Sindromes Cromossomicas

Sindromes Cromossomicas

Síndrome de Down ou Trissomia do cromossomo 21

  • Tipo de Alteração

Aneuplodia do tipo Trisossomia

  • Cariótipo

47, XX +21 ou ou 47, XY +21

Em 1866, John Langdon Down notou que havia nítidas semelhanças fisionômicas entre certas crianças com atraso mental. Utilizou-se o termo “mongolismo” para descrever a sua aparência. Segundo o Dr. John, os mongois eram considerados seres inferiores.

O número de cromossomos presente nas células de uma pessoa é 46 (23 do pai e 23 da mãe), dispondo em pares, somando 23 pares. Em 1958, o geneticista Jérôme Lejeune verificou que no caso da Síndrome de Down há um erro na distribuição e, ao invés de 46, as células recebem 47 cromossomos e este cromossomo a mais se ligava ao par 21. Então surgiu o termo Trissomia do 21 que é o resultado da não disjunção primária, que pode ocorrer em ambas as divisões meióticas e em ambos os pais. O processo que ocorre na célula é identificado por um não pareamento dos cromossomos de forma apropriada para os pólos na fase denominada anáfase, por isso um dos gametas receberá dois cromossomos 21 e o outro nenhum.

Como forma de homenagear o Dr. John, o Dr. Jérôme batizou a anomalia com o nome de Síndrome de Down. A síndrome de Down é um evento genético natural e universal, estando presente em todas as raças e classes sociais.

  • Alterações Clinicas

Síndrome de Edwards ou Trissomia do 18

  • Tipo de Alteração

Aneuplodia do tipo Trisossomia

  • Cariótipo

47, XX +18 ou 47, XY +18

Descrita em 1960 por John H. Edwards, hoje a trissomia do 18 apresenta trissomia regular sem mosaicismo, isto é, cariótipo 47, XX ou XY, +18. Pode haver uma translocação envolvendo todo ou a maior parte do cromossomo 18, capaz de ser original ou herdada de um genitor portador balanceado. A trissomia também pode estar presente na forma de mosaico, com uma expressão variável, mas geralmente mais leve. Ainda não se identificou a “região crítica” da trissomia do 18, mas a trissomia parcial de todo o braço longo produz o fenótipo típico da trissomia do 18. A incidência é de cerca de 0,3 por 1000 nascimentos.

A Trissomia do 18 está associada à idade materna, pois grande parte dos casos são originados de mulheres com mais de 35 anos de idade.

A morte ocorre em geral antes da primeira infância, aos 3 ou 4 meses de idade, mas pode ser protelada há quase 2 anos

  • Alterações Clinicas

  • Retardamento físico e mental,

  • Alteraçoes cardíacas.

  • O crânio é muito alongado na região occipital.

  • O pescoço é curto.

  • O pavilhão das orelhas é dismórfico, com poucos sulcos.

  • A boca é pequena e triangular.

  • Grande distância intermamilar.

  • Os genitais externos são anômalos.

  • O dedo indicador é maior do que os outros e flexionado sobre o dedo médio. Os pés têm as plantas arqueadas.

  • As unhas costumam ser hipoplásticas e atrofiadas.

Síndrome de Patau ou Trissomia do 13

  • Tipo de Alteração

Aneuplodia do tipo Trisossomia

  • Cariótipo

47, XX +13 ou 47, XY +13

Reconhecida em 1960 por Klaus Patau observando um caso de malformações múltiplas em um neonato, sendo trissômico para o cromossomo 13. Tem como causa a não disjunção dos cromossomos durante a anáfase 1 da mitose, gerando gametas com 24 cromátides. Cerca de 20% dos casos resultam de uma translocação não-balanceada.

A sua incidência foi estimada em cerca de 1 caso para 6000 nascimentos. Aproximadamente 45% dos afetados falecem após 1 mês de vida; 70%, aos 6 meses e somente menos de 5% dos casos sobrevivem mais de 3 anos. A maior sobrevida relatada na literatura foi a de 10 anos de idade.

Assim como a maioria das outras trissomias, associa-se à idade materna avançada, por estarem mais propícias a ocorrência da não disjunção dos cromossomos. A idade da mãe é superior a 35 anos em 40% dos casos.

A trissomia tem origem do óvulo feminino, pelo fato da fêmea maturar geralmente apenas um ovócito, em antagonismo com o macho, que matura milhões de espermatozóides. Gametas masculinos portadores de alterações numéricas cromossômicas tem menor viabilidade que gametas normais, sendo mínimas as possibilidades de um gameta masculino com 24 cromátides fecundar um ovócito.

  • Alterações Clinicas

  • Baixo peso de nascimento

  • Anormalidades da face e cabeça, incluindo-se microcefalia

  • Má formação dos olhos ou ausência dos mesmos

  • Surdez

  • Fenda palatina e lábio leporino

  • Anormalidades no controle da respiração

  • Malformações das mãos

  • Anomalias dos genitais

  • Má formação encefálica

  • Deficiência mental severa é a regra

  • Epilepsia, freqüentemente tipo espasmos infantis com hipsarritmia,

  • Má formação esquelética, ocular, cardíaca e abdominal,

  • Infecções respiratórias recorrentes com episódios de cianose e apneia são comuns

  • Surdez é comum

  • Hidronefrose e hidroureter são achados freqüentes

  • Anormalidades do baço, pâncreas, sistema reprodutivo e hérnia umbilical são freqüentes

Foram descritos casos com mosaicismo com quadro atenuado e maior sobrevida

Síndrome de Turner

  • Tipo de Alteração

Aneuplodia do tipo Polisossomia

  • Cariótipo

45, X­_

A síndrome de Turner, um distúrbio genético de origem ainda desconhecida, sem qualquer afinidade hereditária, é condicionada por uma anomalia numérica relacionada ao cromossomo sexual, caracterizada pela deleção de um cromossomo X.

A síndrome de Turner ocorre em apenas 1 mulher entre 3.000 nascimentos, devido ao grande número de abortos que chega ao índice de 90-97,5%.

Os organismos portadores são necessariamente do sexo feminino, possuindo, portanto, apenas 45 cromossomos no núcleo de suas células, 23 pares de cromossomos autossômicos e um único X (cariótipo = 45, X).

Pode ser identificada desde o nascimento, por meio da manifestação das características fenotípicas, como também diagnosticada durante a adolescência (com puberdade), a partir de observações preliminares confluentes como: baixa estatura, pescoço muito curto e largo, esterilidade sem ciclo menstrual.

Mesmo vivendo normalmente, os indivíduos afetados desencadeiam alterações de caráter endócrino (hormonal), decorrente a deficiência do cromossomo X.

  • Alterações Clinicas

  • Baixa estatura, não mais que 150 cm;

  • Linha posterior de implantação dos cabelos baixa (na nuca) ;

  • Pescoço alado;

  • Retardamento mental;

  • Genitálias permanecem juvenis;

  • Ovários são atrofiados e desprovidos de folículos, portanto, essas mulheres não procriam, exceto em poucos casos relatados de Turner férteis;

  • Devido à deficiência de estrógenos (hormônio feminino) elas não desenvolvem as características sexuais secundárias ao atingir a puberdade, sendo, portanto, identificadas facilmente pela falta desses caracteres;

  • Não menstruam (isto é, tem amenorréia primária);

  • Grandes lábios despigmentados;

  • Pêlos pubianos reduzidos ou ausentes;

  • Desenvolvimento pequeno e amplamente espaçados da mamas ou mamas ausentes;

  • Pelve andróide, isto é, masculinizada;

  • Pele frouxa devido à escassez de tecidos subcutâneos, o que lhe dá aparência senil;

  • Unhas estreitas;

  • Tórax largo em forma de barril;

  • Anomalias renais,

  • Cardiovasculares e ósseas

  • No recém nascido, há freqüentemente edemas nas mãos e no dorso dos pés, que leva a suspeitar de anomalia.

Em decorrência da disgenesia ovariana, a única fonte de estrógeno para essas pessoas são as supra-renais; como a taxa desses hormônios é baixa, as pacientes devem receber aplicações de estrógenos para estimular o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e o aparecimento da menstruação. Usualmente esse tratamento tem início aos 16 anos para evitar que os estrógenos aplicados retardem ainda mais o crescimento.

Síndrome de Klinefelter

  • Tipo de Alteração

Aneuplodia do tipo Polisossomia

  • Cariótipo

47, XXY

A síndrome de Klinefelter trata-se de uma anomalia (aneuploidia), uma mutação cromossômica numérica, há acréscimo de um cromossomo sexual no conjunto diploide de um indivíduo.

Essa alteração quantitativa foi inicialmente descrita por volta de 1940, pelo cientista Harry Klinefelter, na ocasião em que analisava a demanda de oxigênio pela glândula adrenal, deparando-se com um caso raro de ginecomastia, evidenciado através do proeminente desenvolvimento das mamas (dos seios) em indivíduo do gênero masculino.

Entre as características constatadas, a baixa estatura, a partir de exames o Dr. Klinefelter observou uma variação irregular nos níveis endócrinos esperados para um organismo do sexo masculino, registrando uma elevada síntese de hormônio gonadotrópico (GnRH), folículo estimulantes (FSH) e luteinizante (LH).

Correlacionou então tais resultados à capacidade reprodutiva, onde verificou sinais clínicos como: testículos pequenos e esterilidade (infertilidade) por azoospermia, situação de ausência completa de espermatozoides no sêmen.

Identificada através de demonstrativos genéticos, por meio da visualização e contagem cromossômica (idiogramas), a Síndrome de Klinefelter afeta exclusivamente o sexo masculino, manifestando-se portador de dois cromossomos sexuais X e um Y (47, XXY), visto que o normal é a presença de um X e um Y (46, XY).

A frequência dessa síndrome com um cromossomo X extra acomete um menino em aproximadamente 850 nascimentos.

O tratamento dessa doença é feita com a utilização de testosterona. Os indivíduos portadores podem possuir problemas com a produção desse hormônio, que pode ser reduzida. Na puberdade ele é muito importante para a determinação das características sexuais secundárias desses meninos. Esse tratamento com testosterona deve ser controlado periodicamente.

Os meninos portadores dessa síndrome possuem alguns problemas comportamentais, relacionados à sua baixa auto-estima, carência, frustração, etc. Tendem a serem pessoas mais reservadas, com dificuldade de concentração e baixo nível de atividade.

  • Alterações Clinicas

  • Possuem função sexual normal, mas não podem produzir espermatozóides (Azoospermia) devido à atrofia dos canais seminíferos e, portanto são inférteis.

  • Estatura elevada e magra, com braços relativamente longos;

  • Pênis pequeno;

  • Testículos pouco desenvolvidos devido à esclerose e hialinização dos túbulos seminíferos;

  • Pouca pilosidade no púbis;

  • Níveis elevados de LH e FSH podem apresentar uma diminuição no crescimento de barba;

  • Ginecomastia (crescimento das mamas), devido aos níveis de estrogênio (hormônio feminino) mais elevados do que os de testosterona (hormônio masculino). Em alguns casos tornam-se necessária à remoção cirúrgica;

  • Problemas no desenvolvimento da personalidade provavelmente em decorrência de uma dificuldade para falar que contribuem para problemas sociais e/ou aprendizagem.

Síndrome do Super Macho

Dois irmãos gêmeos. O menor tem cromossomo XY normal e o mais alto tem cromossomo XYY.

  • Tipo de Alteração

Aneuplodia do tipo Trisossomia

  • Cariótipo

47, XYY

Apesar da constituição cromossômica 47, XYY não estar associada a nenhum fenótipo obviamente anormal, ela despertou grande interesse médico e científico após observar-se que a proporção de homens XYY era bem maior entre os detentos de uma prisão de segurança máxima, sobretudo entre os mais altos, do que na população em geral (JACOBS et al., 1968). Cerca de 3% dos homens em penitenciárias e hospitais de doentes mentais possuem cariótipo 47, XYY; no grupo com altura acima de 1,80 m, a incidência é bem maior (mais de 20%). Dentre os meninos nativivos, a freqüência do cariótipo 47, XYY é de cerca de 1 em 1.000.

A origem do erro que leva ao cariótipo XYY deve ser a não-disjunção paterna na meiose II, produzindo espermatozóides YY. As variates XXYY e XXXYY menos comuns, que compartilham as manifestações das síndromes XYY e de Klinefelter, provavelmente também se originam do pai, numa seqüência de eventos não-disjuncionais nas meiose I e II.

Os meninos XYY identificados em programas de triagem neonatal sem vício de averiguação são altos e têm um risco aumentado de problemas do comportamento, em comparação com meninos cromossomicamente normais. Possuem inteligência normal e não são dismórficos. A fertilidade é regular e parece não haver nenhum risco aumentado de que um homem 47, XYY tenha um filho com cromossomos anormais.

Muitos pais de crianças identificadas, antes ou após o nascimento, com XYY, tornam-se extremamente preocupados com as implicações comportamentais. Alguns médicos acreditam que a informação deve ser omitida quando a identificação e feita após o nascimento. A incapacidade de avaliar o prognóstico em cada caso torna a identificação de um feto XYY um dos problemas de informação mais sérios enfrentados em programas de diagnóstico

  • Alterações Clinicas

  • Apresentam altura media de 1,8m;

  • QI (Coeficiente de Inteligência) de 80-118;

  • Grande número de acne facial durante a adolescência;

  • Anomalias nas genitálias;

  • Distúrbios motores e na fala;

  • Taxa de testoterona aumentada, o que pode ser um fator contribuinte para a inclinação anti-social e aumento de agressividade;

  • Imaturidade no desenvolvimento emocional e menor inteligência verbal, fatos que podem dificultar seu relacionamento interpessoal;

Síndrome do Super Femea ou Trissomia do X

  • Tipo de Alteração

Aneuplodia do tipo Trisossomia

  • Cariótipo

47, XXX

Como sugere o nome, a anomalia confere ao portador um ou mais cromossomos X extra. Existem três tipos principais de ocorrência desta anomalia:

•  47, XXX. É a mais comum (1:1000-2000);

•  48, XXX, possuem um retardamento mental mais acentuado;

•  49, XXXXX, possuem as mesmas características do triplo e tetra X. Porém como são penta X, possuem um retardamento mental mais acentuado, pois quanto maior o numero de X maior será o retardamento mental.

Nas células 47, XXX, dois dos cromossomos X são inativados e de replicação tardia. Quase todos os casos resultam de erros na meiose materna.

A trissomia do X e as síndromes mais raras de tetrassomias do X (48,XXXX) e pentassomia do X (49,XXXXX) são os equivalentes na mulher da síndrome de Klinefelter masculina.

Os estudos de acompanhamento mostraram que as mulheres XXX sofrem as alterações da puberdade numa idade apropriada, mas há relatos de puberdade precoce em certas pacientes. Algumas deram à luz crianças, e estas são praticamente todas cromossomicamente normais. Há déficit significativo do desempenho em testes de QI, e cerca de 70% dos pacientes têm problemas do aprendizado graves.

A síndrome de tetrassomia do X está associada a atraso mais grave do desenvolvimento físico e mental, e a síndrome de pentassomia do X, assim como o XXXXY, geralmente inclui grande retardo do desenvolvimento com múltiplos defeitos físicos que lembram a síndrome de Down.

  • Alterações Clinicas

  • Estatura geralmente acima da média, não são fenotipicamente anormais.

  • Apresentam genitália e mama subdesenvolvidas;

  • Certo retardamento mental (algumas são normais, outras retardadas e ou anomalias de caráter sexual secundário);

  • São férteis.

  • Bibliografia

Acesso em 27.05.2011 as 17:30

Acesso em 27.05.2011 as 17:30

Acesso em 27.05.2011 as 17:30

Acesso em 27.05.2011 as 17:30

FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ

Lidiane Francielle da Cunha Almeida Ribeiro

Farmacia /2° Periodo / Noturno

Genética – Marc

SINDROMES CROMOSSÔMICAS

GOIÂNIA

2011

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