Esquizofrenia Transtornos De Humor e Lei 10 216 - ADA0 D NOGUEIRA 2011 FUG TRINDADE GO

Esquizofrenia Transtornos De Humor e Lei 10 216 - ADA0 D NOGUEIRA 2011 FUG...

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Esquizofrenia, Transtornos de Humor e Direitos do Paciente com Transtornos Mentais Amparado pela Reforma Psiquiátrica do Brasil lei 10.216 de 06 de abril de 2001.

Trindade 2011

Esquizofrenia, Transtornos de Humor e Direitos do Paciente com Transtornos Mentais Amparado pela Reforma Psiquiátrica do Brasil lei 10.216 de 06 de abril de 2001.

Trabalho apresentado à Faculdade União de Goyazes, como forma de obtenção de nota na disciplina de Saúde Mental.

Orientadora: Prof.ª Esp. Paula Candida da Silva.

Trindade

2011. Resumo

O trabalho apresenta referências para as definições para a esquizofrenia, transtornos de humor e a lei 10.216 de 06 de abril de 2001. Esquizofrenia e transtornos de humor doenças caracterizadas como epidemias mundiais em que acometem a indivíduos de todos os níveis sociais, raças e credos, e sendo estas pessoas com transtornos psiquiátricos surge a necessidade do envolvimento profissional de diversas formações na área da saúde e estas formando equipes multiprofissionais para o atendimento e cuidados. Visa também salientar de forma didática os sinais, evidências, sintomas e tratamentos a pessoas com estes transtornos psiquiátricos.

E os direitos adquiridos por estes indivíduos através da lei 10.216 de 06 de abril de 2001. Onde dispõem sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental no Brasil.

Palavras-chave: Esquizofrenia, Transtornos de Humor, proteção e direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais.

9 - CAUSAS PARA OS TRANSTORNOS DE HUMOR------------------------------------------18 10 - RISCOS PARA OS INDIVÍDUOS COM TRANSTORNOS DE HUMOR-----------------19

1- INTRODUÇÃO ESQUIZOFRENIA

A esquizofrenia (Definição: Do grego σχιζοφρενία; σχίζειν, "dividir"; e φρήν, "phren", "phrenés", no antigo grego, parte do corpo identificada por fazer a ligação entre o corpo e a alma, literalmente significa "diafragma")

Esquizofrenia é um dos principais transtornos mentais e acomete 1% da população em idade jovem, entre os 15 e os 35 anos de idade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a terceira causa de perda da qualidade de vida entre os 15 e 4 anos, considerando-se todas as doenças. Apesar do impacto social, a esquizofrenia ainda é uma doença pouco conhecida pela sociedade, sempre cercada de muitos tabus e preconceitos.

Crenças como “as pessoas com esquizofrenia são violentas e imprevisíveis”, “elas são culpadas pela doença”, “elas têm dupla personalidade”, “elas precisam permanecer internadas” são fruto do desconhecimento e do

preconceitoA esquizofrenia caracteriza-se por uma grave desestruturação

psíquica, em que a pessoa perde a capacidade de integrar suas emoções e sentimentos com seus pensamentos, podendo apresentar crenças irreais

(delírios), percepções falsas do ambiente (alucinações) e comportamentos que revelam a perda do juízo crítico. A doença produz também dificuldades sociais, como as relacionadas ao trabalho e relacionamento, com a interrupção das atividades produtivas da pessoa. O tratamento envolve medicamentos, psicoterapia, terapias ocupacionais e conscientização da família, que absorve a maior parte das tensões geradas pela doença. A esquizofrenia não tem cura, mas com o tratamento adequado a pessoa pode se recuperar e voltar a viver uma vida normal.

Esquizofrenia caracteriza-se por afastamento da realidade, onde o indivíduo entra num processo de centramento em si mesmo (BOCK, FURTADO, TEIXEIRA, 1999). A esquizofrenia é o transtorno maior de que tratam os psiquiatras, acometendo pessoas precocemente com relação à idade, conduzindo a alterações graves do pensamento, afeto e vontade. Muitas delas são conduzidas a um longo afastamento da realidade externa (autismo), com enorme desgaste emocional e econômico para os pacientes, suas famílias e a sociedade. Os grandes avanços da bioquímica, genética e terapêutica psicofarmacológica vêm reforçando a crença na etiologia biológica da esquizofrenia. Sabemos, entretanto, que os fatores psicossociais influenciam o início, o tratamento, as recaídas e o prognóstico, alterando todo o curso da enfermidade (NUNES, BUENO e NARDI, 1996).

A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com ocorrência de um déficit progressivo ou estável, ou comportar um ou vários episódios seguidos de uma remissão completa ou incompleta. Não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando o quadro clínico comporta sintomas depressivos ou maníacos no primeiro plano, a menos que se possa estabelecer sem equívoco que a ocorrência dos sintomas esquizofrênicos fosse anterior à dos transtornos afetivos. Além disto, não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando existe uma doença cerebral manifesta, intoxicação por droga ou abstinência de droga. Os transtornos que se assemelham à esquizofrenia, mas que ocorrem no curso de uma epilepsia ou de outra afecção cerebral, devem ser codificados em CID-10 F06.2 os transtornos que se assemelham à esquizofrenia, mas que são induzidos por drogas psicoativas devem ser classificados em CID-10(F19) com quarto caractere comum .

Exclui:

·Aguda (indiferenciada) CID-10 (F23.2)
·Cíclica CID-10 (F25.2)

Esquizofrenia:

Reação esquizofrênica CID-10 (F23.2) Transtorno esquizotípico CID-10 (F21)

2- METOLOGIA

Pesquisa descritiva com base em revisão bibliográfica, com abordagem teórica didática dividida em partes, apresentando-se, na primeira, uma abordagem histórico-filosófica sobre a questão da esquizofrenia e sua história. As demais contêm orientações para sinais, sintomas e tratamentos a indivíduos com transtornos de humor, compreendendo ainda sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redirecionamento do modelo assistencial em saúde mental no Brasil através da lei 20.216 de 06 de abril de 2001.

3- HISTÓRICO

Segundo Nunes, Bueno e Nardi, (1996).“O interesse pela esquizofrenia no curso do tempo se confunde com a própria história da psiquiatria, o que o senso comum chamou sempre de”louco “é o que os psiquiatras hoje chamam de esquizofrênico”. A esquizofrenia começa em 1852 como démence precoce, uma descrição do psiquiatra Benedict Morel (1808 – 1873), referia-se a certas formas especiais de demência que surgem na adolescência, com distúrbios do pensamento e do afeto, e manifestações delirantes. Seguiram-se as descrições de quadros semelhantes feitas por Ewald Hecker o grupo de sintomas da catatonia. Emil

Kraepelin (1856 – 1926), na quinta edição de seu Tratado de Psiquiatria (1896) reuniu à demência praecox (Morel, Hecker), a catatonia (Kahlbaum) e a demência paranóide (Krarpelin) sob uma rubrica geral de doenças de metabolismo, junto com o mixedema e o cretinismo. Foi só em 1899 (sexta edição) que a dementia praecox ganhou autonomia para se contrapor à “loucura maníaco-depressiva” que também aparece com autonomia, pela primeira vez no índice do livro. Eugen Bleuler (1911), psiquiatra suíço, introduziu o termo esquizofrenia para substituir demência precoce porque considerava que os distúrbios eram de natureza diferente dos processos demências descrita por Alzheimer ou de outras demências orgânicas. Por outro lado, nem sempre eram precoces. O objetivo de Bleuler era procurar um distúrbio fundamental em que pudesse basear o diagnóstico sem fixá-lo no curso ou nos quadros finais. O termo esquizofrenia (“mente cincida”) expressava a dissociação do pensamento dos afetos e da expressão motora. O novo conceito de Bleuler descreveu sintomas fundamentais que incluíam os distúrbios na associação do pensamento, os distúrbios afetivos, a ambivalência e o autismo.

Estes sintomas ficaram conhecidos como os quatros “as” de Bleuler. Falava também de sintomas acessórios como as alucinações e delírios.

4- EPIDEMIOLOGIA

A esquizofrenia ocorre em todo mundo, não havendo diferenças quanto ao sexo, classes sociais, entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, e entre área urbana e rural. A prevalência por toda a vida está entre 1% a 1,5%. Apesar de acometer igualmente os dois sexos, a idade de início no sexo masculino (entre 15 e 25 anos) é em média um pouco inferior a do sexo feminino (entre 25 e 35 anos). O início antes dos 10 anos de idade ou após os 50 anos de idade é extremamente raro e uma observação interessante é que grande número de pacientes esquizofrênicos com início tardio (após os 30 anos de idade) nasceu no inverno ou no início da primavera. Varias hipóteses foram levadas com base nessa observação, como a possível etiologia viral (um vírus de ação retardada que seria adquirido nesse período), fatores ligados à temperatura ou deficiências nutricionais (NUNES, BUENO e NARDI, 1996).

Atualmente se aceita a existência de um componente genético na etiologia da esquizofrenia. Estudos de adoção sugerem que a agregação familiar seja decorrente de fatores genéticos comuns e a concordância em gêmeos monozigóticos (48%) é significantemente maior do que a encontrada em gêmeos dizigóticos (17%) (CHOWDARI & NIMGAONKAR, 1999).

O suicídio é uma causa freqüente de morte entre esquizofrênicos.

Aproximadamente 50% dos pacientes tentam ao menos uma vez o suicídio, e entre 10% 15% se suicidam em 20 anos de acompanhamento Psiquiátrico. Os fatores principais que aumentam o risco de suicídio incluem: presença de sintomas depressivos, idade jovem e nível elevado de funcionamento prémórbido (NUNES, BUENO e NARDI, 1996).

5- PRINCIPAIS TIPOS DE ESQUIZOFRENIA

5-1 ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE – CID -10 (F20.0)

É o tipo de esquizofrenia mais comum em muitas partes do mundo. O quadro clínico é dominado por delírios relativamente estáveis, usualmente acompanhados por alucinações, sobretudo auditivas, além de outras alterações perceptivas, distúrbios de afeto, volição, discurso e sintomas catatônicos não são proeminentes (NUNES, BUENO e NARDI, 1996). Paranóide é uma psicose de delírio mais ou menos sistematizado articulados sobre um ou vários temas. As características predominantes são os delírios de perseguição, referência, ascendência importante, missão especial, mudanças corporais ou ciúmes, vozes alucinatórias que ameaçam o paciente ou lhe dão ordens entre outras (BOCK, FURTADO, TEIXEIRA, 1999).

O CID-10 exemplifica como sintomas paranóides mais comuns:

Delírios de perseguição, referência, ascendência importante, missão especial, mudanças corporais ou ciúmes;

Vozes alucinatórias que ameaçam o paciente ou lhe dão ordens, alucinações auditivas sem conteúdo verbal tais como assobios, zunidos ou risos; alucinações olfativas ou gustativas, de sensações sexuais ou corporais de outra natureza, alucinações ou sintomas “negativos” como embotamento afetivo e comprometimento da violação que podem ocorrer, mas não costumam ser dominantes.

5-2 ESQUIZOFRENIA HEBEFRÊNICA – CID -10 (F20.1)

As alterações afetivas são dominantes. Os delírios e alucinações são fugazes e fragmentários. O paciente se desliga da realidade interna e assume comportamentos imprevisíveis. O afeto é inadequado e, muitas vezes, acompanhando por risos imotivados, caretas, maneirismos e queixas hipocondríacas.

O pensamento está desorganizado e o discurso é cheio de divagações e incoerente, parecendo aos observadores vazio de sentido e sentimento. Uma preocupação superficial é pseudofilosófica com religião e outros temas abstratos aumentam a dificuldade que tem o observador comum para acompanhar o curso do pensamento desses pacientes (NUNES, BUENO e

5-3 ESQUIZOFRENIA CATATÔNICA – CID-10 (F20.2)

Distúrbios psicomotores demoniantes (Demônios) são aspectos essenciais e podem se alterar entre extremos, tais como hipercinesia (com agitação freqüente) e estupor ou obediência automática e negativismo. Atitudes e posturas podem ser mantidas por longos períodos. O tratamento psicofarmacológico e o melhor ambiente dos hospitais psiquiátricos modernos fazem com que os quadros com essa sintomatologia clássica sejam vistos raramente. Os sintomas catatônicos podem ser vistos em doenças infecciosas, como sífilis ou intoxicações várias, assim como em outras formas de esquizofrenia (NUNES, BUENO e NARDI, 1996).

5-4 ESQUIZOFRENIA INDIFERENCIADA CID-10 (F20.3)

São condições que satisfazem os critérios diagnósticos gerais para a esquizofrenia, mas que não se adequam a nenhum dos subtipos ou apresentam aspectos de mais de um.

5-5 DEPRESSÃO PÓS – ESQUIZOFRÊNICA CID-10 (F20.4)

Um episódio depressivo que pode ser prolongado, surgindo após o início do transtorno esquizofrênico. Alguns sintomas esquizofrênicos devem ainda estar presentes, mas não dominam o quadro clínico.

Predomina os sintomas negativos. Raramente os sintomas depressivos são suficientemente intensos para preencher os critérios de um episódio depressivo grave. Esse estado depressivo está associado a um risco maior de suicídio.

Freqüentemente é difícil decidir se os sintomas são devidos à depressão ou a medicações neurolépticas ou, ainda, ao embotamento afetivo da própria esquizofrenia (NUNES, BUENO e NARDI, 1996).

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