MTB-33 Busca e Salvamento em Cobertura Vegetal de Risco

MTB-33 Busca e Salvamento em Cobertura Vegetal de Risco

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Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros

Comandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Antonio dos Santos Antonio

Subcomandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Manoel Antônio da Silva Araújo

Chefe do Departamento de Operações Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Comissão coordenadora dos Manuais Técnicos de Bombeiros

Ten Cel Res PM Silvio Bento da Silva Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Maj PM Omar Lima Leal

Cap PM José Luiz Ferreira Borges 1º Ten PM Marco Antonio Basso

Comissão de elaboração do Manual

Maj PM Roberto Rensi Cunha Cap PM Sérgio Ricardo Morette 1º Ten PM Marcelo Alexandre Cicerelli 1º Ten PM Maurício Hermes Bitencourt Neves 1º Ten PM José Carlos Simões Lopes 1º Sgt PM Vicente de Paula Mariano 2º Sgt PM Carlos Rogério Cavitiolli 3º Sgt PM José Luiz Zago

Comissão de Revisão de Português 1º Ten PM Fauzi Salim Katibe 1° Sgt PM Nelson Nascimento Filho 2º Sgt PM Davi Cândido Borja e Silva

Cb PM Fábio Roberto Bueno Cb PM Carlos Alberto Oliveira Sd PM Vitanei Jesus dos Santos

As atividades de bombeiros sempre se notabilizaram por oferecer uma
Nosso Corpo de Bombeiros, bem por isso, jamais descuidou de contemplar a
Objetivando consolidar os conhecimentos técnicos de bombeiros, reunindo, dessa
Assim, todos os antigos manuais foram atualizados, novos temas foram

No início do século XXI, adentrando por um novo milênio, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo vem confirmar sua vocação de bem servir, por meio da busca incessante do conhecimento e das técnicas mais modernas e atualizadas empregadas nos serviços de bombeiros nos vários países do mundo. diversificada gama de variáveis, tanto no que diz respeito à natureza singular de cada uma das ocorrências que desafiam diariamente a habilidade e competência dos nossos profissionais, como relativamente aos avanços dos equipamentos e materiais especializados empregados nos atendimentos. preocupação com um dos elementos básicos e fundamentais para a existência dos serviços, qual seja: o homem preparado, instruído e treinado. forma, um espectro bastante amplo de informações que se encontravam esparsas, o Comando do Corpo de Bombeiros determinou ao Departamento de Operações, a tarefa de gerenciar o desenvolvimento e a elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros. pesquisados e desenvolvidos. Mais de 400 Oficiais e Praças do Corpo de Bombeiros, distribuídos e organizados em comissões, trabalharam na elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB e deram sua contribuição dentro das respectivas especialidades, o que resultou em 48 títulos, todos ricos em informações e com excelente qualidade de sistematização das matérias abordadas.

Na verdade, os Manuais Técnicos de Bombeiros passaram a ser contemplados na continuação de outro exaustivo mister que foi a elaboração e compilação das Normas do Sistema Operacional de Bombeiros (NORSOB), num grande esforço no sentido de evitar a perpetuação da transmissão da cultura operacional apenas pela forma verbal, registrando e consolidando esse conhecimento em compêndios atualizados, de fácil acesso e consulta, de forma a permitir e facilitar a padronização e aperfeiçoamento dos procedimentos.

Os novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB são ferramentas
Estudados e aplicados aos treinamentos, poderão proporcionar inestimável

O Corpo de Bombeiros continua a escrever brilhantes linhas no livro de sua história. Desta feita fica consignado mais uma vez o espírito de profissionalismo e dedicação à causa pública, manifesto no valor dos que de forma abnegada desenvolveram e contribuíram para a concretização de mais essa realização de nossa Organização. importantíssimas que vêm juntar-se ao acervo de cada um dos Policiais Militares que servem no Corpo de Bombeiros. ganho de qualidade nos serviços prestados à população, permitindo o emprego das melhores técnicas, com menor risco para vítimas e para os próprios Bombeiros, alcançando a excelência em todas as atividades desenvolvidas e o cumprimento da nossa missão de proteção à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio.

Parabéns ao Corpo de Bombeiros e a todos os seus integrantes pelos seus novos

Manuais Técnicos e, porque não dizer, à população de São Paulo, que poderá continuar contando com seus Bombeiros cada vez mais especializados e preparados.

São Paulo, 02 de Julho de 2006.
Coronel PM ANTONIO DOS SANTOS ANTONIO

Comandante do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

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1. Introdução04
1.1. Abordagem histórica05
1.2. Eventos motivadores dos acidentes em área de cobertura vegetal de risco06
1.3. Cobertura vegetal do estado de São Paulo e seus riscos08
2. Definições20
3. Lista de siglas2
4. Recursos humanos23
4.1. Força de intervenção regional23
4.2. Capacitação específica24
4.3. Capacitação do grupo de busca e salvamento24
4.4. Atribuições do grupo de busca24
4.5. Responsabilidade dos membros da equipe de busca e salvamento25
4.6. Equipe especifica de busca25
5. Recursos materiais27
5.1. Equipamentos de proteção individual e coletiva27
5.2. Equipamentos operacionais31
5.3. Reidratação e Reposição Energética39
5.4. Comunicações40
5.5. Veículos oficiais40
6. Emprego Operacional do Corpo de Bombeiros41
6.1. Premissas básicas de atuação41
6.1.1. Postura das Uop/CB41
6.1.2. Acionamento do socorro41
6.1.3. Primeira resposta41
6.1.4. Emprego da força de intervenção regional42
6.1.5.Reunião do grupo de busca42
6.2. Elementos fundamentais da operação de busca e salvamento42
6.3. Orientação e navegação em áreas de cobertura vegetal de risco43
6.3.1. Orientação43

SUMÁRIO 6.3.1.1. Global position system ................................................................................................4

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6.3.1.2. Carta topográfica46
6.3.1.2.1. Representação de relevo48
6.3.1.2.2. Escala da carta48
6.3.1.2.3. Formas de utilização50
6.3.1.2.3.1. Designação de pontos nas cartas50
6.3.1.2.3.2. Determinação das direções50
6.3.1.3. Bússola54
6.3.1.3.1. Procedimento de operação do equipamento5
6.3.2. Navegação61
6.3.2.1. Navegação terrestre diurna62
6.3.2.2. Navegação terrestre noturna64
6.4. Operações de busca65
6.4.1. Pré planejamento6
6.4.2. Primeiro aviso67
6.4.3. Planos e estratégia72
6.4.3.1. Instalação do posto de comando72
6.4.3.2. Planejamento de busca e estratégia73
6.4.3.2.1. Dados do planejamento74
6.4.3.3. Estratégia de busca76
6.4.3.3.1. Determinação da zona de busca76
6.4.4. Táticas de busca78
6.4.4.1. Descobrimento de indícios78
6.4.4.2. Busca binária79
6.4.4.3.Delimitação da área de busca79
6.4.5. Técnicas de busca81
6.4.5.1. Método pente fino81
6.4.5.2. Método retangular81
6.4.5.3. Método quadrado crescente82
6.4.5.4. Método leque83
6.4.5.5. Método off-set83
6.4.6. Suspensão da missão84

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 6.4.7. Crítica ..............................................................................................................................85

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6.5. Manipulação e transporte de vítima86
6.5.1. Riscos ergonômicos para o socorrista87
6.5.2. Regras para a movimentação de um acidentado87
6.5.3. Imobilização de vítima na maca cesto87
6.5.4. Transporte de vítima na maca cesto8
6.6. Segurança nas operações de busca e salvamento8
7. Apoio operacional89
7.1. Apoio operacional interno90
7.2. Apoio operacional externo91
8. Prevenção de ocorrências92
8.1. Placas de indicação de trilhas92
8.2. Placas de indicação de perigo92
8.3. Panfletos explicativos92
8.4. Obras preventivas de isolamento de risco94

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 9. Referências normativas e bibliográficas..................................................................................95

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As atividades denominadas, em tempos recentes, de “busca e salvamento”, já faziam parte do contexto operacional do Corpo de Bombeiros desde os primórdios de sua criação. Embora sua missão, originariamente, tenha sido o combate a incêndio, atualmente, a atividade de salvamento possui elevada estatística de atendimento operacional, tendo como destaque os serviços prestados pelas guarnições de “Resgate”.

Algumas ocorrências de busca e salvamento, em que pese o baixo número de atendimento por ano, ganham vulto por sua complexidade de resolução, como, por exemplo, as operações subaquáticas, os acidentes ferroviários, metroviários e aeroviários, desabamentos de grandes estruturas edificadas e as que se desenvolvem em áreas de cobertura vegetal de risco.

O que no passado chamava-se busca e salvamento em matas, hoje denominada intervenção em área de cobertura vegetal de risco, que teve seu nome modificado para atender aos conceitos e nomenclaturas técnicas dos tipos de vegetação que recobrem o território do Estado de São Paulo, pois a mata era apenas um tipo de cobertura vegetal de risco.

Foram consideradas coberturas vegetais de risco tudo que, por suas características de altura e densidade, dificulte ou impossibilite ao ser humano orientar-se adequadamente no terreno, tais como: mata, capoeira, cerradão, cerrado, restinga, mangue e reflorestamentos. O relevo da área também constitui um fator de risco por adicionar condições desfavoráveis ao deslocamento seguro.

Levantamentos históricos demonstram que as operações em áreas de cobertura vegetal de risco sempre foram atendidas por guarnições do Corpo de Bombeiros, no entanto, com a criação do Comando de Operações Especiais, no início do anos 70, foram treinados pelotões para agir na região de densas matas do Vale do Ribeira em oposição aos grupos guerrilheiros liderados por Carlos Lamarca, ocorre que, felizmente, o COE (Comando de Operações Especiais) acabou não exercendo sua função precípua em face do fim desta ação militar no território Paulista e, a partir de então, eles passaram a intervir também de forma independente em operação de busca e salvamento em áreas de cobertura vegetal de risco.

Atualmente, dado ao grande volume de ocorrências atendidas pelo Corpo de

Bombeiros, nas diversas áreas operacionais, e acomodados pelo auxílio fornecido pelo COE na atividade de Busca e Salvamento em áreas de cobertura vegetal de risco, o Corpo de Bombeiros foi deixando de lado algumas técnicas e conceitos importantes dessa atividade, deixando de ter um efetivo especializado e equipamentos apropriados para uma atuação eficiente.

Percebemos hoje, com o estímulo ao ecoturismo e a maior incidência de acidentes aeroviários, uma maior probabilidade de ocorrências de busca e salvamento em área de cobertura vegetal de risco e, por conseqüência, o Corpo de Bombeiros deve estar preparado para agir, atendendo aos preceitos constitucionais, que lhe atribuem como missão, operações de busca e salvamento, não excluindo nenhuma delas.

MBSCVR – MANUAL DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 5

Assim, independentemente do potencial operacional do COE, em atuar nestas ocorrências, o Corpo de Bombeiros, como uma força presente em todo o Estado, necessita resgatar as técnicas e adequar equipamentos específicos para intervir nas operações de busca e salvamento em áreas de cobertura vegetal de risco, preferencialmente em conjunto com todos aqueles que possam contribuir para a resolução da emergência, que é o que deseja a população paulista.

1.1. ABORDAGEM HISTÓRICA

O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo foi criado em 10 de março de 1880, por força da Lei do Governo Provincial de São Paulo, com a atribuição de extinção de incêndios, no entanto, desde aquele ato, extraiu-se da história por diversas vezes, o envolvimento nos atendimentos de busca e salvamento de vidas humanas, inicialmente, de maneira geral, e posteriormente, também nas operações em áreas de cobertura vegetal de risco.

Observou-se que, mesmo naquela época, já ocorria uma série de acidentes, cujo atendimento se estendia às atribuições do Corpo de Bombeiros, talvez por ser um órgão que estivesse disponível 24 horas por dia, ou por falta de outros órgãos com destinação para tal. No esboço histórico, “A FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO”, onde se relatam as atividades desempenhadas pela corporação no período de 1831 à 1931, por ocasião de seu 1º centenário, verificou-se um trecho relativo as atividades do Corpo de Bombeiros, onde foi listada uma série de ocorrências de vulto atendidas naquele período.

Cabe destaque também o grande avanço tecnológico obtido com o incremento de manuais de treinamento e vários equipamentos de combate a incêndios e salvamento, quando a corporação estava sob comando do Tenente Coronel AFFONSO LUIS CIANCIULLI.

Em 1931, o genial CIANCIULLI, aproveitando uma viatura fora de serviço, desenha e põe em operação a primeira viatura destinada a ocorrências de salvamento, denominada “auto-salvação” e, com isso, inicia o que vem a ser hoje o Serviço de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros.

Em 1943 surge a figura do especialista de salvação, que perdurou até o final dos anos 80, como especialista de salvamento. No início da década de 50, o serviço de salvamento começa a ganhar maior atenção, chegando a constituir uma companhia em 1957.

Especificamente sobre a atividade de “busca e salvamento de vítimas em matas”, constatou-se que desde a implantação do serviço de Salvamento no Corpo de Bombeiros, na década de 50, esta era uma ocorrência típica de bombeiro, porém, com a criação do Comando e Operações Especiais, no início dos anos 70, este começou a assumir grande parte dessas ocorrências.

O COE foi criado em 13 de março de 1970, com a missão precípua de atuar nas ações de distúrbios civis e contra guerrilha rural e urbana, em função do momento político vivido

MBSCVR – MANUAL DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 6 naquele período, no entanto, o COE nunca atuou nas operações antiguerrilha, pelo qual foi criado, pois, já em de junho de 1970, a guerrilha do Ribeira já havia acabado, dando início à desmobilização das tropas do local, de modo que, para manter o treinamento da tropa, começou-se a atuar nas atividades de busca e salvamento em mata, juntamente com o Corpo de Bombeiros.

1.2.EVENTOS MOTIVADORES DOS ACIDENTES EM ÁREAS DE COBERTURA VEGETAL DE RISCO

freqüentes

Existem vários eventos motivadores de acidentes com vítimas em áreas de cobertura vegetal de risco, a saber: as atividades de ecoturismo, escotismo, esportes radicais, acidentes aéreos, usuários de drogas, doentes mentais, ocorrências policiais e a curiosidade pelo desconhecido. Dentre eles destacam-se o ecoturismo e os acidentes aéreos, por serem os mais

O ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio de interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas.

Em verdade, o brasileiro sempre teve o fascínio pela exuberância e diversidade de fauna e flora das matas, motivando, desde muito tempo atrás, excursões de caráter técnicocientífico, aventureiro, de lazer, esportivo-radical e, até mesmo, por mera curiosidade, tendo sempre como objetivo principal a fuga das tensões urbanas, da poluição sonora, visual e do ar, produzidas pelas metrópoles.

A partir deste momento os problemas passam a acontecer, na medida em que as pessoas vão além de suas condições, negligenciando regras básicas de segurança e, por vezes, sendo imprudentes ao arriscarem-se em aventuras não recomendadas.

O Brasil possui um invejável potencial ecoturístico, incluindo-se entre os países de mega diversidade, detendo entre 10% a 20% do total de espécies do planeta. Mais especificamente no Estado de São Paulo, destacam-se a Mata Atlântica, Cerrado, Florestas de Araucária, Manguezal e Zonas Costeiras e Insulares, com grande potencial de beleza paisagística, de características interessantes, vegetação, vida selvagem, água e ar limpos.

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