totalidade. As atividades motrizes devem ser analisadas de maneira realista incluindo não somente gestos de ação, mas também de observação (ex.: movimento da cabeça e dos olhos) e de comunicação (palavras e gestos). Deve-se lembrar entretanto que elementos dessa classificação são interligados pois gestos de observação são, normalmente, realizados ao mesmo tempo que outros gestos de ação. O trabalho de análise deve ser validado através de discussões com os trabalhadores para restituir de forma elaborada a informação para quem a forneceu e corrigir e completar o trabalho do ergonomista; d) recomendações ergonômicas: é preciso uma metodologia segura para fazer abordagens comparativas e previsionais. Quando se trata de novo produto as recomendações vão variar em relação ao momento em que o parecer do ergonomista é solicitado (folheto de instrução, concepção, protótipos). Em relação aos dispositivos de produção podem ser feitas recomendações em diversas áreas: concepção e instalação de máquinas e de sistemas de produção, expedição, estocagem, organização, treinamento; e) validação da intervenção e eficácia das recomendações: quase não há financiamento para estudos de validação ergonômica e quando esta é feita muitas vezes o resultado pode ser diferente do esperado, principalmente se a intervenção é tardia e parcial. Porém, os efeitos só se mostram a longo prazo e se manifestam pela mudança de atitude dos planejadores e dos usuários frente as características humanas.

1.6 Evoluções da metodologia ergonômica A análise do ambiente ultrapassa os limites das condições técnicas, econômicas e sociais do estudo, levando em consideração situações como o envelhecimento da população e a representação demográfica (debate sobre o aumento do nível de instrução geral e profissional, além de aumento das exigências de conforto e segurança a ele relacionado). Atualmente, leva-se em consideração nos estudos ergonômicos a antropologia em seus vários domínios, como o físico (dimensões corporais, força física), cultural (sistema de valores) e cognitivo (lingüística, cognição em ambientes de trabalho).

Nestes últimos anos a ergonomia passou por desenvolvimentos consideráveis e foi descoberto que o comportamento do trabalhador varia em função do ciclo circadiano, mesmo se a tarefa é constante (COUTO, set.2000).

Uma forma de estudo ergonômico é a autoconfrontação onde o trabalhador verbaliza quando confronta com dados coletados sobre seu comportamento e quando responde perguntas que incidem sobre esses dados.

Ergonomistas são utilizados para formular recomendações para a concepção de produtos ou de máquinas, porém, mais recentemente o núcleo de interesse da ergonomia moderna se deslocou para conjuntos complexos e caros constituídos pelos sistemas de produção automatizados e conjuntos informáticos.

Este esforço, de antecipação das atividades futuras prováveis, permite relacionar indícios de inadaptação dos meios de trabalho com dificuldades que ameaçam os trabalhadores, assim como as que podem trazer conseqüências para a saúde e para a produção (COUTO, jan.2000).

Sugere-se que o ergonomista, além de elaborar uma lista de recomendações, organize e alimente uma reflexão entre planejadores e usuários, realize um processo interativo de melhoramentos sucessivos, considere os aspectos que dizem respeito às atividades dos trabalhadores precocemente, realizando protótipos e dispositivos parciais de teste (SANTOS, 1999).

2. A Coluna Lombar

2.1. Anatomia Este trabalho tem por objetivo estudar medidas ergonômicas que podem ser utilizadas na prevenção da lombalgia em pessoas que trabalham na posição sentada. Para isso, precisamos conhecer melhor esta região do corpo chamada coluna lombar, para então entender porque pode ocorrer dor neste local, ou seja, lombalgia.

A coluna vertebral é uma estrutura óssea composta de 3 vértebras, distribuídas em: 07 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 a 5 coccígeas. Possui 4 curvas sagitais sendo duas cifóticas primárias (torácica e sacral) e duas lordóticas secundárias (cervical e lombar) (VIEIRA, 2000; CHEREM 2001; PUTZ, 2000).

A curva cervical, dorsal e lombar em posição ereta constitui a chamada postura fisiológica. A lordose lombar é provocada pelo esforço antigravitacional dos músculos eretores e da fraqueza da musculatura abdominal .

Já as curvas secundárias são originadas da diferença nas espessura anterior e posterior dos discos intervertebrais. Também, é parte funcional de extrema importância o disco vertebral constituído por um núcleo pulposo e um anel fibroso externo, cujas fibras se inserem nos corpos vertebrais superior e inferior. O núcleo pulposo é praticamente constituído de água e tem função na distribuição de força e na absorção do impacto (VIEIRA, 2000).

Além dos ossos e do disco, os músculos são essenciais na composição de postura e responsáveis pelo movimento da coluna. Os principais músculos responsáveis por essas posturas são (RASCH, BURKE,1977):

MÚSCULOS FLEXORES E EXTENSORES DA COLUNA Flexor lateral puro Quadrado lombar Flexores Reto abdominal

Obliquo externo Obliquo interno Esternocleidomastoideo Tres escalenos Reto maior do pescoço Reto maior da cabeça Reto anterior da cabeça Reto lateral da cabeça Psoas

Extensores Intertransversais

(Parte 1 de 3)

Comentários